IDENTIFICAÇÃO Meu nome é José Benedito da Silva, apelido de Zé Biano, nascido em Taubaté aos 28 de maio de 1927.
FAMÍLIA Meu pai é falecido, minha mãe também faleceu.
O meu padrasto era do interior de São Paulo e a minha mãe é de São Luís.
Meus avós, acredito que eram lá de São Luís, São Luís do Paraitinga.
Nasci em Taubaté, no Hospital Santa Isabel, no capim - naquele tempo colchão era só de capim.
O meu padrasto fazia figuinha, figa. É um troço assim, feito de madeira, de osso, de chifre, e vendia na feira em São Paulo, que morava lá na Quarta Parada, quando eu era criança.
MIGRAÇÃO Morei em São Paulo. Fui daqui criança e fui morar em São Paulo. Vim pra cá com aproximadamente quinze anos, pra conhecer a minha terra.
Viemos pra cá porque São Paulo não estava dando muito lucro.
O padrasto, a minha mãe brigou com ele. Então, como ela era de São Luís, ela veio embora pra cá e trouxe eu. Lá ela separou do meu padrasto.
INFÂNCIA Da minha infância em São Paulo, eu lembro mais ou menos, eu lembro alguma coisa: a sova que eu tomei - isso a gente não esquece. Lembro que carreguei cesta na feira, com nove, dez anos eu carregava cesta na feira. Nós morávamos na Quarta Parada, e depois fomos morar na Penha. Minha mãe era meio andarilha também, ela separava e ia pros cantos que ela cismava.
Então ela veio aqui pra Taubaté.
CIDADES Taubaté
Taubaté, quando eu cheguei, naquele tempo, nossa! Era uma coisa muito diferente, muito, muito diferente, porque mesmo lá no mercado - que hoje eu vendo no mercado, vendo na feira da Breganha há 52, 53, 54 anos mais ou menos, então eu comecei a vender lá com vinte, 22 anos - aquela parte dali, pra cá do mercado, era tudo mato, tinha um rio aberto. Tinha um joguinho de dado lá no mercado, e a coisa era muito diferente. Lá naquele pátio que tem hoje a Breganha era pra fora da terra. Isso eu lembro de Taubaté, e onde eu moro hoje, eu não morava lá, eu morava num outro canto, onde eu moro hoje, por exemplo, era um barrão, em todos os lugares era um barreiro.
MORADIA Eu morava, nessa primeira vez, numa vila na rua Humaitá.
Minha casa era um pardieiro. Era um cômodo, morava eu e a minha mãe. Ela trabalhava de doméstica e eu ia pro mercado, ajudar aquelas pessoas, aquelas senhoras, a carregar a cesta, pra ganhar um trocadinho pra ajudar a minha mãe.
TRABALHO Depois eu fui trabalhar de servente de pedreiro. Mas antes de trabalhar de servente de pedreiro, eu estava jogando bolinha na rua, então passou uma pessoa que trabalhava na [Companhia de] Juta, um moço chamado Coelho, então ele convidou eu se queria trabalhar na Juta, porque tinha muito serviço, e tinha um escasso de pessoas que trabalhassem, aí eu fui trabalhar na Juta. Trabalhei na Juta um punhadinho de tempo. Depois, na Juta, eu casei, arrumei uma mulher lá. Com dezoito anos, mais ou menos, casei. Depois disso tudo, eu fui trabalhar na Predial, de servente de pedreiro.
Naquele tempo não tinha esse negócio de carteira assinada. Naquele tempo trabalhava no deus-dará, se caísse, azar seu. Não tinha nada disso, não. Era um servente pra três, quatro pedreiros; hoje é três, quatro serventes pra um pedreiro. Naquele tempo trabalhava mesmo, não era brincadeira não, e eu era meio fortinho.
Depois fui trabalhar de ajudante de caminhão, aprendi a dirigir.
A fábrica de juta era naquele local mesmo que está até hoje. Eu entrava às cinco da manhã - às vezes fazia serão, trabalhava até às dez, porque a gente ganhava por produção. Então, às vezes não dava a produção, tinha que ir até às dez horas, tinha que fazer umas peças de pano pra receber mais. Aí eu já era casado, eu casei na Juta.
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