IDENTIFICAÇÃO Sou Elza Sebe Tonzar, nasci no dia 13 de fevereiro de 1927, na cidade de Taubaté.
FAMÍLIA Meu pai era Nicolau Sebe e minha mãe, Evelin Sebe.
Meus avós chamavam Felipe Sebe e Sara Sebe.
Meus avós eram libaneses. Meu pai é filho de libaneses e minha mãe é libanesa, nascida no Líbano.
Eram comerciantes. Tanto os avós quanto os pais, todos foram comerciantes, toda a vida.
Tenho dois irmãos: Jamil Sebe e Ivan Sebe. Jamil Sebe é comerciante e o Ivan Sebe é engenheiro civil, mas comerciante também.
INFÂNCIA Cresci em Taubaté. Morei uns tempos em São Paulo e depois retornei, depois de casada.
Minha infância aqui em Taubaté foi ótima.
No meu tempo a gente brincava na rua: de roda, cantava, jogava peteca, essas coisas de infância antiga.
MORADIA Morava na praça Campos Sales. Ali no centro mesmo, ali onde é o mercado.
A praça Campos Sales era mais ou menos como é agora. Tem as lojas comerciais. Agora é que tem o camelódromo ali. Naquele tempo era toda livre, as lojas do lado e o mercado no fundo. A praça toda é comércio, tinha armazém de cereais, essas coisas, e lojas comerciais de armarinhos, de tecidos. E não tinha, como tem hoje, lojas de eletrodomésticos. Naquela época não existia, praticamente, era comércio de tecidos e brinquedos.
Papai tinha loja - a Casa Sebe - de tecidos.
A minha casa era a assobradada. Tem a loja embaixo e nós morávamos em cima. Era um sobrado. Não tinha apartamento, não. Era embaixo a loja, bem grande, bem funda, e em cima era a residência.
FAMÍLIA Meu avô, antes do meu pai, já era comerciante. Em Guaratinguetá. Meu avô começou na Aparecida do Norte.
Meu pai foi fotógrafo, quando era jovem. Na Aparecida do Norte tirava - não sei se você ouviu falar - as pessoas tiravam muita fotografia. Então tinha os fotógrafos com aquelas máquinas assim, que enfiava a cabeça assim na coisa e batia a fotografia. Depois aí o meu avô começou a comercializar tecidos, e a família toda, todos eles tiveram loja de tecidos.
Aí meu pai foi para o Líbano, casou-se com a minha mãe e vieram. Ele morou em Lorena um tempo, depois veio para Taubaté. Quando foi mais ou menos em 46, ele mudou para São Paulo. Aí meu irmão construiu uma tecelagem que fazia tecido de forro. Era faillete, alpaca, que existe até hoje. E aí nós mudamos para São Paulo. Depois de uns anos, eu vim passear em Taubaté, conheci meu marido, me casei, e voltei para Taubaté.
COMÉRCIO Na loja do meu pai era assim: o povo vinha da roça. Não era como hoje, que tem condução, essas coisas, eles vinham a cavalo, e tinha os tropeiros que traziam encomendas lá do povo da roça. Então eles compravam um corte para um, um corte para outro, formava assim um todo. E nas lojas, antigamente, não é como hoje que são especializadas: você vendia armarinhos, quer dizer, armarinhos é botões, retrós, linha, tinha perfumaria também, vendia sabonete, creme - tudo isso tinha nas lojas antigamente. Toda ela era sortida. Inclusive tinha aquelas capas que vinham do Sul, que eram aquelas caponas grandes. Era diversificado o comércio.
Vinha do Sul umas capas, eu nunca me esqueço, umas caponas grandes, até o pé. Eu acho que lá deve existir até hoje, porque lá é muito frio. E vendia de tudo, na loja você vendia tudo: armarinhos, perfumaria, tênis, vendia botinão, vendia... antigamente chamava "ramona". Era muito diversificado.
"Ramona" era um tênis feito, como tem hoje sapato, mas ele era feito. [mais...]
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