IDENTIFICAÇÃO Meu nome é Francisco Adilson Natali.
Nasci em 15 de fevereiro de 1939, na cidade de Caçapava, no estado de São Paulo.
FAMÍLIA Meus pais são José Francisco Natali e Neli Nantes Natali.
Meus avós, Giuseppe Natali e Lúcia Povarini Natali.
Meus avós vieram da Itália, no vapor San Gotardo, em 1894. Vieram de Rovigo, na Itália, até Santos. Depois subiram até São Paulo, e aí chegaram até Caçapava.
Acho que as coisas começaram a criar corpo com a chegada deles aqui. Embora, logicamente, já tenha havido alguma troca de correspondência e isso tenha permitido algumas novidades, alguns conhecimentos, alguns contatos para que eles pudessem vir para Caçapava. Que era um pólo cafeeiro, na época. Acho que eles preferiram ficar em Caçapava.
Meus avós eram agricultores.
Meu pai já nasceu aqui.
Meus avós vieram da Itália com uma das irmãs do meu pai, que chamava-se Regina. Essa veio ainda menina. Passou por aquelas intempéries da viagem, aquele problema da febre e tal, mas conseguiu se safar. Depois, os outros nasceram em Caçapava. O derradeiro é o meu pai.
Eram três irmãs e dois irmãos: Joaquim, José e Pedro; Regina, Maria e Elvira.
Meu pai sempre foi comerciante.
Ele é de 1901, então 1925 mais ou menos ele já, garoto, ele já comerciava. Nas estradas. Porque na época tinha muita dificuldade. As cidades aqui, a maior da época, era Taubaté. E Caçapava, muito próxima e vizinha, não tinha um desenvolvimento como tem hoje, essa facilidade que tem. Então ele tinha as vendas, como eram chamadas, os armazéns - os comércios da época eram considerados vendas, chamavam vendas - e ele comerciou durante muito tempo ali nas estradas, com carrinho, com banca na beira da estrada, enfim. Até que ele prosperou e depois veio para a cidade, onde ele trabalhou como empregado. Depois ele foi sócio de algumas pessoas que tinham uma certa influência na época e montou o seu próprio ramo de negócio. Ele trabalhou com cereais, trabalhou com varejo, trabalhou com atacado. Trabalhou com combustíveis, com bebidas, trabalhou depois com distribuição de adubos e produtos químicos. Aí passou para uma máquina de beneficiar arroz e moinho, ou engenho, de fubá. Que era o produto do milho, que era canjica, canjiquinha, quirela, farelo e a própria canjica branca. E sempre com comércio junto, paralelo.
Ele comerciava nas estradas de roça. Estrada rural.
Essa estrada que liga os bairros de Roseira, Roseirinha, bairro do Pinheirinho, Marambaia: nessas regiões é que ele comercializava os produtos, ali. Mexeu muito com produto da região ali.
Tenho duas irmãs mais velhas. Tenho Selma e Marli, eu, depois dois irmãos: Brasil e Eduardo.
EDUCAÇÃO Cresci em Caçapava. Estudei aqui [em] 49. Depois eu fui para Lorena e estudei no Colégio São Joaquim. Mais à frente, estudei no Nogueira da Gama, em Guaratinguetá. E depois vim para Caçapava, fiz a escola de comércio, que era Escola Técnica de Comércio. Depois eu fiz vários cursos e me formei em direito.
CIDADES Caçapava
Vou dizer que Caçapava cresceu nos meus governos. Mas, na verdade, a gente quando pegou a cidade, ela tinha aproximadamente 37 mil habitantes. Hoje nós temos quase 110 mil. Eu fui prefeito de 1983 até 88, depois a segunda vez, de 93 a 96. E agora, de 2001 até 2004, se Deus quiser.
INFÂNCIA Quando eu era criança tinha a estrada de ferro. A estrada começou junto da cidade - porque nós éramos parte da cidade de Taubaté, Caçapava velha pertencia a Taubaté. E dali saíam as Bandeiras. Nós tivemos núcleos de bandeirantes, tivemos um aforamento, que foram terras doadas para a santa Nossa Senhora da Ajuda, na época. Porque era costume: quando uma pessoa não tinha filhos, legava para a igreja ou para o santo. Então existem terras hoje, de Caçapava velha, e com uma divisão política que houve na época, e com o advento da estrada de ferro, a população se deslocou para onde é hoje a cidade de Caçapava.
Caçapava está distante de Caçapava velha, aproximadamente oito quilômetros.
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