IDENTIFICAÇÃO Meu nome completo é Jesse Antônio do Nascimento, sou natural de Jacareí, nascido em 22 de abril de 1948.
FAMÍLIA Os nomes dos meus pais são Pedro Alves do Nascimento e Teresinha de Jesus Nogueira do Nascimento.
Os meus avós se chamavam Teresa de Carvalho Nogueira e Joaquim Paulino de Carvalho Nogueira - esses, os pais da minha mãe.
Os pais do meu pai chamavam José Alves do Nascimento e Águeda de Oliveira Alves.
Eles são de Minas. Vieram de Pouso Alegre, quando meus pais ainda eram pequenos, e trabalharam em Jacareí.
Meu pai, quando moleque, quando garoto, ele foi engraxate. Depois de uma certa idade foi trabalhar numa fábrica de meias em São Caetano. Voltando para Jacareí... A irmã mais velha dele, a Carminha, a Maria Auxiliadora do Carmo, conhecida como dona Carminha, era casada com um italiano chamado Rafael, e montaram uma sorveteria. Só que o casamento dela não durou muito tempo. Meus pais e meus tios aprenderam com o Rafael toda a artimanha da sorveteria. Porque, naquela época, era mais artesanal. Fazia aquele sorvete tipo cassata, aquele espumoni. Esse sorvete mais sofisticado que hoje existe, na época ele já fazia, com mais dificuldade, porque não tinha equipamento moderno, de alta produtividade como tem hoje.
COMÉRCIO A sorveteria chama Leal devido ao nome do irmão, Leal Alves do Nascimento, que é irmão da minha tia, irmão do meu pai. E ele tocou a sorveteria por um determinado período, sendo sucedido pelo meu pai, Pedro Alves do Nascimento. Ele ficou 55 anos trabalhando direto na sorveteria, sem férias, sem nada, porque ele diz que a paixão dele era a sorveteria. Tinha grandes amizades, e tudo o que o pessoal queria saber da cidade, ou acontecimento político ou qualquer acontecimento da cidade, o pessoal ficava sabendo na sorveteria. Porque lá reunia o pessoal que vendia automóvel, vendia gado, vendia terreno. Os políticos também se reuniam lá.
A sorveteria foi fundada em, mais ou menos, em 1937.
Agora está comigo, faz uns treze anos. Porque meu pai veio a ter um problema de doença. Eu tinha um outro comércio, mas vendi para assumir a sorveteria.
Fui criado dentro da sorveteria, mas fiquei afastado por muito tempo. Uns 25 anos, porque eu casei e queria ter uma vida própria, ter meu negócio, ter a minha família, os meus filhos.
CIDADES Jacareí
Nasci e cresci em Jacareí.
Era uma cidade com pessoas todas amigas, todas conhecidas.
O point da cidade era a Sorveteria Leal, o Cine Rio Branco, o Esporte Clube Elvira - concentrado tudo no centro - e a igreja Imaculada Conceição, que é do lado. Então, se uma pessoa não fosse na igreja, na praça, na Leal, no Cine Rio Branco ou no Esporte Clube Elvira no final de semana, parecia que não tinha saído de casa. E é interessante, ali no centro, na praça, porque as moças da classe média para baixo freqüentavam a parte de cima da praça, ao passo que na parte de baixo da praça, a freqüência era mais pela elite, pelas moças da alta sociedade.
Das sete até às nove horas da noite tocava música de alto-falante. Tinha o nosso amigo, Cambiro, um excelente locutor, que apresentava as músicas e fazia os comerciais. Tinha o pessoal passeando na praça. Tocavam músicas do Jamelão, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves e outros tantos cantores da época, Emilinha Borba, Ângela Maria, enfim.
Chegava a época de Carnaval, a época de Natal... Hoje em dia não se faz música como antigamente. Você ia dançar num baile de Carnaval, o que eu me recordo mais, a "Máscara negra", como tem tantas outras músicas, você já ia para o salão de baile, você já estava afiado para os bailes carnavalescos. E época do lança-perfume...
MORADIA Na época de criança, eu morei na rua Rui Barbosa, ao lado da igreja Nossa Senhora da Santíssima Trindade. Eu nasci e fui criado ali.
Era uma casa simples, uma casa humilde. Porque na construção antiga você não tinha muito luxo. Hoje, qualquer casa tem azulejo, banheiro dentro. Antigamente era diferente. Foi a época que começou a modernizar as coisas. Então, chuveiro não tinha: tinha que tomar banho de bacia.
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