Depoimento
 
   
 Silvia Regina Martins Oliveira
  
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IDENTIFICAÇÃO
Sou Sílvia Regina Martins Pereira, nome de nascimento. Nasci em 7 de fevereiro de 1940, aqui em São José.

FAMÍLIA
Meus pais: Nelson Martins Pereira e Sílvia Martins Pereira. Meus avós: Ezequiel Martins Pereira e Piedade Martins Pereira.
Meus avós eram portugueses. Meu avô teve, aqui em São José, uma beneficiadora de arroz, onde é hoje o Banco do Brasil, ali na rua Paraibuna. Então ele era dali, da rua Paraibuna até a Coronel Madeira. Tudo aquilo era dele. Tinha beneficiadora de arroz e fazia aqueles montões de palha de arroz. Ele trabalhou muitos anos com isso.
O meu avô chegou de Portugal em São Paulo. Teve uma fábrica de doces e depois ele veio aqui para São José, se instalou com a beneficiadora de arroz.
Tenho dois irmãos homens, casados, com filhos. Um trabalhou na GM [General Motors] muitos anos. O outro ainda trabalha na prefeitura.

MORADIA
Crescemos em São José. Felizes da vida.
Eu morei ao lado de onde eu moro hoje, que eu moro na rua Luiz Jacinto, no prédio. Do que eu lembro bem porque morei, lógico, em outros lugares, mas o que eu lembro bem eu já tinha de nove para dez anos, ali na rua Luiz Jacinto, que não era do jeito que é hoje. Ela interrompia exatamente ali na curva do S, ela acabava. Não tinha comunicação com a avenida São José, que era bem mais lá para frente. Aquele trecho da Madre Tereza não existia: era Luiz Jacinto que acabava ali, depois começava a avenida São José, bem mais lá para frente. E meu avô morava numa casa ali na Euclides Miragaia, vizinho da máquina de arroz.
Então a minha infância assim, foi maravilhosa. Eu sou única neta, então fui muito paparicada, muito querida. Eu não tenho nenhum trauma de infância, nada disso. A gente brincou muito...
Lá na casa do vovô, que tinha muito espaço, a gente brincava de tudo: de futebol com os meus primos e os amigos deles; a gente subia em árvore; caçava passarinho; todas essas coisas. Eu nunca brinquei de boneca. No meio de tanto homem, eu nunca brinquei de boneca. Agora, já em casa, nós brincávamos na rua porque a rua era fechada, então no verão principalmente a gente ficava até tarde brincando na rua. Era meu vizinho o Raul Viana, o doutor Raul Viana, hoje oftalmologista, e os irmãos dele, e tinha toda família Martins, que é outro Martins. Portugueses também. Então tinha toda turma lá dos Martins: o Iedo, Sinezinho, a Olga, Glória, então a turma. E nós brincávamos, na rua mesmo, de pegador, até tarde, super saudável, sem grandes problemas. Então eu não tenho nada a reclamar.

INFÂNCIA
Na época, o que eu questiono é que meu avô deve ter sido muito rico, porque há sessenta anos atrás uma casa que tinha banheiro dentro de casa - banheira, aquecedor central e exaustor na cozinha - era uma casa privilegiada. Então eu lembro perfeitamente. Aliás, a casa existiu até pouco tempo. Hoje tem um prédio ali de uma estética, bem na esquina. Eles fizeram... foram fazendo, e derrubaram a casa faz pouco tempo. Então era uma casa assim, muito gostosa. Tinha restrições que a gente não podia entrar para um pedaço da casa, que era a casa das visitas. Mas assim, tudo muito bonito, muito limpo, muito bonito, muito limpo. Minha avó tinha um jardim maravilhoso: muitas flores. Mesa de domingo, todo mundo reunido. A vovó fazia aqueles travessões de pastel..., enfim, de coisas gostosas, e a gente se reunia todo fim de semana na casa deles. Tinha duas tias. Uma era casada, morava em São Paulo, mas não tinha filhos. E a outra minha tia era solteira. Então foi a minha segunda mãe. Ela adorava todos nós. Depois - que mais eu lembro de lá? Só lembro coisa boa, viu? A única passagem triste que nós tivemos é que o irmão do papai ficou tuberculoso e morreu tuberculoso. Então essa foi a parte triste da infância, mas uniu mais ainda os primos, a nós, porque aí como eles não tinham pai, ficavam muito mais ainda na casa do vovô, e a minha tia era muito presente. Mas ela trabalhava para poder sustentar os filhos. Mas foi assim. Não tenho... Só tenho boas lembranças.