Depoimento
 
   
 Nilson Ramos Almada
  
   Depoimento | Fotos   

IDENTIFICAÇÃO
Meu nome é Nilson Ramos Almada, nasci na cidade de Bananal, estado de São Paulo, ao dia 12 de março de 1948.

FAMÍLIA
Meus pais: Nilton Coelho Almada e, minha mãe, Geralda Ramos Almada.
Meu pai era funcionário público dos Correios e Telégrafos. Trabalhava em Bananal.
Minha mãe era dona de casa.
Meus avós trabalhavam com fazenda, eram fazendeiros na época.
Em Bananal, mesmo.
O que eu tenho notícia é que eles são brasileiros mesmo, mas de descendência espanhola, algum português - é uma mistura. E minha mãe mais brasileira mesmo, nascida aqui mesmo, alguns traços de índio.
Somos quatro irmãos, dois casais.
Nascido em Bananal só eu, o mais velho; depois a minha irmã e o terceiro nasceram em Taubaté; e a mais nova nasceu em Lorena.
Meu pai pediu a transferência do Correio e veio trabalhar em Taubaté, onde nós ficamos um ano e um pouquinho talvez. Aí meu pai pediu novamente uma transferência para Lorena.

INFÂNCIA
Eu acredito que saí de Bananal com quatro pra cinco anos, e quando nós mudamos daqui eu fui fazer seis anos em Lorena, já.
De Bananal eu tenho um pouco de lembrança porque o meu pai tinha um sítio, e nesse sítio eu ia com o empregado buscar leite numa charrete. Então eu tenho uma certa lembrança dessa época.
O que me marcou muito em Taubaté é que meu tio tinha uma fábrica de doces, e isso marca muito, aqueles tachos enormes com doce de abóbora, doce de banana. E tinha um cachorrinho que chamava Coimbra, em homenagem àquela música da época. Então são coisas que apesar da pouca idade me marcaram muito.

MIGRAÇÃO
Mudamos pra Lorena.
Nós chegamos em Lorena e foi uma coisa diferente pra nós, porque nós não tínhamos casa logo que nós chegamos lá. Então ficamos alguns dias numa casa muito ruim, até meu pai conseguir uma outra casa melhor. Era num bairro retirado. Ficamos algum tempo e depois viemos pro centro. Quando nós viemos para o centro, o meu pai resolveu montar uma bicicletaria. Ele trouxe de Bananal um tio pra trabalhar com a gente, e daí praticamente começou a minha vida no comércio.
Eu tinha sete anos.
Eu já ajudava. Eu não agüentava virar uma bicicleta pra poder consertar, e alguém virava para mim. Eu já lixava uma câmara de ar, e começou ali.
Lorena, a bicicleta lá... Talvez seja uma das cidades que mais tem bicicleta per capita no Brasil, por ter uma topografia plana. No trânsito, lá se respeita a bicicleta, e não o automóvel.

EDUCAÇÃO
Eu comecei no Grupo Gabriel Prestes, que era perto da minha casa, depois passei pro ginásio, pra Escola Irmã Zoraide, a Escola Patrocínio São José, aí passei para o ginásio do estado.
A escola era normal, como qualquer outra na época - pelo menos o que eu passei, nunca tive nenhum problema. Não era o primeiro aluno da sala, mas estava ali no meio, mais ou menos.

INFÂNCIA
Nós brincávamos... Eu adoro jogar futebol; acho que jogo futebol desde quando aprendi a andar. Então eu jogava futebol e à noite era brinquedo na rua, de mãe da rua, de polícia-e-ladrão, como toda criança dessa época.
Eu estudava de manhã e trabalhava à tarde. Depois ainda tinha aquela admissão que fazia à noite, então era muito corrido, porque meu pai era muito exigente nessa parte de trabalhar. Em casa era tudo normal, dava as fugidas pra jogar futebol, como todo garoto.