João Krüger

Nasceu no dia 29/08/1953, no Rio Grande do Sul. Filho de Germano e Otília Krüger, de origem alemã. Moravam em São Lourenço do Sul, na Lagoa dos Patos, região de colonos alemães. Os pais eram proprietários rurais, agricultores e criadores de gado. Tem sete irmãos, passou a infância no sítio e depois morou em São Leopoldo, local onde pensou em ser pastor luterano. No Curso de Teologia passou a se interessar por trabalhos com comunidades carentes e conheceu a ala progressista da Igreja de São Paulo. Cursou História em Cuiabá e fez mestrado na PUC-SP. Morou inicialmente no Butantã e, a partir de 1984, na Vila Madalena, onde já teve até um bar, na rua Fidalga, o Barófilos. É professor da FAAP desde 1985.

Impressões sobre a Vila Madalena

É um bairro legal, eu considero ainda alternativo, eu acho que é um bairro de "argonautas", que quer dizer aqueles que lançam sonhos com pretensão de realizá-los ainda que não totalmente, mas ao menos tentam e quem tenta eu acho que já está encaminhando alguma coisa. E, não é todo mundo, mas eu acho que é um lugar onde se encontram artistas, se encontram músicos, se encontram poetas, se encontram muita gente boa mesmo. Essa é a impressão que eu tenho. Eu me encontro aqui, por enquanto, não tenho nem idéia de mudar daqui. Mas mudou muito, não é a Vila Madalena dos anos 70, início dos 80, virou um bairro meio comercial, também. Tem esse lado. Não é que me incomode. Eu acho que mudou, mudou. Eu lembro de um movimento que a gente fazia aqui nos anos 80 que era "Antes que a Casa Caia", que era um movimento contra toda e qualquer possibilidade de construir prédios na Vila Madalena. E este movimento foi derrotado. Isso foi em 85, 86... até 90. Um outro movimento maravilhoso foi plantar os pés de pau-brasil na rua Jericó, pra que não fosse transformada numa delegacia aquela praça ali do lado da Mercearia. Os paus-brasil não podem ser derrubados, então foi uma forma dos estudantes inviabilizarem a construção de um presídio ali em 1979.

Grandes dúvidas da humanidade

Foi na noite da Vila, com os amigos, que surgiu a brincadeira das grandes questões da humanidade. Eu lembro assim aquela: quem é Percival Maricatto? Por quem os sinos dobram? Quem matou Odete Roitman? Eram os deuses astronautas? Quo Vades? - para onde vais, do latim. Reforma ou revolução? É estória ou história? Quem matou o Chico Mendes? Pra ser jornalista precisa de diploma? Quem existiu primeiro, o ovo ou a galinha? Precisa ou não precisa casar virgem? Quem inventou a pólvora? E a roda? Para onde correm as águas do rio? Qual o destino do vento? Seria mesmo Jesus o Filho de Deus? E a Maria seria virgem? Ser ou não ser, eis a questão! Ou dá ou desce... É, acho que vai por aí.

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