
José Robson Barbosa Cavalcanti nasceu em Porção (PE), em 17/05/1966. Filho de José Maria Cavalcanti Azevedo, advogado, e Maria do Carmo Barbosa Cavalcanti, funcionária pública aposentada. Desde que veio para São Paulo Robson trabalha no bar Empanadas, na Vila Madalena, onde foi auxiliar de cozinha, garçon e hoje é sócio.
Eu vim passear em São Paulo. Tinha um pessoal amigo meu de infância que trabalhava aqui no bar Empanadas, que era um botequinho pequenininho, duas portinhas, só. E me convidaram pra trabalhar. Eu perguntei: trabalhar em que? Eu nunca trabalhei na minha vida. E eu comecei: trabalhei na cozinha, dois anos, depois fui garçon, três anos, fui gerente cinco anos e hoje sou um dos sócios do bar Empanadas. Sou sócio há oito anos. Eu, o Euflásio dos Santos Figueiredo e o Léo. Nós três éramos garçons. Nosso patrão era o chileno, o Reinaldo, e o argentino. Tinha o bar Empanadas e tinha a fábrica, um ficou com a fábrica e o outro com o bar. O chileno, Reinaldo, resolveu ir embora pro interior, escolheu a gente pra arrendar o bar. Logo depois do Plano Collor, propôs o sistema de arrendamento do bar. Fizemos vários contratos de dois anos, três anos. E as coisas vêm dando muito certo pra gente, graças a Deus, porque uma, que nos anos 80 com duas produtoras de cinema: a Tatu Filmes e a Filme Brasil. Então o bar sempre teve uma freqüência de cineastas, diretores, produtores de cinema, já teve muitas filmagens aqui pra curta-metragens. Eu acompanhei tudo isso.
Foram uns seis filmes, mas tudo pequeno, sabe? Esses filmes de Gramado, tinha tudo vinte minutos. Ecos Urbanos, da Tatu Filmes, Marvada Carne... Todas essas pessoas passaram e passam por aqui, só que agora com menos freqüência. Antes era point deles, mesmo. O pessoal vinha do Rio, eles ligavam e diziam assim: quero ir no bar Empanadas. Aquele Kikito ali, é do Melhor Som de Gramado do Mário Mazzeti. Mas por que esse Kikito aqui, eu perguntei pra ele. "Ganhei um prêmio e vou deixar em casa? Quem vai ver? Meus amigos, minha mulher, meu filho... Eu pus num bar, um lugar público. Todo mundo vai ver". E esse ônibus tem uma história muito legal. O Chocante, ele trabalhou na MTV muitos anos. Aí teve um dia ele chegou aqui todo melado de tinta, os braços, tudo, né? Chocante, o que é que você tem? "Separei da mulher, virei agora um artista plático". Comecei a rir dele. Ele falou: "Robson, comprei um compensado, vou fazer uma arte linda, vou pôr aqui no teu bar, todo a mão, não vai pincel nenhum". Tanto que ele fez com as mãos. Colocava as mãos assim no balde de tinta e começava, sabe, na tela... foi nem na tela, compensado... O que veio de gente aqui pra comprar este ônibus, fotografar, tudo! Até já fez parte de filme, já, esse ônibus.
Era uma figura o Piriri... Era um cara legal. Ele vinha: "ô, Robson, quero comer um negócio". Aí eu fazia, dava comida pra ele, fazia questão. Todo dia ele fazia aniversário. "Robson, tô aniversariando hoje". Tá bom, quer ganhar o quê? Mas era todo dia, cara. Não vou dizer todo dia, mas todo mês ele aniversariava. Ele via uma pessoa que nunca via, estava há um tempão sem ver aquela pessoa: "ô meu amigo, é meu aniversário hoje"... "ah, meus parabéns!" "me dá um trocado aí?"... aí saía. Ele começou a passar do normal: "esses nordestinos vieram conquistar a Vila Madalena inteirinha, por quê? Esse pessoal não se liga, não?" O bar lotado! Aí teve um dia que eu dei uma carreira nele até a Mourato Coelho. E ele corre, rapaz! No outro dia eu peguei mesmo a parte dele no jornal, onde estava o nome dele, eu peguei o corretivo e corrigi. "Não acredito que você fez isso comigo, Robson, o artista mais importante da Vila Madalena!" Falei: você tá passando do normal. Depois fiquei com dó e ele falou: "tá bom, eu vou me comportar".