
Pedro Benuthe nasceu em São Paulo (SP), em 1917 e faleceu na mesma cidade em 1996. Filho de imigrantes sírios, sempre se dedicou ao comércio. Na década de 60, comprou um terreno na rua Rodésia onde construiu mais tarde o Bar e Mercearia S. Pedro. Tocou o negócio com a ajuda de seus filhos Pedro, Mirko (já falecido), Marcos e mais tarde Munir. O bar é um ponto de encontro tradicional do bairro e mistura restaurante, mercearia, livraria e locadora de vídeo, tudo no mais autêntico estilo da Vila Madalena.
A gente morava no Itaim Paulista e uma noite o meu pai chegou chateado em casa. Ele queria mudar de bairro e confiou ao seu irmão a compra de um terreno na zona oeste. Depois do negócio feito ele foi lá ver. Era um charco, um brejo ao lado de um colégio e um campo de futebol. Com uma meia dúzia de casas em volta. Era a rua rodésia, Vila Madalena e ele veio de lá arrasado. Meu tio ainda tentou consolar, dizendo que lá era um lugar de futuro, mas ele não se consolava. O tempo foi passando, conversa vai, conversa vem e eles acabaram construindo o que viria a ser o Bar e Mercearia S. Pedro. No início foram secos e molhados. Tinha sacos de arroz, feijão, caixas de sabão em pedra, produtos alimentícios. Ele inclusive relutou muito com a idéia de abrir um bar. Imagina...
(História contada pelo seu filho, o comerciante e terapeuta corporal Munir Benuthe)
Uma figura inesquecível era o Lari-larái que era um grande amigo do meu pai. Bêbado inveterado, ele acordava bebendo cachaça. Ele tinha um cachorrinho chamado Pombinho. E ele era assim, duas três horas da tarde ele já estava caindo, deitado de bêbado. O Pombinho era que tomava conta do Lari-larái e bebia junto com ele. Foi um dos únicos cachorros que eu conheci até hoje que bebia pinga junto com o dono, no copo dele. Ele pedia a pinga, primeiro dava pro Pombinho, o cachorro lambia, depois ele bebia. E o meu pai disse pra mim uma vez: "Filho, você está trabalhando num bar. Você precisa saber o que é que a bebida faz com uma pessoa, então preste atenção." O meu pai abriu as portas e veio o Lari-larái, que bebia Tatuzinho. O meu pai abriu a garrafa e botou água. Ele deu pro cachorro, que lambeu e fez uma cara feia, porque não era pinga. Mas o Lari-larái virou, tomou e pediu mais uma. O meu pai pegou a mesma garrafa, botou a água, ele bebeu e ficou bêbado. Eu via o homem tropeçar e sabia que ele tinha bebido água.
(História contada pelo seu filho, o comerciante e terapeuta corporal Munir Benuthe)