José Geraldo Juste (Zé Geraldo)

José Geraldo Juste (Zé Geraldo) nasceu em Rodeio (MG), em 09/12/1944. Seus pais foram Antonio Juste Sobrinho, agricultor, e Dinah Moreira Juste, dona de casa, ambos mineiros, ela de Ubá e ele de Rodeio. Zé Geraldo tem duas filhas, Anielisa e Aniela Stopa Juste, a Nô Stopa. Administrador de empresas de formação, Zé Geraldo é cantor e compositor, lançou seu 12o trabalho, "No Meio da Área", e tem novo trabalho pronto junto com Renato Teixeira e apresentando seus filhos, Chico Teixeira e Nô Stopa. Morador da Vila Madalena há cinco anos, ele possui um site na internet para quem quiser conhecer mais sua carreira:

www.zegeraldo.com

Como tudo começou (ou quase um jogador de futebol)

Comecei a escrever versos muito novo ainda em Minas, mas nunca imaginei que fosse ser um artista profissional. Escrevia porque tinha vontade de escrever, e eram versos pras namoradas... eu achava, sim, que ia ser um jogador de futebol, jogar no Santos, que é meu time, na Seleção Brasileira. E quando vim pra São Paulo eu já tinha versos, já compunha, mas achava que ia ser jogador. Cheguei a treinar em alguns times mas gostava da noite e ia pros bares, bebia, era incompatível treinar de manhã. Eu gostava mais dos bares, gostava de futebol, mas não de treinar, não tinha disciplina nenhuma e já tinha uma tendência pra boemia. Quando foi por volta dos 20 anos fui passear em Minas e na ida, os meus amigos daqui de São Paulo falaram: "quando você voltar de férias, dá uma chance pro futebol. beba, mas não vá pra noite, vá treinar, você tem jeito..." Aí fui pra Minas com esse pensamento de, na volta, me dedicar um pouco. Mas não tinha de ser mesmo, na volta o ônibus em que eu viajava teve um acidente com uma carreta, morreu uma porção de pessoas, fiquei quase um ano no hospital em Carangola, interior de Minas, e nesse um ano desenvolvi meu lado compositor e tinha platéia, pessoas de lá mesmo. Quando saí eu já tinha mais vontade, estava mesmo impossibilitado de jogar futebol, todo quebrado, então achava que poderia ter mais chance com música. Fiquei dois anos fazendo fisioterapia em Santos e nesse período conheci uma banda que tocava em bailes, chamada Blow Up, e comecei a cantar com eles, em inglês. Terminada a fisiopterapia voltei pra São Paulo pra estudar, fazia faculdade de Administração, e nesse período fui crooner de uma banda de bailes, aqui, durante oito anos. Cantei nos principais clubes de São Paulo. De dia trabalhava como executivo, fui galgando postos, mas fim de semana eu tirava meu terno e gravata e ia cantar e tocar nos bailes. Mas eles me cansaram. Eu já tinha aprendido a administrar minha timidez, a me comunicar com o público, achei que era hora de bater asas e mostrar minha música nos festivais. Continuei como executivo e fiquei nessa de festivais de fim de semana quase três anos, foi num festival do final de 1978 tinha um produtor da CBS no júri, eu ganhei, era o 1º Festival de Música da Ericsson no Brasil. Aí pedi demissão do meu emprego, todo mundo disse que era louco, meu pai veio até de Minas pra me dar conselhos, mas eu comecei a gravar em 79 e nunca mais botei minha gravata pra trabalhar.

Chegando na Vila Madalena

Agora em fevereiro completei cinco anos que moro aqui na Vila Madalena. Foi uma grande coincidência, porque quando eu comecei a gravar eu tinha um apartamento muito grande lá na Vila Mariana, comprado por aquele sistema financeiro antigo, com reajustes cruéis, e como eu larguei minha carreira de executivo pra entrar na carreira artística, e não sabia como ia ser meu dia a dia, tinha que passar esse apartamento pra frente. E fiquei esperando o dia da minha música devolver o meu patrimônio e ela devolveu. Foi uma grande coincidência ter sido aqui, porque eu estava procurando e o que me agradou e que as condições... foi assim, amor à primeira vista. Bati o olho e falei: é aqui e pronto. Já vim direto, tinha um casal de joão-de-barro morando, eu botei os dois pra fora, pulei pra dentro e estou morando até hoje.

Impressões sobre a Vila

Hoje em dia eu já não sou tão boêmio, já não saio na noite. Aqui eu tenho uma porção de amigos, de vez em quando vou num bar tomar cerveja com um, com outro, mas não sou como... quando vou sair à noite tenho que dormir um pouco antes... Mas aqui é uma grande cidade do interior. Por exemplo, eu saio, em todo lugar que eu vou, tem músicos que tocam comigo que moram aqui, o Carneiro, o Carlito, o Capenga, um grande amigo muito antigo, mora aqui pertinho, a gente está sempre se encontrando. E os moradores antigos da Vila. Eu rodo de manhã, vou ali na vendinha da Fidalga, tomo um vinho, vou na adega aqui da Mourato, tomo outro vinho... Eu tenho um cachorro que fez quatro anos agora, tem pelo menos três anos e meio que eu rodo com ele aqui pela Vila todo dia, praticamente a Vila toda já conhece o Ulli. Encontro pessoas de todas as raças, de todas as idades, que param nas esquinas, conversam comigo, conversa fiada, e eu gosto de casos, sou mineiro, gosto de conversar, contar casos, ouvir casos, então, hoje em dia eu me considero um morador bem tradicional, já. Com cinco anos apenas me sinto integrante.

Histórias da estrada

Tem uma história que eu sempre conto, que até o Boldrini me fez contar no ar pra todo o Brasil. Um dia, no meio dos anos 80, tinha um ônibus velho, já meio fora de linha e a gente viajava nele. A gente estava lá no Vale do Jequitinhonha e uma pedra quebrou o pára-brisa. Como era um ônibus fora de linha, então não tinha pára-brisa pra comprar lá e nós andamos uns dias com aquele ônibus daquele jeito. E estava um poeirão lascado. Aí a gente foi tocar na primeira cidadezinha logo que atravessou a divisa Minas Bahia, fomos fazer um show lá. O ônibus deu a volta na praça, parou perto do bar, tinha uma baianinha na janela, e eu desci cabeludo, né, o cabelo todo cheio de poeira, os olhos vermelhos, desci com o violão na mão, a baianinha olhou assim e falou: "Ô titia, vem ver o cantor, o bicho é feio que só a porra!" Nunca mais esqueci.

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