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História

A alegria de viver

História de: Julice Viviane Dias Costa
Autor: Beatriz Pedroso Fagundes Rehermann
Publicado em: 30/11/2018

Sinopse

Uma vida cheia de dificuldades, onde em cada fase houve um obstáculo. Até hoje eles existem. Mas ela tenta não se deixar abalar e percorre a vida sempre com um sorriso contagiante e encantador. Sorrindo, cantando e dançando pra vida. Afinal, acha que assim, a vida fica mais fácil de se viver.

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História completa

“Oi, sou Julice Viviane Dias Costa, mas você pode (por favor) me chamar apenas de Vivi. Espero que não se importe de ouvir, porque eu não pago imposto para falar.” Nascida em Santa Maria, em uma família pobre, típica do interior, do interior, lá de onde Judas perdeu as botas. Aos dois anos mudou-se com sua família para Canoas, depois Viamão, onde permaneceu até os nove anos de idade. De Santa Maria “Vivi” não tem recordações. Da sua segunda morada, Canoas a única lembrança é um episódio traumático onde seu irmão mais novo – ainda bebê, engatinhando à época – saiu pelo portão de casa e foi atropelado por um carro. Nada aconteceu de mais sério com ele, mas essa memória não deixa de ser um prelúdio da sua vida, com percalços sérios, mas nunca deixando a alegria de lado.

 

As primeiras lições de vida.

 

Sua vida em Viamão e sua família são as memórias mais fortes de sua infância. Lembra-se como se fosse ontem, de sua mãe costurando calcinhas para ela e suas irmãs e cuecas para os irmãos. De uma família tão pobre que seus brinquedos eram arranjados no quintal e de dentro da imaginação de cada um deles, mas era alegre, de uma alegria sincera e descompromissada. Risos, brincadeiras e tardes cansadas de fome e recheadas de amor familiar. Não era perfeita como nada é nesse mundo, mas era na medida que precisava para aprender o grande segredo da vida, a alegria de se viver. Aos seus nove anos de idade mudaram-se para Guaíba, cidade que adotou como sendo sua e onde hoje tem a sua própria casa construída com esforço ao longo dos anos, e onde tem também suas maiores preciosidades, suas duas filhas, seu marido, seus cachorros e gatos. A princípio a mudança não trouxe felicidade à família. Mesmo saindo de uma casa de 20m² sem divisórias, para uma residência com dois banheiros e onde cada um tinha o seu próprio quarto. Era época da Borregaard celulose, sem filtros nas chaminés, o que resultava em náuseas e vômitos constantes em todos os recém-chegados. Além disso a saudade dos amigos ensinou uma profunda lição em sua alma. A felicidade não está no material, mas naquilo que não vemos com os olhos. A situação só mudou com o começo do período escolar e com amizades de verdade. Nessa época a condição econômica ainda não era das melhores. Sua mãe cozinhava quase diariamente polenta para alimentar a família. Para o lanche da escola era feito pão caseiro, sempre. O que motivou a ela e aos irmãos a buscarem alternativas. A maneira encontrada era pescar lambaris no rio Guaíba, que ficava a poucas quadras de casa. Os irmãos dividiam as tarefas de pesca, limpeza e fritura dos peixes. Eram “os nossos petiscos da manhã” relembrando com carinho desses momentos. Mas a adaptação à cidade veio mesmo com os verões na praia da Florida, aonde vinham gente de todas as cidades como Porto Alegre, Viamão e até do interior do estado. “Corríamos e brincávamos entre as barracas dos visitantes nos acampamentos; era tudo muito simples, muito alegre e familiar. Ficávamos até as 2h acordados e nos divertindo”, comenta Julice. Começou a trabalhar cedo, aos dezesseis, fora de casa. Foi nessa fase que teve uma das experiências mais significativas com a vida e com a gratidão a que temos dela todos os dias. Dentro de um fusca, estava ela e um namorado da época. Saíram para buscar pão, tarde da noite. Ao chegar no estabelecimento o namorado desceu do carro e encontrou as portas cerradas. Não perceberam que enquanto ele descia do carro, aproximaram-se dois rapazes portando facas e similares. Renderam os dois e os colocaram no banco de trás do carro. Levaram o fusca para uma área de matagal fechada, próxima de onde haviam os rendido. Espancaram o rapaz e obrigaram os dois a se despirem. Foi quando ouviram-se tiros. A fé reacendeu, e Vivi começou a rezar compulsivamente para que nada de mal acontecesse, e agindo instintivamente, pôs as mãos à cabeça e abaixou-se, esperando que a confusão se resolvesse. Mas os tiros não eram dos bandidos nem da polícia; tratava-se de um casal que havia sido naquela mesma noite, sequestrado e conseguira fugir. O casal poderia ter ficado em casa ou mesmo ter ido direto à delegacia. Mas é a vontade de ajudar para que outros não passassem pelo que o casal passou, ou até pior, que os motivou a voltar. Essa é a maior gratidão, a descompromissada. Lembrar dessa história é lembrar que ajudar o próximo deve ser parte de nossa vida, de nosso cotidiano. O casal foi solidário e os acompanhou até a delegacia, mas Vivi não quis contar o episódio aos pais, preferindo o silêncio sobre o ocorrido. O namoro não durou muito, mas a vontade de retribuir o bem aos outros e a fé permaneceram.

 

As filhas, o(s) recomeço(s) e os laços de coração.

 

Aos 18 para 19, conheceu seu primeiro marido, Alexandre. Olhando para trás, Vivi diz ter se apaixonado pela figura dele, por tudo o que ele aparentava ser, não por quem efetivamente ele era. Mesmo assim à época, parecia ter encontrado a pessoa ideal, namoraram e depois de um certo tempo brigaram, nesse meio tempo ela conheceu um outro rapaz, o qual para sua surpresa, engravidou. “Eu não estava preparada, muito nova para ser mãe”. Esse pensamento a levou para uma decisão que marcou sua vida: abortou. De começo achava que não teria coragem. E somente três pessoas souberam disso, suas duas melhores amigas, e seu irmão mais velho, nem seu namorado teve conhecimento do fato. Até este momento, ninguém mais de sua família sabe.

 

Para Vivi, em seu pensamento, muito do que veio a seguir na sua trajetória em matéria de provação e até mesmo o câncer recente, é consequência daquele episódio. Qualquer coisa que aconteça a ela, “foi merecido”. De certa forma, isso trouxe outra perspectiva à sua existência. Reza até hoje por aquela alma, pedindo luz sempre. Mesmo com tantos sofrimentos na sua vida, nunca deveria deixar o sorriso de lado e seu alto astral cair. Mas o destino teima em suas linhas,voltou com seu primeiro namorado, Alexandre, e passado um ano, engravidou novamente. Dessa vez quando descobriu estar grávida, contou ao seu companheiro “ele não vale nada, mas uma coisa eu tenho que agradecer a ele: ele disse para continuar a gestação. Não sei o que faria se ele dissesse para interromper. Foi a melhor coisa do mundo, a minha filha foi a luz da minha vida”. A gravidez foi uma história à parte, Vivi passou dois dias, “que pareceram semanas”, trancada no quarto depois de contar aos seus pais. “Eles não entendiam, outra época, eu era considerada uma traidora por ter uma filha sem estar casada”. Essa exclusão só terminou quando sua mãe entrou no quarto com um par de sapatinhos de bebê feito à mão em tricô azul.

 

Dali para frente pôs em sua cabeça que seria a melhor mãe do mundo. E não mediu esforços para tal. Trabalhava durante todo o dia e ainda chegava em casa, fazia as tarefas diárias, atendia a filha e por fim, de madrugada estudava. Alexandre o pai da criança, recebia um salário alto para a época, mas mesmo casados – foi obrigada pela família ao casório – ele não aparecia com o dinheiro, gastando tudo na boemia. Um pai ausente não seria um obstáculo para Vivi. Estava determinada a reparar seus traumas e transformar para melhor a vida de sua filha. “Quero que ela seja inteligente e forte”. Escolheu em homenagem a filha de uma amiga, o nome de Betina. Viu na história de uma menina de três anos que enfrentou uma doença terminal, dando forças à sua própria mãe e repetindo a todos que estava bem, o exemplo que buscava de luz, paz de espírito e força para sua própria filha. Mas nem precisava ser outra história para motivar a futura criança. Bastava a própria gravidez em si como inspiração.

 

Problemas de pele – perdera a sola dos pés, devido ao estresse e fadiga – permanecendo no hospital imóvel por semanas; problemas de coluna; gripes fortes de acamarem a futura mãe; contrações ao longo dos meses; e por fim uma pielonefrite aguda (infecção no rim) que ameaçavam o término da gestação. Tudo superado, na certeza de que tinha que passar isso. Seu sorriso não desapareceu e sua vontade só aumentou. Betina nasceu e Vivi estava pronta para dar a ela o mundo se preciso fosse. Mas nunca sem deixar de lado as lições de vida que a própria jovem mãe aprendera em casa. Dinheiro contado conseguiu comprar um terreno – onde até hoje mora – e começou a erguer sua casa. Não podia dar tudo para sua filha, escolheu dar os estudos e a lições. Ia ao supermercado e dizia: “escolhe só uma coisa para levar”. Betina escolhia um pacote de bolachas ou um iogurte, raramente os dois. Estava aprendendo os valores com a vida. Vivi era a mãe e o pai. Os avós mimavam como sempre, mas o pulso firme de mãe nunca deixou desviar do caminho. Hoje a forte ligação entre as duas é mais do que visível. Veio a separação e Vivi não deixou se abalar, trabalhou em áreas que nem mesmo tinha domínio.

 

Hoje ri ao lembrar-se da vez que conseguiu um emprego como datilógrafa de um jornal. “Não sabia nada, então fiz um curso que deveria ser de seis meses, mas em duas semanas já sabia datilografar e me apresentei no trabalho”. Só não contava em ter aprendido a profissão em uma máquina tradicional e no emprego, viu-se de frente a uma máquina de digitar elétrica. “Não sabia o que fazer, apertava uma tecla e ela saia datilografando sozinha”, conta rindo. Pediu ajuda, aprendeu, cresceu. Trocou de emprego e viu sua carreira e rendimentos aumentarem. Betina já contava com nove anos. Por opção, Vivi não namorava mais ninguém havia três anos. Entretanto em uma noite ela reencontrou o ex-marido, “foi o vinho, sabe como é!” e em um descuido seu veio a engravidar. Nem ela acreditava, pensava se tratar de um resquício de uma ferida ocasionado pelo ao parto da Betina, ou mesmo um ataque do fígado. “Você está tendo um ataque de filho” disse o seu médico. Novamente a família não conseguia entender o que acontecia, mas Vivi já estava mais madura para lidar com isso. Mesmo assim teve dificuldades em aceitar a nova gravidez, afinal não se imaginava sendo mãe novamente. De fato as primeiras notícias eram no mínimo chocantes: gêmeos.

 

De uma vida que considerava terminada ou pelo menos completa do ponto de vista das grandes conquistas – casa, filha, carreira – agora vinham ventos que sopravam para outros lados. Foram a vontade e a alegria que mantiveram a sua cabeça serena e o coração disposto. Uma gravidez difícil que aos três meses levou ao término a uma das gestações. Afinal seria uma filha, não mais duas. Era indicada pelo médico a fazer uma ecografia a cada mês para acompanhamento. Nesse meio tempo o x-marido tentou reatar. As contrações eram quase que semanais, contudo, a dilatação. Vivi ergueu a cabeça, sorriu e decidiu abraçar a filha como sendo um segundo tesouro na sua vida. De uma gravidez indesejada, nascia um amor incondicional. Claro que nada na vida de Julice Viviane vem sem uma boa dose de drama. O parto de Bárbara foi induzido e o cordão umbilical teimou em se enrolar em seu pescoço e cabeça. Isso gerou um pequeno trauma craniano, solucionado com uma touca preta de malha “tipo meia Kendall, sabe? Parecia o seu Boneco” diz Vivi entre risos. “Até hoje a Betina chama a Bárbara assim”.

 

O bom humor sobre a vida passou de mãe para filhas. Ainda neném Bárbara contraiu salmonela e teve de ser internada no hospital. Devido a doença e ao tratamento, sua imunidade baixou e por consequência contraia uma série de doenças das demais crianças que dividiam o quarto hospitalar. Isso não abalou a sua vontade. Mudou-se para Proto Alegre para ficarem as três mais próximas. O pai durante os dois anos seguintes de idas e vindas do hospital visitou a filha três vezes, que lembre Vivi. “Passei natal e ano novo dentro do hospital”, para que sua filha tivesse o amor sempre perto de si. Deu certo, ao final desse tempo retornaram as três – mãe e filhas – para Guaíba, ao aconchego do lar. Na bagagem, histórias, risos, fé e uma conexão ainda mais forte de amor e cumplicidade.

 

O Amor, o pânico, o câncer, a vitória e a alegria de viver.

 

“Ah, agora minha vida está muito melhor, tenho minha casa, minhas filhas e o Henrique que me ajuda em tudo.” O Henrique em questão é o seu atual marido há 9 anos. É mais que marido, é o parceiro de jornada, tanto nas dificuldades quanto nas alegrias. Se conheceram quando a Betina tinha ainda dois anos de idade.Ele tinha então entre 18 e 19 anos de idade trabalhando como officeboy a época. Viraram amigos, mas distantes. Entre trabalhos diários, cuidados da casa e filhas e trabalhos da faculdade, ambos cresceram e tomaram diferentes rumos em suas vidas. Até que tempos mais tarde – já com as duas filhas e de volta a Guaíba – eles se reencontraram e veio a proposta; mas ainda não era aquela. Foi uma proposta de trabalho fixo, sair do mundo das vendas e das comissões, para trabalho em uma empresa de construção civil, (onde trabalham até hoje).

 

No começo não se davam bem. “Ele era muito grosso e falava com aquele jeito do interior. Além disso, eu não sabia nada de construção, nem o que era matrícula – de imóvel – porque para mim, matrícula até aquele momento, era de colégio.” Fala Vivi entre gargalhadas. “Eu era uma barata tonta”. Odiava o emprego e principalmente o Henrique. Foram os colegas e a mãe que ajudaram para que Vivi permanecesse no emprego. Com o passar do tempo, as brigas foram diminuindo e a amizade foi retornando. Saídas com os colegas, conversas mais tranquilas e próximas. “Hum, esse homem está interessado em mim. (risos) Mas eu não podia acreditar éramos amigos”. Por fim começaram a namorar. Aos poucos o companheirismo foi aparecendo e o amor crescendo; especialmente durante o período de doença da Betina, filha mais velha.

 

Em janeiro de 2018, Vivi descobriu a síndrome do pânico, em seu primeiro ataque de ansiedade. Demorou duas semanas para sair de casa. Foi o Henrique que esteve ao seu lado dando apoio em todos os momentos. “Eu sempre fui uma mulher muito independente, daí precisava do Henrique ao meu lado”; um choque sem dúvida, mas um alívio também de poder contar com alguém ao seu lado. O tratamento ainda continua, mas poucas crises têm acontecido. O apoio familiar e a vontade de superar e de se curar são determinantes nesse processo. Mas foi durante seus exames de saúde habituais que veio o susto maior. Em um exame mamográfico de rotina foi constatado o câncer de mama. “Achei estranho a demora no meu exame” diz. Uma ironia do destino para uma mulher que havia sido ama de leite das crianças mais carentes quando grávida. De sobrinha até mães que marcavam horário para amamentarem seus filhos. “O senhor não se preocupe, pois toda vez que faço esse exame encontram uns cristais no meus seios... Sou uma pessoa muito chique, tenho Swarovski em mim.” Conta Vivi, como sempre, rindo da própria fala. Até o médico começou a rir. Mas dessa vez era um pouco mais sério. Nem a própria Julice acreditava. Três dias depois a sua médica especialista já havia sido avisada e começavam os procedimentos.

 

A punção foi a sua pior experiência. E de todo o processo Vivi brinca que a única coisa que se lembra de guardar na memória não foi a queda de cabelo ou as quimioterapias, segundo ela o melhor era emagrecer. “Cinco quilos, saí comprando um monte de calça tamanho 36”, e rindo como sempre. Claro que a perda dos cabelos, a partir da quarta quimioterapia, afetou sua vontade. Mas foi a perda das sobrancelhas – sexta quimioterapia – que mais a incomodou. “Mas passou, graças a Deus”. Sua única reclamação foi que ao invés de emagrecer, ter engordado, por causa dos corticoides. Mas prometeu que agora vai emagrecer tudo de novo. Por outro lado sua gratidão pelo que passou “a minha família, principalmente a minha mãe,” relata. Só que a vida guarda sempre uma grata surpresa para quem se empenha em fazê-la melhor. Pessoas que Vivi mal conhecia – só de Facebook ou outra mídia social – vinham de todos os lugares, para orar, para visitar, conversar, presentear com uma figa, uma água benzida.

 

Colegas da empresa, contatos da Betina e da Bárbara e até as próprias, cortaram os cabelos para doar em prol de perucas. Era a retribuição pelos risos e lições distribuídas. Além disso, o reconhecimento do Henrique e de sua mãe ao, seu lado, decretaram a certeza de que foi abençoada, e teve estrutura para aguentar e superar o câncer, e na sua opinião o pior que foi o pânico. “Tive muita sorte, pois hoje em dia eu tive e tenho tudo para enfrentar isso, não sou guerreira, guerreiros são os que vencem isso sem tudo o que tenho à volta.” Por isso não parou de trabalhar (e de sorrir), nem mesmo suas atividades domésticas e diárias foram deixadas de lado. Isso é a sua forma de superar os obstáculos. Quando questionada sobre de onde vem tudo isso que a sustenta e motiva para seguir adiante, Julice Viviane Dias Costa assim respondeu: “Sabe qual é o meu segredo? No meu computador tenho uma pasta escrita sonhos. Onde coloco tudo aquilo que quero. Minha mãe já me dizia que eu era muito sonhadora, vivia de sonhos... Quando vou realizando – e quando quero eu consigo – vou colocando cada um dos meus sonhos em outra pasta, a dos sonhos realizados. É assim, a gente nunca pode deixar de sonhar.” Diz Vivi sorrindo. Pode ser esse o seu segredo mesmo. Mas ao ver essa mulher forte e batalhadora rindo a cada história de vida que conta – histórias que sabemos que muitos não conseguiriam lidar – nos faz pensar se o seu segredo para viver não é essa alegria contagiante que existe sempre em seu rosto.

 

 

https://soundcloud.com/user-618292604/vivi

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