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História

A casa própria

História de: Ana Carla da Silva Chagas
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

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Vim do Recife pro Rio de Janeiro com seis anos. Meus pais eram separados e eu vim com padrasto e com ela. Minha mãe ia trabalhar e eu ficava na creche, que eu não gostava. Tinha uma professora que me batia ali dentro. Certo dia levei a minha mãe lá e ela pegou no flagra. Deu um sacode na mulher. Aí eu ficava já muito em casa, então, quando ela saía. Às vezes eu ficava na vizinha. Certo dia ligaram pra minha mãe falando que meu padrasto tinha sido assassinado no trabalho. Minha mãe foi a até lá e descobriu que ele estava se envolvendo com uma mulher casada e o marido apareceu e o matou. Foi quando minha mãe foi trabalhar de camelô na Central e como eu não consegui matrícula em escolas por lá, ficava sozinha em casa, às vezes dormia sozinha. Comecei a ficar com medo, via gente no quintal Então minha mãe então arrumou um lugar pra irmos morar no centro. É um casarão invadido, moram cinquenta famílias lá. Ela mora ainda lá, a minha mãe. Com quinze anos eu casei, ainda morei com meu marido um pouco no casarão, depois saímos de lá. Um ano depois também meu irmão foi assassinado. Estava envolvido com pessoas erradas, usando crack. Teve um tiroteio em algum lugar e ele foi encontrado na mata. Eu já trabalhei com a minha mãe, de camelô, já vendi roupa por comissão. Mas por causa dos filhos, comecei a ficar em casa. E meu marido, depois, não queria que eu saísse. Quando comecei a me envolver com essas mulheres pra abrirmos nosso próprio negócio, que é o bar e restaurante Favela Point, meu marido foi contra. Acho que era ciúme, porque tinha cursos e tal e eu chegava tarde em casa, e mesmo quando eu atendo as pessoas, tenho que estar sorrindo, alegre. Mas hoje ele até nos fornece as bebidas. Tive que bater o pé. Ainda hoje às vezes ele resmunga. Foi uma trabalheira no começo, mas acho que já está ficando conhecido. Primeiro, falavam que era o Bar das Sete Mulheres, que fomos em sete. E as pessoas vinha de bom gosto no Bar das Sete Mulheres tomar uma cerveja, comer uma coisinha. E fazemos entrega também. Não precisa nem sair de casa. E eu sonho em construir a minha casa, minha própria casa, pra poder morar com meus filhos, meu esposo e continuar a minha vida. Depois do que batalhei e estou batalhando, meu sonho é de ter minha casa própria.

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