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História

A espontaneidade do atuar

História de: Armando de Magalhães Garcia
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 10/06/2016

Sinopse

Nesta entrevista, Armando de Magalhães nos conta sobre sua família, principalmente, sobre seu pai, que veio de Portugal estudar medicina no Brasil, onde exerceu a profissão de clínico geral. Sua mãe era dona de casa e nunca foi próximo de seu irmão, mais de dez anos mais velho. Nos fala que aos dezesseis anos começou a trabalhar no Banco do Brasil, ficando lá por muitos anos. Nesse período, começou a atuar. Conhecia atores e atrizes nos teatros do Rio de Janeiro, onde residia. Seu pai foi sempre contra ele atuar até conhecer uma namorada minha e ela o convidar e ele aceitar. Depois disso, foi ver tudo. Sua primeira peça foi “Seis personagens à procura de um autor” de Pirandello, com Paulo Autran, Tônia, Celi, Marilia Rei e Loureiro. Fala sobre outras peças, como “Aconteceu em Irkutsk”, sendo a que mais lhe marcou e a qual protagonizava. Não deixa de citar também sua experiência na televisão e também de suas viagens pelo mundo, sendo agente de viagens. Armando também nos diz sobre sua vida amorosa e de seus negócios ao longo da vida, acabando, por fim, por nos contar sobre sua relação com o Retiro dos Artistas.

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História completa

Meu nome é Armando Magalhães Garcia. Nasci no Rio de Janeiro em onze de junho de 1926. Meu pai era de Portugal e minha mãe, que era dona de casa, de Vassoura, no Rio. Antes de eu nascer, meus pais já tinham um filho onze anos mais velho que eu. Nós nunca nos conseguimos dar. Ele tinha um gênio difícil, não se dava com ninguém, não falava com ninguém. Meu pai veio para o Brasil estudar medicina, onde foi clínico geral. Tinha consultório, mas cobrava um absurdo, dez reais e só depois de muito esforço o fizemos cobrar vinte. Morreu pobre, deixou pouca coisa pra gente. A casa de Toneleiros, esquina de Santa Clara de três andares, que na época, ele comprou um terreno lá e construiu a casa, uma casa de três andares muito boa, de pedra, foi alugada por um primo nosso, alugou para a Prefeitura do Rio de Janeiro, foi o erro nosso, não podia botar para fora, porque era da prefeitura, nossa, para vender foi um custo, conseguimos vender. Vendemos para o Circulo Militar, na mesma hora que o Círculo Militar resolveu mexer nos papéis para poder botar a casa abaixo, fez um prédio, não deu nem um apartamento para nós, não deu nada. Nós vendemos essa casa quando o papai morreu por 360 mil cruzeiros, o aplicamos, mas a firma faliu. Nos pagaram algo só depois de muitos anos.


Na minha infância, sempre gostei de atuar. Eu já nasci com esse dom de ser ator, vontade de me apresentar. Tive vontade, sempre, de fazer isso. Quando fui falar com o meu pai, ele ficou danado da vida, querendo que não acontecesse isso, que eu ia desonrar a vida dele. Foi só quando uma namorada minha convidou meu pai a ir ver uma peça que mudou de ideia sobre o teatro. Essa peça era “Seis personagens a procura de um autor” de Pirandello, que fiz com Paulo Autran, Tônia, Marilia Rei e Loureiro. Meu pai gostou tanto que viu a peça três vezes seguidas e nunca mais perdeu uma.

 

Aos dezesseis anos, comecei a trabalhar no Banco do Brasil, inicialmente em São Paulo, mas logo voltei ao Rio de Janeiro. Não gostava de São Paulo por causa da chuva, estava sempre molhado. Nessa época já fazia curso de teatro, o que fiz por dez anos, começando a fazer teatro aos trinta e três anos. Depois eu fui para o Teatro Jovem com um diretor que era o Kleber Santos, que me convidou e eu fiz algumas peças lá: “Aconteceu em Irkutsk”. Nesta, fui protagonista e foi a peça que mais me marcou na vida. Tinha uma cena que fazia no proscênio, sentado numa cadeira, que o meu texto fazia de tal forma que as lagrimas vinham que escorriam e emocionava muito a plateia, a plateia pegava lenço para ficar chorando junto comigo.

 

Depois disso, fiz teatro com Vera Fischer, fiz Brasil todo, fiz o Brasil todo também com Maria Della Costa com o “Tudo no jardim”. Logo, fiz a novela “Carinhoso” na Globo, mas odiei a experiência. Meu negócio era o teatro e não ficar decorando texto todo o dia. Assim, só peguei papéis que não tivessem continuidade, coisas pequenas. Posteriormente, comecei a trabalhar numa agência de viagens, o que me fez viajar muito pelo mundo. Na juventude, mais ou menos aos vinte anos, tive minha grande paixão, que já até morreu, Norma, namoramos, mas estávamos brigando muito por ciúmes. Ela acabou depois se casando com meu primo irmão e tendo oito filhos. Eu acabei me casando com uma filha de um amigo, quarenta anos mais nova que eu. Dez anos de casados já. Eu tive um filho, que é o meu filho de criação, com uma mulher que engravidou. Nós havíamos combinado dela ficar com ele, mas acabou que desapareceu e nunca a vi mais. A última peça que fiz, acho que foi em 86, quando eu fiz com Vera Fischer, o Brasil todo, que eu fui substituindo um ator que não pode ir, peguei o papel e fui, viajei. Foi “Negócios de Estado”, uma comédia com a Vera Fischer, foi a última que eu fiz. Depois me mudei aqui para o Retiro dos Artistas. Estou aqui há três anos.

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