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História

A Infância da mãe da Bruna

História de: 4º ano C da EMEF Capistrano de Abreu - Profªs Jaci e Marta
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/10/2006

Sinopse

Relato da infância de Dona Cláudia, mãe da Bruna, passada no Bairro do Itaim Paulista. Ela fala do tempo em que o Buracão era um lago cheio de peixes. Hoje, devido à ligação com o Rio Tietê, é muito poluído.

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História completa

Meu nome é Claudia, atualmente estou com 32 anos e vou contar um pouco da minha infância. Eu moro no bairro da Vila Itaim desde que nasci, tive uma infância muito legal e tive também muitos amiguinhos, todas as tardes, eu me lembro, nós brincávamos de muitas brincadeiras divertidas. Uma delas era de esconde-esconde, antigamente havia muitos lugares onde podíamos nos esconder, tinha menos casas, muitos terrenos vazios, a rua era bem mais tranqüila, não tinha tanto trânsito, porque a maioria das ruas era de terra, por esse motivo os motoristas preferiam passar somente na avenida que passa em frente à escola Capistrano de Abreu, chamada Domingos Fernandes Nobre.

Uma lembrança bem legal da minha infância é que no local onde moro bem de frente existe um rio chamado Buracão, que na verdade era um porto de areia, meu pai trabalhava nele de guarda noturno, o legal é que me lembro quando o meu irmão ia levar o café da tarde para meu pai, ele tinha que passar por dentro de Buracão, que era o porto de areia, esse Buracão é tão fundo que meu irmão quando chegava ao meio dele para atravessar até o outro lado ele ficava bem pequenininho parecendo uma formiguinha de tamanha profundidade que ele é, eu e meus irmãos brincávamos muito lá, também devido de ter tanta areia.

Só que um dia esse porto de areia foi desativado e com o decorrer do tempo se tornou o Buracão que chamamos até nos dia de hoje, ele encheu de água, se transformando em um mar sem ondas, a água era cristalina, meu irmão, que sabia nadar, tomava banho nele todos os dias, eu já tomei banho nele também, mas ele é muito fundo, não tem beiradas rasas, é totalmente parecido com um buraco e por esse motivo muitas pessoas morreram afogadas nele, todos os dias aparecia pessoas mortas, era muito triste, mas o rio era muito lindo e encantador, época de calor ficava cheio de gente para se banhar e uma coisa interessante para pescar também tinha muitos peixes, minha mãe nem se preocupava com mistura, todos os dias meu pai ou meu irmão pescava e não era peixinho não, eram peixes grandes, meu pai armava a rede a noite, pela manhã quase não conseguia arrastar a rede sozinho, ele sempre tinha um amigo para ajudar e ali depois eles dividiam os peixes.

Eu lembro até hoje que um dia o amigo do meu pai foi ajudar a arrastar a rede, ela veio cheia de traíra, esse peixe é grande e tinha muitos, quando de repente uma delas conseguiu abocanhar o dedo do amigo do meu pai, ela mordia com muita força, ele começou a gritar, eu fiquei assustada, mas depois achei muito engraçado o jeito como gritava e de vez meu irmão ajudar, ele apertava ainda mais a cabeça do peixe na tentativa de ajudar e por fim estava machucando ainda mais, foi muito engraçado, na época eu tinha a idade da Bruna, 8 anos, para mim isso ficou marcado.

A parte triste do Buracão – por trás desse rio, Buracão, passava por ele o Rio Tietê, com o Buracão, eles eram separados, até que um dia máquinas começaram a fazer passagem de valetas para ter o encontro do rio Tietê com o Buracão, não sei qual foi o motivo, só sei que isso aconteceu e por infelicidade de todos os moradores aconteceu uma coisa muito ruim, o rio Tietê era já contaminado, e quando as águas se misturaram o rio do Buracão se contaminou também, tudo ficou muito sujo. O mais triste que também me recordo, foi que no dia que amanheceu o rio já estava todo contaminado, ele parecia como um lençol branco sobre o rio, sabe o que era esse lençol branco estendido por todo rio? Eram os peixes, todos mortos, contaminados devido ao Rio Tietê, foi uma tristeza total para todos. Hoje o Buracão ainda existe, com muita sujeira, poluído de lixo, encoberto por uma vegetação de ponta a ponta, quem não conhece pensa que é um terreno encoberto de mato. Essa é uma das passagens vividas na minha infância.

Vou contar outra bem legal, foi quando comecei a estudar. Sabe, quando comecei a estudar foi no prezinho, antes no Capistrano de Abreu tinha duas salas de pré, onde hoje, atualmente funciona a secretaria e a sala dos professores, eu achava super legal, o nosso uniforme era assim: blusa branca, chapeuzinho vermelho, short vermelho, meia branca e conga branca e uma mochilinha de pano vermelho e uma toalhinha, tínhamos que ir assim para a escola todos os dias, ficava lindo, todos iguais, quando conto isso para as minhas filhas elas riem muito da minha cara, mas eu não me importo, adoro relembrar isso para elas, o que achava mais engraçado era o short que usava, parecia mais um balão, ele era muito fofo e com elásticos na perna, muito apertado, mas é legal relembrar.

Eu estudei do pré-primário até a 7ª série no Capistrano. O interessante é que eu era uma menina elétrica, todas as atividades, todos os eventos, comemorações, eu estava envolvida no meio de tudo que podia imaginar, no teatro, dança, excursões, era muito legal, eu lembro que na minha época, a escola fazia muita excursão para o Teatro do Sílvio Santos, fui várias vezes, participei no Domingo no Parque, estava sempre envolvida nas programações da escola. Um momento legal foi quando teve na escola uma escolha de 40 alunos que fossem indicados para uma viagem que o tema era “Redescobrindo a Nova Europa”, é redescobrindo o interior, eu fui uma das escolhidas, foi maravilhoso, passamos uma semana viajando conhecendo o interior de São Paulo, nessa viagem eu tive o prazer de ficar com a professora Hiromi, que eu adoro muito até hoje, ela é maravilhosa, assim como as outras professoras que tive. Foi uma semana muito legal, ficamos sendo apresentados nos lugares juntamente com a Mônica, que era a filha de Mário Covas, era uma pessoa maravilhosa. Não me esqueço dessa passagem na minha vida.

Fico mais feliz ainda de poder reencontrar alguns dos meus queridos professores e que serão eternamente, como o professor Bernardino, ele é maravilhoso, amável e amigo, ele merece tudo de bom, todas as pessoas que eu conheço e que já passaram por esse professor nunca falaram mal dele, somente o bem. Assim como o professor Laureano, que na minha época era inspetor da escola, achava divertido quando a molecada fazia ele correr atrás deles, ele ficava furioso e quando ele pegava sai de baixo, era secretaria e o livro negro na certa, mas era o dever dele, hoje fico muito feliz de saber que ele cresceu, não de tamanho, mas sim de status, batalhou e venceu e se tornou um ótimo professor de História, pois ele dá aula para minha filha Amanda, ela adora ele, como eu também.

Tive um grande privilégio em estudar nessa escola, assim como as minhas filhas, e espero que a geração passe adiante de geração a geração, assim como eu, minhas irmãs, minhas filhas, minhas sobrinhas, meus primos e até mesmo, meus netos e bisnetos e assim por diante. Por que nós, cidadãos brasileiros, merecemos educação e respeito e tudo que eu aprendi a escola bem estruturada como a Capistrano de Abreu, ela nos dá, basta nós e nossos filhos querer e se esforçar para ser o melhor. Obrigada, Capistrano, por você existir, parabéns aos diretores que por ai passaram e que ainda vão passar, parabéns pelos professores maravilhosos e bem capacitados que nos ajudaram a crescer e que estão fazendo os nossos filhos crescerem hoje. A saber, para finalizar, uma coisa que eu gostava muito, era que todos me chamavam de Claudinha, era uma forma carinhosa que todos tinham por mim. Foi um tempo muito gostoso, espero que minhas filhas venham a ter boas lembranças dessa escola também, assim como eu tenho. 

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