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História

A luta pelo bem-estar dos funcionários

História de: Sandra Carvalho de Souza
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/10/2018

Sinopse

Sandra Carvalho entrou no BNDES como estagiária em 1974. Nesta entrevista, ela nos conta sobre sua trajetória no banco e sua atuação na associação de funcionários.        

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História completa

P/1 - Boa tarde, obrigada por estar nos concedendo essa entrevista. Por favor, qual o seu nome, o local e a data do seu nascimento?


R – Sandra Maria Carvalho de Souza. Eu nasci em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 10/09/53.

P/1 – Quando e como se deu seu ingresso no BNDES?

R – Eu entrei no BNDES como estagiária, a partir de uma seleção em 1974. Naquela época, o estágio era bastante concorrido nas faculdades, no meu caso, de Economia, com o objetivo, a perspectiva de estar discutindo o desenvolvimento do país. Entrei como estagiária, com certeza.

P/1 – Eu sei, mas você… Em que época foi isso?

R - Em 74. Várias coisas aconteceram no país. Vivíamos todos num momento de fechamento político, então a luta pelas liberdades políticas era uma questão básica, a luta pela democracia. Nesse contexto, a perspectiva de discussão do desenvolvimento do país com o BNDES… O papel que o BNDES tinha era bastante relevante. Sua fundação é marcada por uma perspectiva exatamente de primeiro banco desse momento com financiamento de longo prazo, de implantação de infraestrutura no país, e a preocupação que tínhamos no banco, como profissionais naquela época, também era voltada pra isso.

Como estagiária, eu já fui trabalhar na área de planejamento. Era o momento que a gente olhava como importante também… [O banco] ter desenvolvido um sistema de planejamento, o SPI, na época, e eu como estagiária já trabalhava nele. Hoje eu penso com alegria, buscando uma conquista maior e a gente voltar a um momento de efetivo planejamento, que a gente pense no país como um todo.

P/1 – Quais são as atribuições da sua área?

R – Olha, eu... Antes disso, acho que é importante também resgatar, nesse momento de _________________, outro papel que foi o papel como estudante - o papel depois como profissional, num segundo momento, mas o papel como funcionária, parte integrante dessa instituição, de participação, junto aos funcionários, de discussão dentro do papel do BNDES em normas de representação. Aqui dentro a gente tinha uma associação de empregados que tinha um caráter bastante assistencialista, nessa época e desde a fundação do banco, que abre no ano seguinte. A gente considera a associação, que na época era apenas assistencialista, então nesse momento a gente consegue trazer uma discussão também pra essa Associação dos Empregados, buscando uma maior representatividade, uma representação com mais garra aqui dentro, num processo de discussão com a administração do BNDES, ao mesmo tempo que a gente trazia pra associação não só a discussão de caráter corporativo, de buscas de conquistas dos funcionários, como também desse papel do banco. Buscar integrar sempre essa conquista, esse papel da Associação.

Eu acho que a gente avançou bastante nisso, quando a gente chegou na década de 80. A gente tem uma transformação dessa associação, trazendo essas duas discussões: o papel do BNDES, o papel do profissional do banco e o papel do empregado, os direitos do empregado do banco. Acho que vale também marcar um pouco que na década de 80, eu, como representante de um grupo de funcionários que batalhava por isso, eu fui presidente da associação. Isso eu acho que é um marco pela transformação que a gente trouxe pra associação e eu por ter sido a primeira mulher a ser presidente da Associação dos Empregados do BNDES durante esse tempo todo, e obviamente ter ______ em todo o processo interno de conquistas que a gente vai trazendo: a participação efetiva da mulher, da discussão da creche dentro do banco, exatamente em função do papel mais ativo da mulher aqui dentro também. Eu estou trazendo essas questões porque acho que é uma aliança de questões, no momento é importante neste país, e avançando nessa... Em trazer também o avanço das discussões de planejamento, de desenvolvimento, do BNDES como o banco de fomento, de implantamento a longo prazo. [Ele] poderia e pode cada vez mais participar da construção do país.

P/1- Durante a sua gestão como presidente dessa Associação, foi você que implantou a creche?

R – Não, não. Isso é uma... Eu disse ali, como representante de um grupo grande de funcionários que tinha participado do ______. A gente, nesse processo de várias questões que vinham sendo levantadas pelas próprias [pessoas]... Forma de ingresso no BNDES, concurso público, da participação dos estagiários, da condição dos contínuos que tinham na época aqui no banco. Como era o ingresso dentro do BNDES e da luta também por uma implantação de creche ou de um  programa de reembolso creche, que possibilitasse uma maior participação da mulher no...

P/1 – No BNDES.

R – E a gente conquistou um programa de creche. Mas isso é uma das questões, que foi uma conquista pra gente.

P/1 – Qual seria uma dessas conquistas? Quais desses projetos você considera importantes na sua vida aqui no BNDES?

R – Eu acho que esses todos que eu listei, e acho que a gente [está] galgando cada vez mais pra perspectiva do banco, [de] avançar. Acho que ele tem muita contribuição nessa sua história e muita contribuição ainda a dar a nível de desenvolvimento do país, na busca da diminuição das desigualdades sociais, da melhoria do desenvolvimento econômico deste país, de uma forma que a gente consiga atingir, de forma mais universal. E eu acho que a história dele tem a contar com isso, essa é a perspectiva da gente.

Quando a gente associa todas essas discussões, a gente associa essa perspectiva  do BNDES com um grande papel no desenvolvimento do país, como órgão planejador. Acho que esse resgate  é importante, ele está sempre marcando sua presença e como um órgão… Nesse momento, nesse sentido de pensar o país com um desenvolvimento mais igualitário.

P/1 – Agora voltando, o que você faz hoje? Qual sua área hoje?

R – Eu trabalho na Gerência de Promoção Urbana, na área de infraestrutura urbana - projetos dentro do desenvolvimento das cidades, com investimentos na infraestrutura urbana, buscando pensar a cidade como um todo. A origem dessa gerência executiva… Anteriormente era um Departamento de Transportes Urbanos que buscou saída de uma atuação apenas focal, setorial, numa perspectiva de um desenvolvimento mais integrado da cidade mais como um todo, e fomentando projetos de desenvolvimento de cidades, que hoje a gente vem trabalhando.  

P/1 – Dentro dessas atribuições que você tem hoje, tem algum projeto que você destaca como um projeto importante da sua vida? Marcante?

R - Eu acho que um projeto isolado é difícil a gente dizer, mas acho que meu marco é a situação de compreensão, do papel da instituição BNDES e de a gente não pensar apenas na gente de forma muito corporativa, numa vinculação com a instituição. Tentar trazer essas ideias para o país.

P/1 – Quais são as andanças marcantes do seu dia a dia no BNDES? Conta agora uma história sua, engraçada ou interessante. Marcante. Um dia no BNDES.

R – Olha, eu acho que são várias histórias...

P/1 – Conta pelo menos uma. Uma reunião na associação, por exemplo.

R – Eu acho que a transformação, a grande conquista da gente defender um fórum de debates interno, foram muito marcantes. Talvez o momento, que eu não sei marcar a data agora, mas foi no início da década de 90, numa greve histórica do BNDES. Tudo o que a gente _______ que foi uma manifestação de discussão profunda que aconteceu dentro do banco. Houve uma manifestação dos funcionários como um todo, numa busca de diálogo com a administração, numa perspectiva de uma firme atuação conjunta, em termos da instituição. Não uma perspectiva de uma barreira, felizmente. Acho que a gente pensar hoje pra trás algumas questões, a gente pensa isso sempre como conquistas, como avanços que a gente teve dentro da instituição a nível da hierarquia como um todo, quer dizer, do presidente do banco até ... Todos os funcionários em todos os níveis do banco participando, em busca de soluções pra gente avançar, em termos da...

P/1 – Segundo a sua avaliação, o que é o BNDES pra senhora.

R - Olha, o BNDES tem um significado muito grande na minha vida. Foi o meu primeiro emprego, como estagiária...

P/1 -  Com quantos anos?

R – Eu entrei aqui em 74, com 21 anos incompletos e com perspectiva de me aposentar. Estou construindo também uma carreira profissional. Isso tudo faz parte da história e eu... Por tudo isso, o aspecto profissional é questão muito relevante pra mim. Em 1995 eu, buscando um avanço nessa questão profissional, cursei um Mestrado de Planejamento Urbano e Regional e isso também foi muito importante pra eu me encontrar hoje profissionalmente onde eu estou, nessa área de Estrutura Urbana, de Desenvolvimento Urbano, pensando a questão da cidade - não totalmente, mas associada a uma perspectiva de desenvolvimento do país. Isso tudo faz parte de um projeto que não está finalizado, acho que permanentemente está crescendo. A gente trabalha com garra, a gente busca com garra aperfeiçoar esse projeto que está na cabeça, de um país que precisa de muita coisa pra crescer, pra desenvolver e pra ter uma perspectiva de destino social.

P/1 – O que você achou de ter dado essa entrevista e contribuir para o projeto “50 anos de BNDES?”

R – Eu acho que é bastante interessante isso, a gente trabalhar com as várias visões, com os vários momentos da vida da gente. Eu estou falando em 74, falando em 28 anos... É isso? 28 anos de banco e várias fases da minha vida, com vários momentos mais culminantes que outros.

Acho que isso é bastante interessante pra uma história dessa casa. Em todos os momentos, várias pessoas aqui trocaram formas, vivências diferentes. Essa é a busca de a gente contribuir pra crescer sempre mais alguma coisa. Não é finalizando um projeto. Acho que é sempre buscando crescer mais alguma coisa.

P/1 – Quero agradecer muito por ter esperado pra gravar esta entrevista. Muito obrigada. Foi ótimo.

R – Obrigada pra vocês também e espero estar contribuindo pra esse trabalho que vocês vem desenvolvendo.

P/1 – Claro.



 

 

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