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História

Uma criança que sabe o que quer

História de: Gilmar De Yemanja
Autor: Paula Fabyolla Joaquim Meza
Publicado em: 27/11/2018

Sinopse

Desde criança, na cidade de Alvorada, já sabia que ali não era seu lugar. Gilmar trabalhou em algumas empresas na cidade e, então, resolveu mudar o endereço e o rumo da vida. Na nova cidade, Porto Alegre no RS, morou com alguns familiares e uma família a qual seu pai prestava alguns serviços. Passando por muito lugares e conhecendo muitas pessoas e adquirindo conhecimento ao longo da vida e alcançando objetivos que não tinha pensado quando saiu de sua cidade.

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História completa

Gilmar adentra a sala com a calma de quem já correu muito e agora desfruta. Dirige-se a mesa que está no centro da sala ampla com paredes claras que expõem quadros de pessoas importantes na sua vida posicionados de forma que ficam acima de cada lado de seus ombros alinhados à meia altura do chão como se ali estivessem para protegê-lo. Senta-se à vontade em sua mesa de trabalho, com roupas largas e uma sandália de couro com um tom bege. E começa a contar sua vida.

 

No dia 7 de janeiro de 1968 no Hospital Beneficência Portuguesa, nascia Jomar Barcellos com um nome incomum, segundo ele. As pessoas nunca conseguiam o chamarem pelo seu nome a não ser sua mãe e irmãos, que ainda lhe chamam pelo nome de batismo. “Ninguém falava meu nome certo. Minhas tias falavam Gilmar, minha avó por parte de mãe me chamava de um apelido que eu não lembro mais e dentro da casa de religião também me chamavam de Gilmar” disse ele. Essa confusão na pronúncia do nome vem desde a infância, na fase escolar todos os colegas o chamavam de Jomar, mas em casa era chamado pela alcunha. E segundo ele era meio estranho tanto que não gostava no início, mas acabou se acostumando, até algumas pessoas perguntam a ele se trocou de nome por ser Pai de Santo, mas ele deixa claro que não. Foi uma confusão de pronúncia que fez com que até ele mesmo passasse a adotar e se apresentar como Gilmar. “Ficou a tal ponto que às vezes eu to num lugar e chamam pelo meu nome, tipo médico ou algo assim e eu demoro pra atender pois eu já me desacostumei com meu nome"disse Gilmar. Quando começou a trabalhar, com 12 anos, no local de serviço também tinha o nome confundido.

 

Infância determinada


Depois de adulto adotou o costume ir dormir tarde e acordar cedo todos os dias, mas não se levanta da cama. Antes olha os jornais matinais começando pela Hora 1 da Rede Globo, depois troca para o Café com Jornal na Bandeirantes (Band) e assim vai indo até às 8h30, horário que começa o Fala Brasil. Entretanto, só levanta da cama quando termina este último programa mencionado. “Todo dia a mesma coisa” diz Gilmar. Essa vontade de saber das notícias, acontecimentos e adquirir algo que desenvolva o intelecto vem desde a infância. Vindo de uma família composta por seis irmãos, incluindo o próprio. Teve uma infância que considera normal, morou até os 14 anos com os pais em Alvorada. Seus pais eram rigorosos quanto aos estudos, principalmente seu pai. Em 1980, aos 12 anos, dois anos de sair de casa definitivamente e tentar a vida.

 

Seu pai lhe trocou de colégio para um situado no centro da cidade, segundo Gilmar era para que ele soubesse caminhar, pagar contas, ir ao banco. Na época seu pai trabalhava em dois empregos e sua mãe trabalhava nos serviços gerais da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Neste ano seu pai lhe disse que comida não faltaria, mas quanto a roupa e outras coisas que quisesse adquirir teria que trabalhar. Então com 12 anos começou a trabalhar no seu primeiro emprego a fábrica de móveis do Seu Vidal, que se estabelecia na mesma rua onde morava. Diferente dos dias de hoje, à época crianças podiam ser encontradas realizando atividades que hoje são proibidas. Era o caso de Gilmar. Logo depois, ainda em Alvorada, trabalhou como empacotador de supermercado. Gilmar fala que seu primeiro sonho era sair da cidade onde morava, não via futuro para si naquele lugar. A vontade de sair de Alvorada é explicada por Gilmar lembrando do deslumbramento que ficava quando ia visitar os parentes na cidade grande e ficava triste quando tinha que retornar para sua cidade. Então foi falar com a sua mãe e a disse que não queria mais morar ali.

 

Sua mãe concordou, pois, ele era homem e o máximo que iria acontecer é quebrar a cara e voltar para casa. Diz a ele que se quer ir vá assim sendo, Gilmar foi embora para Porto Alegre capital do Rio Grande do Sul (RS). Desde então mora nesta cidade. Quando foi embora ficou algum tempo morando com os parentes que moravam na cidade a qual ele estava indo. Morou um tempo com uma tia que se situava no bairro Azenha, número 338. Depois com outra tia no bairro Montserrat, na rua Freire Alemão. Em uma dessas passagens pelas casas de familiares teve de arrumar outro lugar para morar, pois, sua tia devido a não adaptação segundo Gilmar, “eles eram bem lá do meio do mato” por isso iriam retornar a Rosário, cidade do interior do RS.

 

Experiência positiva


Do meio da sua infância até uns 20 anos, seu pai trabalhava como vigilante à noite e ao dia como um mordomo na casa da família do Doutor José de Barros Falcão, um médico psiquiatra. O convite para morar junto à família surgiu de seu pai comentar com Dona Zilda, esposa do Dr. Falcão, que seu filho estava procurando um lugar para morar devido à mudança de sua tia para o interior. Gilmar já era conhecido da família, ia nas férias com seu pai passar o dia lá e depois retornava para casa.

 

Então Dona Zilda fala que tem um quarto vazio na casa que necessitava de uma pintura e uma ajeitada, mas que faria isso e seu pai poderia leva-lo para lá. Alguns dias depois Gilmar foi levado por seu pai até a residência da família e o convite foi feito oficialmente, e aceito. Foi a primeira vez em sua vida que teve um quarto só seu, até aquele momento era quartos coletivos. A sua família morava de aluguel então um quarto ficava com seus pais e o outro era o das crianças. O quarto foi reformado só para recebe-lo. “Fiquei deslumbrado que tinha uma cama, uma cômoda e um telefone embora o primeiro aviso que recebi do meu pai foi não mexer no telefone” disse Gilmar. Foi nessa casa que conheceu a TV colorida, pois, na sua infância tinha apenas a TV valvulada que precisava ligar uma hora antes para esquentar. “Eu cheguei na casa dele, na condição de empregado era como me entendia, eu era filho do empregado [...] de noite eu fiquei sozinho com a família e eles me chamaram para mesa para comer junto com eles e eu fui, muito constrangido. Tiveram que insistir porque eu não queria ir, eu tinha vergonha como é que eu vou comer no meio dos burgueses”falou Gilmar. Se sentia deslocado, a apreensão de ir juntar-se a eles não eram por não saber se comportar frente a situação, pois segundo ele seu pai o tinha educado muito bem e não iria fazer fiasco.

 

A família queria que ele se sentisse bem por isso o convidaram para ficar com eles, levavam para passeios com seus filhos. Era tratado com naturalidade. “Como se eu fosse da família. Uma experiência muito boa primeiro porque o doutor conversava muito comigo quando ele podia tínhamos longas conversas porque ele entende que eu era filho de pais separados eu poderia ter um trauma. Mas naquele tempo pobre não tinha trauma, mas ele na função dele de psiquiatra me chamava na salinha dele, tínhamos longas conversas era uma pessoa inteligentíssima, educadíssima, fora de série. Foi uma experiência muito boa para mim” disse Gilmar. No tempo que passou com a família adquiriu o gosto e o hábito da leitura. Em um dos fins de semana, quando não tinha nada para fazer, percebeu que os livros da enorme biblioteca no escritório do Dr. Falcão estavam sujos e decidiu limpa-los. Se interessou por Jorge Amado inicialmente. Logo depois, começou a devorar as obras. “Onde me despertou a questão da leitura porque ele vivia lendo, tava sempre. Não lembro de uma imagem dele que não seja lendo. Muito da área da psiquiatria, eu tentei ler livro de Psiquiatria e não gostei não me chamou atenção, mas aí quando eu não tinha nada para fazer fim de semana, eu começava a ler livro. As vezes não queria tá no meio deles não invadir o espaço deles. Eu entendia isso né, então me fechava na biblioteca fica valendo para passar o tempo. Mas eu não tenho mais o costume de ler bastante” disse Gilmar.

 

Oportunidades


  Depois que saiu da casa da família Falcão, começou a trabalhar em um restaurante e surgiu a oportunidade de comprar um apartamento no bairro Leopoldina, zona leste/norte da cidade. A compra só foi possível, pois, o restaurante em que trabalhava no centro da capital, na rua Sete de setembro. Ofereceram a ele a chave do apartamento para vender e, era muito barato. Se fosse hoje corresponderia a R$1.500,00 aproximadamente. “Eu não tinha nada, lá só tinha as paredes. Depois que eu comprei a chave me chamaram na Caixa, estavam fazendo um cadastro de quem morava naquele local e aí passou para o meu nome o apartamento e eu continuei pagando porque era um valor irrisório, muito baixo”. Ressalta Gilmar. Apesar de ter conseguido comprar um apartamento, segundo Gilmar, naquela época, não era melhor que hoje. “Tivemos a história do tabelamento de preços dessas tabelas de preços, eram vantajosas para os empresários. Tinha dinheiro, mas não conseguia comprar comida. Quando criança no supermercado lembro bem dos anos 80, eu lembro bem que a gente não encontrava as coisas, não encontrava açúcar, as prateleiras eram vazias porque todo mundo tinha que vender as mercadorias pelo mesmo preço e isso numa época de uma inflação que tava subindo e era muito difícil e, o empresário que ganha só queria ganhar, e nos mercados encontrava pelo dobro ou até o triplo do preço”disse Gilmar.

 

Em relação ao trabalho e a locomoção até ele era preciso separar do salário da passagem do mês todo, era necessária responsabilidade, pois, se não, eram preciso pedir os adiantamentos para o caso de perder ou acontecer algo com as passagens o que poderia acarretar pedidos cada vez maiores de adiantamentos e por conta disso não sobrar nada do salário. Na sua opinião um grande achado que surgiu foi o vale-transporte. Passado um tempo, já em Porto Alegre. “Sempre tive pessoas muito boas que gostavam de mim” disse Gilmar se referindo, também, a um amigo que lhe deu um curso de Enfermagem de presente. Pois, achava que ele tinha perfil para tal. O curso era na Santa Casa. Naquele tempo era Auxiliar de Enfermagem que atualmente é Técnico de Enfermagem, o curso tinha duração de dois anos e meio. Porém, no fim do curso chamaram todos que fizeram e se formaram para oferecer empregos. Sob algumas condições, tidas como injustas para Gilmar. Foi proposto que os profissionais recém formados trabalhassem como atendentes. Segundo o próprio, o atendente era tipo um faxineiro do paciente, ele fazia assepsia nas pessoas dava banho, limpava, higienização do ambiente. Lidava muito pouco no paciente. Naquele momento Gilmar questionou o porquê de estarem fazendo esse tipo de proposta. Logo depois, dispensaram o grupo, mas chamaram-no em particular para conversar, pois, ele tinha sido o que provocou o questionamento. Então lhe convidaram para exercer a profissão de auxiliar, mas apenas ele. O convite não foi aceito, ele não achava justo só ele ser beneficiado. Gilmar se formou, entretanto, não seguiu na profissão, se fosse atualmente disse que teria que refazer o curso. Devido a naquele tempo ser basicamente tudo manual. “Mas um simples curativo, essas coisas tu não esquece isso aí eu faço rindo” disse Gilmar.

 

Política


  Trabalhando há 23 anos na política antes não gostava. Foi trabalhar por acaso, um amigo lhe convidou em uma eleição. E ele foi, não conhecia nada da política, começou a trabalhar nesse meio a aprender como se dá a política. “Foi um ponto positivo porque a política é muito complexa. E aí tu começa a entender a importância da política no país, o quanto é importante aplicar num país. Hoje eu entendo muito, muito mesmo. Consigo vislumbrar vendo uma matéria, ouvindo alguma notícia. Já consigo entender coisas que não entendia nada. Eu não gostava, quando tu não gosta, não te entende nada, tu não te empenha” relatou Gilmar. O conforto de Gilmar ao falar de assuntos que o tiram de foco por um momento é expressado nos gestos discretos ao se recostar na cadeira, parar de esfregar as mãos em movimento similar ao de estar lavando-as, desviar o olhar, relaxado. Quanto a entrar na política em algum cargo eletivo ressalta que não se enquadra nas suas pretensões. Pois, segundo ele em alguns momentos é necessário mentir, o que é algo que o desagrada muito. “Empenhar tu palavra para alguém e tempos depois tu esquece completamente, e faz o oposto daquilo que tu falou[…] muitas pessoas já vieram aqui da política tentar conseguir alguma coisa. No meu currículo, eu já tenho Vereador, Deputado Estadual, Deputado Federal eleito duas vezes por último Senador eleito e, não posso dizer, pois exige sigilo”ressalta Gilmar. Uma situação que é vista com muito cuidado por ele é a previdência. Devido a ter muitos amigos que se descuidaram dessa parte. Acha muito importante. “Vi amigos de infância morrer na miséria por não cuidar dessa parte, a partir do ano que vem eu mesmo passo a cuidar dessa parte, pois, nesses 22 anos foi o partido político que eu trabalhava que cuidava dessa parte. Foi uma das condições que eu coloquei para que eu trabalhasse lá, então eles pagaram meu INSS”contou Gilmar, que ultimamente tem seu trabalho para a política feito pelo computador, e-mails, montar planilhas. Trabalho que ele considera muito mais prático.

 

A religião


Desde que nasceu é de religião, com 5 meses de idade foi feito um trabalho dentro de uma casa de religião que seu pai era pertencente e dali em diante seguiu. Falou que o questionamento de ser ou não de religião não teve espaço, pois, se sentia bem nesse ambiente. Quando era pequeno falou ia nas festas de São Cosme-Damião e gostava muito, mais pelos doces de depois e depois de adulto foi adquirindo conhecimento e percebeu o que era de fato a religião e, foi despertando nele o interesse, a curiosidade, compreender os preceitos necessários que tinha que cumprir. Relatou que se encontrou na religião africana. “Porque tudo que tem muito mistério me chama muita atenção e naquela época a religião era muito fechada, não era aberta que nem hoje”conta Gilmar, que sempre teve essa veia de ajudar as pessoas talvez por isso, segundo ele, tenha se encontrado na religião. “Eu tinha muitos amigos idosos, as senhoras da rua. Eu não gosto quando eu não posso ajudar, quando foge da minha alçada, quando eu não tenho condições de ajudar. Porque quando posso, ajudo todo mundo”conta Gilmar.

 

No que diz respeito às pessoas que se sentem enganadas em alguma casa de religião que elas frequentam. “Eu acho que em qualquer segmento tem as pessoas que trabalham com seriedade e as que não trabalha com seriedade. Infelizmente na religião africana não é diferente de qualquer outra religião sempre tem as pessoas boas e as pessoas ruins nenhuma religião é ruim pra ninguém as pessoas que erram. Existe o charlatanismo na religião que agem de má-fé, as pessoas que transformam a religião em exploração. Boa parte das pessoas que batem na porta da gente e a pessoa colabora com o que pode ou não pode. Hoje não podemos nos comparar com os anos 40 ou 50, porque era muito diferente muita gente não tinha luz, não tinha água em casa diferente de hoje que a gente tem que pagar água tem que pagar. E tudo tem um custo por isso a gente tem que cobrar algum valor das pessoas para fazer alguma coisa. Claro, como eu disse não cobrar um absurdo” relatou Gilmar. Quanto a religião na vida de seus 4 filhos Gilmar diz que nunca obrigou nenhum filho a ser de religião, só a respeitar. O filho mais velho nunca demonstrou interesse, a do meio simpatiza e os outros dois, mais novos, gostam e frequentam. “Sempre digo que a pessoa tem que ter no que se apegar nos momentos difíceis. A fé é muito importante, seja em qualquer religião” contou Gilmar.

 

Distância


 A função religiosa toma muito seu tempo, já perdeu amigos que faleceram e ficou sabendo tempos depois. “Eu não consigo mais ter uma vida social porque sempre tem uma coisa espiritual para fazer e a maioria das coisas sempre fim de semana até mesmo com a minha família é bem difícil” falou Gilmar. Se diz acomodado, que parte de sua falta de tempo está associada ao seu comodismo. E que quando tem um tempo livre prefere ficar fazendo nada, segundo palavras dele. A distância dos outros dois filhos, que não moram com ele, é sentida por Gilmar. O filho mais velho se mudou para São Paulo, pois, almejava fazer um concurso, se formou em direito e exerce agora a profissão lá, a filha menina do meio, até o cobra bastante sobre ser mais próximos. A pouco tempo Gilmar perdeu um irmão em decorrência de um problema cardíaco que ele já tinha desde a infância, sopro cardíaco.

 

Ele passou muito tempo hospitalizado. Em certa parte desse período internado os médicos disseram que não teria como salva-lo. “Meu pai levou ele e fizeram um trabalho, a doença dele estacionou por um tempo e aí de médicos falaram de fazer um transplante porque ele não ia sobreviver, mas ficou uns 4 ou 5 anos na fila. O médico falou para mãe que não tava surgindo doador, então provavelmente o risco dele morrer era eminente. Isso foi no ano que ele conseguiu um doador” relatou Gilmar. Por um bom tempo seu irmão ficou bem, ele que na infância estava se encaminhando para ser jogador de futebol teve o sonho interrompido. “E por ironia do destino ano retrasado, em 2016, ele passou mal e foi para o hospital Cristo Redentor. E lá constataram novamente sopro cardíaco de novo […] meu irmão fez um transplante para não morrer de uma doença e ele acabou morrendo da mesma doença, mesmo tendo feito o transplante” contou Gilmar. No ano de seu falecimento não havia possibilidade de um outro transplante, os médicos não cogitaram como uma opção. Um dos cuidados pedidos pelos médicos era evitar a contração de uma pneumonia, pois, seria determinante para o quadro de seu irmão. Ele teve pneumonia e veio a falecer. E em meio a uma situação triste reencontrou parentes, por parte de mãe, que não via há 20 anos devido à vida corrida que leva. “Nessa vida acaba que não tem tempo para nada, nem para ti mesmo” ressaltou Gilmar.

 

Possibilidades


 A vontade de fazer faculdade está presente na vida de Gilmar. Caso fizesse faculdade hoje, faria de História. “Nunca é tarde para estudar, hoje é até mais fácil” proferiu Gilmar. A vontade de escrever um livro sobre os personagens da religião africana para que não se perca varias histórias que aconteceram e acontecem ainda hoje existe e, apesar de não ter nenhum livro publicado, já tem 2 livros escritos, sobre a religião, e que precisam ser editados e de recursos financeiros para serem finalizados. Gilmar já escreveu para um jornal chamado Hora Grande, de viés religioso. Já o gosto pela cozinha, adquirido durante sua vida e no início ajudando seu pai na cozinha na casa de religião, virou a inspiração para a vontade de ter novamente um restaurante.

 

Respeito, é meu por direito!


“Na minha infância tinha muito disso, o que agora chamam de bullying, passei muito por isso. Pela cor da pele, religião […] naquela época chamavam de macumbeiro, feiticeiro, mas sempre tirei de letra. Incomodava, mas não me impedia de fazer nada” disse Gilmar. Sendo de religião de matriz africana desde que nasceu, Gilmar passou por várias situações por conta de sua religião. O colégio era um pouco longe de onde morava então ia de turma para a escola e tinha esses acontecimentos no caminho toda vez que alguém via alguma oferenda nas esquinas. Pois, os únicos conhecidos como “macumbeiros” da escola eram ele e o irmão. De acordo com Gilmar hoje é muito mais grave a questão do bullying. A pessoa tinha que passar por constrangimento agora podem busca dos seus direitos. “Acho que a gente tem que fazer o uso dos nossos direitos e não ficarmos constrangidos e não ficar melindrado. Ninguém pode julgar ninguém, ninguém melhor do que ninguém nenhuma religião é melhor que nenhuma nunca disse isso e nunca vou dizer, se tu me respeitar vou te respeitar. Se tu não me respeitar eu vou atrás do meu direito”.

 

Gilmar lembra de uma caso de racismo sofrido há 15 anos em um mercado próximo a sua atual casa. “Atendente disse que além de negro eu era mal-educado, extremamente constrangedor, o mercado cheio de gente vendo. Ela estava errada no que eu questionei, ela me disse isso em alto e bom-tom mesmo ela sendo demitida na hora a moça foi condenada […] e eu achei muito bom o fato da moça ser branca loira ela se achou no direito de dizer que além de negro eu era mal-educado, pejorativo era ser negro e não mal-educado. Porque além de ser negro que seria uma coisa muito ruim, já é ruim tu ser negro tu ainda é mal-educado. Foi o além que pesou. Como se fosse um crime ser negro e ela branca. Eu acho que a justiça foi feita, fiquei feliz. É a melhor coisa lá no final do processo te darem em razão.

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