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História

Agora quem dá bola é o Carlos

História de: Carlos Pierin (Lalá)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/02/2005

Sinopse

Infância em Lapa Paraná. Trabalho com o pai na lavoura. Cotidiano na mercearia do pai. Trabalho de construção da estrada para Curitiba. Início do profissionalismo como goleiro. Vinda para o Santos Futebol Clube. Jogos memoráveis. Abertura do lava-rápido. Montagem do Pap's. Cotidiano nas lojas. Sistema de vendas.

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História completa

IDENTIFICAÇÃO
Nome e data de nascimento O meu nome é Carlos Pierin, nasci na Lapa no Estado do Paraná, na legendária cidade da Lapa, ao sul, em 28/08/1934.

FAMÍLIA
Nome e atividade dos pais Meu pai chamava-se Júlio Pierin e a minha falecida mãe Maria Luiza Serena Pierin. São filhos de italianos, nasceram na Lapa, tanto meu pai como minha mãe. A atividade de meu pai era a agricultura; toda a família. Tinha comércio e agricultura de corte de madeira, abrangia o todo e a gente fazia parte também, mesmo com 15, 14, 13 anos já começava a trabalhar. Primeiramente, meu pai morou fora, fora da cidade, num local denominado Passa Dois, onde ele trabalhava na agricultura, enquanto plantava, minha falecida mãe vinha com um dos meus irmãos mais velhos para trazer para dentro da cidade que ficava mais ou menos uns 10 quilômetros como Carril, carro de dois cavalos. Então, trazia aquilo que colhia: o feijão, o arroz, a galinha, um porco, qualquer coisa para ser vendido na cidade que era a Lapa. Até então, poder construir a sua casa e o armazém que hoje é edificado. Hoje, é um supermercado de um irmão, e outra parte, outro supermercado de outro irmão da segunda geração.

FAMÍLIA
Avós e irmãos No passado, meus avós vieram para fundar uma colônia no sul do Paraná, denominada São Carlos. As famílias Pierin e a Serena vieram de Veneza e Gênova: a família Serena Gênova e a Pierin Veneza. Meu avô por parte materna era professor, enquanto o da família Pierin era agricultor. São oito filhos do primeiro casamento do meu pai e quatro do segundo casamento. Sou filho do primeiro casamento, o último filho do primeiro casamento. Sou a raspa da panela. Minha irmã é minha família; quando minha mãe e meu pai foram para o norte do Paraná, eu fiquei como filho da Ondina, da minha irmã. E meu cunhado era o meu segundo pai, que me orientou nos 15, 16 anos para diante. Então, eu devo muito a minha irmã, tudo a ela e ao meu cunhado porque os demais saíram a trabalho e eu, como menor, fiquei com eles.

INFÂNCIA
Descrição da cidade Era uma cidade pequena, uma cidade legendária por causa do cerco da Lapa, onde teve uma revolução muito grande. O general Carneiro segurou as tropas que vinham do sul, enquanto se mobilizavam todas as tropas aqui do Estado de São Paulo para poder conter o avanço dos sulistas. É uma cidadezinha pequena, cidade histórica no Paraná, uma das cidades mais antigas do Sul do Paraná.

INFÂNCIA
Brincadeiras Eu, como toda a criança, tive uma infância muito alegre, muito dinâmica. Graças a Deus, pude desfrutar muito da minha infância; caçando, pescando, jogando bola e trabalhando muito. Desde criança, eu trabalhava muito, muito em construção, em agricultura, plantando milho, feijão, carregando, cortando tora, araucárias, um trabalho muito árduo na minha infância. INFÂNCIA Primeiros trabalhos Ajudava meu pai, muito, muito. Tanto na lavoura, quanto no corte de araucárias. O meu pai trabalhava em comércio, em atacados de cereais, em cortes de madeira e a gente mandava para Curitiba para fábrica de fósforos e tudo isso aí. Ajudava mais na agricultura, em plantio de feijão, milho e também ia para o mato. Tinha tempos que a gente ficava, às vezes, a semana toda no meio do mato, cortando madeira. Também pegava áreas de construção. Por exemplo, fizemos um trecho até onde nasceu meu pai, minha mãe, que é a Colônia São Carlos até a minha cidade que é um trecho mais ou menos de quatro quilômetros onde pegamos para... Que liga Curitiba à Lapa, onde pegamos um trecho de construção da estrada, onde que eu trabalhei muito. Eu, tanto eu como meus irmãos, para abrir estrada aí, eu tinha uma faixa de 14 anos mais ou menos, 13 para 14 anos e foi árduo, foi um pedaço muito, muito pesado da minha vida, mas graças a Deus, tivemos a recompensa de poder criar uma família unida como muita força. Depois de ter passado aquele trabalho árduo, na construção e abertura dessa estrada que nós fizemos, na picareta. Não existia perfuradora que não existe hoje. Era um instrumento chamado barramina, uma barra de aço, mais ou menos, de 12 ou 15 quilos, de quatro metros de altura, redonda com diâmetro de cinco centímetros. Você segurava e tinha que ir socando na pedra, botando água, socando para fazer um buraco, para você botar o explosivo embaixo. Então, chegava no final do dia, você podia pegar uma brasa quase quente e fechar ela na mão que os calos que se faziam davam para apagar uma brasa e você não sentia nada, por incrível que pareça. Eu suava menos, mas eu guardo até hoje uma imagem do meu irmão mais velho, no final de uma tarde com o sol muito quente, abrasante, sem camisa, no final da tarde, mais ou menos, pelas 16 horas, na hora de tomar o cafezinho, chá, que depois dava uma dor de estômago esse chá, chá com bolo de fubá, assava, parecia que tinha 32 brasas no estômago..., então, olhei as costas dele e vi que estava todo branco. Foi o suor do dia, virou sal. As costas dele estavam brancas de sal; você olhava como se fosse um espelhado sal nas costas dele, secou e virou sal. Esses são os pedaços bonitos da vida, para se chegar a alguma coisa, tem que ser com trabalho, se não, não chega a nada. E o Brasil está precisando de pessoas assim. Eu trabalhava com os cavalos, também, que puxavam a terra, não tinha caminhão. Então, com cavalo levava a terra para jogar no aterro para ir alargando lugares para a estrada.

MORADIA
Descrição da casa de infância Era uma casa bastante grande porque éramos em oito irmãos. Então, tinha um sótão, uns dormiam em cima no sótão e outros em baixo, eu mais jovem, né? Me lembro, às vezes, para subir no alto lá, faltava muito a luz, tempo de guerra, 1940, 1944, difícil aqueles pedaços que não existia açúcar, café. Então, era muita dificuldade. Eu dormia embaixo porque era o último. Então, ficava ali perto do pai. Muita guerra, muitos problemas, mais ainda que a gente era estrangeiro, filhos, netos ... Estrangeiro, então, ficava apavorado. Uma família que teve momentos de pavor porque o tempo que se buscava, o que podia ser do outro lado. Então, a gente sofria muito. Eu tive os meus pedaços difíceis também. Era um terreno muito grande, muito grande. Um terreno mais ou menos, pegava uma área de 300 metros com pomar, mais atrás com seu campo e onde que fazíamos lavoura, onde que meu pai plantava as abóboras dele, onde plantava o seu milho, o seu feijão para colher ali, que já especial para casa. Era uma lavoura mais ou menos bonita, boa e a parte dessa lavoura tinha um campo e atrás um mato.

TRABALHO
Primeiro trabalho Trabalhei quando criança no armazém que fazia parte da família. Mais tarde, meus irmãos abriram, quase desbravaram o Norte do Paraná, Paranavaí. Meus irmãos mais velhos, então, foram para o norte do Paraná onde que era uma verdadeira selva, uma Amazônia quase, montaram uma serraria. Hoje, eles estão lá com suas fazendas, todos, trabalhando, todos eles para lá. Eu tentei ir para lá, mas tinha muito borrachudo, muito calor. Então, eu preferi me dedicar ao futebol e ficar na Lapa, onde mais tarde, foi quase toda a minha família. Minha mãe veio a falecer no Norte do Paraná, com um dos meus irmãos. Meu pai foi para lá. O meu pai abriu também a sociedade junto com meus irmãos e eu fiquei no sul junto com uma das minhas irmãs morando com um dos meus cunhados. E aí, demos continuidade ao armazém reabrimos essa mesma casa de comércio e aí ficamos sócios, tanto eu como minha irmã, meu cunhado. E aí, a casa até hoje passou de irmão para irmão e hoje faz parte de um dos meus irmãos, Guilherme, outro Joacir, cada um tem seu armazém.

COMÉRCIO
Armazém de secos e molhados Aí vendia de tudo, vendia tecidos, vendia secos e molhados. Quer dizer, se vendia o açúcar, vendia a fazenda, pacote para fazer a roupa, chapéu. Enfim, açúcar, feijão, vendia fumo principalmente muito, que o fumo tinha que ser do bom porque se não, não se vendia. Então, vendia de tudo, cachaça vinha em barril, você engarrafava, vendia. Os porcos, matava-se os porcos, leitões para no sábado vender para a população da cidade. Fazia tudo. Fazia lavoura atrás porque era um terreno muito grande na minha casa, um terreno muito grande, onde eu e meu cunhado trabalhávamos muito. Fizemos uma plantação de batata uma época que eu recordo até hoje. Um saco de batata dava 50 quase, só que na hora de comprar o produto para fazer o plantio, a semente custava um horror de preço. Na hora de vender, deixamos a batata toda apodrecer porque deu batata de quase 300 gramas cada batata..., só que não tinha preço. Então, era mais caro arrancar a batata do que vender. Então, o preço não condizia com o valor do emprego do trabalho. E assim, a vida foi assim. Muita coisa, muita coisa boa, muita coisa ruim.

PAGAMENTO
Caderneta Tinha a cadernetinha. Cada freguês trazia sua caderneta na hora de sua compra, vendia seu quilo de feijão, seu quilo de arroz, seu quilo de batata ou mel, aquelas latas maravilhosas de mel que vinham do interior. Hoje, não se encontra mais, que vinham da flor da laranjeira, ou do eucalipto puro, aquelas latas de mel maravilhosas que me recordo até hoje. Quando puxava aquela bolacha na parte da tarde e comia uma bolacha gostosa com mel puro. Então, tem essas coisas maravilhosas do tempo da infância e o trabalho vinha junto. Os produtos que seriam comprados eram marcados na caderneta. Então, tanto o freguês tinha a sua caderneta como eu tinha um livro total de toda a freguesia que eu tinha. E, por sinal, muito grande a freguesia. Então, para ser correto, tudo que se lançava na caderneta do freguês, se lançava na caderneta do comerciante, dono do comércio para que depois jogasse as duas, a soma no total do final do mês para ver se batia as contas certas, para que não houvesse problema. O pessoal pagava direitinho, não dava cano, era difícil, difícil porque mais valia o fio de barba, valia mais do que hoje uma promissória. Não havia roubo, não havia nada. Você podia deixar as suas galinhas se misturavam com as galinhas do vizinho e ninguém botava a mão nem numa nem na outra. Cada um sabia o que era seu e ali tinha a sua garantia de honestidade. No final do mês todo mundo ia lá e pagava. Fazia a sua continha, às vezes tinha um ou outro que podia atrasar um pouquinho por algum problema que tinha ou principalmente no interior... Que vinha, são muitos colonos, tanto lá é uma região onde que tem muito colono; russo, polaco, alemães, italianos e, às vezes, a produção não condizia com aquilo que eles gastavam. Então, pediam um tempo a mais para liquidarem a dívida, mas todos com muito caráter, com muito brio, em um determinado tempo, eles liquidavam suas contas.

GUERRA
Escassez de produtos Tinha escassez de tudo, houve a escassez de tudo. O açúcar não deu, o café uma dificuldade muito grande, o arroz, faltava fubá, faltou farinha de trigo, você tinha que entrar em filas às vezes para poder conseguir um pouco de farinha para poder fazer o seu pão porque, normalmente o italiano, a minha falecida mãe fazia aquelas broas gostosas de farinha de trigo, então não se encontrava fermento Royal aquele tempo, não se encontrava para poder fazer crescer a massa. Era uma dificuldade muito grande.

EMBALAGEM
Embalagens feitas no hora Não existia a sacola, existia uma prática toda especial que eu tinha para embrulhar o feijão, o arroz. Você tinha uma folha de papel, que você colocava sobre a bandeja da balança, balança essa que seria aferida, na frente do cliente, e essa folha, você pesava um quilo de feijão e com prática, você embrulhava ela, normal com os dedos, ela saía fechada. No final, você dá um toque, não abria de jeito nenhum. Um toque todo especial que tem até hoje. Aí, ficavam olhando, "o que é isso aí?" Então, para fechar qualquer mercadoria trabalhava com os dedos para ver se serrava e fechava no final. Não precisava amarrar nada, saía normal o pacote, fechava lá a sua cesta, vinha com a sua cesta, fechava seu quilo de arroz, seu quilo de feijão, seu quilo de batata, ficava tudo certinho, tudo nessa folha, uma folha que dava para fazer as suas compras, seu quilo de mercadoria. E nessa folha também, se fazia um grude feito de polvilho, uma goma que era caro para se comprar a goma, então se fazia com polvilho, polvilho com água quente, derretia, fazia a mistura, fazia uma goma que colava muito bem. Então, se dobrava a folha, dobrava, colava, fazia uma dobra embaixo, ela ficava um cartucho. Caberia, por exemplo, acima de um quilo meio já não poderia mais embrulhar aquilo. Então, tinha esse tipo de cartucho que a gente fazia. Quando não tinha movimento, se fazia os cartuchos, deixava tudo prontinho para quando o freguês chegasse, a gente pudesse servir os fregueses.

PRODUTOS
Carnes Normalmente, a gente trabalhava muito, comprava muito de fora do interior, porcos. Meu falecido pai comprava no fim de semana. Então, a porca com 10 arrobas, seriam 150 quilos mais ou menos, oito arrobas, 120 quilos, onde que trazia uma parte de meio palmo, mais ou menos, de toucinho. Então, esse toucinho, a gente cortava ali, duro. A dificuldade que não tinha, naquele tempo, no interior não tinha uma parte elétrica de uma máquina de moer carne. Então, era no braço e ali ficava eu, às vezes, meio dia de trabalho, enquanto cortava toda a carne para fazer essa lingüiça. Então, ali era feita a lingüiça, era muito procurada essa lingüiça porque era um tipo de lingüiça que meu pai trouxe já dos avós, dos pais, que vieram da Itália, um tempero todo especial. Nessa lingüiça meio apimentada, no tempero que só ele sabia fazer. Então, a gente vinha, comprava esses porcos, era tirada toda a carne, era separada toda a parte de toucinho e outra parte de gordura era fervida, era colocada no tacho de onde saía a banha. Não se cozinhava quase com azeite ou com óleo. Normalmente, todo mundo cozinhava com banha de porco. Então, aí você fritava essa gordura toda e coava. Então, era colocada em latas de 20 litros, ela ficava branquinha. Era vendida também no comércio. Fazia-se a lingüiça do animal, fazia tudo que podia; o toucinho, vendia o toucinho, a banha e a carne do porco e a lingüiça. E leitões, os pequenos, aos sábados, se matava meia dúzia de leitões, cortava e já tinha os fregueses certos, cada um levava três, quatro ou cinco quilos. Então, já levava para fazer o assado no domingo, passar o domingo ou o sábado, as pessoas de mais poder aquisitivo. Era matar e vender. Cada um se propunha a fazer aquilo que quisesse com a carne ali, saía muito bem, era muito bem procurado e bem higienizada, sem problema nenhum.

EDUCAÇÃO
Colégio Inar Carneiro Eu freqüentei o Colégio Inar Carneiro, que leva o nome desse grande lutador, que se impôs na Cidade da Lapa, General Carneiro. Aí, eu fiz o curso, o ginásio todo e fiz o científico. Mais tarde, eu segui para Curitiba onde fui para o Plácido Silva, um colégio lá que fiz junto com o meu futebol e junto com a rede ferroviária, onde eu trabalhava. Eu pude conciliar as três atividades que seriam estudo, o trabalho e o futebol, e me formei em contabilidade mais tarde.

IDENTIFICAÇÃO
Apelido Esse apelido vem de peraltice minha porque eu não parava em casa. Atrás, onde tinha um armazém, dava uma folguinha, eu tinha que trabalhar já aos oito, nove anos, oito para nove anos, tinha que trabalhar. Então, tinha a minha casa e o campo de futebol ao lado esquerdo, amador. No lado direito é a minha casa, Então, eu fugia do armazém, quando dava uma folga, fugia e ia caçar, ia fazer as minhas coisas. Então: "Onde você estava?" "Estava lá, lá." Lá, mas não queria dizer onde tinha que caçar e não entrava as palavras para dar aquela mentirinha de criança. Então, "lá, lá, lá" e "que lá, lá, lá", acabou ficando Lá, Lalá, né? O apelido vem daí.

FUTEBOL
Primeiras experiências como jogador Quando eu me formei em Contabilidade, jogava no Clube Atlético Ferroviário. Recebi uma proposta para ser contador da firma do meu irmão, no norte do Paraná, onde tinham as fazendas com meus irmãos. E eu fui até o norte do Paraná, e vi que era pesado o negócio. Seria pesadíssimo, e eu sentia que tinha muito potencial para seguir minha carreira no futebol. Então, fui até lá, não quis ficar e vim, digo: "Vou tentar o futebol e vou procurar no momento a melhor equipe". Meu irmão disse: " Você procura a melhor equipe que tem no Brasil, vamos te dar apoio, a família te dá apoio. Você vai no melhor. Se você for feliz e conseguir ficar no clube, você continua a tua carreira, se não você vem para cá e fica estabilizado", como estão todos hoje muito bem, graças a Deus, naquilo que se ocuparam. E eu vim para Santos, fui chamado pelo falecido Modesto Roma, para fazer um teste aqui no Santos Futebol Clube. Vim e fui muito feliz, fui recebido com muito carinho e um mês depois, eu estava viajado para a Europa como titular absoluto do time. O Laércio se lastimou, falecido Laércio e eu peguei o time e pude dar conta do recado na excursão, saindo com muitas vitórias que eu guardo com muito carinho até hoje. Eu já jogava. Comecei como amador na Cidade da Lapa, tínhamos três, quatro times e eu era muito procurado. Tinha um potencial, um pouquinho melhor do que os demais, tanto eu jogava no gol como jogava de centroavante. Até na época que eu jogava de centroavante tinha o Mazola, então, me chamavam lá "o Mazolinha" porque todo jogo eu fazia dois, três gols, uma loucura. Então, tínhamos quatro times na cidade. Tinha Legendária Futebol Clube, tinha União da Lapa, União Futebol Clube, Havaí e eu jogava em todos os times. Eu jogava de centroavante, no outro jogava no gol, mas aí me dediquei ao gol, onde fui até uma final de campeonato e fui muito feliz. Após o término, a última partida, eu tive um grande amigo que era profissional, falecido, Valdomiro Reutman, ponta esquerda do Água Verde que depois passou a Pinheiros Futebol Clube, hoje acho que é Paraná Futebol Clube... e esse Valdomiro era ponta esquerda do Água Verde e levou a crônica toda de Curitiba para me ver jogar, queria me conhecer. Eu fui de uma felicidade muito grande: foi uma tarde que ventava muito e nós necessitávamos de ganhar o jogo; o time adversário, era o último jogo, jogava pelo empate; e nós saímos na frente, ganhamos de um a zero, peguei 30, 40 bolas, nunca peguei tanta bola, até hoje estou pegando aquelas bolas e aos 43 minutos, o juiz já estava mais ou menos do lado de lá, porque só dava falta contra a gente, ele deu um pênalti, eu fui muito feliz e ainda peguei o pênalti; salvei o time e então, no dia seguinte, a crônica de São Paulo, onde que era o Paraná Esportivo fez: "Lalá, o maior espetáculo da terra", em letras garrafais. Era um time do interior, um time de amador, jamais poderia ocupar uma página especial do jornal com uma figura sem expressão nenhuma, mas é que deixei todo mundo boquiaberto nessa partida, foi ótimo. Acredito que foi uma das maiores partidas da minha vida. Aí, então, fui convidado para jogar em todos os times da capital: Atlético Paranaense, Curitiba, todos queriam, até cheguei com o Caju, um dos maiores goleiros do futebol brasileiro, chegou a entrar na seleção, foi me buscar na minha cidade, treinei no Atlético, joguei com o Curitiba duas partidas amistosas com o Talismã e acabei assinando um contrato com o Ferroviário. Porque, quando eu fui para Curitiba, eu estava acostumado a trabalhar e então o Curitiba me pagaria sem emprego, na época, seis mil cruzeiros, mas eu preferi um emprego de três mil reais e o pagamento pelo clube de três mil. Então, o Ferroviário me deu esse emprego na Rede Ferroviária Federal e eu então preferi assinar o contrato com o Ferroviário. Então, eu trabalhava, jogava e estudava para eu não ficar ao léu lá, tendo uma vida sem trabalho.

TRABALHO
Emprego na Ferrovia Eu trabalhava no escritório, no escritório da Rede Ferroviária Federal, saída de peças para manutenção dos carros que trabalhavam para a rede. Então, entregava peça, tinha que fazer um relatório de tudo aquilo que saía de dentro do almoxarifado. Esse era o meu trabalho na rede. Depois, à tarde, trabalhava até 12:00, 14:00, 14:30, saía a pé, era longe - eu vinha do local onde eu morava, numa pensão, a pé até o meu trabalho, que seriam mais ou menos uns dois quilômetros, um quilômetro e pouco - dali andava mais um quilômetro para ir treinar. E depois, eu pegava dois quilômetros para voltar para minha pensão, para a noite ir para o meu colégio, para fazer a contabilidade. Então, a minha vida era essa. Essa constância o dia todo. Era ocupado. E aos domingos, jogo. Já jogava, no sábado concentrava, no domingo jogava. Eu jogo sério, normalmente, no sábado e no domingo. Não se jogava no meio de semana. Só treino, a semana toda

FUTEBOL
Mudança para o Santos Futebol Clube Eu fui levado daqui, também quem me auxiliou muito, foi um grande jogador do Santos Futebol Clube que me deu essa oportunidade, me deu uma ajuda... São três pessoas a quem eu devo muito: um jornalista, o falecido Amatu; um grande goleiro, o Rei, que foi da seleção brasileira, chegou a jogar na Portuguesa Santista, foi do Vasco da Gama, foi casado com a falecida Aracy de Almeida, que me adorava, gostava muito da maneira que eu jogava; e um grande meio-campo - que quando jogavam dois irmãos que foram campeões aqui no Santos, em 1935, Jandir e Ferreira -, o Ferreira me deu uma força aqui no Santos: "Olha tem um jogador assim, assim". Quando fui chamado para integrar a equipe do Santos Futebol Clube. Eu vim para Santos em 1959 e fiquei até 1961, quando saí e fui para o México. Joguei cinco anos no México, na Venezuela. Regressei para o Brasil e fui jogar no Paulista, de Jundiaí, hoje é Etti e terminei a minha carreira na Portuguesa de Desportos. FUTEBOL Santos Futebol Clube Quando vim para Santos, o Santos era fenomenal, o Santos era qualquer coisa... Era o maior time do mundo, considerado o maior time do mundo. O Santos não era uma equipe, era uma família. Tinha o Pepe, tinha o Dalmo, tinha o falecido Laércio, o Manga, enfim, o Mauro, Zito, Formiga, Adorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Então, aonde chegava, assombrava. O Santos onde chegava, paralisava a cidade. Na cidade tornava-se dia de feriado. Fazia-se um feriado no dia em que chegava o Santos. A gente não podia sair nem na rua, tinha que ficar dentro do hotel porque era muito assediado, principalmente o Pelé. O Pelé então, dava pena. Pelé não podia nem sair na rua de jeito nenhum. Era do hotel para o campo e assim foi a minha vida. Eu fui muito feliz no Santos Futebol Clube porque cheguei completamente desconhecido, no local em que estava um dos maiores times do mundo e fui muito feliz na minha apresentação, nos meus treinos. Eu fiz a minha carreira toda com o passe livre. Quer dizer, eu joguei onde eu quis, ninguém me jogou para cá, para lá. Eu fiz a primeira excursão com o Santos, sem contrato. Eu poderia ter ficado no Internacionale de Milan e quando eu falei para o empresário que nos levou, ele disse: "Poxa, você não me falou, você podia ter ficado, você é neto de italiano, poderia jogar até na seleção". Mas, cheguei aqui e fui firmar o contrato. Na época, eu assinei com o passe livre, exigi a minha liberdade e achei que eu não deveria ter feito, porque eu deveria ter dado o passe para o Santos que eu teria tido mais oportunidade de jogar porque o Santos não me ia lançar só nos determinados momentos de necessidades que eu jogava. Fora disso, eu era retirado. Teve uma partida que eu fui um dos melhores jogadores em campo: que o Laércio tinha se machucado, que entrei no time contra o Palmeiras. Ainda defendi um pênalti aos 43 minutos, no Pacaembú. No jogo seguinte, fomos ao Rio de Janeiro jogar com o Botafogo, fui apanhar a minha camisa: "Você está na reserva, quem vai jogar é o outro." Tinha sido no jogo anterior para estréia de Mauro, Mauro Ramos. É o Mauro que cometeu o pênalti e brinca até hoje: "Pô, devo tanto para você na minha estréia, eu fiz o pênalti, você pegou, deixa eu te agradecer". Cada vez que me vê, ele me dá um abraço. O Mauro foi muito feliz aqui no Santos, também. É o nosso bi-campeão do mundo. "Quem joga..." Falecido Laércio, sem problema nenhum porque para mim, tanto fazia jogar. Gostaria de jogar todas, mas como era uma união total, ali se fechava o bico e sentava no banco e não podia dizer que está mal ou bem porque ninguém era melhor do que ninguém, à parte só Edson Arantes do Nascimento, né? Então esse é au concour. Foi assim. FUTEBOL Partida Memorável A melhor partida que eu achei, que me emocionou muito, muito, muito, foi a decisão entre Botafogo e Santos em La Coruña, na Espanha, em que nós jogávamos pelo troféu de maior valia, na Europa, o Tereza Herrera. Do outro lado, nós tínhamos uma das maiores equipes do mundo, também, na atualidade. Sempre as melhores equipes do mundo eram convidadas para fazer esse torneio. E o Botafogo contava com Garrincha, Didi, Quarentinha, Paulinho e Zagallo. Quer dizer, era um ataque fenomenal e do nosso lado, nós tínhamos essa linha incrível que era Durval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Mas, nesse jogo, o falecido Lula fez um 4-4-2, quer dizer, ninguém conhecia nessa época. Ele jogou com dois atacantes só. Retirou o Coutinho do time e botou Jair, Jajá da Barra Mansa, fenômeno Jair, no meio campo, trouxe ele para cá e o Afonsinho que, hoje, tem uma escolinha no Perequê, de meia, trouxe para cá e recuou o Pelé. Pelé veio para trás e disse: "Pelé, você agora vai ajudar". Pelé, já automaticamente, já trabalhava dependendo do local, do jogo, do momento, Pelé fazia esse trabalho. Antes do jogo, demos uma saidinha para ver a exposição das medalhas. Ele olhou e a taça Tereza Herrera que está na galeria do Santos, o Pelé olhou e disse: "Olha, amanhã, vou te dar uma medalha dessa de presente, uma dessas medalhas é tua". E eu a carrego com muito orgulho, até hoje. Tenho guardado os meus troféus. A gente se dava muito: o Pelé era como um irmão, em todos os momentos, aqui na cidade, não nos largava, tanto o Dalmo, o Pelé e o Lalá. Era a chamada Pelada porque era Pelé, Lalá e Dalmo. Éramos para ter feito uma sociedade. Já nessa época, eu propus, eu já pensava em abrir uma casa de esportes com esse nome Pelada (Pelé, Lalá e Dalmo). Nesse tempo, já tinha em meu pensamento, mas não se aprofundou. O jogo estava dificílimo e passaram uma bola, Garrincha deu um corte, eu saí, segurei a bola, quando segurei, olhei, o Pelé estava do lado e disse: "Pô, não vamos ganhar o jogo. Você joga a bola." Joguei, ele driblou o time todo e fez o primeiro gol. Ganhamos de quatro a dois, foi um fenômeno. Eu trago hoje na lembrança dessa grande jogada do Pelé e milhões de jogadas dele, que toda jogada dele é maravilhosa. Mesmo fazendo gol de bico era diferente do que dos outros. E foi assim, essa foi uma das grandes partidas. E uma partida com o Internacionale de Milan, em Valência, Copa Valência, em que eu passei muito apuro porque eu levei um chute de Henry Miller, na cabeça e eu joguei e a minha vista não parava de tremer, no visual. Então, eu não enxergava muito bem, tive que agüentar firme. É porque se saísse do time perdia a posição, eu digo: "Eu estou aqui, eu tenho que agüentar até o fim". Fechei os olhos, segundo tempo, no vestiário, tomei um cafezinho, tranqüilo. Voltei, graças a Deus, deu para continuar a partida. Foi um dos momentos difíceis, também, dentro da minha carreira.

EDUCAÇÃO
Faculdade de Educação Física Abriu um campo para Faculdade de Educação Física onde que me orgulho muito de ser professor de Educação Física, com a graça de Deus me ajudou muito. Fui da primeira turma da Faculdade de Educação Física aqui de Santos. Então, parei de jogar futebol ainda com contrato na Portuguesa, não me sentia muito bem, fui convidado, mas eu preferi fazer uma faculdade mais perfeita, ter mais capacidade para o futuro, para continuidade na carreira. E outros campos se abriram na minha trajetória de vida. Então, eu optei pelo próprio esporte.

COMÉRCIO
Montagem do negócio próprio Abri um lava-rápido, depois segui no comércio de artigos esportivos na Paps Esporte. Eu já tinha comércio, anteriormente na Lapa. Então quando eu vim para Curitiba, eu tinha uma granja em sociedade com o meu cunhado, uma granja onde vendia os ovos, e essa granja tinha um armazém. Eu deixei tudo com eles. Mais tarde, dei todo esse capital para minha irmã pois era uma dificuldade muito grande para quatro filhos na época, estudando, mas com a graça de Deus, eu pude dar uma parcelinha mínima para que eles pudessem hoje ser as pessoas de talento, pessoas que engrandecem esse Brasil, aparte dos demais, Bom, abriu essa sociedade aqui. Então, já tinha isso aqui, tinha essa granja, daí deixei tudo para lá e vim para cá, vim para Curitiba jogar. Quando da minha ida para o México, eu quando recebi o dinheiro, apliquei no norte do Paraná com meus irmãos. Esse dinheiro que eu pego aqui, eu levo ao norte, onde eu tinha um posto de gasolina, uma beneficiadora de café, serraria e mais outros negócios que eles faziam e onde que eu peguei esse dinheiro, dei para os meus irmãos trabalharem esse dinheiro para mim, enquanto eu jogava o meu futebol no México. Vindo de lá, venderam a minha parte lá depois que eu voltei, eu vim fazer a faculdade de Educação Física. Parei o futebol, joguei mais uma temporada no Jundiaí, uma temporada na Portuguesa de Desportos, ao mesmo tempo em que eu fazia a faculdade de Educação Física e abri um Lava-Jato, primeiro de Santos, onde eu tive muito problema, tive um problema muito grande porque nós alugamos um terreno lá com o meu sócio, Edemir Fernandes Ferreira, abrimos o Lava-Jato e a prefeitura nos embargou, porque não tinha no código de obras esse trabalho de lavagem de carro à jato. Então, tive que esperar um certo tempo e o nosso dinheiro foi indo, nosso dinheiro foi indo. Para dar continuidade a abertura, o que eu bolei? Eu vendi mensalidades. A pessoa podia lavar o carro durante 30 dias. Pagava aquele tempo uma média de um cruzeiro por lavagem de carro. Então, ele pagava 30 cruzeiros por mês. Ele tinha direito de segunda a domingo para lavar. Então, com essa arrecadação que eu fiz com os amigos, eu pude dar continuidade e abrimos o Lava-Jato. O Edemir vendeu uma parte do seu apartamento para jogar em cima, eu vendi um apartamento também, que eu tinha no Gonzaga, um pequeno flat e jogamos aí. Construímos e fomos crescendo juntos com a lavagem de carro. COMÉRCIO Expansão dos negócios Depois, eu abri outro, lá na Avenida Ana Costa, 474 onde que estou até hoje. E fiz lanchonete e lavagem de carro. No decorrer do tempo, a lanchonete me ocupava... Tinha que dar aula, às vezes, e trabalhar. Ficava até 3:00, 4:00 na lanchonete para poder ganhar porque nasceram os meus filhos. Já tive o Carlos Júnior e logo veio a Gabriela, então era um trabalho muito árduo para ficar até 4:00. Eu decidi fechar a lanchonete. Mudamos para uma churrascaria. Também não deu certo. Fechei total, mas eu trazia comigo a Paps Sports, sempre ficava na minha cabeça: "Um dia, eu abro a Paps Sports, comércio de artigos esportivos". COMÉRCIO Incentivo para mudança de ramo de atividade Num determinado dia, conversando com um amigo, que achava que eu era comerciante, um dos grandes comerciantes da cidade de Santos... meu grande amigo Adílio, que falava: "Você tem um ponto exemplar aqui para você abrir uma loja." "E você acha que dá mais do que lavagem de carro?" "Enquanto se lava um, você ganha dez aqui. O trabalho é muito mais fácil porque eu sei o que você trabalhou na Epitácio." COMÉRCIO Rotina Eu saía da faculdade, ia para o trabalho lá e na parte da tarde, eu vinha na lavagem de carro, ficava o meu sócio verificando, tirando ficha e nós no pano, secando e entregando os carros. Era de manhã, à noite... Do meio-dia até a noite era sacrificante. Eu ainda era solteiro e para não perder horário no domingo, porque a gente saía um pouco no sábado para ir namorar, chegava com o meu Karman Ghia, 2:00, 1:30, 2:00, para não perder o horário, porque eu morava sozinho, eu botava o meu carro de frente para a nascente para que o sol me batesse nos olhos na manhã seguinte para vir no domingo abrir; a gente trabalhava aos domingos, também, até 14:00, 15:00 que era um dia de muito movimento. Então, eu ficava com o carro parado de frente para o leste, para que o sol batesse nos olhos para eu pudesse abrir o posto. Tocava para mim, tinha que fazer isso para não perder o horário porque os empregados estavam esperando. E assim foi dando continuidade. COMÉRCIO Mudança de Ramo Vendemos aqui, abri a Ana Costa, fiz a lanchonete, tudo isso aí. E aí parti para o ramo de esporte. Como que eu parti para o ramo de esporte? Em 1978, entrei no Santos como fisicultor para trabalhar, e fomos muito felizes, fomos campeões, eu era treinador de goleiros. Quem patrocinava o time era a Adidas e conheci uma grande pessoa que trabalhou muito tempo numa das lojas de esporte da cidade, o meu grande amigo Brasil, que hoje, tem uma loja, também, no Gonzaga. Grande amigo, grande homem, grande pessoa. Prima pela honestidade, prima por tudo aquilo que faz porque faz bem feito. Eu não tinha base, e esse homem veio, disse: "Olha, você tem o ponto, tem isso." Analisou, ele estava sem emprego também, que tinha saído da casa de esportes Écio, já tinha trabalhado 20 anos, não sei quantos anos. Eu disse: "Você quer entrar, quer ser o meu funcionário, quer trabalhar para mim?" Ele disse: "Não, eu trabalho para você, não tenho poder para abrir a loja, ir junto com você, teu sócio, só venho se for sócio com partes iguais. Nós damos as partes iguais, vamos ser sócios." "Você entra em igualdade de comissão." E aí, foi o passo que deu, porque eu tinha penetração no Santos, porque a Adidas patrocinava o Santos. Então, eu fui à Adidas com ele para que abrisse um crédito para mim. Procuraram saber quem era a pessoa, eu já tinha tido o Lava-Jato, tudo. Então, me levou ao show-room, um dos grandes diretores da companhia, disse: "Você queria comprar quanto?" Então, com os pés no chão, disse: "Uns 10 a 20 mil para nós, para começo, está bom." Ele abriu o show e disse: "Você tem direito a comprar até 100, se quiser." Da maneira que é, fez a pesquisa. "Não é 10, 20, mas para nós chega 20 para começo." Ele abriu crédito ilimitado e graças a Deus foi dali, partindo com o conhecimento. Depois, com o trabalho de cada um dos sócios, nós chegamos ao que é hoje. Depois, ele fez a sua loja, abrimos sociedade, fez a sua loja. O seu irmão também fez a sua loja, tem a sua loja, também entrou de sócio o irmão mais tarde, abriu a sua loja. Eu continuei com o meu sócio. Hoje, estou só porque o meu sócio, Edemir Fernandes achou que não queria mais, já estava cansado. Comprei a parte dele e hoje toco, eu com os meus filhos a Paps Sports.

PRODUTOS
Uniformes para diferentes esportes Vendemos desde de bolinha de pingue-pongue ao aparelho de ginástica todo, o aparelho, os melhores aparelhos de ginástica, você vai adquirir na Paps Sports, você tem a linha de ginástica, a linha de natação, a linha de basquete, a linha de boxe, a linha de futebol, enfim, o esporte em geral. As lojas te oferecem tudo aquilo que você necessitar para o teu desenvolvimento físico e mental. PRODUTOS Produto de melhor venda Camisa do Santos, quando o Santos está bem. Aí, a gente fatura e a gente está sempre torcendo e está sempre junto ali, agora com o Cabralzinho aí, a gente, se Deus quiser, a gente vai chegar... Precisamos de um título, a gente faz um esforço tremendo, tanto os amigos, todos e mais para essa cidade maravilhosa, aonde que aqui não é uma cidade, é uma família total aqui na Baixada.

SANTOS
Opção pela cidade No momento que eu desci à Baixada Santista, que eu desci de São Paulo, que eu vim de Curitiba, quando eu desci e deparei com essa cidade, a praia florida, com essas praias maravilhosas, eu digo: "Aqui serão os meus dias de felicidade, para criar a minha família toda, eu vou me plantar aqui, eu vou ficar." No momento que eu cheguei em Santos, eu já senti que aqui seria a minha cidade, segunda cidade do coração, segunda mãe seria aqui...

COMÉRCIO
Opção pelos negócios Optei pelo comércio porque não dava para unir as duas coisas. Você para tocar uma empresa, você tem que, mais ou menos, direcionar e eu direcionei a minha vida para artigos esportivos. Tenho até hoje, artigos esportivos, ainda continuo com a lavagem automática, mas mais na área do comércio. COMÉRCIO Descrição da Loja A loja tem vitrines, dá de frente para a Avenida Ana Costa. Ela foi modificada por diversas coisas, lá foi feito para um bar e lanchonete com oito portas. Era um estilo quando eu construí, com portas redondas, estilo mexicano, eu tinha vindo do México. Eu fiz aquele tempo com áreas por dentro, um show. Gastamos o que tinha e o que não tinha para fazer essa loja. E mais tarde, não deu o retorno esperado e o trabalho que era... Então, aí foi sendo modificado, modificando depois para disso aqui, quebrando parede, quebramos isso, aquilo, mudamos para a churrascaria. Também não deu... E depois, mais tarde, então conversando quando eu estava para entrar no Santos, em 1978, que me abriu os olhos essa pessoa que eu entrasse na área dos esportes, no comércio, que poderia me dar bem.

AVALIAÇÃO
Gratidão à Deus Graças a Deus, não posso me queixar. Luta muito grande porque atravessa-se, um pedaço muito difícil no momento, mas eu tenho a minha família muito unida com a graça de Deus, todos formados, trabalhando dentro daquilo que é, fazendo cursos, se aperfeiçoando dia-a-dia a São Paulo, para cá, fazendo curso para funcionários, maneira de atendimentos, maneira na área de atendimento, na área de compra, na área de venda, em todos têm um grupo grande de pessoas, que não sou eu, são as pessoas que me empurram, são os meus vendedores, os meus funcionários, todos eles. A eles, eu devo tudo isso aí porque não seria eu que ia tocar, nem o meu filho. Filho, se eu não tivesse corpo forte de funcionário, onde que os meus filhos aprimoram momento por momento, fazendo os cursos, vendo o que é de melhor para o aprendizado geral de cada um deles. E, graças a Deus, a gente está tendo o retorno e, ao mesmo tempo, um trabalho muito árduo no momento, nesse momento. Nesse momento, a gente procurando tudo que é maneira para segurar tudo isso que foi feito até o momento porque está uma dificuldade geral, mundial. Hoje, é muito geral. Então, a gente quer porque não quer perder. Então, é de manhã à noite, até 22:00, ele está trabalhando. Mantenho a minha mulher em casa e os demais todos correndo atrás.

Funcionários
Tenho, em torno de 65 a 70, depende, às vezes varia. Normalmente, 70 funcionários. FORMAS DE PAGAMENTO Diferentes formas de pagamento À vista, com cheque pré-datado porque eu tinha crediário, isso eu já eliminei, porque a perda era muito grande. Hoje eu trabalho mais com cartão de crédito, à vista. EMBALAGEM Eu tenho embalagem própria. Ela carrega o nome Paps Sports, a loja Adidas da cidade, ela carrega o Adidas da cidade que foi como foi fundada, então eu carrego até hoje. Tem a sacola toda, desenhos, com o globo, o universo.

LOJA
Loja em rede Estou com seis lojas. Eu tenho, com a graça de Deus, uma loja na Praia Grande no shopping da Praia Grande; tenho uma loja em Cubatão, na Avenida Nove de Abril; tenho uma na Avenida Ana Costa; tenho uma no shopping Miramar; no shopping Praiamar e tenho a loja da Avenida Pedro Lessa, 930, onde que eu trabalhei muito. Aí, tem o prédio onde está o escritório, a confecção de camisa de futebol, calção, meias.

PRODUTOS
Confecção de roupas esportivas Confecciona uma linha para ginástica e para futebol, para basquete e onde que a gente, graças a Deus, está indo relativamente bem.

LOJA
Estrutura de funcionamento As lojas se dividem entre os gerentes. Gerentes com capacidade bastante grande e a gente dá um atendimento... Como nós somos em quatro, tem a minha filha, a Daphne, na parte jurídica, na parte administrativa, no escritório, visita as lojas também. Tem um setor que é visita às lojas. Tem o Carlos Júnior que é o administrador geral. Fez administração e direito, então ele é na área de compras e o Gabriel no departamento de publicidade, departamento de trabalho junto com os funcionários todos. Todos dividem, depois faz o giro total nas lojas. E eu fico olhando, vê se eles estão bem, né? Fico só vendo... O que tinha que fazer, eu continuo fazendo.

LOJA
Decoração das lojas Como é dentro do esporte, a loja é decorada com um campo de futebol dentro da loja. Então, o tapete é de grama artificial, onde é desenhado o campo com o seu gol, com a sua saída de bola, círculo central, suas áreas. Aqui no Praiamar, eu tenho a loja de basquete, a quadra desenhada em basquete. Então, você entra, você está entrando numa quadra de basquete. E lá também na Praia Grande também é o mesmo com o campo de futebol. Então, as lojas estão sempre decoradas nesse sentido também, em Cubatão com o campo de futebol. Só o do Praiamar que é com basquete, o desenho no solo de basquete. E todas elas carregam, eu coloquei todas, a maioria sobra espaço, com aquele time maravilhoso de 1959, que eu fiz parte e devo muito ao Santos e devo a toda essa cidade, tudo isso aqui, da maneira que me receberam aqui, da maneira que eu sou até hoje, a minha família. Então, eu dedico as lojas o time completo do Santos, com os reservas e com os seus titulares.

VITRINE
Características das vitrines Na vitrine sempre você tem que botar o time que é do momento, principalmente. Você tem que colocar na vitrine, normalmente, o que você tem de melhor. As marcas que eu trabalho, com a graça de Deus, são as melhores: Adidas, Nike, Topper, Rainha, Speedo, enfim, as melhores marcas e a gente ainda faz a vitrine conforme a estação. Nós estamos entrando na primavera, a gente inventa com a primavera, está no inverno, entra com o inverno, é verão com camisetas, com calções, com maiôs. Na estação, sempre modificando, sempre recebendo mercadoria nova, sempre mudando o visual das vitrines. Esse é o essencial para que o público consumidor possa ver aquilo que existe dentro da loja. Então, a gente procura sempre ter novidades. Tem pessoas bem especializadas, cada um já é especializado, o gerente já é especializado também porque não dá para se pagar também... Antigamente, nós tínhamos vitrinistas e hoje, a própria loja que tem o seu gerente e a sua gerente, fazem um curso e aí montam a vitrine. A minha filha foi vitrinista também. Fez o curso e o Carlos Junior também fez o curso de vitrinista, ele vê o que está bom, o que não está. O Gabriel é a mesma coisa. Então, ele vê essa loja, precisa fazer isto. E eles também, aquilo de maior necessidade para que as coisas fluam bem.

CLIENTE
Perfil da clientela No esporte, eu não me meto. Por exemplo, agora nós estamos atravessando a Era Guga. Então, hoje, eu tenho que estar indo em direção ao tênis. Hoje, o maior consumidor é a criança. Hoje, o iniciante de tênis, o cara que consome muito tênis, então dentro do tênis, raquete, dentro da vestimenta, roupa para o tênis, vai a meia... Enfim, é o momento. A gente tem que estar dentro do momento; se o boxe está aí, entra no boxe com peso. É um cliente que vem de outras regiões, de todas as regiões. Tem freguês, principalmente, agora no momento, argentinos que vem passeando com a moeda no estado que está hoje, então lá está um por um, aqui está três por um. Então, fica fácil para o argentino. Então, hoje, o grande consumidor é o argentino, mas vem barcos que chegam em Santos, todos, a tripulação todos vem visitar, vem olhar e um passa para o outro. Essa fotografia do Santos Futebol Clube chama muito a atenção. Então, eles põem isso aqui, "é um fenômeno", então é um time fenomenal, nós viajamos o mundo todo. Eu tive a felicidade de conhecer o mundo. Então, vem esse time aí, eu fico todo adoidado. Vem o pai, depois vem o filho para conhecer.

LOJA
Loja especializada Hoje, está na moda a mania de ginástica, então tem muito aparelho de ginástica. Nós temos uma loja, na Pedro Lessa, especializada só em aparelhos de ginástica. Então, a pessoa vai ver o aparelho que quiser, a gente instala e entrega a domicílio. Temos pessoas capacitadas, funcionários só para entrega do aparelho. A pessoa está com o intuito de abrir uma academia, tem o pessoal especializado que vai lá e determina quais são os aparelhos para aquele determinado local. E pode se abrir uma academia indo na Paps Sports para capacidade para ser uma das melhores Santos e do Brasil. Futebol Marketing Não exploro a questão de ter jogado no Santos, mas sempre carrega um pouco. Sempre alguma coisa que gostam de conhecer, gostam de falar para o filho, dizer que joguei no Santos, aqui está a fotografia, ele é tal pessoa, não sei o que, jogou com tal pessoa, jogou com o Pelé e jogou com o Zito e jogou com o Durval, jogou com o Tim, jogou com Manga. "Ah, jogou no melhor time do mundo." E carrega porque o Santos, é o que carrega no momento... - tem pessoas que querem apagar, não apaga, não apagam -, não apagam, o descobrimento do Brasil ninguém apaga; vai passar séculos... porque isso aí foi fincado e são certas pessoas, e mesmo dentro da diretoria, que, às vezes, querem apagar, querem sair de tudo isso que o Santos fez, não o que eu fiz, mas o que o plantel todo fez. Então, às vezes, eles gostam de ver se dá uma borracha em cima e não vai dar nunca, não vai sair isso aqui, eu acredito que não porque isso faz parte da história da cidade e o que o Santos fez lá fora, o que o Santos fez no exterior, não tem mais ninguém que possa apagar e isso, para Santos, foi benéfico, né? Um Pelé na cidade, um Durval, aqueles ídolos todos do passado, tudo que foram, que podem compartilhar de todas aquelas glórias. Então, isso não tem futuro que apague.

FUTEBOL
Atividades atuais Na Ana Costa está o Centro Total dos Veteranos, dos veteranos do Santos que foi fundado aí. Veja bem, há muito tempo, mas era meio apagado. Então, ele foi formalizado, foi feito uma diretoria com o falecido Cláudio, goleiro, com o Cabralzinho, os primeiros diretores, o falecido Laércio, Vilani, Zito, eu, enfim, foi feita uma diretoria e até hoje, aí é o local de encontro. Chega alguém e diz "queria ver o Joel." "Ah, onde tem o telefone de todo mundo?" Ou me liga o Oberdã, de Santa Catarina, o Ramiro, lá do Rio de Janeiro, o Jair. "Ah, Lalá, eu gostaria de falar com tal pessoa". Então, como eu tenho o telefone de todos, mesmo a crônica, às vezes, quer qualquer coisa que pode encontrar a pessoa, já tem um ponto certo que é Paps, aí do Gonzaga. Então, ali é feito, ali reúne, ali é a saída dos veteranos. A gente joga muito no interior, dia 29, nós vamos na cidade de Sorocaba, jogar. Andamos jogando em Pedro de Toledo, jogamos aqui no Guarujá, uns dias atrás, De vez em quando, cai, depois leva duas horas para levantar, mas cai ainda, né? Ali, reúne todo o pessoal e sai para as excursões, sai dali para marcar jogos. E no final do mês, a gente reúne todo o pessoal, faz aquela churrascada. Passa-se o tempo, na parte da tarde, joga-se uma porrinha, aquele palitinho, a gente encontra os ex-campeões, os jogadores atuais. Vai sempre o Robert, o Léo, o Giovanni quando vem do exterior passa por ali e todos os atuais como o Serginho... Todo mundo passa ali, Gilberto Costa, João Paulo, Edu. Todo dia tem quatro, cinco que dão uma passada ali. Eu chamo ali de a Passarela do Gonzaga porque está em abertura total, pode deixar o seu carro, bater um papo, tem um cafezinho para tomar do lado. Você passa e vê o que há de mais belo em Santos, que são as mulheres, maravilhosas e como não existe no mundo. Eu que conheço o mundo todo, posso dizer que o que existe em Santos, as beldades de Santos são maravilhosas. COMÉRCIO Escolha do nome da loja Esse nome vem de um giro pela Europa, ou melhor, no meu primeiro giro na Europa, eu já tinha dentro de mim o comércio. Passando de ônibus, numa certa avenida de Paris, eu vi em uma das lojas, "Paps Butique". Eu guardei esse nome para mim. Eu digo: "Eu, quando abrir um comércio lá em Santos, a primeira coisa"... Você vê que eu não abri a butique, mas abri o Lava-Carro com Paps, "vai Paps mesmo, não tem, não vou abrir a loja agora, vou abrir, vai Paps agora." Fiz o Paps Lava-Carro. Então, eu guardei esse nome vindo de lá e eu vindo de uma das excursões, andando em direção ao jogo, o estádio, em direção ao treinamento. Em um determinado momento, eu só sei que eu copiei de lá. Peguei e guardei para mim. Não falei nada. Até teve um tempo, guardava muito o nome: "Ah, uma jogada do Paps." Jogando em Jundiaí, um pessoal me chamava de Paps. Lá, eu falava tanto no Paps, que os caras diziam: "O Paps já chegou?" Então, essas coisas.

CLIENTES
Mudanças no perfil da clientela O perfil muda. Está mais exigente. Hoje, você tem que ter o que há de melhor para a vestimenta da mulher. Uma linha de ginástica para a criança, para o adulto, duas camisas boas. Toda modelagem toda diferente. Antigamente, logo que eu abri, era raro. Comprava 200 camisas de um só modelo. Vendia logo que eu abri, no tempo de fartura. Você tinha uma Cosipa, você tinha uma Petrobrás, você tinha diversas indústrias que tinha 15 mil... Tinha um cais com 15, 20 mil funcionários. Hoje, você tem mil, mil e quinhentos. Então, você o que se vendia? Você vendia um bom número, embora os artigos eram sempre bons. Um artigo sempre na linha Adidas é um artigo de primeira qualidade porque a fabricação, a indústria, o que eles pegam para fornecimento de material, eles procuram sempre o melhor. Então, sempre o artigo era bom, mas você podia vender; hoje, você tem que ter diversificação naquela modelagem. Hoje, lançou o tênis, você tem que buscar modelagem. O que veio ontem, você já não vende hoje. Então, é o momento. É muito exigente, ainda mais aqui em Santos. O público é bastante exigente e se veste muito bem na linha esportiva.

PRODUTOS
Moda Tem uma moda de momento. Tem a linha antecipadamente. O difícil do comércio, é você comprar antecipadamente, cinco meses de antecipação para a estação seguinte. Então, você não sabe se a estação vai ser de chuva, se a estação vai ser quente... Você está no verão e tem que comprar para o inverno. É difícil. Você não sabe o inverno que vem, se é um inverno rigoroso ou um inverno mais ou menos quente. Então, você faz a compra e, às vezes, você fica com a mercadoria. É ingrato. Tem momentos que o comércio é ingrato, ingrato naquilo que se refere ás compras. Hoje, compras é o setor de meu filho, que tem bastante capacidade, graças a Deus, e tem acertado quase que 90%. O negócio é errar o mínimo possível.

COMÉRCIO
Melhor época para vendas É, no verão. A estação, a temporada... Mas no inverno, a arrecadação é maior pelo volume, pelo preço do artigo. O agasalho é mais caro do que um short ou um maiô. Então, dependendo da situação, o volume de vendas é maior. Mas, em toda estação a procura é relativamente a mesma, a clientela aumenta ou diminui, dependendo daquilo que está acontecendo no momento. Hoje, está uma dificuldade tremenda, porque está todo mundo segurando para o dia de amanhã, ainda mais agora com isso que está acontecendo no mundo. Esse início de guerra. A gente não sabe o dia de amanhã. Hoje, todos os setores estão tendo dificuldades.

FUNCIONÁRIOS
Treinamento de funcionários Fazemos treinamento, quinzenal ou mensal. a gente reúne todos os gerentes e funcionários. Eu reuno, tem uma sala especial para aquilo que a gente planeja durante o mês, as metas que tem que ser atingidas. Então, aí passa a separar o gerente, também um trabalho feito com os funcionários é levado a diversos cursos que tem tido na Praia Grande, diversos cursos lá. Pessoas capacitadas na área de venda. Então, a gente leva os funcionários, leva os gerentes todos para que possam se atualizar naquilo que há de melhor no momento. FUNCIONÁRIOS Remuneração Pago por comissão, um percentual já seguro para ele. E aí, acima daquilo, ele tem um percentual na venda para dar motivação para que ele possa corresponder e, às vezes, também exigir, né? Então, a gente dá uma meta, pré-determino uma meta para a semana e a pessoa tem que fazer tudo para alcançar. Tenho funcionário que vai buscar o freguês em casa. A situação está difícil, "acabei de receber." O telefone não está atendendo, mando buscar lá. Está montando o manequim na loja, o primeiro freguês que passa: "Eu estou precisando de uma camisa." "Você me dá um minutinho." Sai na porta, puxa para a loja, você diz: "Você podia experimentar essa camisa para a sua senhora ou para o senhor. Vê essa camisa." Tem acontecido até isso. Tenho um grupo de funcionário que eu devo quase tudo que a gente chega a ter, né? Eu devo a eles. Gostaria que cada um pudesse amanhã ter o seu comércio, mas é difícil. Para a gente tocar, é difícil. Então, a gente dá todas as condições de trabalho para todos eles; de aprendizado, a gente não mede esforços; leva para São Paulo, para todo o lugar. FUNCIONÁRIOS Funcionários antigos Tenho funcionário de 20 anos. Tenho funcionário desde que abriu a loja, e tem outros que abriram os seus negócios. Funcionários que, até hoje, vão lá e tem o seu negócio, que eu devo muito a eles, que a gente sente. Tem funcionários também como todos os setores, mas têm funcionários que a gente perdeu, que você deixou, e foram procurar horizontes melhores. O mais antigo cresceu dentro da empresa. Tem uma funcionária que, por exemplo, foi de venda, foi caixa, hoje, estou pagando a universidade para ela, para ela ficar fazendo administração, para amanhã, trabalhar na contabilidade, para tocar. Então, eu pago para ela. A gente dá campo para os funcionários porque a gente tem uma estima toda especial. E para outros também, a gente ajuda naquilo que é possível, dentro da necessidade de cada um. Dentro daquilo que a gente possa fazer; ou estudo ou alguma coisa, a gente faz.

COMÉRCIO
Mudanças no atendimento A mudança é muito grande. Antigamente, o seu funcionário, chegava do café da manhã, se vestiu, vem com a roupa que estava em casa, ficava até o final do dia, trabalhando na loja. Hoje, as lojas têm que ser padronizadas. Hoje, você chega nas grandes lojas, nas redes de lojas, cada um com o seu uniforme, apresentação, a maneira de se apresentar ao freguês, perguntando o seu nome. Pequenas coisas. Não usava no dia de ontem, você vem: "Quero isso aqui". Hoje não, hoje você tem que saber o nome do teu cliente, oferecer ao teu cliente, não deixar que ele pense... Tentar o contato diário já é um contato de amizade. Entrou, primeiramente o seu nome, o que quer, quantos filhos tem... Então, você entra na vida da pessoa e essa é uma maneira que a pessoa se ajuste a aquilo que você quer, aquilo que você se sinta bem dentro da tua casa. Você se sente bem dentro de uma casa, desde que você tenha uma liberdade. Então, dá essa liberdade ao cliente para que você possa daquilo tirar um proveito, uma venda, que venda bem, bem feito. Depois, você ligar para a sua freguesa: "Você foi bem atendida, se está tendo alguma falha dentro daquilo que ele comprou, se não gostou, se gostou, o que eu tenho no momento a oferecer dias depois, meses depois. Olha, eu estou recebendo tal mercadoria, sei que você gosta dessa linha, estou recebendo. Hoje, estou em promoção". Vai com tudo. Tem que ter o contato diário, quase, com o freguês.

CLIENTES
Atendimento pessoal Eu não chego a atender aos clientes. O freguês que chega, eu chamo o funcionário, bato papo com a pessoa, mas um bate papo... Que desde criança, eu gosto de bater um papo antes com a família, "tudo bem", "conheço ou não conheço". Normalmente, a pessoa conhece, e, naquele momento, a gente passa a se conhecer. Eu sou um péssimo fisionomista, peço aos meus fregueses que quando eu passo perto, não cumprimento, eu cumprimento todo mundo. Já vou cumprimentando, estou na praia, estou cumprimentando. Estou andando, estou cumprimentando. A pessoa passa: "Pô, você está pensando que é a mamãe do Tarzã?" Então, normalmente converso com todo mundo, sou péssimo fisionomista. Às vezes, que eu tenho algum lapso, alguma coisa com alguém, neste momento também, me desculpa porque é muita gente, a gente conhece muita gente. Às vezes, entra e sai, depois a gente não tem mais contato. Aí, a gente passa... Eu vou vendo, mas às vezes, eu conheço a pessoa. Então, o contato, eu tenho mais no momento, aí eu chamo o funcionário, a gente bate um papo do que gosta, do que não gosta, que tem e o que não tem, a pessoa se encarrega de fazer a venda.

ESTOQUE DE MERCADORIAS
Sistema de compra Compro sempre a prazo, sempre a prazo. Gostaria de comprar à vista porque tem um preço melhor para eu poder dar mais condições ao freguês, mas sempre a prazo e, às vezes, tem que dar uma prorrogada aí na hora de pagar, principalmente no momento que a gente atravessa. Mas, quase tudo no comércio é a prazo, tem que ser feito a prazo. Bendito do comerciante que possa fazer a sua compra e pagar à vista. Então, tem uma vantagem bastante grande nos demais concorrentes. Eu pretendia, eu pretendo e a gente sempre pretende um dia do amanhã comprar tudo à vista para dar uma condição maior ao freguês de compra mais barato. Isso aí, te traz o freguês para dentro de casa.

FUNCIONÁRIOS
Dificuldades para treinamento A dificuldade é para chegar...A dificuldade nesse setor de vendas ou de qualquer setor de funcionário é a capacidade de cada um. É a capacidade porque se tiver uma capacidade um pouco melhor, você não vai ser o meu vendedor, correto? Então, você estuda, você tem que fazer o curso que ninguém faz curso para vendedor. Tem isso, o Senai, o Sesc, lugares, mas ninguém se profissionaliza, querendo um dia um pouquinho melhor. Eu tenho um tempinho, eu vou aprender inglês, eu vou fazer algo mais, curso a mais para se aperfeiçoar para ter uma maior facilidade ou alcançar um degrau a mais. Então, é nesse sentido que a gente encontra dificuldade porque ele se acha: "Eu sou vendedor." Então, se oferece, não tem capacidade nenhuma. Você tem que criar a pessoa nos moldes que você quer. E, às vezes, acha alguns que são difíceis. A gente está mudando, muda funcionário. Com a vinda do Gabriel, que trabalhava na Jonhson & Jonhson - ele formou-se em comércio exterior e pegou a Jonhson & Jonhson - onde teve um aprendizado bastante grande. Deixou de ficar uns três, quatro anos na firma, como vendedor. Então, eu tirei, trouxe ele para dentro das lojas. Anda bastante junto para ajudar o filho mais velho, Carlos Júnior. E a Daphne, está fazendo turismo, também, na área. Então, ela sai, ela vê tudo na hora da compra. Ela está sempre ao par, eles estão juntos, né? E como são jovens, estão sempre atualizados. Porque a gente já passou, mais ou menos, da era atômica. A gente está junto com eles e aceita tudo aquilo lá porque eles estão diário, mais dentro daquilo que está acontecendo. COMÉRCIO Compras pessoais Por incrível que pareça, eu não sou um grande comprador. Os meninos são, as mulheres, de comprar, me dar, presentear, né? Mas, eu não sou gastador não, eu não sou gastador. Gosto de me vestir bem, mas não gosto de comprar. Eu não tenho assim paciência para isso, escolher. Eu chego, olho e já compro. Então, eu sou detalhista, gosto de tal coisa, eu compro. Mas, mais os filhos. Os filhos que me presenteiam muito, então "eu vi uma camisa bonita para o senhor." "Ah, eu vi um jeans, compra. Um terno"...

LOJA
Atuação em outro ramo de atividade - roupa social No decorrer desses anos, eu não citei, mas eu tive uma das melhores lojas de artigo social de Santos. Eu calculo que, na época, eu tinha uma loja que seria semelhante à do Nei Pustiglione, a Trappo. Eu abri uma VR, vestimenta social, maravilhosa, maravilhosa. É onde que eu saí fora dos meus conhecimentos que o meu sócio queria abrir a VR onde que é o banco perto do shopping Miramar, onde tinha o banco do Rio de Janeiro, na Rua Marechal Deodoro. Ali, eu abri uma loja, dei uma derrapada, mais ou menos grande, porque eu entrei com ternos. Santos é uma cidade que, socialmente, a pessoa não pode usar pelo calor. São pessoas que trabalham em São Paulo. Enfim, ali eu gastei muito dinheiro para abertura, para fechar uma base muito grande. Na época eram quase 200 mil dólares para abrir esse franchising da VR e aí tivemos que fechar, tivemos que fechar a VR. Com sentimento porque foi desgastante a construção. Reformamos uma casa que estava no chão. Fizemos um tipo romano com as suas colunas todas, loja lindíssima, maravilhosa e não deu para dar continuidade também, por falta de conhecimento dentro da área social. Eu diria que têm pessoas capacitadas, diversos cursos. Se eu tivesse a felicidade que tenho hoje, os filhos que tenho hoje, eu teria a maior loja de Santos, talvez com mais filiais porque ela aguenta Santos. Depois, mais tarde, eu vi que ela seria então mal administrada. Ela foi muito mal administrada com muito sentimento, que perdemos uma grande chance de ter uma das lojas mais lindas da cidade. Mas, futuramente, quem sabe lá se a gente não volta nesses caminhos. COMÉRCIO Lições de comércio O comércio é um jogo, né? Eu acho que o comércio é um jogo. O comércio, você se dá bem como tudo é quase que uma Bolsa de Valores. Você tem que ter conhecimento daquilo que você faz. É o caso que eu acabei de falar da VR, onde que eu entrei num caminho, embora sendo comerciante, entrei num caminho que eu teria que ter um aprendizado para dar continuidade. Então, aquele que mete a cara, mesmo que seja uma lanchonete, mesmo que seja uma casinha para vender coco, eu tenho que ter um conhecimento, haja vista que, normalmente, quem vende coco é do nordeste. Ele sabe comprar, sabe a hora de botar o preço, tudo isso aí. Então, em tudo no comércio, tem que ter conhecimento. Você tem que ser capaz, saber o que está fazendo. Não adianta ser chegar e botar a cara para bater. Normalmente, se derrapa, você perde tudo, aquela voluntariedade que você está para que as coisas saiam bem, se você não tiver conhecimento. Eu acho que comércio não é só comprar para vender. É um jogo, né? É um jogo. Você tem que ter muito conhecimento naquilo que você merece, daquilo que você compra para poder revender. Você não pode comprar um artigo que amanhã vai te encalhar porque você tem perda. Então, tem mil manhas, mil manhas para que você possa se sair bem.

VIDA ATUAL
Cotidiano O meu trabalho, eu gosto muito de praia, sempre gostei, por isso que eu duas, três vezes até três vezes por semana, eu ando na praia das 8:00 às 10:00, mais ou menos, da manhã. Eu dou a minha andada, tomo banho e vou para a loja. E aí eu fico, um dia eu almoço, outro dia não almoço, depende da correria que está sendo feita... o meu local é na Ana Costa, é onde que eu iniciei. Então, alguma coisa me segura ali dentro. Muita oração, muita oração, muito pedido a Deus para as coisas fluírem, porque sem Deus na tua frente, você não chega a nada. Primeiro, união, sempre desejando o bem para todos, mesmo para o inimigo. O inimigo bem perto é melhor do que ele longe. Então, é vendo o que está acontecendo que eu não tenho, com a graça de Deus, nada. Então, é muita oração dentro da família para as coisas fluírem, embora tenham pedaços que você se desespera, mas sempre tem o dia de amanhã. Sempre tem o dia glorioso. A gente espera sempre esse momento, sempre o momento de glória. O meu dia é esse aí. No final da tarde, de vez em quando, eu jogo um snookerzinho com os amigos que eu tenho no clube da AABB. Eu vou ali, fica perto ali, posso ir lá no mesmo momento, um minuto depois, está dentro do meu estabelecimento. Tenho um grupo de amigos muito bons ali, onde que extravaso um pouco. Gosto muito de jogar snooker, haja vista o Milton Teixeira, o meu grande amigo, meu parceiro de sinuca, doutor Milton Teixeira.

LAZER
Lazer com a família Com a família, normalmente eu vou a São Lourenço, onde eu tenho uma casa de praia. Então, eu vou com os meus filhos, reunião, churrasco de vez em quando. Aquilo lá, passar umas férias, mas gosto de andar pela praia, eu e a minha mulher.

FAMÍLIA
Filhos Os meus filhos agora, cada um já tem o seu rumo, já tem um casado, que é o mais velho; o Gabriel com a sua namorada; a Daphne com o seu namorado; o Tom querendo jogar futebol, tem uma vontade imensa de jogar futebol. Está jogando aí, é o menor, 18 anos, está vendo um futuro promissor para ele, eu vejo também. Eu acho que tem tudo para chegar onde ele quer. Tem muita garra, muito sangue nas veias, que é o principal. Não esmorece em tempo nenhum, com tempo com chuva, com sol, com vento, com trovoada, ele está na primeira coisa da vida dele e para chegar é isso aí que ele faz todos os dias. Então, eu calculo que possa chegar algum dia naquilo que ele pretende. Eu rezo que aconteça com ele aquilo que ele mais almeja. Para ele e para todos os meus filhos, para todos os meus amigos e todos aqueles que me rodeiam o melhor da vida porque tendo o melhor da vida, para aqueles que te rodeiam, você tem que estar feliz porque você sabe que não tem falcatrua. Então, desejando ao próximo aquilo tudo que você quer para você.

FILOSOFIA DE VIDA
Reflexões Eu não sou muito de falar não. Eu quero desejar o meu momento, o momento que aflige a humanidade que haja paz, que haja aqueles aviões todos, aquela farinha de trigo, aquele açúcar, aquele café, aquele pão que está sendo derramado. Isto tem que ser para o mundo todo. Isso para o Uruguai, para a Índia, não é só ali. Tem lugares que necessita a todo o momento; no nordeste necessita... Esses governantes nossos, esses governantes têm que ter um pouquinho de vergonha, o mínimo de vergonha com o povo, com aqueles que tem aquele sangue vermelhinho, aquela coisa linda que corre na veia. Estão vendo criança morrendo de fome. Então, o mínimo que o governante porque não sou eu, não são meus amigos que podem... São aqueles que vão lá, que a gente coloca lá em cima com uma felicidade grande. Tive um caso muito sério com um governante, que ficou me devendo um tempo, quer dizer, só vai ser teu amigo pelo poder, porque não vai ter coragem de me olhar. É uma pena. Rico, milionário, mas é uma pena, né? Eu tenho pena. Esses dias, ele passou por mim, teve que abaixar a cabeça, tem que abaixar. Grande governante, capacidade ilimitada, mas tem que abaixar a cabeça. Então, são essas coisas que não podem existir no mundo. Essas coisas não podem existir. Têm que ter um pouquinho de brio. E dar um pouquinho de cada um, dar um pouquinho de si. Porque o nosso Brasil é maravilhoso. Se a gente ficar três dias sem dormir aqui, a nação sai da dívida com os Estados Unidos. Eu só faço um pedido encarecido, porque já tive a felicidade de ter um sobrinho no Ministério da Saúde, acompanhei. Deve ter feito um bom trabalho. Secretário com uma capacidade ilimitada. Eu vejo, por exemplo, o meu sobrinho... Essas coisas têm que ser feitas, tem que copiar. Eu tenho um sobrinho que é médico em Curitiba que ele dá as consultas de graça para toda a cidade onde ele nasceu. Isso aí. Não se leva nada para o túmulo mesmo. Então, isso aí, tem que espelhar essas coisas lindas, essas coisas maravilhosas. Esse foi um dos meus sobrinhos que eu pude dar um dedinho de parcela e está aí. Um dedinho de parcela, a todo esse nordeste aí, seria outro país. O Brasil seria outro país. Então, é esse o pedido que eu faço encarecidamente aos governantes. É um projeto maravilhoso, um projeto que chega naquilo que o Brasil necessita. Um Brasil para adiante, é isso aí. Eu calculo que vêm pessoas maravilhosas, pessoas de um poder de trabalho dignificante que deu uma parcela para Santos, para o Brasil, sentar nessa cadeira aqui, dar os seus depoimentos, eu congratulo com eles porque o trabalho é honesto, é de uma dificuldade tremenda, mas a gente sobrepuja tudo isso. Porque com carinho, com amor e perseverança. Perseverança. Então, é isso aí. As palavras começam a fugir da boca. Então, eu calculo que é isso que necessita o nosso país e o país não pára. O país é maravilhoso, o país é de um futuro de amanhã que não tem tamanho. É isso aí. Eu agradeço esse momento maravilhoso que eu estive aqui diante de vocês, vocês terem entrevistado para toda a Baixada Santista, para o país, para o mundo.

FAMÍLIA
Sobrinhos Hoje, eu tenho uma felicidade muito grande de ter quatro sobrinhos, onde que eu dei uma ajuda em parte para que eles pudessem se formar. Um se formou engenheiro civil, outro é engenheiro florestal, o Joésio, o Raul Clei engenheiro civil, o Júlio Joaquim um dos grandes médicos que tanto me orgulho, e a Edicléia Inês é bibliotecária.

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