Busca avançada



Criar

História

Ajudante de andarilhos

História de: Rosangela dos Santos Ferreira Akato
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/02/2013

Tags

História completa

(depoimento de Rosangela dos Santos Ferreira Akato) Eu sempre morei em Brasília. Meus pais são do Rio, mas eles vieram na construção da cidade. Eles se conheceram em Brasília. Eu nasci dois anos depois que eles se casaram. Naquela época Brasília era muito diferente, tudo mais tranquilo, meu crescimento, juventude, eu via pouco carro na rua. Hoje ainda é uma cidade tranquila, mas naquela época era pacata. Com a evolução do planeta as coisas vão crescendo e Brasília também. Eu comecei a trabalhar com dezenove anos, já nos Correios. Eu não fazia faculdade, demorou para prestar. Na época que eu entrei não era concurso público ainda, era uma prova de português, outra de matemática, depois psicotécnico. Na época era oportunidade que eu vi, depois de terminado do segundo grau. Uma amiga da minha mãe tinha dito que o correio era muito bom, era legal. Eu só conhecia os carteiros, de mandar carta e receber, mais nada. Eu mandava carta pra minha avó, no Rio, e até mesmo de mandar carta pra minha mãe, essa coisa de colégio. E quando eu entrei eu fui trabalhar de atendente, fui atender o cliente mesmo, de guichê. Depois de um bom tempo eu fui reconhecida e fui gerente de agência. Pra mim isso foi um prêmio. Que foi quando eu fiz faculdade de Administração, porque já me exigia mais. Os Correios ajudaram a pagar também a minha faculdade. Depois fui convidada para trabalhar aqui na área de Recursos Humanos, na área de integração. A minha vida são os Correios mesmo. Eu conheci o meu marido no correio. Eu era atendente, ele era meu cliente, conheci e casei. E quando eu trabalhei numa agência do aeroporto, tinha um rapaz que chegou de viagem e ficou ali como andarilho, andando sozinho. Eu trabalhava de madrugada, e ele chegava mal cheiroso, e pensei em ajudar esse rapaz. Aí fui, arrecadei dinheiro, levei pra casa, ele tomou banho, botei ele no ônibus e ele foi embora. Passou alguns meses, eu já estava em outra agência, aí de repente chegou um cara dizendo que estavam falando meu nome na rádio local. Era ele que tinha voltado pra Brasília e estava me procurando aqui pra eu ajudar ele de novo. Isso foi uma coisa marcante. Eu tive que ir na rádio me explicar que eu já não tinha compromisso com ele pra nada, que eu já tinha feito uma ajuda. E a empresa mudou muito de lá pra cá. Quando eu entrei as coisas eram mais regradas, era tempo de militar, e as coisas eram mais rígidas. Hoje os Correios são mais democráticos, a gente pode falar, se expressar com os chefes sem medo de nada. Acho que uma empresa que chega com 350 anos de pé, crescendo e número 1 de credibilidade, vem não só dos empregados, que são sim importantes, mas também é a população que faz isso com a gente.
Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+