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História

Almoço de domingo do vizinho

História de: Gracia Circunde
Autor: Gracia Circunde
Publicado em: 14/08/2019

Sinopse

Retratos da vida. Janelas indiscretas, churrasco do vizinho. Cheiro gostoso da minha infância, da minha adolescência, e porque não dizer, da minha vida adulta.

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Não tenho mais o hábito de olhar a casa do vizinho pela janela, a não ser que esteja ocorrendo algo estranho. Não consigo bisbilhotar a vida alheia. Acho invasivo e de mau gosto! Mas sentir o cheiros das comidas, principalmente no domingo, é uma delícia. Aquele cheiro delicioso de carne assada, eu fecho os olhos e vejo até as batatas coradas cobertas com cebolinha verde! O cheiro do churrasco é inconfundível e é anunciado pelo cheiro da fumaça do carvão, que quando exala, prenuncia uma fartura de comida ,de alegria e de felicidade familiar! Eita! Dá até vontade de ir chegando devagarinho e fazendo uma boquinha...

 

Muitas vezes a vizinha chama por cima do muro e aí a gente chega como quem não quer nada, come uma carninha, bebe uma cervejinha e fica feliz da vida! Engraçado que na minha vida de criança e pré adolescente, muito mais indiscretas que as janelas, eu diria instigantes mesmo, eram as construções simples que usavam a meia parede! E às vezes era meia mesmo, porque a dita parede nem chegava ao telhado! Rsrsrs...nem sei se era bom, ruim, ou aflitivo... Ouvíamos gemidos, risadas, beijos, tabefes. Sorte que naqueles tempos éramos bem mais inocentes e muita coisa fugia à nossa compreensão, rsrsrs. Bons tempos aqueles de um voyeurismo auditivo (não dava para ver, só ouvir, rsrs) sem limites.

 

Até hoje essas lembranças me colocam um sorriso no rosto e um brilho matreiro no olhar! Minha casa era humilde, mas não era assim. Então eu adorava dormir na casa de uma tia. E de vez em quando, uma peça de roupa íntima aparecia voando por cima da meia parede! No outro dia, somente comentários à meia boca. De vez em quando um bate boca mais acalorado chamava a atenção dos infratores, mas que nunca chegaram ao nível das exposições midiáticas de hoje. E nós crianças, ficávamos por ali como quem não queria nada, e ouvindo tudo! Puro deleite!

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