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História de: Romeu Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/03/2004

Sinopse

Descrição do comércio em Taubaté. Armazéns. Histórias do pai. Início da Casa Philadelpho. Tipo de produtos. Transporte de mercadorias. Viagens de trem. Mudanças no perfil dos consumidores. Atividades atuais.

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História completa



IDENTIFICAÇÃO
Romeu Silva, nascido em Taubaté, em 25 de janeiro de 1927.

FAMÍLIA
Meu pai é natural de Tremembé. Chamava Benedito Philadelpho da Silva. Antes de ser comerciante, ele era barbeiro, em Taubaté. A barbearia dele era no largo do Mercado. Quando eu nasci, já ele era comerciante. Ele foi barbeiro durante poucos anos. Ele veio para Taubaté porque Tremembé era uma cidade pequena, ele queria se expandir. Primeiro, abriu uma barbearia. Depois comerciante, comércio de cereais e ferragens.

COMÉRCIO
A loja foi instalada no largo de Santana, hoje chamada praça Eusébio Câmara Leal, número 65. Ele iniciou com comércio de alimentos e ferragens, no varejo. Mais tarde, ele foi, varejo e atacado, por longos anos, ele foi um dos maiores atacadistas de Taubaté. O comércio, antigamente, era fornecido direto das indústrias para os atacadistas do interior. Depois, mais tarde, as indústrias começaram a distribuir para os atacadistas de São Paulo e estes faziam a revenda para o interior. Foi aonde aniquilou com o comércio atacadista. Hoje, a loja, o armazém trabalha mais com atacado, pequeno atacado e varejo, que nós chamamos de varejão.

TRANSPORTE
Meu pai recebia as mercadorias diretamente das indústrias. Chegavam por via férrea e por rodovia. Pela antiga Rio - São Paulo e pela estrada de ferro Central do Brasil. As compras, os viajantes visitavam a firma, os viajantes das indústrias, o que hoje não acontece.

CIDADES
Taubaté Naquela época não existia muito comércio. Só o Mercado Municipal, era... Na época era cidade pequena, uma cidade com 30 ou 35 mil habitantes. Agora, hoje, Taubaté deve ter de 270 a 300 mil habitantes.

TRABALHO
Eu trabalhava em compra e venda com meu pai. Dos dezoito, dezenove anos em diante. Antes eu trabalhava com ele no balcão, atrás do balcão - no armazém trabalha atrás de balcão, mesmo. Não mudou nada, desde o início até agora, o modo de trabalhar é o mesmo. Comecei a trabalhar com sete anos, mais ou menos.

EDUCAÇÃO
Eu fiz o primário no Primeiro Grupo de Taubaté, o Lopes Chaves, depois à tarde trabalhava no balcão, com ele.

VALE DO PARAÍBA
Nós fornecíamos para São Luís do Paraitinga, Redenção, Natividade da Serra, a zona rural todinha. As mercadorias chegavam lá pelo transporte próprio que tínhamos. Depois meu pai trabalhou no varejo, o comércio varejista foi uns dez ou quinze anos depois. Ele trabalhou por longo tempo no atacado, como já falei. Taubaté tinha na época uns dez atacadistas, uns dez grandes atacadistas, entre eles, a Casa Philadelpho. Todos esses atacadistas vendiam pra toda a região do Vale. Taubaté, nos anos 40, era um centro distribuidor. E essas mercadorias vinham de São Paulo, do Rio.

COMÉRCIO
A casa Philadelpho passou a reduzir o movimento de uns dez anos para cá. Porque com o advento de supermercado e essas firmas atacadistas distribuindo no interior, aniquilou com o comércio atacadista do interior. Naquela época, nos anos 40, meu pai fazia a contabilidade da empresa por intermédio de contador. Eu só trabalhava em compra e vendas com ele. Os funcionários eram todos de Taubaté. A firma tem cinco funcionários. Hoje ela tem cinco funcionários. Naquela época tinha uns dez, oito ou dez funcionários. Porque antigamente, antes do aparecimento dos supermercados, em todos os bairros eram armazéns. Não existia supermercado, como hoje, que cada bairro existe três, quatro supermercados. Quer dizer: eram pequenos armazéns e a Casa Philadelpho fornecia para esses armazéns, da cidade e da zona rural, inclusive São Luís, Paraibuna, Natividade, Caçapava, toda essa região. O pagamento era a vista ou por cheques pré-datados. Ele não usava vendas a prazo, nunca trabalhou com isso. A firma tinha o transporte, uma caminhonete Studybacker. Isso nos anos 40, acho que 40, 45, por aí. Ele comprou o carro em Taubaté mesmo. Tinha revendedora aqui em Taubaté. Essa caminhonete carregava bastante: uns mil e quinhentos quilos. A embalagem era por caixa de madeira - na época usava caixa de madeira. Toda pequena, pequena mercadoria. Agora, as grandes iam direto para a caminhonete. Sacaria etc., ia direto. A firma tinha uns três viajantes, tinha um que atuava na cidade..., tinha dois viajantes: um que atuava na cidade e outro na zona rural. E aí esse viajante percorria a zona rural para pegar os pedidos. Ele tinha seu salário. Era exclusivo e viajavam por conta própria. Viajavam de ônibus, porque essa zona aí - era São Luís, Paraibuna, Caçapava - , era tudo por rodovia. Eram pequenas cidades. Hoje ainda são pequenas cidades. Os principais produtos dos armazéns eram arroz, feijão, óleo, açúcar, sal, fubá. E depois tinha enxada, ferragens, chapéu de palha, esteira, tudo da época. Tudo material da época. Na época, o pessoal do campo usava, por exemplo, açúcar mascavo, açúcar rapadura, açúcar cristal, o que hoje não acontece.

CIDADES
Taubaté Para se comprar roupas, na época, era em loja de russo. Na época tinha várias lojas, só de russo. Vieram da Rússia pra comerciar, ganhar dinheiro. Lembro uma: Casa São Paulo. O dono era russo. Vendia roupas feitas. Ficava no largo do Mercado. E todo mundo ia comprar lá na loja do russo. Sapatos, lembro da Casa de Calçados Popular. Na época, era pequena, ela ficava no largo do Mercado. Tudo, a zona comercial era no largo do Mercado. Rua Doutor Silva Barros, Coronel Jordão, rua do Comércio. A rua do Comércio era uma travessa do largo do Mercado. Tinha várias lojas de russos que comerciavam roupas feitas. Roupas feitas, guarda-chuva, esse negócio todo. Isso eu tinha o quê, quinze anos.

EDUCAÇÃO
A Escola do Comércio está situada, até hoje, na rua Conselheiro Moreira de Barros, antiga rua das Palmeiras. Lá funcionava o ginásio e o técnico em contabilidade. Matéria era português, matemática, história, geografia... Naquela época era primeiro, segundo, terceiro, quarto propedêutico, que usava. E depois passava pro primeiro, segundo e terceiro ano técnico. Técnico em contabilidade. Meus colegas eram todos de Taubaté. Alguns comerciantes. Lembro do Odil Danelli, foi meu colega, o Jacó, e outros. Era escola paga. Na época era dez reais, dez... dez cruzeiros, acho que era dez cruzeiros, dez cruzeiros, a mensalidade. E era à noite. Os professores eram de Taubaté, mesmo. Eu aprendi a contabilidade, que me ajudou. Eu já peguei a teoria, e depois com o comércio eu peguei a prática. Quer dizer: teoria e prática. Ela serviu mais como teoria. Os professores eram todos de Taubaté. Eram professores do colégio do estado, que à noite faziam bico. Faziam bico na Escola do Comércio, porque eles já eram, já eram funcionários públicos. Eu estudei, eu entrei em 1942. Já existia há tempos. Antes de ela ser instalada nessa Conselheiro Moreira de Barros, ela atuava na rua Doutor Jorge Winter.

COMÉRCIO
O comércio abria, normalmente, oito horas. E antigamente o comércio, às segundas-feiras, ele abria só às doze horas. Eu acho que era lei municipal.

MORADIA
A minha casa, na época, era modesta, era no fundo do armazém. Depois, o velho adquiriu uma pegada e a casa do fundo ele ampliou, como depósito.

CIDADES
Taubaté Em Taubaté tinha futebol, tinha o clube, tinha a Associação Comercial, localizada na praça da Catedral, na rua Marquês do Herval. E tinha futebol, tinha snooker, tinha tudo. Na Associação Comercial tinha o baile, e como esporte tinha pingue-pongue. Meu pai não era sócio. Eu era, desde os dezessete anos. A Associação não tinha nada a ver com comércio, era um clube, e tinha uns bailes bons lá. Tinha o Biriba Boys, que na época, era bom. Na época era um bom conjunto. Antigamente não era como hoje. Hoje, nove horas, oito horas, você não pode ficar mais na rua, porque é violento o negócio. Antigamente não: antigamente ficava dez horas, onze, duas horas da manhã, ficava na praça conversando e não tinha problema nenhum. Dava pra namorar. Namorei um pouco.

NAMORO
Conheci minha esposa num baile de São João. O pai dela tinha padaria e eles fizeram um bailinho no fundo da padaria. E ali eu fiquei conhecendo. Namorei uns seis anos. Ela fazia curso de adulto. Ela dava aula à noite e foi adquirindo ponto, porque daí ela passou a ser professora municipal. Daí, com os pontos adquiridos, ela ingressou no estado. Daí, ela, na época, ela deu aula em vários bairros: ela deu aula em Natividade da Serra, deu aula no bairro do Macuco, no bairro do Ipiranga, deu aqui... pegado em São José, em Eugênio de Melo.

CASAMENTO
E teve festa de casamento. Foi na residência, na residência dela. Festinha, de lá nós fomos pra São Lourenço. Lua-de-mel em São Lourenço. Fomos de carro particular, alugado.

FAMÍLIA
Meu pai deixou o armazém um mês antes de falecer. Ele faleceu no dia 11 de outubro de 1984. Ele trabalhou até um mês antes, um mês antes de falecer ele estava no armazém. Trabalhei com ele toda a vida. Ele era autoritário, ele era um senhor autoritário. Mas a turma levava a um bom termo. Às vezes tinha um arranca rabo etc. etc., mas depois acalmava e ia tudo bem. Ele não admitia, ele não admitia palpite.

COMÉRCIO
A sociedade começou em 1952: era ele, o irmão Acácio, eu e uma irmã, a Julieta. Hoje ficou só a Julieta. Há uns três anos atrás, o Acácio aposentou; eu há um ano atrás saí. Agora ela que administra. Eram treze irmãos, no total. Todos, todos participavam do armazém. De acordo com o que foi crescendo, eles foram ajudando. Agora, [no comércio] só tem a Julieta, que ficou com a Casa Philadelpho. Casa Philadelpho é o sobrenome do meu pai, é o nome dele: Benedito Philadelpho da Silva. Deve ser... de origem portuguesa, porque o pai dele era filho de português. A Casa Philadelpho está com oitenta anos. A grande mudança foi que começou como pequeno armazém e depois passou a ser um grande atacadista. A Casa Philadelpho permaneceu vários anos como um dos maiores atacadistas de Taubaté. Depois, com a entrada de... Porque ultimamente as indústrias fornecem para os atacadistas de São Paulo e esses revendem pra o interior, então foi aí que enfraqueceu o atacadista do interior. Hoje não tem mais atacadista no interior. Até uns dez anos atrás, tinha, ainda tinha. Bom, até uns dez anos atrás permanecia a Casa Philadelpho, porque as outras desapareceram. Que em Taubaté tinha uns oito ou dez atacadistas. E a Casa Philadelpho permanece até hoje, não como atacadista, mas como pequeno atacado e varejo, o que nós chamamos de varejão. Essa queda se deve ao aparecimento de supermercados, porque hoje em qualquer bairro em Taubaté tem dois, três, quatro supermercados, então... E esses atacadistas, e os atacadistas de São Paulo que revendem no interior, eles fazem a entrega em qualquer quantidade, em qualquer bairro aqui em Taubaté, eles, qualquer quantidade eles fazem entrega. Então, aniquilou com o atacadista local. Hoje não existe mais. Hoje não existe porque cada bairro tem dois, três, quatro supermercados. Esse, as indústrias não têm mais viajantes, quer dizer, antigamente as indústrias tinham viajante para o interior. Então, você comprava direto das indústrias. Hoje não acontece isso, hoje você é obrigado a comprar do revendedor. Já não tem mais condições de você permanecer com o atacado, porque a indústria fornece para os atacadistas de São Paulo e esses, quando revendem, já não tem mais, você já não tem mais condições. Então quer dizer que você tem que trabalhar no varejo ou no varejão.

TRANSPORTE
Eu comecei a fazer compra por causa da firma em 1948 e fui até 55. De 48 a 55 eu fazia três, quatro viagens pra São Paulo. Era a estrada velha. Porque a Dutra, eu acho que o aparecimento da Dutra foi quando eu parei, em 54, 55. Foi que apareceu a via Dutra. Você pegava a estrada velha, que pegava aqui por Quiririm, passava por Caçapava, São José dos Campos, Jacareí, Suzano, São Miguel Paulista, até chegar em São Paulo. Era uma viagem de cinco horas, cinco horas e meia. Chegava em são Paulo levando pedra da caieira ou tomate - que aqui plantava-se muito tomate. Hoje não acontece isso. Hoje ele pode ir - com pedra, ainda, pedra da caieira, é o único transporte pra São Paulo. Chegava lá, fazia a distribuição lá na Santa Marina, no Jabaquara, no aeroporto, no mesmo dia que chegava. Chegava de manhã, e quando, e quando ia carregado de tomate, aí tinha que chegar quinze para as seis no mercadão, porque senão não descarregava. Depois das seis horas não descarrega, normalmente. Tinha contrato da firma: levava mercadoria daqui pra lá e de lá pra cá. Mercadoria. Daqui do Vale, daqui de Taubaté. O tomate era daqui de Taubaté, Caçapava, quer dizer, fazia a cata nessa cidade. Eu só transportava. E cobrava-se o frete. Agora, quando a firma estava carregada, daí então pegava mercadorias em empresas de transporte, lá. Voltava no mesmo dia. Demorava, mas chegava aqui altas horas da noite. Chegava, descarregava de manhã, fazia as compras até cinco, quatro, cinco horas. Cinco horas e meia, seis horas, saía de lá. Ia chegar aqui onze horas, onze e meia. Duas, três vezes por semana.

COMÉRCIO
Em São Paulo, comprava na Paula Souza; é Barra Funda, é Florêncio de Abreu, Praça Mauá. Comprava feijão, milho, arame farpado, enxada, cimento e outros artigos. Era cansativo. As ferramentas vinham de São Paulo. O trem usava quando fazia a compra pelo Rio [de Janeiro]. No Rio, daí sim, porque antigamente o sal vinha muito do Rio. Hoje não: hoje você compra no Rio Grande do Norte e essas carretas trazem pra você. Antigamente não, antigamente a compra do sal era toda feita no Rio. Sal, bacalhau, sardinha, e aí vinha de trem. Tinha o viajante, a compra era feita por intermédio de viajante. Na época, não existia caminhonete, não existia transporte: era tudo feito por carroça. Então chegava, por exemplo, um vagão de sal, com 333 - na época eram 333 sacos de sal. Então você chegava no largo do Mercado - na época era no largo do Mercado, tudo é feito, quase tudo feito, aqui em Taubaté, no largo do Mercado - , então tinha aquela carreira de carroça. Então você pegava oito, dez carroças e elas transportavam da estrada de ferro para o depósito do armazém. Eu tinha dez, doze anos. Há setenta, 65 anos atrás. Foi pouco antes da guerra e pouco depois da guerra. É, entre 37 e 45, ou 37 e 40, 42, por aí assim. Antes da guerra era tudo feito..., o transporte era feito tudo por carroça

SEGUNDA GUERRA
Na época da guerra não teve problema. Era tudo normal. Por exemplo: sal e açúcar a prefeitura fornecia ticket para ser retirado no comércio. Tinha quantidade limitada. Açúcar... Sal e açúcar: isso era quase certo. Era certo, o sal e o açúcar. Não afetou em nada o comércio da época. Nem o transporte. Pão era - o negócio era feito controlado. O pão era controlado. Porque na época faltou a farinha de trigo. Muitos padeiros faziam o pão com o macarrão, diluía. Deixava o macarrão, eu acho que em água, durante um determinado tempo, ele transformava, e daí eles faziam o pão. Muitos padeiros da época trabalharam com mais macarrão, porque faltou o trigo. Faltava trigo, arame farpado. Porque arame farpado era, é um artigo que sai muito, e na época da guerra desapareceu. Porque eles usavam muito, acho que pra trincheira, qualquer coisa. E na época era tudo importado. Agora não, agora é fabricado aqui mesmo. Até usava-se o arame farpado belga. Então faltou muito no comércio. Depois da guerra, assim mesmo, levou muito tempo. Depois da guerra, uns dois anos após guerra, trabalhava-se muito com arame farpado enferrujado. É que eles usavam em trincheira, e daí faziam aquelas rodilhas e mandavam pra São Paulo. Revendia. Revendia porque era o único arame que tinha na época: era o arame enferrujado. Era bem reduzido o preço. O pão tinha o mesmo gosto: eles dissolviam o macarrão e daí fabricavam o pão. Era a mesma coisa.

COMÉRCIO
Antigamente era mais fácil você adquirir mercadoria; hoje é mais difícil porque o dinheiro desapareceu do mercado, não existe dinheiro. Então a venda hoje... Quem trabalha a vista, como a Casa Philadelpho, trabalha a vista, quer dizer, reduziu o movimento. Porque hoje em dia, você pega o supermercado, eles fornecem cheque pré-datado por trinta, sessenta, noventa dias, então isso facilitou para o comprador. Então é por isso que ele freqüenta mais o supermercado: devido os cheques pré. O comércio que trabalha só a vista sofreu um enfraquecimento. O atacadista leva vantagem de ele comprar em larga escala e ele compra em menor preço. Já o varejista não, o varejista já sofre as conseqüências de um preço maior. Meu pai mudou devido ao aparecimento do supermercado. Antes se tornou atacadista porque o movimento foi aumentando, então ele teve que ampliar o comércio dele, então foi que de varejista ele passou para atacadista.

VIDA ATUAL
Eu hoje tenho uns imóveis e sou aposentado, e a minha senhora é aposentada, então de uns anos pra cá eu estou na vida mansa. Saí da Casa Philadelpho há uns seis meses ou sete meses, mais ou menos. Eu queria descansar um pouco mais, a verdade é essa. Eu queria descansar um pouco, porque eu nunca descansei, nunca tive férias. As únicas férias que eu tive foi uma semana depois de casado. Eu tenho dois filhos, os dois são engenheiros. Um mora em São José dos Campos e outro em São Paulo. Nenhum foi pro comércio. Eu não quis. Eu queria que eles fossem independentes. Nada de depender do comércio. Porque, por exemplo, a família toda tinha que depender daquela loja, daquele armazém. Eu tenho o mais velho, que é engenheiro metalúrgico, tem um bom emprego em São Paulo. Aliás hoje ele é, hoje ele é comerciante, até. E tenho o menor, que é engenheiro químico, trabalha na Petrobrás. O mais velho trabalha com essas placas de ferro, ele fez sociedade com um americano.

AVALIAÇÃO
Comércio Ah, no comércio aprendi muita coisa, abriu o cérebro, o comércio abre. Então você aprende muita coisa no comércio. Ensinou a viver. Abriu a mente.

FAMÍLIA
O meu pai era semi-analfabeto, mas era um senhor de um tino comercial elevadíssimo. É, vários comerciantes, pequenos comerciantes, quando conversavam com ele, chamavam ele de professor, de tão..., de um tino elevado no comércio. Ele era de uma família humilde. O pai dele, parece-me que em Tremembé, tinha depósito de lenha.

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