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História

Artesã das panelas de barro

História de: Maria Rita Mendes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/03/2008

Sinopse

Como muitas artesãs dos vilarejos do Vale do Jequitinhonha, Rita fez a vida fabricando e vendendo artigos de barro. Diferentes da maioria, no entanto, os objetos que ela cria não servem para enfeite. São panelas e vasilhas de barro úteis para preparar “comida boa”, desenvolvidas a partir dos ensinamentos da mãe, que se dedicou a esse mesmo trabalho até os 100 anos de idade. Boa parte da clientela vem de longe apenas para fazer as compras ali. Nascida em uma fazenda da região, Rita não teve uma vida fácil e ainda se vira como pode para complementar a renda. Com o dinheiro da venda das panelas, só há pouco tempo conseguiu comprar um refrigerador, que acabou, inclusive, permitindo a venda de mais um tipo de produto: os geladinhos de frutas. 

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História completa

Gosto de trabalhar. Eu não gosto de ficar sem dinheiro, que é ruim demais. Se a pessoa adoecer e você não tiver dinheiro... Aqui, onde é que nós trabalhamos, não tem outro movimento para trabalhar, só tem o barro mesmo para trabalhar.

De barro, que eu faço? Eu faço tudo quanto é espécie de vasilha de barro. Eu faço filtro, eu faço panela, eu faço jarra, tudo quanto é espécie. Bujão.

Depois que nós começamos fazer panela, não tinha tempo para brincar, não (risos). Tinha hora que nós fazíamos panela de cedo até meio-dia; do meio-dia à tarde nós íamos ajudar pai na enxada, que ele gostava muito de plantar e ele já estava bem idoso.

A minha mãe morreu com 102 anos, mas nos ensinou a trabalhar para nós caçarmos o jeito de criar os nossos. Ela com 100 anos, ela fazia. Mãe fazendo vasilha tem mais de 100 anos. Quando ela sentava, ela não gostava de ver nós para aqui e para acolá. Ela botava um bolo de barro e botava um outro para nós trabalharmos, ajudarmos ela.

De vez em quando, aparece um, dois. Aqui, compra um bocado de minha mão. Mas nós vendemos mais é por encomenda. Tem vez que vem gente encomendar de fora, encomenda aqui para fora. Eles pegam e levam para outro canto. Agora mesmo, essas que estão aí o povo leva para Brasília para vender.

Sempre eles falam que, na panela de barro, o de comer é o mais sadio que na panela de alumínio. Comida boa de fazer é um arroz para cozinhar na panela de barro, que é boa. Galinha também na panela de barro é boa. A carne de porco também. Você cozinhar um osso numa panela de barro é muito boa.

Eu fui lutando até eu comprar uma geladeira (risos). Vendendo panela. Fui juntando esse dinheiro, até que eu juntei. Eu estava em 200 reais, a geladeira custou 500. Eu fui, o moço chegou, eu paguei 200 de entrada e fiquei devendo 300. E fui pagando de 50 em 50, até que Deus me ajudou que eu paguei. Eu consegui ter, se não eu não tinha (risos). Já tem uns dois anos.

Eu gosto de fazer tudo quanto é espécie de vasilha. Quando o povo traz o modelo, eu faço tudo quanto é espécie de vasilha. Eu faço fogão, tudo quanto há. Eu invento fazer, para poder Deus ajudar.

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