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História

Autobiografia de Francisco Barbosa do Santos

História de: Francisco Barbosa
Autor: Francisco Barbosa
Publicado em: 13/03/2018

Sinopse

De Vovô Francisco para Frederico Amado netinho, não poderia deixar de falar sobre tuas origens para que você se situe na vida. É muito importante saber quem somos, nossos antepassados e fatos importantes de nossa família. Eu não tive essa sorte pois, meus pais, nascidos na metade do Século XX, não tinham acesso à uma Educação adequada. Naqueles tempos, só os ricos, as famílias abastadas possuíam meios de encaminhar seus filhos e netos para a escola a qual, na época, era severas e muito militarizadas. Decidi fazer um registro do que eu me lembro e juntar as fotos e fatos, para que você tenha conhecimento e dê continuidade a este trabalho.

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História completa

AUTOBIOGRAFIA DE FRANCISCO BARBOSA DOS SANTOS Meu pai, teu bisavô veio para Santos em 1953 quando eu tinha apenas 01 ano de idade. Meus irmãos são Wilton Barbosa dos Santos e Suely Barbosa dos Santos, a mais velha entre nós. Tivemos uma vida muito difícil pois teu bisavô, tapeceiro, como a maioria dos cariocas daquela época, era um boêmio. Virtuoso no cavaquinho e bandolim integrava os grupos de Choro do bairro do Marapé onde fomos morar. Vivia o velho Carioca, como era conhecido, envolvido com mulheres e tua bisavó sofreu demais com isso. Mas permaneceram juntos até o fim. Faleceram na entrada do terceiro milênio, no Rio de Janeiro, para onde retornaram lá pelos anos 70 juntamente com meu irmão ( teu tio-avô) Wilton. Eu, teu avô, Francisco Barbosa dos Santos foi quem te passou o nome dos Barbosas, oriundos da Quinta dos Barbosas, Portugal, na pessoa de teu tataravô, por parte de pai, Sr. José Neves Barbosa, um português de olhos verdes, pai de minha mãe, tua bisavó, Sra.Georgina Barbosa dos Santos (nome de solteira Georgina Neves Barbosa). Ingressei no que se chamava de Parque Infantil, aos cinco anos de idade, mais precisamente no Parque Infantil Alcides Lobo Vianna, na av. Pinheiro Machado, ao lado do mercadinho do Marapé. De lá, passei para o curo primário no Grupo Escolar Braz Cubas, na mesma avenida, em prédio hoje extinto pois a escola funciona hoje em outro endereço. Conclui o meu curso primário e passei para o Colégio Marques de São Vicente, na avenida Bernardino de Campos para me preparar para ingresso no que se chamava de curso Ginasial. Ou seja, havia um tipo de vestibular para se ingressar no Ginásial e a preparação durava um ano inteiro de muita revisão e estudos. Lembro das austeridade dos professores daquela época e da extrema disciplina que havia em todas as instituições por onde passei, uma realidade totalmente diferente do teu tempo, querido neto. Não vou me estender em relatar todos os detalhes pois, com o advento da Internet, a qual você domina com maestria, desde pequenino, fica muito fácil saber como era a Educação dos anos 60 até o final do século XX. Não fui um aluno exemplar, mas também tive pouca dificuldade nos estudos, sempre voltado para a Língua Portuguesa, Geografia, História e Desenho Geométrico, matérias que eu gostava e que indicavam minha aptidão para a área de Humanas. Terminado o preparatório de Admissão ao Ginásio, como era conhecido o exame, ingressei no Colégio Acácio de Paula Leite Sampaio, no mesmo prédio do Colégio Olavo Bilac, também na avenida Pinheiro Machado, pela proximidade de minha residência. Foram quatro anos de muito esforço pois, nessa época, eu já começara a trabalhar como office boy e os dias eram por demais cansativos. Muitas vezes pulei os portões da escola para fugir das aulas, tomado pelo cansaço e sem condições de absorver o que os professores transmitiam dentro do estilo educacional ao qual o educador Paulo Freire intitulou de Educação Bancária ( estude sobre o tema). Terminado o Ginásio, comecei a enfrentar novos problemas familiares pois teu bisavô, além de ser um mulherengo safado, era o típico carioca contado em verso e prosa por vários autores; boêmio, músico ( tocava bandolim em grupos de Choro) e não se atinha muito ao trabalho e a família. As coisas começaram a piorar lá pelo inicio dos anos 70 e, de repente me vi sozinho pois decidiram retornar ao Rio de Janeiro onde possuíam uma casa na rua Saracá 230, hoje extinta. Como me recusei a retornar, passei a morar em um quarto na Rua Itapura de Miranda, ao lado do Colégio Canadá, onde passei a realizar provas no curso Supletivo Colegial o qual conclui no Colégio Expansão, que não mais existe, em prédio na avenida Ana Costa. Assim, conclui, a duras penas, o Curso Colegial. Faltava agora o curso Superior o qual não consegui concluir devido a pouca disponibilidade de tempo pois, já quase no final dos anos 70, fui trabalhar na área da Cia Siderurgica Paulista ( Cosipa) e realmente não me sobrava tempo para nada, além de trabalhar. Foi lá ,onde ganhei um concurso sobre Segurança do Trabalho e passei a ocupar um cargo de chefia como prêmio. Uma série de meus trabalhos dessa época, deixo devidamente encadernados para você. Bons tempos! Reencontrei a tua avó Regina, a quem eu já conhecia do emprego na M.Campos Comissária de Despachos, e acabamos casando. Foi uma guinada de 360 graus na minha vida. Sai da área da Cosipa em 1982 e tua mãe já havia nascido ( 1980) dando continuidade a vida, com muitos desafios a serem vencidos, até que em 1983 consegui estabelecer a minha própria empresa, a F.Barbosa Assessoria e Publicidade que tinha como principal cliente o jornal A Tribuna. Foi uma das melhores fases da vida, onde conseguimos levar uma vida de muito trabalho mas também de ótimos resultados. Nossa empresa se suportou por mais de uma década, quando então começou a invasão dos computadores que passaram a realizar o trabalho de forma mais ágil e de preços sem concorrência. Dias amargos e tristes pois, sem meios para adquirir tais computadores, na época caríssimos ( havíamos passado por um momento traumatizante em nossas vidas e tivemos que dispor de todo dinheiro que possuíamos) tivemos que encerrar as atividades. Fui trabalhar como Gerente de Promoções na extinta Dimare Distribuidora da Editora Abril e lá, graças a minha experiência, fui bem sucedido, tendo meios de manter o padrão razoável de vida de meus filhos, entre eles tua mãe, que estudava no Colégio de Freiras, o São José, um dos mais renomados e caros da cidade. Em 1996, finalmente, a grande oportunidade de nos transferir para a capital, para trabalhar na empresa de um ex-cliente de nossa empresa. Foi em São Paulo que finalmente conseguimos estabelecer um padrão de vida acima da média e, finalmente, comprar um belíssimo apartamento na Rua das Perobas 173 e manter teu tios e tua mãe em ótimas instituições de ensino. Eu e tua avó trabalhávamos na mesma empresa, ela como Gerente Financeiro e eu como Gerente de Marketing e Promoções quando tive a oportunidade de conhecer muitos estados devido às minhas funções eu exigia visitas a toda rede de clientes. Em uma manhã de 2007, ao caminhar para pegar o Metrô estação Jabaquara, que ficava muito próximo, senti uma dor no peito que culminou em uma cirurgia cardíaca na Santa Casa de Santos, no dia 13 de maio de 2017. Tempos difíceis! Nessa época, tua avó já estava trabalhando em uma Organização Não Governamental em São Vicente, pois, com a compra da operadora Telesp pela espanhola Telefônica, a empresa onde trabalhávamos teve o contrato quebrado, tendo que dispensar os funcionário e fechar as portas. Você nasceu Frederico Barbosa Prado Santos e Silva, em 2008, para a minha felicidade, logo se transformando em um bebê rechonchudo e de grandes olhos verdes! Foi o meu grande companheiro de recuperação da cirurgia, um bom motivo para me alegrar e prosseguir. Ingressei na Faculdade de Pedagogia pela Universidade Metropolitada de Santos – UNIMES- pois, já em idade avançada, passei a dar aulas de Inglês e achei que o curso seria um recomeço para me especializar agora no ramo de Educação. Escrevo esta autobiografia narrativa em uma tarde de março de 2018 para que nada mais se perca com relação as tuas origens. Espero, sinceramente, que você dê a continuidade esperada e que não deixe nossa história e perder no tempo. Com amor, do teu avô Francisco.

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