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Cadeia ou Correios

História de: Joilson Mendonça
Autor: Joilson Mendonça
Publicado em: 26/07/2013

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Essa história poucos acreditam e quem acredita me sacaneia até hoje. Tudo começou quando passei no concurso dos Correios em 1991. Fui chamado em janeiro de 92 e como não havia vaga pra trabalhar na Grande Vitória, região metropolitana do Espírito Santo, fui designado para me apresentar na AC Barra de São Francisco, interior do estado, como ASP. Fui até a rodoviária, comprei a passagem e sairia às 14:00 de domingo, chegando à cidade às 19:00 aproximadamente. Minha derrota começou quando perdi o ônibus e tive de comprar passagem para as 19:00. Nunca tinha ido àquela cidade e por sorte, encontrei um colega que tinha estudado comigo e era policial civil naquela cidade, logo fui me informando sobre como ela era, o povo, o comércio, tudo. O problema é que como chegaria à meia noite a cidade, como era pequena, estaria completamente fechada, fechada mesmo. Hotéis, pensões, tudo fechava à noite e não havia onde ficar. Foi aí que meu colega disse: "Rapaz, a cadeia fica vazia, pois a cidade é pequena e a criminalidade é mínima. Se quiser, tem uns colchonetes lá que a gente dá pra algum preso, quando tem, pra ele dormir. Se não tiver nenhum preso, pois estou voltando hoje, você pode escolher uma cela e ficar por lá até de manhã, quando você se apresenta na AC." Eu, como não tinha escolha, aceitei o convite e chegando lá pude perceber que era realmente verdade. A cidade parecia uma cidade-fantasma. Não havia nem um cachorro velho perambulando na rua, ninguém! Caminhamos tranquilos, num frio de doer, até a delegacia. Ele chegou, chamou o policial de plantão, que abriu a porta, sem deixar de fazer uma piada, lógico: "Trouxe mais um preso com você, Vítor?" Eu dei um sorriso amarelo e disse que era um hóspede, mas só por uma noite. Entrei, escolhi uma cela, peguei o colchonete e deitei, acordando às sete da manhã. Escovei os dentes na única pia que tinha na delegacia, catei minha mochila e andei até a AC, onde fiquei sentado na escada até 07:50, pois a mesma só abria às 08:00. Quando o gerente chegou com a chave, estranhou aquela figura sentada na escada, no que eu me apresentei e disse ser o novo funcionário. Entramos e o gerente chamado Ozias me apresentou a todos que chegavam e perguntou onde eu tinha dormido, pois não tinha ônibus que chegava de manhã na cidade. Contei o que tinha acontecido e até hoje, quando tenho oportunidade de voltar lá, tenho que tolerar as brincadeiras dos colegas, que pra minha tristeza, nunca esqueceram disso.
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