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História

Caxambu, o criador da ponte

História de: Hélio Geraldo Caxambu
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/09/2013

Sinopse

Hélio Geraldo Caxambu nasceu em Campinas e, aos oito anos, mudou-se para a cidade de São Paulo. Durante a infância, aprendeu o ofício de pintor. Ele conta sobre sobre suas as experiências no universo futebolístico, como sua passagem pela Portuguesa e o convite para jogar no São Paulo Futebol Clube.

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História completa

P - Seu Hélio, vamos começar essa entrevista recordando um pouco a infância. Onde o senhor nasceu, a data de nascimento, seus pais...

 

R - Nasci Hélio Geraldo Caxambu. Nasci em quinze de Outubro de 1918, Campinas. Meus familiares me trouxeram pra São Paulo oito meses depois e aqui vivi toda minha vida. Estudei, claro, primário. A vida foi seguindo, fiz... Depois do primário fui para o Instituto Profissional Masculino, hoje é Fundação Getúlio Vargas e lá fui estudar o estudo secundário e estudando também o ofício de pintor. De lá sai quando passei pro quarto ano. O que havia apreendido já valeu pra trabalhar um pouco e fui trabalhar pra ajudar a família porque a vida não era lá essas coisas. Comecei num emprego ganhando vinte mil réis por mês. Posteriormente fui para uma casa de loteria na Rua Direita como pintor e ao mesmo tempo a carreira de futebol que vinha só aos domingos. Aconteceu que, na várzea do Glicério, onde nós morávamos, passei a jogar futebol e lá comecei como infantil e logo juvenil no Liberdade Futebol Clube. Depois para o Sport Clube também. Como estávamos ali no Cambuci, era o campo da Portuguesa de Desportos e para lá me levaram para um treinamento de juvenis e acabei ficando. Fiquei na Portuguesa de Desportos de 32 a 37, disputei campeonatos, fiz carreira, fomos campeões de 1936 pelo campeonato de Apea [Associação Paulista de Esportes Atléticos], em 37, e, precisamente dia quatorze de março, fui convidado para vir jogar no São Paulo Futebol Clube. Aqui vim, e no São Paulo fiz uma carreira relativamente interessante, uma carreira, porque não dizer, brilhante. E fiquei no São Paulo até 1943. Neste caminho fomos campeões em 38 pelo segundo time. Fomos campeões em 42 pelos aspirantes, pelo time principal também, mais tarde acabei indo para a Portuguesa de Desportos, já era março de 44. Na Portuguesa de Desportos joguei bastante, devo lembrar também que o São Paulo, integrando o São Paulo... Eu fui integrante da Seleção Paulista de Futebol com meus dezenove anos, que fui o goleiro mais novo dessa seleção em todos os tempos. Na Portuguesa também, como dizia, fizemos nossa carreira, a Portuguesa cresceu de time pequeno para grande na nossa mão porque ficamos de 44 a 50. E a Portuguesa teve muitos louros. A Portuguesa conseguiu grandes vitórias, até que no ano de 1950, no final do ano de 1950, eu fui para o Clube Atlético Juventus. Praticamente forçado, porque esse homem criou o sindicato para atletas profissionais que tem hoje, com 47 anos, e que custou a minha carreira de futebol, pelo fato de ter levantando a cabeça do jogador de futebol uma coisa que não sabia a força que tinha. Eu hoje, um sindicato constituído, conseguindo, como nós conseguimos, a realização do atleta profissional. E eles, hoje para eles, uma entidade que pulsa para eles e tem conseguido, na verdade, muita coisa. Minha carreira foi sendo diminuída e eu acabei indo para o Juventus. E no Juventus fiquei até 1952. Aí encerrei a minha carreira de futebolista. Concomitantemente na vida acabei sendo corretor de vários setores. Corretor de imóveis, corretor de seguros, de investimentos, corretor de capitalização, corretor de livros... Foi uma vida realmente bem pautada. Concomitantemente também fui juiz classista na Justiça do Trabalho, de onde permaneci vinte anos como representante dos empregados, pelo qual hoje me encontro aposentado muito bem aposentado no cargo de juiz classista. Isto já vem no ano de 81. Acredito ter dito da vida em que alguma coisa se constituiu. Estou as suas ordens, meu amigo para as perguntas que você queria fazer.

 

P - Queremos voltar a sua infância. Queremos ouvir do senhor relatos sobre a casa do senhor, os irmãos, como é que era o funcionamento da casa?

 

R - Bom, nossa família veio para a Rua Glicério no Cambuci e era uma família que estávamos em dez pessoas e só três trabalhavam. A vida não era lá muito fácil, e aí veio morar conosco também um homem chamado José de Oliveira Diniz.

 

P - Quem era ele?

 

R - Este homem se tornou um vereador por vinte anos, cujo nome está lá na avenida, e nós começamos a vida dormindo no chão. A vida era risonha e franca e, graças a Deus, chegamos aonde chegamos e este homem chegou onde está, cujo nome está lá na Avenida Vereador José Diniz. Acredito que a nossa infância foi realmente dura, ele havia terminado o curso desde Casa Branca e havia terminado seu curso lá e veio para a escola de Farmácia aqui em São Paulo, por sinal ___________ nesta rua deve ter, aí que ele estudou e acabou trabalhando numa farmácia em Santo Amaro. Se tornando dono da farmácia e procurando atender a todos, quem podia pagava, quem não podia não pagava. E ele conseguiu amizade suficiente pra lhe fazer vereador por vinte anos pelo então MDB.

 

P - O senhor falou que morava com dez pessoas na casa?

 

R - Sim, tinha meus tios, dentre eles Armando Nébis. Armando Nébis, compositor de violão, que ajudou a me criar e esse homem só se tornou célebre depois que morreu. Ele trabalhou na Record por trinta anos, era músico na Record. Até a Record havia aposentado e esse moço criou uma porção de violonistas Rago, Aimoré, e outros tantos violonistas que fizeram carreira brilhante. E esse meu tio Armando faleceu no ano de setenta... É, 76. Ele se tornou célebre porque daí surgiu o Festival Armando Nébis, diploma "Armando Nébis" e a famosa Rua do Choro, lá em Pinheiros. Esse é um dos meus tios. Outros tantos também trabalharam para a gente ter aquele sustento, eu vivi sem meu pai, a partir de seis anos de idade o meu papai foi requisitado pelo líder da Revolução de 24, General Isidoro Dias Lopes. E meu pai foi o guarda-costas desse homem, requisitado com o carro que ele trabalhava. E... Foram perdendo a revolução. Foram fugindo, fugindo, fugindo, exilados, acabaram se instalando na Bolívia como chacareiros e vendendo produtos desta chácara na feira para sua sobrevivência. Quando Getúlio Vargas tomou posse em 1930, veio a anistia, e meu pai, também beneficiado pela anistia, também veio para o Brasil e em São Paulo, e em São Paulo, meio neurótico da revolução, contava pelas ruas um pouco o segredo da revolução. E o governo achava que devia confinar meu pai com outros presos políticos em Campinas no Arraial dos Souzas. Hoje se chama apenas Souzas. E meu pai viveu os últimos nove anos da vida dele quando, em julho de 40, meu pai faleceu lá nesse exílio. Estou às suas ordens.

 

P - Seu pai trabalhou como motorista também?

 

R - Motorista, por isso é que ele foi o motorista e guarda-costas do líder da revolução, General Isidoro Dias Lopes. Ele trabalhava com um homem muito rico em São Paulo, ele tinha um carro bom na época. E o líder da revolução convocou esse carro e o motorista pra trabalhar com ele. Eu vivi com meus tios que me criaram. Minha mãe... Minha mãe mais tarde se transformou como enfermeira, e ajudou bastante a criar a mim e minha irmã que hoje está com setenta e três anos, chama-se Vera também. Continue.

 

P - A educacão. O colégio que você estudou, conte alguma coisa. Os primeiros passos na escola...

 

R - Sim. O meu, meu... Meu primário foi no Grupo Campos Sales, Fundação Campos Sales que hoje, com incêndio, está sendo até tombado. De lá fui pra este Instituto Profissional Masculino, onde aprendi a pintura e aprendi tudo que se diz a respeito de pintura: um pouco de paisagem, um pouco de letrista, um pouco de pintura de casa, um pouco de tudo. E a gente acabou saindo de lá, já com aquilo que aprendeu dava para trabalhar um pouco e ajudar a família e foi isso que eu fiz, ____________ 1933 e fui trabalhar numa oficina de pintura e placas luminosas, na Rua da Liberdade. Chamava-se “Luminoso Brasil”. E trabalhamos aí ganhando vinte mil réis por mês e no futebol já estava ganhando vinte mil réis por domingo, então com cem mil réis por mês eu estava rico. Estava produzindo, ajudando bem a família, né? Então é isso, na verdade... Joguei num Clube Atlantic que tinha, num campeonato Comercial da Federação, na época também. Então eu vim subindo concomitante com todos estes setores da vida.

 

P - E essa pintura foi um dom natural ou alguém influenciou o senhor?

 

R - Não, foi um dom natural fui pra lá aprender o ginásio e automaticamente também o ofício que seria, porque lá tinha mecânica, marcenaria, funilaria, tudo isso, mas eu optei pela pintura que eu, por vocação, pensei que eu chegaria lá. Acontece que ultimamente consegui pintar só minha casa, mas faz vinte anos que eu não pinto mais (risos). Então eu nunca mais voltei a... Ao ofício, na verdade.

 

P - E até quando você dedicou na pintura?

 

R - Na pintura eu me dediquei em mil novecentos e... Mil novecentos e... Quarenta e dois. Aliás, até 1940. Depois eu fiquei na firma como procurador, sai da firma como procurador, depois em 42 eu casei, foi exatamente dia vinte e três de abril de 42, me casei esse dia. Quando foi no ano de quarenta e cinco, me levaram para trabalhar com títulos de capitalização. E eu me transformei em dono do mundo neste ramo, porque produzia bem. Mais tarde cresci com a organização e cheguei a Chefe de Produção de uma das companhias da época. Mais tarde fui corretor de outros tantos setores, acabei participando de outra enciclopédia de futebol no qual eu era professor de vendas, dava aula de áudio, enfim. Fiz uma equipe muito boa, de sessenta e tantos produtores, vi até mulher vender futebol. Este era o ano de 68, por aí. Dizia da minha carreira ainda, voltei pro São Paulo, em 1956 Vicente Feola me trouxe, me convidou para dirigir a Escola de Futebol, os garotos do São Paulo. E aí permaneci de 56 a 63, por onde a nossa escola criou uma série de jogadores. Como quem? Como Roberto Dias, como Peixinho, como Sergio Gonçalves Lopes, como Vanderlei, como o goleiro Gilberto, como Silva, enfim, uma série de vários desenhos de jogadores que fizeram suas carreiras brilhantes, brilhantes... Muitos dos quais até estiveram na seleção brasileira, e fiquei no São Paulo até 63. Porque o São Paulo transformou o Poy de goleiro em técnico. E para ele dirigir tinha de ser juvenil, e eu passei para vender placas de propaganda no Morumbi e deixei o futebol de lado por algum tempo. Vieram me buscar mais tarde para dirigir o Saad de São Caetano e nós, que pegamos o Saad como coordenador, deixamos o Saad na primeira divisão em 1970. Ele não quis mais saber de futebol. Mandei furar todas as bolas do mundo.

 

P - E essa história de vender placas como é que era?

 

R – Sim, placas de propaganda a gente vendia dez metros lineares com um por doze de altura em volta do campo, como no Morumbi. No Morumbi... Posteriormente passou para a Morumbi Publicidades e passou... Também o Poy trabalhava nisso, não? E Mário Naddeo, já falecido, eles tomavam conta de lá. Fiquei um bom tempo vendendo placa de propaganda, mas tarde vendi carnê, vendi título, vendi cadeira cativa, tudo isso eu fiz pro São Paulo Futebol Clube.

 

P - Como o senhor conciliava a sua carreira de atleta com a de pintor também?

 

R - Pintor eu fazia... Eu trabalhava na casa Fasanello e a minha pintura na casa Fasanello era fazer as placas de propaganda. Quando vendia a sorte grande, era Fasanello vendia mais. Vendeu quinhentos contos ou mil contos, era uma placa de propaganda que a gente fazia pra ficar na porta da loja. E eu praticamente fazia outros serviços também, tanto assim que quando eu saí da casa Fasanello, eu saí para, eu saí... Como que eu posso dizer? Como procurador da empresa, eu recebia. Trabalhava já com os cheques dos bancos, naquele tempo a gente... A gente entregava o cheque, pegava uma ficha, não é? No banco e eu saía com, com... Dez bancos, dava a primeira passada, depois voltava com o total de cada um recebendo pra levar no Citibank, com pacote de quatrocentos, quinhentos contos embrulhados num jornal para não ser assaltado na rua. Já naquele tempo a gente tinha isso.

 

P - E aonde você pegou essas táticas administrativas de dinheiro, tudo?

 

R - Bom a técnica eu aprendi vendendo títulos de capitalização.

 

P - Como foi?

 

R - A gente adquire uma desenvoltura que nunca mais encontra dificuldade na vida em vender e realizar seus objetivos, né? Eu fui convidado em 1945, por um amigo. E eu disse a ele: “Não, não dá pra conversar, não dá pra procurar ninguém”. E este amigo insistiu muito comigo.

 

P - Quem era ele?

 

R - É José Camones, hoje é advogado do Rio de janeiro. Convenceu-me que eu deveria me dedicar a vendas aproveitando o nome do esporte e, graças a Deus, o futebol me ajudou muito, porque o nome do esporte me ajudou muito nas vendas daquilo que a gente se predispôs a fazer.

 

P - Voltando à infância, onde você jogava as peladas?

 

R - Na várzea do Glicério.

 

P - E as roupas, as coisas?

 

R - Ah, eu vou te contar, se eu não saísse jogador de futebol seria uma vergonha, porque eu voltava, chegava em casa do primário, almoçava, fazia lição correndo, mais ou menos, pegava duas bananas, punha no bolso, e ia pra várzea do Glicério. E só saia de lá quando não se enxergava mais a bola. Então acabei sendo, era ponta-esquerda no time da Escola Profissional, no Instituto Profissional eu era ponta-esquerda do time da pintura, depois me transformei em goleiro.

 

P - E como vem essa mudança, por quê?

 

R - Por que faltou lá no time da Escola Profissional, um dia faltou o goleiro e eu fui para o gol. E gostei e fiquei, entendeu? Por isso que me fiz goleiro.

 

P - E esta história da ponte?

 

R - Ah, ponte... Isso é uma história, eu treinava isto, eu via nas revistas da Argentina, que os goleiros da Argentina faziam isso. E eu, eu treinei muito em 1939. Acabei realizando uma ponte, o que para o Paulista foi novidade, até então os goleiros não defendiam daquela maneira, não faziam aquela ponte e acabei fazendo uma ponte, muito alta por sinal, que o goleiro rebatia na bola e seguravam no chão para a caída e eu acabei prendendo a bola e caindo sobre os cotovelos onde já não doía e era uma maneira boa de a gente poder cair, né?

 

P - E a consequência dessa ponte, que repercussão trouxe?

 

R - Foi uma repercussão tão grande que três meses depois eu estava na Seleção Paulista. Porque essa defesa impressionou e eu fui fazendo outros jogos, outros jogos... Fui crescendo e fui à Seleção Paulista diante de goleiros grandes da seleção que eram o goleiro Jurandir e o goleiro Rodriguez, que era um grande goleiro na época e eu acabei sobrepujando. Jogando pela Seleção Paulista, perdendo para os cariocas. E ficamos vice-campeões em 39.

 

P - Em que momento o senhor saía da sua casa, onde moravam dez pessoas? Quando se dá a sua independência?

 

R - A minha independência se deu crescendo na casa Fasanello de loteria e um dia me casei. Eu me casei com vinte e três anos, fui morar na Vila Pompéia, por isso foi quando eu saí da Rua Glicério, onde moramos no número 348. Daí nós fomos morar na Vila Pompéia. Da Vila Pompéia, fui pra Penha, da Penha fui pra Campo Belo, no aeroporto. E do aeroporto estou agora na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio e daí só espero me mudar para o cemitério de Congonhas, porque tem lugar (risos) essa é a verdade.

 

P - E nessa trajetória toda em que momento o senhor conhece a Sra. Dagmar?

 

R - Dagmar eu conheci no ano de 1936 e só casando no de 1942. Nos vimos dois anos depois, 36... Voltamos a nos ver, 38, 39. Namoramos, ficamos noivos no dia 29 de junho, exatamente no dia quando falecera meu pai, no dia 29 de junho de 1940. Neste dia eu pedia em casamento a minha esposa e casamos a 23 de abril na igreja da Consolação, Monsenhor Francisco Bastos, vice-presidente do São Paulo por muitos anos, acabou fazendo mais tarde as bodas de prata também. Foi uma coisa interessante na minha vida. Monsenhor Bastos, já falecido, também deu uma parte da sua vida para o São Paulo. A gente treinava na quadra de bola ao cesto da Igreja porque nos não tínhamos onde treinar. Naquela época, 37, treinava em campo de várzea porque não tínhamos campo onde treinar. Um belo dia, estávamos treinando no campo das Perdizes, ali na Avenida Água Branca, e uma bola esvaziou e tal. A outra bola foi na rua e o ônibus passou, estourou a bola acabou o treino do São Paulo. Virou ginástica porque não tinha mais bola pra treinar. E hoje eles vão a campo com trinta bolas, com vinte bolas novas, naquele tempo eram vinte bolas.

 

P - Essas bolas era aquelas...

 

R - De amarrar, exatamente era bola de amarrar. Só em 1940 é que começou a bola de válvula. A Argentina que lançou essa bola com válvula, que até então o Campeonato Brasileiro de 39 eu disputei com bola de amarrar ainda, já aí eu amarrava com bola de chuteira. Era uma bola inglesa, MacGregor, se não me engano.

 

R - Agora conta um pouquinho pra gente, em que circunstâncias você conhece sua esposa? Como foi o namoro?

 

P - Muito bem. Nós nos conhecemos num baile. Conhecemos num baile e posteriormente deixamos de nos ver, sei lá. E na outra festa nos encontramos e já dançamos de rosto colado. Naquele tempo, de rosto colado era noivo. E nós começamos a namorar sério e fomos muito felizes.

 

P - Vocês se gostavam no primeiro encontro?

 

R - Graças a Deus nos gostávamos, durou trinta e três anos, ela faleceu em dez de abril de 75, nós faríamos dia vinte e dois, vinte e três de abril mais um aniversário de casados. Não resta a menor dúvida, muito feliz realmente. Tivemos um filho, meu filho, consegui fazê-lo advogado, mas infelizmente faleceu. Deixou-me cinco netos para criar, de doze a vinte e um anos. Se Deus quiser, no ano que vem, já teremos uma advogada na família que era a filha dele mais velha, tem uma filha de criação que me deu também mais duas netas. Então tenho sete netos, preciso comprar um videocassete pra de noite dar tantos “Deus te Abençoe”, assim dá pra falar com todos! Diga.

 

P - O senhor não teve um referencial paterno na infância. Nem quem... Em quem o senhor se inspirou pra dar educação ao seu filho?

 

R - Meus tios, eu devo isso aos meus tios. Eram Alípio, Armando e Silvério, que me orientaram muito. Eu fiquei muito garoto nas mãos deles. Eu fui aprendendo a viver indo pra essa casa Fasanello. Cresci também no futebol. Então me deram disciplina, orientação, principalmente disciplina, eles eram muito rígidos e eu fui aprendendo a conviver o caminho do bem, e devo a eles, realmente, uma grande parte do que a gente é hoje.

 

P - Uma educação linha dura ou mais ou menos?

 

R - Não, não. Mais ou menos, mais ou menos... Não era assim, tão duro. Nós, sabe, garoto sempre apronta, garoto sempre apronta...

 

P - Então o que vocês aprontavam? Que vocês aprontavam?

 

R - Ah, muita coisa. Uma vez eu ia puxar uma carroça e passei na porta da minha casa pendurado na carroça. Em vez de pegar a carroça de lá pra cá, peguei aqui e passei na porta de casa. ___________ de carroça, quer dizer, por falar em carroça eu acho que vivo na maior era do mundo da vida. Porque eu acompanhei, eu venho da tração animal. E hoje nós estamos com um computador, com o homem na Lua, então, não tem mais novidade nenhuma. A era que estou vivendo é uma era muito bonita, que foi em um crescendo. Foi crescendo na vitrola, no rádio. Veio naquele crescendo tão bonito, hoje nós temos lazer, coisa maravilhosa da vida, gente.

 

P - Você falou que um de seus tios era músico?

 

R - Músico da, da...

 

P - Como é que entra música na história da vida do senhor?

 

R - Música. É, entraria violão... Mas a minha mão de goleiro, muito dura, não dava para mexer os dedos, e o compasso já foi embora e eu não aprendi a tocar violão. Toquei bateria.

 

P - Tocava muito violão, escutava muita música.

 

R - Escutei muita música, muita música... Muito violão. Minha casa foi uma casa de muita música. Porque diariamente vinham alunos do meu tio e outros que vinham lá, pra cantar, pra fazer... Fazer seresta, né? E eu, garoto ali, fui acompanhando e não posso me queixar. Tive uma orientação, só que não deu pra solista não, deu pra bateria, assim mesmo encerrei muito tempo.

 

P - Isso na concentração, o senhor também...

 

R – É, concentração, a gente jogava um pouco de baralho, de vez em quando cantava, entendeu? E no meu tempo, não se concentrava muito, não, no meu tempo, era... Por exemplo, no São Paulo concentrava. É... O São Paulo concentrava, na véspera do jogo a gente dormia num hotel. Hotel Othon na Rua Líbero Badaró. Depois o outro hotel na Avenida Ipiranga, esqueci o nome agora... Então se dormia lá. Na Portuguesa de Desportos só concentrava quando jogava contra os grandes. Que a Portuguesa... Que a Portuguesa era um time pequeno, né? Então a Portuguesa quando jogava contra o Palmeiras, São Paulo, a gente concentrava. Os outros jogos não, aí a gente era chamado pra sede do clube às dez horas da manhã, almoçávamos no restaurante Guanabara, que a sede da Portuguesa era no largo São Bento, e a gente almoçava no restaurante Guanabara. Voltávamos pra sede, ficávamos lá divertindo um pouco e de táxi íamos ao Pacaembu jogar... Isso foi muitos anos na Portuguesa, às vezes dava a louca neles e a gente se concentrava cinco dias. Levava para o mato, luz de velas. Ficava longe do mundo, pra jogar, porque naquele tempo se jogava a honorabilidade dos homens, como se troca de camisa, então era o jogador na gaveta, era jogador vendido, tinha essas coisas, entendeu? Então eles pegavam a gente, confinava a gente cinco dias. Eldorado, Santo Amaro, por aí. Diga.

 

P - Fora o futebol o que o senhor gostava mais de fazer, que atividade paralela o senhor gostava de fazer?

 

R - Ora, atividade... Fazia seguro de vida com fundo na bolsa e essa Univest, houve uma queda na bolsa, essa Univest fechou e o bom quinhão comercial, que era da Univest, fez um aumento de capital e eu trabalhei com eles num aumento de capital, eu dirigia. Coube a nós, produtores maiores da época, dez agências e cobrar dos gerentes de banco que eles levantassem da cadeira e fossem procurar os clientes maiores e vendessem as ações. Quem podia financiava, quem não podia pagava à vista, enfim, quem tinha, e eu fiquei com eles um bom tempo fazendo este trabalho quando eles pegaram um bom capital de ações venderam para o Banco Itaú e o nosso presidente foi premiado com uma embaixada na Inglaterra, seu Mario Roberto Campos (risos). Agora diga você alguma coisa mais.

 

P - Gostaria mais de falar da sua infância, quais eram... Uma lembrança importante uma coisa que tivesse...

 

R - É... O que é que poderia dizer de infância? Eu só sei dizer que eu tinha que sair jogador de futebol, que a minha vida foi só futebol. A gente jogava num campo grande, cinco contra cinco, valia gol de bola e tudo, virava doze e acabava vinte e quatro. Isto eram sete horas da noite e a gente estava lá jogando, isso era o futebol da época, entendeu? De garoto.

 

P - Quantos anos o senhor tinha?

 

R - Ah, isso era 1927... Mil novecentos e vinte e sete, 28, né, eu era moço. Tinha doze, dez anos e olhe lá, sabe? Quer dizer a minha sorte é que com doze anos eu já fui para juvenil da Portuguesa, né? Eu tinha o quê? É, praticamente eu tinha doze anos no juvenil da portuguesa e lá eu tinha... Acabei como juvenil. Já no ano de 34, já ganhava vinte mil réis por domingo, depois passei pra cinquenta, depois a Portuguesa quis me fazer profissional. E a minha mamãe dizia: "Não, futebol é coisa de boêmio, malandro, vagabundo. Você está no seu emprego continua onde você está". E minha mãe não assinou o meu contrato de profissional.

 

P - Quantos anos o senhor tinha?

 

R - Era 1934, 35... Eu tinha dezesseis, dezessete anos.

 

P - Agora a sua família apoiava, gostava de ver o senhor jogar?

 

R - Passaram a gostar depois da carreira, mas no começo não. Porque minha mãe dizia... Na verdade o jogador era muito boêmio na época mesmo, né? Então aqueles que só viviam do futebol viviam passeando.

 

P- Quem pertencia a essa boêmia? Aonde eram os lugares?

 

R - Ah, isso... Não, era na... Por exemplo, tinham dois lugares. Tinha o Paiçandu. No largo Paiçandu, lá no Ponto Chic, lá onde fez o famoso bauru. Lá se reuniam alguns, alguns... E os mais grã-finos se reuniam na Barão de Itapetininga, sabe, era o Mauro e o Bauer, era Saad, das Indústrias Saad, passeava junto, José Fazzanel, um grande jurista também da justiça do trabalho. Eles que ficavam (tosse) na Barão de Itapetininga, perdão. E __________ o _________ ali era o lugar onde o jogador se reunia durante a tarde no dia em que não tinha treino. Que antigamente só se treinava terça e quinta e jogava domingo, não é como hoje, full-time. De manhã e a tarde, até que no São Paulo está bom jogar todo dia porque se não jogar tem de treinar, treino não ganha nada e no jogo eles estão ganhando bicho (risos), está bom jogar um dia sim e um dia não.

 

P - Isso. Esse dinheiro que o senhor ganhou?

 

R – Ah! Ganhei no futebol, se eu contar pra vocês... Eu joguei num tempo em que não se ganhava nada, meu maior foi cem contos de luva e dez por mês na Portuguesa de Desportos.

 

P - Mas o que é que dava pra fazer com esse dinheiro?

 

R - Bom, dava... Comprei uma casa no aeroporto por doze contos, foi só isso que eu comprei, e Campo Belo, mas o maior contrato foi esse, que terminou depois no Juventus, entendeu?

 

p - O que dava mais dinheiro era o trabalho de corretor?

 

R - É, o trabalho de corretor passou a dar um bom dinheiro, entendeu, futebol já não deu mais tanto por que... Aí do Juventus eu terminei no Juventus. E fui pra técnico do Clube Atlético Ipiranga. Fiquei no Ipiranga de 52 a 54, começo de 55 fui pro São Bento de Sorocaba, no São Bento fiquei até 56 quando vim pro São Paulo e fiquei de 56 a 63 na escola de futebol de garotos, fui auxiliar técnico de todos aqueles que passavam naquela época, inclusive fui assessor de Béla Guttmann, que era o técnico húngaro que o São Paulo tinha e que deu o título pro São Paulo em 57, e eu era seu assessor. Ele transmitia em italiano, a gente entendia um pouco e transmitia as ordens para o jogador.

 

P - De onde o senhor fala italiano?

 

R - Porque a avó da minha mãe era italiana, tinha isso também, a mãe de minha mãe era italiana. Minha avó italiana veio no segundo contingente de colonos italianos pras fazendas do Brasil. Por sinal veio pra Campinas e lá conheceu, conheceu... Veio com uma filha, e essa filha acabou casando com o maquinista da Mogiana, de onde nasceram José Diniz e outros primos que eu tenho, foi daí que nasceu... E ela casou com um moreno e aí nasceu a morenada toda dos meus tios, minha mãe... Minha mãe, e eu. Minha mãe ficou relativamente branca, sabe, os meus tios já saíram mais morenos esta... Totalmente, são coisas da vida. Devem ter alguma coisa para perguntar, perguntem.

 

P - A tua avó e... O senhor conviveu com ela?

 

R - Convivi com minha avó, em que idade? Ah, eu vivi com minha avó de quando nasci, até... Vovó... Vovó faleceu em 44, até vinte e seis anos convivi com minha vó, eu era o doce de coco da minha vó.

 

P - Ela veio com vocês pra São Paulo?

 

R – Veio, ela trouxe meus tios todos, minha mãe, eu, não é? Meu pai... Vieram todos para São Paulo pra tentar a vida aqui. Estabeleceram na Glicério e lá fiquei, quando casei em 1942. E eles ficaram lá até mais ou menos... Tios meus ficaram lá até os últimos vinte anos pra cá. Já mudaram de lá. A maior parte da família foi terminando também, por sinal já a maior parte da minha família. Hoje sou eu e minha irmã mais velha do nosso lado. Do lado do José Diniz tem irmão dele, também, mais ou menos da mesma idade.

 

P - E o que é que a sua avó fazia de especial com o senhor?

 

R – “E o que é que a sua avó gostava?”... Minha avó, ela esperava pra almoçar comigo, eu vinha almoçar em casa, trabalhava na Rua Direita e vinha almoçar em casa e ela esperava pra almoçar, e ela fazia um frango com polenta espetacular, minha avó fazia, era uma coisa notável. Gostei muito da minha vó.

 

P - O senhor sabe de que região ela veio da Itália?

 

R - Minha avó, ela veio... Minha vó era vêneta, vêneta... E essa filha que ela trouxe teve onze filhos, José Diniz e mais dez, eu... Hoje está na quinta geração deste... Nossa geração está caminhando pra sexta agora. É uma vivência.

 

P - E o seu avô?

 

R - Meu avô. Eu não conheci meu avô, pai da minha mãe. Não conheci. Conheci também minha avó, mãe do meu pai. E conheci tios. Meu avô também por parte também de pai eu não conheci. Nasci após a morte deles, né? Eu não os conheci, mas com as avós eu convivi, gostava de conviver com elas. Dos dois lados, a avó do meu pai e a avó, mãe da minha mãe. Fizemos na verdade, uma boa vivência, não resta a menor dúvida.

 

P - Que memória o senhor tem da revolução de 32, o senhor, acho, tinha quatorze anos?

 

R - Era, era a revolução de 32, que memória eu podia ter, batalhões infantis (risos) como... Porque criou-se aquela propaganda, aquela coisa toda, então as crianças resolveram fazer batalhões infantis, e havia apresentação de voluntários, adultos, né? E se formavam em batalhões que iam pra revolução, e os garotos faziam seus batalhões e eu participei de um batalhão do meu bairro. E desfilamos na cidade.

 

P - Com quem? Com...

 

R - Não, não, com roupa comum, não tinha farda, não tinha nada. Um dia fizemos um canhão, o canhão explodiu, saiu a bala lá, uma bola que quase queimou todo mundo (risos), também teve essa em 32, mais daí eu fui mais pro futebol, fui mais pro emprego e a minha infância foi, minha infância foi só futebol.

 

P - Em que momento o senhor opta pelo futebol, fazer futebol?

 

R - Em que momento? Vamos dizer 37, que era a Portuguesa, estávamos trabalhando e tal, no ano de 37. Embora... Estava trabalhando na Casa Fasanello, eu optei pelo futebol, vi que estava me dando bem, tanto que eu fui pra Seleção Paulista em 39, tudo isso e o patrão também deixava sair pra treinar, que naquele tempo era difícil, era futebol ou trabalho, e o patrão concordou que eu treinasse, saísse pra treinar futebol, tanto que o fiz meu padrinho de casamento, meu patrão foi padrinho de casamento meu.

 

P - Dava certo status?

 

R - Dava, pra Casa [Fasanello] era importante ter o goleiro da Seleção Paulista na vitrine, pregando os bilhetes pra entregar pros fregueses (risos), trabalhava, apesar de pintor ia para o balcão, na vitrine, escolhendo lá bilhete de loteria para os fregueses da Casa.

 

P - O senhor lembra a primeira vez que foi para o estádio?

 

R - A primeira vez que fui para o estádio? A primeira vez... Deixa eu ver, eu fui... Fui no Parque Antárctica, fui ver o São Paulo contra a Portuguesa Santista, que era o primeiro jogo do São Paulo novo, no Parque Antárctica, porque eu jogando na Portuguesa, era na Rua Cesário Ramalho, no Cambuci, aí eu era pequeno, garoto, eu fui ver o jogo e, não, não... Fui ver no Parque São Jorge, já moço, mocinho, um jogo entre veteranos paulistas e uruguaios. Foi a última vez que eu vi jogar Artur Friedenreich, foi o Pedro Nilli de Brito, grande jogador, foi a primeira vez que eu fui ao estádio.

 

P - O senhor foi sozinho ou acompanhado?

 

R - Não, eu ia sozinho, não tinha amigos, eu fui muito pouco de amigos, turma... Sei lá, a vida não coincidiu. Eu tinha minha turma de futebol, então ou era aqui ou era ali, então eu não tinha oportunidade de fazer amizades externas.

 

P - E dentro de casa era introvertido também?

 

R - Não, dentro de casa tudo bom, importante, criei meu filho com aquela liberdade, fiz pro meu filho o que eu pude, e, lamentavelmente, com quarenta e um anos foi embora, com problema renal. Paciência. Ficou pra eu criar os filhos, e acabei criando e estão aí. Eles moram em Campinas, ele deixou lá a casa própria pra eles, deixou carro, tudo. Eles estão bem, podiam estar melhor com o pai, mas lamentavelmente não. Não, não tenho mais meu filho porque lamentavelmente isso mexeu comigo, porque a perda de um filho a gente perde a metade da vida, mas Deus me deu força e eu estou aí firme, criando meus netos na medida do possível. Siga.

 

P - O senhor mora com quem e onde?

 

R - Hoje moro sozinho, com uma empregada que chega às nove e vai embora às cinco, às quatro, depende. Eu, de uma parte, vivo só. Bom, tudo bom. Minha cabeça funciona bem assim. Tenho amigos e vivo bem, sou sócio do clube indiano também e lá me divirto um pouco, dirijo um time... Já joguei muito futebol lá, ganhei muitos campeonatos lá em Guarapiranga e hoje me divirto dirigindo o time de veteranos e jogando baralho, jogando tranca, jogando buraco, essa coisa toda, aos sábados à tarde. Então essa é a minha vida. De vez em quando a gente tem um baile e a gente se diverte.

 

P - Por que o senhor nunca mais se casou?

 

R - Olha, eu casei, eu casei. Eu tive um casamento no ano de 76, eu encontrei uma prima da patroa com mesmo nome, chamada Dagmar. E muitas vezes a gente se via nas festas da família. Via-se durante o ano, e esta dizia: "Como vai Dagmar minha?". Falei: "Dagmar faleceu". E ela: "Não diga". “E você?”. "Estou divorciada, desquitada, tal". Eu achei que seria conveniente, era um belo partido pra mim, um bom casamento, e tentei, fiz um casamento por sinal muito bonito, fiz lá, o Atlético deu o salão muito bonito, parecia a festa do Halley, sabe? Bonito com bufês e tudo, mas acontece que esse casamento durou dois anos e três meses só, porque nunca vi pessoa tão ciumenta como a patroa que arrumei, tinha ciúme até dos velhos que jogavam comigo. Então me deu muito problema. Então não deu certo e tudo bem. Então, terminou em 79, antes só do que mal acompanhado.

 

P - E de 79 pra cá como é que era o seu cotidiano?

 

R - O meu cotidiano é viver, mesmo de revisão muito, vou a festas, tenho amigos, tenho amigas que me visitam, jogo um baralhinho, brinco. Esta é a minha vida e vivo muito bem aqui, graças a Deus, não tem como problematizar a minha vida, não tenho, tudo bem. Vivo, estou aposentado, muito bem aposentado. Então não tenho problema, graças a Deus.

 

P - O senhor tem um sonho ainda na vida do senhor?

 

R - Não, estou bem, quero viver o máximo que eu puder, como eu estou vivendo. Não ando bem por causa do coração, está mais fraco do que a máquina, mas tudo que eu puder de vida pra frente, eu gostaria que Deus preservasse, porque eu amo a vida, amo mesmo. Viver é muito importante.

 

P - Conta um pouquinho das suas paixões.

 

R – Paixões... Que paixões teria? Teria uma parte de futebol, que eu gosto muito. Antigamente tinha um pouco de teatro de revista, hoje não gosto mais, e é muito teatro de revista. Tem do lado da minha casa três, quatro teatros. Eu não vou ver, devia ver, é tão perto, tão bacana. Teatro Imprensa, Jardel, Teatro Bibi Ferreira, estão todos ali, cem metros pra cá, tudo ali, e eu não estou nem aí, entendeu? Faz tempo que eu não vou. Então fiquei aquele homem pacato em casa, vendo televisão, porque se vai pra longe podem roubar o carro. Então, eu... A gente fica cerceado. Eu fico na minha casa, está tudo bem, tudo em ordem, levo uma vida ___________ hoje, mas tudo bem, tenho amigos e amigas que me visitam e eu vivo bem, muito bem.

 

P - O que o senhor se lembra do teatro de revista daquela época?

 

R - Ah, muito, Grande Otelo, Oscarito, Virgínia Lane, Dercy Gonçalves, Dorinha Duval, Rosi Rondelli, Renata Fronzi, tudo isso eu guardo na minha memória, porque o teatro foi muito lindo, me lembro, foi muito bacana, Walter Pinto com as suas companhias de teatro de revista, a Record que trouxe Nat King Cole, que trouxe Armstrong no teatro Paramount, tudo isso a gente viu, inclusive quando veio Stevie Wonder. Toda vez que veio para o Brasil a Record trouxe, e eu fui comprar ingresso me deram um lugar privilegiado, então toda vez que o público aplaudia começava por mim e minha patroa. Tanto que tenho o vídeo, tenho o vídeo, que mostro para meus netos que não conheciam a avó e agora ficam conhecendo pelo vídeo (risos).

 

P - Em que ano foi isso?

 

R - Ah, meu amor, faz vinte anos isso. Mais ou menos. Era a Record.

 

P - E como o senhor chegou a ter amizade com esse pessoal do mundo artístico?

 

R - Não, não tinha assim tanta amizade do mundo artístico, mas eu era frequentador assíduo, tinha amizade, uma pessoa ou outra.

 

P - Quem?

 

R - Ah, tive muita amizade com artistas bons, bons artistas... Tive muita amizade, Marly Marley, Renata Fronzi, Dorinha Duval, muito também. É, quem mais, é Cole, Oscarito, enfim, era uma época, não me lembro, assim, de todos, mas como a gente era mais ou menos conhecido, então a gente tinha uma amizade, intercâmbio. Então eu ia muito a teatro, lamentavelmente eu não vou porque não temos mais companhias de revista, os nossos ídolos das companhias de revista passaram a ir à nossa casa pela televisão. Walter D' Ávila, que acabou indo pra televisão, outros tantos grandes atores que estão na televisão e que hoje eles vêm na casa da gente, porque que eu vou à procura deles, não é? Diga, bem.

 

P - Eu queria saber quando o senhor comprou a primeira televisão, que lembranças o senhor trouxe?

 

R - A minha primeira televisão foi o seguinte: eu tinha uns amigos, fiscais aduaneiros, que me facilitaram uma televisão. Eu tinha que arranjar quatrocentos cruzeiros em dólares. O dólar naquele tempo custava três mil e quinhentos, quatro mil [cruzeiros], sei lá. E eu não tinha esse dinheiro, então ficou um pouco mais difícil. Aí mais tarde acabei comprando um televisor branco e preto, isso já era no ano de 1960... Quarenta e dois... Não, não. Ano de 1960, mais ou menos, aí eu comprei televisor e adorei. A televisão hoje é minha grande companheira. Ah... Televisão é tudo.

 

P – O que é que o senhor gostava de assistir?

 

R - De assistir... Ah, eu assisto muita novela. Assisto muito, Lima Duarte é um grande ator. Lima Duarte pra mim é um dos maiores. Ô Jaci, como é que se chama... Paulo Gracindo, grande ator, filho dele também. Quem mais poderia lembrar deste... Eu não me lembro dos nomes agora, não vem... Grandes atores e atrizes. Eu vejo muito, muito, muito, estão todo o dia em casa, não lembro agora pra falar pra vocês, mas diga meu filho.

 

P - Ah, o senhor assiste futebol? Provavelmente o senhor assiste pela televisão?

 

R - Sim, sim eu assisto futebol também.

 

P- Queria que o senhor dissesse como o senhor vê o futebol agora e o futebol na época?

 

R - Ah, bem. Isto aí, o futebol antigo, não tem termo de comparação com o futebol atual e ele também não tem culpa, porque a gente era muito “preservador”, a gente também treinava e jogava na quinta e no domingo. Hoje eles jogam e trabalham todo dia, de manhã e de tarde, gastam todo o corpo e vão como... Vão jogar o quê? Puseram gladiadores no nosso futebol, esta é a verdade, tá? Treina de manhã, treina de tarde, chega de dia de jogo, está de bola até o nariz,então, como posso dizer, futebol passou a ser, futebol ficou muito mais difícil pelo que custa o futebol, o futebol hoje é muito caro. E as promoções do futebol obrigam a ter um culpado para justificar aquela derrota. O técnico vai embora por causa da derrota e o diretor fica lá na posição de destaque para, por exemplo, a saída do técnico cobre os erros dos dirigentes que contratam mal e hoje se perde, tem que  ter um responsável do preço da comercialização do futebol. Milhares de pessoas ganham a vida com futebol. E o atleta que é o dono do espetáculo não tem nenhuma participação da renda do campeonato. O prédio de futebol foi construído com renda do futebol, com nosso suor nosso sangue e não temos sequer uma parte da renda pro nosso sindicato. Diga bem.

 

P - O senhor foi responsável como goleiro? Já foi responsabilizado?

 

R - Por derrota? Ô, já. Teve um jogo da Portuguesa e Corinthians, nós perdemos de cinco a dois, eu falhei num gol e tomei mais quatro indefensáveis, mas por aquele gol eu paguei pela derrota toda, então a Portuguesa me encostou, me pagava prêmio, tudo, bichos, luva, tudo e não me deixava jogar, por causa daquele jogo. Fiquei de fevereiro, foi no dia dois de fevereiro de cinquenta esta partida, e a Portuguesa me encostou até agosto, setembro joguei no outro lá. E quando foi dezenove de outubro eu fui pra o Juventus, porque tinha aquela perseguição do problema sindical, sabe, porque o homem local, o Lula da época, fez com que o jogador virasse comunista. Eles achavam que eu era comunista. Estou dizendo, está entendendo minha filha? Eu com essa criação desse sindicato me transformei num Lula da época, fundador do sindicato dos atletas que existe há quarenta e sete anos agora.

 

P - Com mais quem?

 

R - Ah, com Renganeschi, com Leônidas, com Vicente Feola, com Joreca, com Hélio Silveira, com Pedro Otávio Camargo Penteado, com Canhotinho, com Moacir, uma série de amigos que ajudou... Que ajudaram a gente fundar esse sindicato.

 

P - Como é que surgiu?

 

R - Já fazia um ano que eu vinha falando com nossos jogadores para que criássemos nossa entidade. Até que tomou pé, e nós, lá na Rádio Difusora, lá... Lá, no Sumaré. Sob a direção de Aurélio Campos Aparecido, criamos a nossa Associação de Atletas Profissionais. Fizemos uma Assembleia Geral no Clube Comercial ali na Rua Líbero Badaró, dizendo que eram noventa e sete jogadores e nesse dia, por aclamação, me fizeram presidente. Eu fiquei presidente cinco anos, depois fui fazendo diretorias, fui diretor. Resultado: são quarenta e sete anos que aí estou. Estive com o Presidente Getúlio Vargas entregando o Memorial para que a gente conseguisse regularizar o trabalho do atleta profissional, mas não adiantou nada, ficou lá, ficou na gaveta deles lá. Só mais tarde, no governo Jânio Quadros, posterior... Jânio Quadros, Jango Goulart. É que conseguimos a regulamentação do trabalho do atleta profissional, porque até então foi dada a carta sindical para nós e essa carta não tinha base. Porque nossa carteira profissional não podia ser preenchida porque não era reconhecido como o artista, tanto que os artistas até hoje não conseguem aposentadoria porque não tem registrado na carteira. Quantos artistas estão parados à espera de aposentadoria e não conseguem? De vez em quando eles vão ao Presidente da República, vão, arranja aqui, corta ali, e não conseguem. Até hoje não conseguiram. Então, tudo que o jogador tem ele conseguiu, e hoje tudo que ele tem foi graças ao sindicato, não resta a menor dúvida. Esta é a verdade.

 

P - Que tentativas houve para travar esse processo? Quem era oposição?

 

R - Ah, os clubes... Os clubes mandaram dizer para mim que eu deixasse como Associação Beneficente, porque se pagassem um sindicato eles não tinham a responsabilidade de pagar as dificuldades que iam advir. Eu fui ameaçado de que não deveria transformar associação em sindicato porque adviriam obrigações de que ele, clubes, na época não podiam responder. Como veio a carta sindical eu passei a ser perseguido, meu erro valia dois, entendeu?

 

P - Perseguido como?

 

R - Como profissional jogador, quer dizer, meu erro valia dois, entendeu? Quantas vezes eu fui reserva, e eu pacientemente esperava minha vez.

 

R - Graças a Deus. Diga menina.

 

P - Qual foi a sua maior emoção dentro do campo e a maior emoção fora do campo com futebol, assistindo futebol?

 

R - Emoção dentro do campo, eu tenho uma lembrança em 1939, em que o Leônidas, que veio da Copa do Mundo de 38 com muito cartaz, jogando na Gávea São Paulo e Flamengo, e eu acabei defendendo do Leônidas um pênalti. E isto pra mim foi um galardão, porque o grande jogador da Copa do Mundo bateu um pênalti e eu defendi. Isto foi uma grande emoção, porque jogando pelo São Paulo, no último minuto do jogo teve esta penalidade que o Leônidas bateu e eu defendi. Até hoje ele não gosta que eu fale nisso, porque ele fala que já me fez outros gols, três na verdade, mas esse foi o galardão pra mim.

 

P - Quem ganhou o jogo?

 

R - Nós ganhamos de quatro a um.

 

P - E pegou na ponte ou espalmou?

 

R - Não, essa foi espalmada. Aquele tempo ainda não tinha feito a ponte, era março de 1939, a ponte foi dois de setembro de 39. Eu guardo datas muito bem, sabe (risos)?

 

P - E a maior emoção fora do campo, assistindo futebol?

 

R - Fora de campo, assistindo fora de campo, a maior emoção? Foram grandes jogos, eu vi grandes jogos, eu vi, eu vi... Eu vi um grande jogo de futebol entre o Uruguai e a Espanha na Copa do Mundo de 50, no Pacaembu, numa quarta-feira, que foi a maior partida de futebol que eu vi até hoje, ganhou o Uruguai por três a dois. Lembro como se fosse hoje.

 

P - Conta um pouquinho então pra gente.

 

R - Eu... O que eu posso dizer? Chovia um pouco, chovia um pouco (risos).

 

P - Casa cheia?

 

R - Casa cheia. Pacaembu cheio, jogavam Uruguai e Espanha. A Espanha começou vencendo, um a zero, e o Uruguai fez três a dois. Obdulio Varela e outros, que depois eles foram no Maracanã e nos venceram, entendeu? Depois eles foram pro Maracanã e acabaram nos vencendo. Aquela época foi triste pra nós, claro. Todo mundo achava que o Brasil já era campeão. E até hoje não aprendem. Eles publicam assim: “Vamos ao tri”, “vamos ao bi”. Quer dizer, do lado de lá não tem ninguém? Entendeu? Quer dizer, a propaganda é que atrapalha isso. Vamos competir? Claro, do lado de lá tem gente tão forte quanto os deste lado. Como que: “Vamos ao tri”, “vamos ao bi”? precisamos considerar que do lado de lá tem grandes adversários. Por exemplo, o europeu levou vinte anos estudando o futebol do Brasil, como andávamos, como corríamos e tal. E nós fomos de encontro a eles criando gladiadores, quando físico por físico nós levamos sempre a perder com os estrangeiros. Então em lugar de criar... Agora estamos criando nova técnica, agora o futebol está readquirindo melhor futebol e acredito que vamos fazer uma boa figura neste campeonato. Vai ser duro de ganhar, mas eu acredito que o Brasil vai fazer uma boa figura, que agora a técnica voltou a prevalecer, temos tido grandes jogos de futebol, e eu não sei o que é que o Seu Parreira vai fazer, mas o Seu Parreira tem jogadores pra fazer. Eu acho que não precisava buscar jogadores da Europa, porque eles têm lá sua maneira de jogar e quando eles vêm jogar pro Brasil, eles vêm todos estourados já. Agora, temos aqui no Brasil jogadores que poderia se fazer uma seleção bem trabalhada e faríamos uma boa figura, tenho certeza.

 

P - Bom, pra finalizar, eu não posso deixar de perguntar também a maior emoção do Caxambu como pessoa, enquanto pessoa.

 

R – É... Que emoção? Quantas? Tive algumas. Como pessoa eu tive algumas. No dia do casamento, uma emoção muito bonita, o primeiro casamento meu foi uma coisa muito bonita, eu achei realmente. Foi uma oportunidade em que eu me senti bem. Quando fui nomeado pela primeira vez para juiz classista na Justiça do Trabalho, em 1950, 1960, foi também uma grande emoção. Que mais? O que é que teria de emoção? Ih... Quanta coisa. E agora não sabe assim especificar uma pra dizer que a gente... Quando nasceu o primeiro neto também foi uma grande emoção, a neta, que tem vinte e um anos agora, foi também uma emoção porque é um prosseguimento da gente. Neto é o sangue da gente e a gente fica bobo, como avô fica bobo! Diga meu filho.

 

P - E como avô, a educação com o avô coruja...

 

R - Avô coruja, porque o avô atrapalha o trabalho dos pais. O avô sempre facilita as coisas que o pai endurece, o avô sempre amolece e prejudica a criançada, mas eu fui... Estou muito feliz com meus netos. Tenho um neto que está no basquete, jogando no Tênis Clube de Campinas com um futuro maravilhoso. Tem quatorze anos, é maior que eu e joga um basquete que é maravilha. O outro irmão joga mais amador, mas este é uma maravilha. Eu fui lá pra vê-los jogar um contra o outro, não sabia pra quem torcer, mas acabei torcendo pro maior, porque o maior é daquele que pega a bola nessa cesta e vai lá na outra cesta e faz. É de três, é de um, mas é emocionante, acabei levantando com ele, porque eles fizeram 60 pontos, ele fez 32. Então a gente fica emocionado, não é? É isso.

 

P - E o futebol pros seus netos...

 

R - Eles foram para o lado do basquete. São três meninos, dois deles foram para o basquete, não são lá para o futebol não.

 

P - Por que assim...

 

R - E o outro menorzinho de doze anos também é meio excepcionalzinho, ainda não definiu nada na vida.

 

P - É porque uma das coisas legais nos avós é contar histórias...

 

R - Contar histórias, claro.

 

P - Então os avôs sempre contam pros netos a história da vida deles, um pouco do passado. E como é que é essa história... Como é que é a história que o senhor conta pros seus netos? Tem futebol, não tem futebol?

 

R - Eu contei muito futebol pra eles, contei a vida em si, todos os prós e os contras da vida já esteve contado pros dois maiorzinhos, que um tem treze, outro quatorze, para que eles amanhã tenham o lema de sua vida. Já pras moças, eu não tenho assim jeito de... Mas elas estão bem encaminhadas por si, são muito bonitas na verdade e vivem lá em Campinas. Meu filho deixou uma casa muito boa pra eles. E eu vou duas vezes por mês a Campinas, corujão ver meus netos, realmente.

 

P – O que é que seu filho fazia?

 

R - Meu filho era professor, auditor, advogado, corretor, ganhava o dinheiro que queria. Plantou em Campinas... Em seis anos, oito anos, ele plantou vinte, comercial e socialmente na cidade de Campinas, estava muito bem na vida, mas Deus quis assim e o rim o levou embora. Arranjei na hora “H” transplante, doador, tudo, mas quatro dias de UTI, e ele foi embora. Era maior do que eu, mais forte, pegava na gente assim, era ponto final (risos).

 

P - O senhor fala muito em Deus, o senhor é católico?

 

R - Católico.

 

P - Praticante?

 

R - Praticante desde garoto, fui sempre aquele católico. Eu vou todo o dia à igreja. Eu não começo o meu dia sem ir numa igreja, isto foi meu lema e tem sido, e tem sido.

 

P - Isso veio de onde e com quem o senhor pegou isso?

 

R - Isso veio de meus tios, minha mãe, que eram muito católicos, iam a procissões e eu ia com eles, então acabei sendo... Fiz a minha primeira comunhão, em 1927, na igreja de São Gonçalo, ali no Largo João Mendes, e frequento essa igreja até hoje. Podendo, vou diariamente lá. Vou ao São Francisco. Vou à igreja da Liberdade, enfim, me dou bem com os santos, graças a Deus me dou bem. Não sou aquele católico de confessar e comungar não, mas posso falar com Deus até na minha casa. Por exemplo, eu vou a Bom Jesus de Pirapora há quarenta e oito anos, no domingo de carnaval. Eu vou a Pirapora, acendo minha vela, assisto minha missa. Isso eu faço durante todos esses anos.

 

P - Por que Pirapora?

 

R - Bom Jesus de Pirapora. É um santo milagroso que a gente tem, que é meu protetor, que me ajuda... Santo Antônio de Categeró também. E eu ia domingo porque era a única ocasião que não tinha jogo de futebol. Então era o dia que não tinha jogo de futebol, domingo de carnaval, não é isso? Então eu passei a ir nove horas da manhã, desde o ano de 1944 que eu estou indo a Pirapora. E não falhei um ano, se Deus quiser, não falhei e não vou falhar enquanto for vivo. É doente, com disenteria, com tosse, eu vou. Com carro, sem carro, amigo me leva, mas eu vou realmente. São quarenta e oito anos que eu faço Bom Jesus de Pirapora que é o santo da minha devoção. Siga.

 

P - O senhor gostaria de acrescentar alguma palavra a esse depoimento?

 

R - Eu poderia acrescentar que em fazer esse trabalho para o São Paulo para que a gente passe a fazer parte do seu acervo, em gravando isto com pessoas amigas, simpáticas como vocês, eu agradeço a atenção de vocês. Para o São Paulo eu sou hoje, com o Luizinho Mesquita de Oliveira, o jogador mais antigo do São Paulo, vivo, eu sou hoje do ano de 1937, e tem o Luizinho Mesquita que é do ano 31, que está agora com derrame, está até no interior. Então nós dois somos os mais antigos defensores do São Paulo. O São Paulo tem me homenageado, já me homenageou em 83, já me homenageou em 87, fez agora essa homenagem que a gente teve recentemente do “a moeda caiu de pé”, que foi uma festa muito bonita, nós vimos jogadores que não víamos há trinta anos, e os meninos do São Paulo que eu dirigi, do ano 53 a 63, que hoje pais de família, industriais, médicos, advogados, resolveram fazer uma homenagem pra mim e fizeram agora no ano de 91, que foi uma coisa maravilhosa que meu coração aguentou e a gente lutou. Portanto eu agradeço essa oportunidade e vamos de encontro ao São Paulo que é o clube que a gente gosta, é o clube do coração.

 

P - Muito obrigada.

 

R - Nada.

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