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História

Cliente rei

História de: Euclides Carli
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/12/2012

Sinopse

As origens italianas. A cidade da infância e a formação escolar. A ida para São Paulo e o desejo de tornar-se independente. A opção pela atuação no comércio em empresa da Zona Cerealista. Aquisição de uma mercearia na Vila Mariana e o ingresso no segmento de importações de frutas. Os diferentes aspectos da importação de produtos alimentícios, especialmente frutas. O período de pragas nos laranjais do Estado. Descrição de São Paulo dos anos 1950. A importância das inovações tecnológicas. Atuação no Sindicato do Comércio Atacadista de Frutas e no Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios.

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História completa

“Comércio é uma atividade que te absorve. Ou você faz, ou você não faz. Isso desde o dono de botequim, que trabalha no balcão, até um alto gerente. Ou você faz ou não faz. Houve dias de eu ficar no armazém, ou no escritório, 14 horas seguidas. Sem comer. Precisava, porque tinha que ver tudo, olhar tudo. Então tem aquela fase de consolidação que você precisa ser macho, vamos dizer assim, senão não aguenta. Mas é aquela história, você recebe um impulso do próprio negócio. Você está sendo impulsionado para a frente sem sentir. Ou porque você está contente por ver a coisa crescer, ou porque está contente de ver o resultado. Embora cheio de problemas, xingando, falando o diabo, né? É assim que se cresce. Houve uma época em que nós acabamos com o atacado, compramos a segunda mercearia de São Paulo. Em São Paulo, em 1949, 50, 51, só tinha duas grandes mercearias. Mas mercearias quase do tamanho de supermercado hoje, um era o, como é que ele chama? Lá na Penha, que hoje o neto dele tem uma grande construtora aí. E a outra era a Casa Ribeirão, na Vila Mariana. E nós compramos aquilo. Então aquilo foi um sofrimento, porque é varejo; nós estávamos no atacado, passamos para o varejo. Varejo então absorve mais ainda, mas, por outro lado, encanta mais. Hoje se vai a um supermercado, você não passa de uma mera..., você é um mero empregado do supermercado. Porque você tem que pegar o carrinho, andar com aquele carrinho, alguém bater o carrinho na tua perna, você tem que pegar a mercadoria, botar dentro do carrinho, escolher e chegar na saída. Aí você tira tudo, então você não passa de um empregado. Isso aí não fala para o cara do teu supermercado, senão vão me achar ruim, né? E naquele tempo era assim, a madame, a senhora, a freguesa, ela ia à hora que ela quisesse lá na mercearia. Você recebia a cliente, botava um empregado à disposição dela e ela ia dizendo tudo o que queria. Ela falando e eu pegando tal, tal, tal. Isso geralmente era, as pessoas faziam isso dia 25, até o fim do mês. Eram cinco dias trágicos na nossa vida. E, depois que ela tinha tudo aquilo, ficava a equipe depois de fechada a loja até as sete horas para tirar da prateleira, botar nas caixas, separar o que você comprou, o que você quis, para botar nas caminhonetes. A caminhonete levava na sua casa, chegava lá, você recebia, o empregado tirava e botava onde ela queria. Então esse era o varejo. E não custava tanto, né? Mas era delicioso, porque as freguesas (geralmente eram mulheres), agradeciam, eram muito amistosas, perguntavam pela família. Era uma espécie de família, uma família extra, mas também uma família. Foi um tempo interessante, mas chegou uma hora cansou. Tudo cansa, não é? Aí então resolvi ir para a importação; comecei a importação, que é um negócio mais tranquilo, e estou nela até hoje.”

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