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História

Comércio justo

História de: Miriam de Oliveira Lima
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/12/2012

Sinopse

Descrição do Ipiranga e das diversas escolas nas quais estudou. A facilidade para se comunicar com as pessoas e o interesse em estudar línguas estrangeiras. As dificuldades em escolher uma profissão. O ingresso na faculdade de Administração com ênfase em Comércio Exterior. Estágio e atuação em empresas voltadas ao comércio de artigos têxteis. As viagens ao exterior para ampliação de conhecimento em todas as fases do processo de produção de roupas e tecidos. A busca por um mundo justo e igualitário. O contato com associações que se dedicavam à economia solidária. O envolvimento com o Instituto Asta.

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História completa

“Trabalhei na Zoomp, passei para a Jauense e, quando chegou 2004, fui para a Santista. Sempre, de algum modo, relacionado com tecidos e comércio exterior. Aí, em 2006, me falaram: ‘Olha, agora você vai começar América Central.’ Aí era outro mundo. Era sair daquela história de desenvolver o produto para ir para preço. Era só China, China, China. Aí eu falei: ‘Ah, não.’ E, de todo modo, eu estava num fechamento de ciclo na minha vida. Quando chegou 2005, mais ou menos, o Instituto Camargo Corrêa tinha uma coisa do funcionário voluntário. Eu fui ver o que era e conheci a Associação Comunitária Monte Azul. Continuei na Santista, mas comecei, em paralelo, um trabalho lá. Só que eu me envolvi. E muito. Tanto que chegava nas reuniões da empresa eu não conseguia pensar mais no trabalho. E aí vinha chefe: ‘O estoque está alto? O que você vai fazer?’ E a minha cabeça pensando em captação de recursos, essas coisas. Então acabei me desligando da empresa em 2007 e fiquei um tempo no trabalho voluntário. Eu sei que a coisa evoluiu de um modo que acabei conhecendo outro grupo, a Associação Lua Nova, que trabalhava com adolescentes que ficam grávidas. Elas fazem bolsas, bonecas e vendem os produtos. Lá eu tive uma experiência superinteressante, porque, quando eu comecei, elas estavam justamente num processo de exportar para a Itália. Eu lembro que ficava enrolando os italianos um tempão porque elas atrasavam o trabalho: ‘Não, na semana que vem.’ ‘Não, olha, a fulana não veio porque o filho está com dor de barriga.’ Eu sofria, mas era assim: era uma relação diferente em relação ao ritmo e à velocidade que eu trazia do segundo setor. Nesse meio tempo, eu conheci uma organização que trabalhava para fortalecer ONGs, a Ficas, e o pessoal de lá percebia o seguinte: que o trabalho começava com amor à causa, mas se perdia na hora da gestão. E foi trabalhando lá que eu ouvi falar pela primeira vez de comércio justo. Quer dizer, você comprar o café que vem de uma comunidade do Equador, o chocolate que vem de Gana, o artesanato que vem da Índia, tudo numa loja só. E eu fiquei com vontade de me dedicar a essa ideia: fazer com que a base da pirâmide pudesse se incluir na economia. E, de contato em contato, conheci mais um pessoal, o pessoal da Asta. Aí eu encontrei exatamente o que vinha buscando nos últimos quatro anos, ou seja, trabalhar numa organização social que tivesse viés para o negócio, que fosse capaz de gerar pontes entre o pessoal de baixa renda e o consumidor final. Eu me envolvi na preparação de um catálogo e num trabalho com as revendedoras de porta em porta; até como vendedora eu trabalhei. E fui divulgando a ideia: ‘De garrafa PET é possível fazer uma bolsa? Uma carteira? Com garrafa PET?’ E aí tira, faz um chaveirinho. Os grupos, na verdade, iam até reinventando seus equipamentos: como cortar, como fazer faixas, pintar com giz de cera. É muito fascinante. E, por outro lado, você contribui também com essa ideia do consumo consciente, ou seja, é bom comprar aquilo que você precisa, mas é melhor comprar algo que tenha uma história por trás, que tenha outro valor. Hoje eu vivo sem rotina: uma hora eu estou entregando produto, outra hora eu estou recebendo uma pessoa, outra hora eu estou na empresa, outra hora eu estou fazendo bazar. As demandas vêm aparecendo: é alguém que quer tirar foto, é alguém que quer comprar pelo site. É um desafio grande, mas eu amo esse trabalho.”

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