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Correio Aéreo Nacional e ECT - Aproximando o Brasil

História de: Cosme Degenar Drumond
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 04/11/2013

Sinopse

Em sua história de vida Cosme Degenar Drumond, nascido no Rio de Janeiro, capital, conta como cresceu na Vila dos Barnabés e desde pequeno teve contato com o Correio Aéreo Nacional. Relata como integrou a equipe que organizou o Museu Aeroespacial da Força Aérea Brasileira e seu contato com acervo de correspondências como o de Santos Dumont. Degenar é profundo conhecedor da antiga parceria entre o Correio Aéreo Nacional e a ECT e o do papel que tal parceria teve na história do Brasil.

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História completa

Meu nome completo é Cosme Degenar Drumond e eu nasci no Rio de Janeiro, capital, em primeiro de novembro de 1947. Sou filho de Irene Degenar Drumond e João Barbosa Drumond. Essa família começa com a minha avó por parte de mãe, que veio de Trieste, na Itália, para o Brasil. E aqui se casou com um pecuarista do Espírito Santo e ficou morando próximo a Cachoeira de Itapemirim, na cidade de Jerônimo Monteiro. E ela teve 17 filhos e adotou mais quatro. Então ela criou 21 filhos. Minha mãe se casou com um funcionário do meu avô, que trabalhava no sítio dele, e foi para o Rio, que é o meu pai. O meu pai, João Barbosa Drumond, era funcionário da antiga Marinha da Aviação Naval, que funcionava na Ilha do Governador. Meu pai era o que se chamava de Barnabé da aviação, ele era mecânico de aviões. Então ele se casou, trouxe a minha mãe para o Rio de Janeiro, foi morar numa vila, que era Próprio Nacional, onde eu nasci, lá no Galeão, na Ilha do Governador, no Rio. E assim a família cresceu, eu tive 4 irmãos. São duas irmãs atualmente vivas, mas tive mais um irmão e uma irmã que faleceram. E a minha vida, da minha família, resumidamente foi assim que se constituiu. No Galeão existiam várias vilas: existia a vila dos barnabés, que era a vila dos civis; a vila dos oficiais, que eram os oficiais da Marinha; a vila dos sargentos; e a vila dos cabos e taifeiros. Isso tudo passou pra aeronáutica em 1941, que é aonde eu guardo mais lembranças disso, porque eu nasci em 47. Em 47 nasci na vila dos barnabés, e foi quando meu pai já estava sob domínio da Aeronáutica, mas nos anos 50 ele passava a me levar para o Campo dos Afonsos, para o Parque de Material Aeronáutico, onde eu via todo o trabalho dele. Eu tinha sete, oito, nove anos, por aí. Na vila nós tínhamos um grupo de amigos muito forte, porque não havia uma distinção de “eu sou filho de oficial, você é filho de sargento, o outro é filho de civil”, não havia isso, nós éramos um grupo homogêneo, não importava de que classe fosse ali daquela vila. A gente saía, andava muito de bicicleta, aquela bicicleta pesada. Meu pai achava que eu tinha que servir uma das Forças Armadas. Naquela época tinha muito disso, você tinha que passar por uma força armada pra aprender a ter responsabilidade, como eles diziam. E eu fui servir como soldado na Aeronáutica. Os meus colegas foram pra Escola Preparatória de Cadete, e eu fui servir como soldado. Porque eu não queria ser militar, eu não queria fazer carreira. E quando eu estava servindo à Aeronáutica, eu estudava à noite. Eu estudava na Tijuca, eu fazia um curso de redação no Instituto Universal Brasileiro, e quando eu terminei esse curso foi aberto um concurso pra Aeronáutica, isso já lá na frente, nos anos 70. Isso foi em 73. Foi feito um concurso pra Aeronáutica e eu me inscrevi. Eu ainda era soldado, eu fiquei mais que o tempo, embora não quisesse ser militar, fiquei muito mais que o tempo mínimo para o soldado. Eu fiz esse concurso e fui aprovado, e fui admitido lá no Campo dos Afonsos. O Ministério da Aeronáutica, hoje é chamado de Comando da Aeronáutica, eles estavam construindo naquela ocasião, nos anos 70, o Museu da Força Aérea Brasileira, que é o chamado Museu Aeroespacial. Eu fiz parte dessa equipe pioneira, que organizou e implantou o Museu Aeroespacial. E trabalhei, entrei no museu e dali comecei a ter contato com a imprensa, com o pessoal dos jornais, que sempre pediam informações, muito mais com as publicações especializadas em aviação. E a minha vocação, a minha vontade de trabalhar na imprensa, ela começou a se intensificar nesse período. Eu fiquei no Museu Aeroespacial durante dez anos. Nós inauguramos o museu em outubro de 1976, quando o museu foi aberto à visitação pública, e eu lembro que no período de implantação do museu nós saíamos pelo Brasil, eu era uma das pessoas que saía pelo Brasil à coleta de acervo. Coletando material pra compor o acervo do museu. E eu viajei muito aqui pra São Paulo, pra cidade de Pirassununga, onde funciona a Academia da Força Aérea dos Cadetes, porque ali tinha muito material histórico que foi transferido do Rio de Janeiro para a academia, porque no Rio de Janeiro funcionava a Escola de Aeronáutica e formava os oficiais aviadores. E quando inaugurou aqui em Pirassununga a academia, esse material veio pra cá. E eu encontrei muito material histórico da participação, por exemplo, da FAB [Força Aérea Brasileira] na Segunda Guerra Mundial, documentos raros como O diário de voos da Esquadrilha de Ligação e Observação, que atuou na Itália fazendo observação pra orientar os tiros da artilharia. Mas isso é uma coisa mais pesada. Mas ali na Aeronáutica, no Museu Aeroespacial, eu saía pelo Brasil, inclusive fui para o norte também pra buscar canopy de aviação, porque nós tínhamos uma aeronave lá pra entrar em exposição, um T-33, que não tinha canopy, aquela bolha que fica em cima da cabine. Porque era um avião tão antigo, que não tinha mais. E eu encontrei uma canopy, uma dessas bolhas, num esquadrão servindo de claraboia no telhado. Então eu pedi que retirasse, identifiquei que era um canopy de T-33, nós tiramos a claraboia, não estava cristalizado e tava em perfeita condição. E assim nós pudemos recompor uma aeronave histórica da Força Aérea Brasileira. Mas quando chegou em 1981, eu comecei a sentir vontade de ir pra imprensa. E já não gostava mais de ficar só datilografando para esses releases sobre o museu, ficar atendendo informações dos jornalistas, eu queria fazer parte do jornalismo. E assim foi que eu iniciei no jornalismo definitivamente. Antes do governo provisório, antes da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, existiam duas entidades que tratavam das comunicações no Brasil: um era o Telégrafo e o outro era os Correios. Então era uma época em que uma correspondência, por exemplo, do Rio de Janeiro pra Belém costumava levar 20, 25 dias pra chegar ao destinatário, porque ia pelo serviço de cabotagem, ia por navio. Era muito demorada essa comunicação. Quando Getúlio chegou ao poder, em 1930, ele começou a fazer a reforma do estado brasileiro. E numa dessas reformas houve a fusão dos Telégrafos com os Correios, então nasceu o Departamento de Correios e Telégrafos. Isso foi, se eu não me engano, foi em dezembro de 1931. Mas muito antes disso, entrando especificamente na parte do Correio Aéreo Nacional, no Campo dos Afonsos os pilotos daquele tempo tinham uma vontade de começar a voar pelo Brasil. Porque eles só voavam num raio do Campo dos Afonsos, e eles queriam cruzar as fronteiras desse raio. E um dos motivos seria exatamente trabalhar pela integração nacional. E o que era trabalhar pela integração nacional naquele momento? Era levar correspondência aos brasileiros do interior. Era trazer o pessoal do interior para junto do pessoal das grandes cidades. E com a aviação, a coisa seria muito mais fácil, muito mais rápida. Eles começaram a criar um projeto pra difundir exatamente o Correio, a mala postal aérea pelo Brasil. E fizeram um primeiro voo, que foi trazendo duas correspondências do Rio de Janeiro para São Paulo. Esse voo foi feito no dia 12 de junho de 1931, e dois pilotos vieram pra cá. Eles vieram pilotando o avião que trouxe o malote. Eles achavam que iam levar três horas e pouco de voo, mas acabaram, porque pegaram um vento de frente, de proa, levando cinco horas e tantos minutos. E quando eles chegaram à São Paulo, a cidade já estava escura e eles não tinham como descer, porque eles deveriam descer no Campo de Marte. Então eles viram os holofotes do Hipódromo da Mooca acesos, e se baseando naquilo, eles desceram numa raia do hipódromo. Pularam o muro, tomaram um táxi e correram pra agência central dos Correios, que ainda fica no mesmo local de hoje, lá em São Bento, na Estação São Bento, e conseguiram entregar o malote com as duas correspondências quase fechando o expediente, mas tinha alguém lá esperando por eles. E assim começou. Com esse serviço, houve uma motivação maior e aí o governo colocou o Departamento de Correios e Telégrafos em contato com o Exército, porque a aviação naquele tempo, em 1931, era do Exército, e eles fizeram um acordo de transporte de malote. E daí começaram a ser inauguradas várias rotas pelo interior do Brasil, para o norte e para o sul. A Marinha, inclusive, ajudou muito nesse início de Correio Aéreo, fazendo, por exemplo, as cidades litorâneas para o sul. Esse serviço era feito pela aviação naval e sobre a terra eram feitos os aviões do exército. Então assim é que começou o Correio Aéreo Nacional. Em agosto do ano passado eu tive a honra de ser convidado por um grupo de pilotos civis que desejavam fazer uma homenagem ao Correio Aéreo. Eles queriam reeditar a primeira rota aérea que saiu de São Paulo até Vilhena, na cidade de Vilhena, cruzando por Bauru, Três Pontas, por Tangará, várias cidades, Campo Grande. A ideia foi pra frente, eu achei interessante. E eles me convidaram pra fazer parte desse grupo exatamente porque eu tinha acabado de lançar o livro Asas da Solidariedade. Eu tenho três filhos, Andréia, André e Vinícius. A Andréia tem três filhos: dois meninos e uma menina, o Guilherme o Felipe e a Taís. A Taís é aluna da Marinha Mercante, estuda lá no Rio de Janeiro. O menino está com 12 anos, o Felipe, e o Guilherme está com sete, então ainda são bem pequenos. Eu hoje tenho uma rotina muito caseira. O meu trabalho é muito prazeroso, eu sempre achei isso. E pelos meus filhos estarem um no Rio de Janeiro com os netos, outro no Paraná, e o outro aqui em São Paulo, mas com 25 anos, você pode avaliar que ele vive mais em shopping, em amigos jogando bola, do que em casa. Eu e a minha mulher, nós ficamos praticamente entregues. Ela adora trabalhar, fazer assistencialismo junto à igreja, ela está sempre participando de algum programa assistencial de ajuda humanitária, enfim, as vezes trabalhando até numa festividade junina em favor da igreja. A gente fica muito mais em casa. Ela fazendo as coisas que eu quero comer, por exemplo, fica me perguntando o que eu gostaria de comer naquele dia. É uma pessoa muito dedicada a mim também. Então em termos de lazer, eu tenho pouco tempo, mais tempo é o trabalho, que pra mim é um prazer.

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