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De Israel para Higienópolis

História de: Gad Yshay
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/04/2013

Sinopse

A entrevista de Gad Yshay foi gravada pelo Programa Conte Sua História no dia 28 de março de 2013 no estúdio do Museu da Pessoa e faz parte do projeto "Aproximando Pessoas - Conte Sua História". Gad nasceu em 16 de abril de 1931 em Jerusalém, descendente de avôs Iugoslavos e Macedônicos. Em sua história, Gad traz lembranças da infância em Israel, das brincadeiras de guerras e tiros que se tornaram reais quando aos 12 anos entrou para o partido e iniciou sua formação militar.

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História completa

Meu nome é Gad Yshay, nasci em 16 de abril de 1931, em Israel, Jerusalém. Meus avó paterno são da Iugoslávia e por parte da mãe são da Macedônia, fronteira com a Grécia. Eles imigraram para Israel para viver com outros Judeus. As imigrações eram muito fortes. Na minha juventude, na época da guerra, só existiam 500 mil israelenses, onde os jovens de uns dezoito anos tomavam a defesa de Israel.

 

O meu avô veio da Rússia com muito dinheiro. Ele construiu uma casa enorme em Jerusalém, onde morou, e também construiu seis habitações parecidas com apartamentos, que eram alugadas. A cozinha era do outro lado, havia uns trinta, quarenta metros de distância entre a cozinha e as casas construídas. Eu me lembro muito bem do meu avô porque ele me passou muito conhecimento de vida. Eu morava em Tel-aviv e ele em Jerusalém, nesta casa grande. Lá eles (avô e avó) criaram 12 filhos que depois se espalharam por Israel, Tel-aviv e outros lugares.

 

Meu pai era marceneiro e artista. Fazia portas entalhadas, com desenhos muito bem formados. Meu pai era marceneiro de primeira mão. Ele trabalhou na casa em que minha mãe morava, a conheceu e acabaram se casando. Depois se mudaram para Tel-aviv, pois achavam a praia de lá muito legal. Eu nasci em Jerusalém, justamente para ter suporte da família de lá, que era bem de vida. Quando criança a gente brincava de tiros . Eram só brinquedos. Brinquedos que faziam “pum!” Eram coisas de crianças. Depois que cresci, aí sim, entrei para o partido, aonde começou a minha preparação militar. Israel era tão pequena, éramos 500 mil mais ou menos, e os árabes na mesma quantidade. Conflitos e brigas eram normais, com a polícia de um lado e de outro, mas tudo normal. Então o treinamento eu comecei com doze e fiquei até os quatorze. Depois que entrei no exército, aí já era outra coisa. Era pela independência de Israel. Quando eu fui preso, eu já era do partido. Na época, Israel estava recebendo os ingleses para explorar petróleo. E então alguma coisa aconteceu. Não me lembro bem. Estou ficando cansado. Não me lembro bem o que aconteceu, mas os ingleses tiraram os israelenses que estavam responsáveis pela perfuração do petróleo. Eu trabalhei por cinco anos na empresa que fazia este trabalho. E com isso, se fechou a companhia.

 

Israel não tinha como financiar e eu saí buscando emprego. Saí de Israel com 27 anos, buscando emprego no Brasil como chefe de produção de petróleo – cargo que eu tinha em Israel. Passei pela França, não gostei. Pensei em me mudar para Madagascar ou outro país árabe, mas me falaram: “não vai, se não eles matam você”. E pensei: “vou para o Brasil”. Não tinha ninguém no Brasil, só Deus. Mas quando cheguei, já tinha endereço, que recebi da Petrobrás, no Rio de Janeiro, na avenida onde tinha a companhia de petróleo. E então me mandaram para a Bahia. Trabalhei lá um ano e meio, ganhei dinheiro muito bem. E ai, com dinheiro, pensei, chega! Vou me mudar para São Paulo. Pra mim foi muito fácil, porque já ouvia muito espanhol em Israel. Olha, devem ter 50 línguas em Israel! Porque chegam pessoas de todo o mundo. Israel era pequena, mas depois ficou 7 ou 8 milhões de judeus lá. Fala-se qualquer língua, e inglês, todo mundo gosta de falar.

 

Trabalhei na Bahia um ano e oito meses e depois cheguei a conclusão que poderia voltar para São Paulo e fazer a minha vida sozinho. Em São Paulo ganhei bastante dinheiro. Fiz indústrias, fiz tanta coisa. E agora vou fazer oitenta e dois anos. Trabalhei com muitas coisas. Depois de 13 anos aqui no Brasil tive coragem de, pela primeira vez, fazer uma viagem para Israel. Retornei porque já tinha dois filhos e minha esposa estava grávida do terceiro. Tomamos a decisão de fazer teste para crianças pequenas e voltar para Israel para ver o que iria acontecer. Eu tinha casa, apartamento, vendi tudo. Fiz um pacote e fomos viajar para ficar. Ficamos um ano e depois desse tempo o pessoal de São Paulo falou: “Gad, o que você está fazendo em Israel?” Falei: “até agora não fiz nada!”. Eu estava com muito dinheiro e pensava que poderia fazer aquilo que fazia no Brasil. Mas acabei voltando. Eu fazia de tudo! Tinha fábrica, indústria, pessoas, tinha tudo.

 

No Brasil, eram fábricas de confecções no Bom Retiro. Depois sai do Bom Retiro e construí um prédio na Barra Funda também. Eu passei do Bom Retiro direto para Higienópolis. Eu era esperto. Não ficava dormindo no ponto. Ficava andando pelas ondas. Construí a minha vida, já estava com 53 anos. O processo evolui sem parar. Mas hoje não estou fazendo mais nada. A partir da semana que vem, vou começar a ser síndico no prédio em que moro, quero trabalhar. Não posso ficar sem fazer nada.

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