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História

De pai para filho

História de: Antônio Carlos Tanjioni
Autor:
Publicado em: 30/05/2016

Sinopse

Em seu depoimento, gravado em 2016, no estúdio do Museu da Pessoa, Antônio Carlos Tanjioni fala sobre a sua infância no bairro da Penha, onde começou a se interessar pelo futebol. Descreve o início profissional na Light e como se envolveu com esportes também no trabalho. Relembra a saída da Light após 10 anos de trabalho e a trajetória profissional fora da empresa. Declara seu amor pelo futebol e fala sobre seu envolvimento com a Seicho-No-Ie.

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História completa

Nós morávamos na Rua Maria Teresa Assunção, 311 e a minha avó materna morava no mesmo quintal, 311 e a minha avó paterna morava no 321. Então eram duas casas encostadas uma na outra. Eu nasci no dia 10 de abril de 1949 e meu irmão ele nasceu no dia 14 de maio de 1950. Nessa primeira casa fiquei até os meus primeiros 11 anos de idade.  A rua não tinha asfalto naquela época, né? E energia elétrica era lampião, era lampião de gás. Depois, começou a vir a energia elétrica e começaram a instalar os postes e etc. Nessa época, eu me lembro muito bem, as famílias ficavam sentadas na rua de noite. Ficavam batendo papo no calor e tal, não tinha esse negócio de violência, não tinha nada disso. E aí depois, as coisas começaram a se modernizar e a Light começou a surgir. Aí, veio a televisão, um monte de situações de modernidade e hoje é a internet que domina tudo, né? Mas eu peguei a época que não tinha nada disso, não tinha televisão, só tinha rádio.

 

Eu fiquei seis meses num escritório de contabilidade, que era perto de casa até pra começar a aprender alguma coisa e nesse escritório foi onde eu comecei a sair para a cidade para fazer trabalhos de office-boy. Nessas idas e vindas entrei lá na Light e fiz uma ficha. E a pessoa falou assim pra mim: “Você aguarda que assim que definir, você vai receber um telegrama”. E passaram, acho que uns 15 dias, eu recebi esse telegrama que foi a maior alegria que eu dei para a minha mãe e para o meu pai. Eu comecei a trabalhar nessa empresa com 14 para 15 anos de idade, em 1964. Naquela época, a Light contratava os meninos menores e tinha um setor dentro da empresa que só cuidava dos menores. Esses menores eram acompanhados até 18 anos por uma pessoa que era responsável. Esse cara era muito exigente, mas foi muito legal porque a gente aprendeu muitas coisas, como ser um profissional e etc. Eu entrei como aprendiz de caixa. Tinha uma bancada onde tinham todos os jovens, os garotos que entravam, a gente era o que se chamava de somador, a gente somava as contas de luz e fazia o relatório do que entrou naquelas contas de valores e etc. Existiam mais ou menos uns 30 ou 40 caixas onde eles recebiam contas de luz, porque naquela época, os bancos não recebiam a conta ainda. Era tudo pago lá. Nosso trabalho era esse, fazer a somatória de tudo que era recebido e tal. Tenho muitas saudades daquela época. No dia 10, que era o dia que venciam as contas de luz, você não conseguia andar no saguão do prédio de tanta gente que tinha pagando conta e a fila chegava lá na rua. Então, era muito legal porque a gente conheceu muitas pessoas, né? E as pessoas iam sempre pagar a conta de luz naquele caixa que eles gostavam do recebedor, que no caso, um deles era eu. Então, eu fiz muitas amizades ali com pessoas que eu nem sei quem são.

 

Eu saí da Light em 74, e fui voltar em 87, 13 anos depois. Já era AES Eletropaulo. Eu entrei lá no dia 27 de fevereiro de 87 e fiquei até junho de 97, então eu fiquei dez anos na primeira vez e dez anos na segunda vez. Quando eu entrei na Light, com 14 para 15 anos de idade, o meu sonho era que o meu filho trabalhasse lá naquela empresa. Aí, eu me aposentei, eu estava em casa, mas tinha deixado vários amigos ainda lá, que foram se aposentando com o decorrer dos anos. E um deles, que cuidava da contratação de temporários, me ligou e me perguntou: “Seu filho está trabalhando?”, falei: “Não” “Manda ele aqui”. Aí eu mandei o meu filho lá, o meu filho foi contratado, entre outros meninos com a idade dele, adolescentes de 15 anos, para ser um dos boys. E aí, ele mostrou a competência dele, foi indo, foi indo, hoje, faz 16 anos, mais ou menos isso, ele se formou publicitário e hoje ele trabalha na área de comunicação, ganhou vários prêmios como melhor funcionário da empresa. Uma das grandes alegrias que eu tive na minha vida foi essa, né? Ele dar sequência naquele trabalho.

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