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História de: Maria Heloísa Picarelli Avancini
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/08/2005

Sinopse

Recorda-se do local em que nasceu sempre que sente o cheiro de poeira. A pequena cidade lhe traz boas recordações, sempre ligadas ao convívio com amigos e família. Mesclando desde a infância os afazeres domésticos, as brincadeiras e os estudos, hoje Maria Heloísa concilia a sua vida como mãe, esposa, e funcionária do Senac, ao mesmo tempo em que não abre mão do lazer e das atividades que sempre sonhou em fazer, como a costura, o estudo de línguas e de teclado. Após trinta anos de carreira no Senac, sente-se contemplada, e se emociona ao pensar que, tal como aconselhava o pai, deixou seu nome na história.

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História completa

P/1 - Boa tarde. Maria Heloísa, eu queria que você desse o seu nome completo, local e data de nascimento.

 

R - Eu me chamo Maria Heloísa Picarelli Avancini. Eu nasci em Socorro, Estado de São Paulo, no dia dez de abril de 1942.

 

P/1 - Eu queria agora que você me desse o nome dos seus pais, a atividades e o local de nascimento deles.

 

R - Meu pai, Laércio Picarelli, natural de Socorro também. Ele trabalhou em farmácia durante 54 anos da vida dele, era farmacêutico provisionado. E a minha mãe, Maria de Lourdes Pinto Picarelli, sempre cuidou da casa, dos filhos, não tinha uma profissão.

 

P/1 - E ela era natural de Socorro?

 

R - Natural de Socorro também.

 

P/1 - Quantos irmãos você tem, Maria Heloísa?

 

R - Tenho duas irmãs, Gioconda e Tarsila; e um irmão, Tarcísio.

 

P/1 - Eu queria que... Você se lembra da rua onde você nasceu, do bairro onde você nasceu, em Socorro? Se você lembra da casa, da rua, como é que era. Eu queria que você descrevesse um pouco o local onde você nasceu, onde você viveu.

 

R - Sim. A rua, uma avenida, Avenida Bernardino de Campos, uma rua larga. Até os meus nove, dez anos, uma rua de terra, e que me traz ainda muita lembrança quando o tempo está um pouco seco e começa a chover e fica aquele cheiro de poeira no ar, o cheiro de poeira me faz voltar à rua onde eu nasci. Era uma casa geminada, daquelas casas antigas de sala, um corredor longo, os quartos na extensão desse corredor, um quintal muito grande, cheio de plantas. E praticamente no centro, porque é uma cidade muito pequena, então tudo era próximo. Próximo da farmácia do meu pai, próximo da escola, da casa dos avós, próximo da igreja, tudo era muito perto.

 

P/1 - E como é que era, assim, o seu cotidiano nessa época de infância? Como é que... Você ia à escola? Como era o cotidiano da sua família?

 

R – Bom, os meus avós maternos moravam muito próximos do grupo escolar onde eu estudava, então era muito bom sair mais cedo de casa, almoçar na casa da avó e ir pra escola. E na hora do recreio, uma tia, que sempre teve um desvelo muito grande e um carinho muito especial pelos sobrinhos, levava um lanche, um café muito quente, um bolo ou um bolinho que a avó tinha feito. A vida era em torno disso: era a missa no domingo, o catecismo, a escola e, como cidade pequena, Socorro desenvolvia um grupo teatral, então era muito significativo participar desse grupo teatral. Mas a vida era praticamente em função dos estudos.

 

P/1 - E você entrou na escola com quantos anos?

 

R - Eu entrei na escola com sete anos, no Grupo Escolar Coronel Olímpio Gonçalves dos Reis, onde fiz o curso primário, o antigo primário.

 

P/1 - E essa tua formação... Você estudou nesse colégio até que ano?

 

R - Até a quarta série. Depois, no Colégio Estadual e Escola Normal eu comecei o ginásio, a segunda etapa, da quinta... Hoje da quinta a oitava série.

 

P/1 - E essa escola também era em Socorro?

 

R - Também em Socorro, sempre em Socorro. Depois esse colégio estadual mudou de nome e passou a ser um instituto de educação, Instituto de Educação Narciso Pieroni, onde eu fiz o curso Normal, onde eu terminei o curso Normal.

 

P/1 - Voltando um pouquinho para a sua infância, para uma idade mais... Um pouquinho mais nova: quais eram as brincadeiras? Você falou muito da rua, a rua era de terra, vocês brincavam muito na rua... Que tipo de brincadeira vocês faziam?

 

R - Era tudo muito tranquilo. A gente brincava de amarelinha, brincava de pular corda, de vez em quando a gente tinha que interromper a brincadeira porque a rua era passagem de boiadas. Brincava de bonecas, brincava de casinha. E tinha uma preocupação muito grande da mamãe de estar ensinando prendas domésticas, então a gente aprendia a bordar, a fazer tricô. Tinha um tempo pra estudar, pra brincar e pra aprender alguma atividade.

 

P/1 - Você falou desse grupo teatral, que era muito significativo participar dele, você participou muitas vezes... Você lembra de alguma peça que você atuou?

 

R - Sim. O grupo se chamava "A Turma Lá de Casa", e havia um espetáculo anual, que era montado por esse grupo, que se chamava "O Mundo num Sonho". Então as crianças participavam de diferentes quadros, e eu participava de um quadro que era referente à França. Um rapaz tocava piano, "La Vie en Rose", adormecia e sonhava que do piano saíam bonecas, e eu era uma dessas bonecas. Na ocasião, a gente apresentava isso em Socorro, e apresentava nas cidades vizinhas: Águas de Lindóia, Serra Negra, Amparo. Depois ia renovando o grupo de artistas, porque as bonecas iam ficando velhas (risos), então tinha que renovar.

 

P/1 - E quando você fez o Normal, você nos falou lá fora que teve a formatura, que ela foi uma coisa muito solene e tal. Eu queria que você falasse um pouco da formatura de vocês.

 

R - Sim, as formaturas eram sempre muito solenes, porque para uma cidade pequena como Socorro, ter um Instituto de Educação, proporcionar a formação dos filhos da terra ali mesmo, era uma coisa muito significativa. Para os pais isso tinha um sentido, um significado muito forte. E a minha turma de curso Normal, inclusive, foi uma turma muito pequena, nós começamos e terminamos só em quatro alunas. Eu comecei o Normal em 57, e era um período que se buscavam outras profissões, então o curso Normal, naquela ocasião, em Socorro, teve uma procura muito pequena. Foi muito significativa a formatura do ginásio, que aconteceu em 56. Então uma preocupação de registrar essa formatura como um marco, alguma coisa muito significativa. Fotos, fazer fotos de beca, chamar fotógrafos de outra cidade, montar um painel, um quadro com a foto dos formandos, dos professores, e isso era um material que ficava no saguão da escola. Então havia até, inclusive, uma competição no sentido de fazer um quadro mais bonito que a turma do ano anterior.

 

P/1 - Depois que você fez a Escola Normal, você continuou seus estudos e foi estudar onde? E o quê você fez?

 

R - Quando eu terminei o Normal eu ia ingressar no magistério, mas um tio que morava em Campinas se ofereceu para me preparar para o vestibular, e ofereceu a casa para eu morar com ele pra poder fazer faculdade. Então eu fui pra Campinas e fiz o vestibular para o curso de Pedagogia na PUC - Pontifícia Universidade Católica de Campinas. O meu sonho teria sido, na ocasião, fazer o curso de Direito; eu tinha feito Normal, mas eu queria muito fazer o curso de Direito. Mas esse meu tio disse: "Pelo que eu conheço de jovens que passam pelas minhas mãos, que eu preparo, você nasceu para ser professora, e você deve fazer Pedagogia." Então eu segui o conselho do tio. Fui fazer Pedagogia, fiz na PUC e fiz especialização em Orientação Educacional, e não me arrependi.

 

P/1 - E quando você... Durante esse período que você esteve em Campinas, você morou com os seus tios e terminou a faculdade em Campinas mesmo. Você começou a trabalhar em que ocasião? Depois, logo depois de formada, ou você começou a trabalhar antes, no período em que ainda estava na escola?

 

R - Quando eu estava fazendo o curso de Pedagogia um grupo de colegas solicitou à reitoria da universidade para fazer alguns créditos do curso de especialização de Orientação Educacional no terceiro ano, junto com o terceiro ano, porque a expectativa era de sair logo e começar a trabalhar. E a Orientação Educacional era um mercado interessante. Então eu estava na metade do quarto ano de Pedagogia, em 63, quando eu vim a São Paulo para fazer a seleção e começar a trabalhar no SENAC. Eu terminei a faculdade em 1963 numa situação de aluno especial que era possível e comecei a trabalhar em agosto de 63.

 

P/1 - E você já tinha ouvido falar do SENAC antes? Como é que foi? Como é que você viu esse emprego, foi anúncio de jornal?

 

R - Eu tinha ouvido falar do SENAC há muito tempo, porque um tio foi um coordenador dos programas do SENAC através da Universidade do Ar, que aconteciam... Os programas eram desenvolvidos em Socorro.

 

P/1 - Como era o nome dele?

 

R - Paulo Piratininga Pinto. Ele foi um dos elementos ali de coordenação do programa que acontecia em Socorro. Mas nessa ocasião, quando apareceu essa vaga do SENAC, foi uma pessoa de Socorro, uma amiga da família que viu no Estadão, no Estado de S. Paulo, vagas, recrutamento de pessoal, havia vagas para um trabalho no setor de Reabilitação Profissional do Hospital das Clínicas e uma vaga para Orientador Profissional no SENAC. Foi quando eu vim pra São Paulo para fazer a ficha e participar do processo de seleção.

 

P/1 - Logo que você entrou no SENAC você começou a trabalhar em que unidade do SENAC, em que área você começou a atuar? Eu queria que você falasse um pouquinho desse início seu dentro do SENAC.

 

R - Eu comecei no SENAC num cargo de Orientador Profissional, era uma Divisão de Orientação Profissional que funcionava na sede, na Rua Doutor Vila Nova, e eu fiquei lotada mais uma colega na mesma função, Orientador Profissional, mas o nosso trabalho era diretamente voltado e feito com os alunos da Escola Brasílio Machado Neto. Aí, na medida em que o trabalho foi acontecendo, a gente percebeu a necessidade de estar mais próxima da clientela, dos alunos com quem a gente trabalhava. Então, em janeiro de 64, nós fomos para a Escola SENAC Brasílio Machado Neto, na Rua Galvão Bueno.

 

P/1 - Como é que era o dia-a-dia na Escola Brasílio Machado Neto com relação ao seu trabalho? E eu queria que você falasse um pouquinho, assim, o que é que você fazia com relação aos alunos mesmo, qual era o seu cotidiano nesse trabalho.

 

R - Era bem movimentado, porque a escola tinha um número muito grande de alunos, muito grande de turmas, funcionava no período da manhã, da tarde e da noite. Inicialmente o trabalho era um trabalho voltado para os menores aprendizes ou para os candidatos a emprego que frequentavam a escola. Como Orientador Profissional eu fazia um trabalho de avaliação de potencial desses alunos e posterior encaminhamento desses alunos a um emprego, trabalho, e depois do acompanhamento desses alunos, de adaptação ao trabalho e de satisfação da empresa com relação ao menor. Então nós tínhamos uma bateria de testes que eram aplicados em cada um dos alunos. Fazíamos entrevistas, entrevistas com os pais, uma dinâmica, e depois todo esse processo era discutido com a dona Adelina Perito, que era Chefe dessa Divisão de Orientação Profissional, com um médico. Então nós chegávamos a uma conclusão de caso, para onde encaminhar esse menor, se para atividades voltadas a escritório, se para atividades voltadas a loja, ao comércio. E participávamos do dia-a-dia da escola, porque na medida em que nós fomos pra lá, começamos a nos envolver no trabalho também de orientação educacional. Sessões de orientação de grupo, atendimento de pais, conselhos de classes, reuniões, e das atividades paralelas que aconteciam. Organização de bibliotecas, preparação de alunos para provas, fazíamos, preparávamos alunos para quando íamos nas Olimpíadas... E estávamos ali no dia-a-dia.

 

P/1 - Como é que funcionava o sistema de bolsas de estudo, nessa época?

 

R - Havia os alunos aprendizes, que eram encaminhados pelas empresas, e esses alunos tinham a escola gratuita, o ensino era totalmente gratuito. Ainda recebiam material didático, refeição e assistência odontológica. Havia os candidatos a emprego que ficavam nessa mesma situação e os dependentes de comerciários, quando havia vaga, que pagavam uma taxa simbólica pra poder participar dos cursos.

 

P/1 - E em que áreas a escola atuava, nessa época?

 

R - Era a formação básica: admissão, que era a preparação para o ginásio; o Ginásio Comercial e a nível de segundo grau a escola. A Brasílio tinha o Técnico em Administração, em Secretariado e Técnico em Contabilidade.

 

P/1 - E as empresas, elas apoiavam o estudo desses menores, ou não? Como é que...

 

R - Sim. A relação era muito estreita, havia uma relação de compromisso do aluno para com a empresa, a empresa era comunicada em caso de faltas, no caso de reprovação, e esse aluno podia ser substituído. Quando o aluno era um bom aluno, um bom empregado, ele começava muito cedo uma carreira dentro da empresa.

 

P/1 - E como é que funcionava o sistema de colocação dos alunos nas empresas?

 

R - Havia um setor no SENAC que funcionava na sede, na Doutor Vila Nova, esse setor recebia o pedido de menores, então passava para a escola, pra Brasílio Machado Neto, por exemplo, uma vaga de arquivista em tal empresa, uma vaga de datilógrafo em tal empresa, e mediante o processo, o trabalho que nós tínhamos de avaliação desses alunos, nós selecionávamos o candidato e fazíamos o encaminhamento. Havia todo um processo formal, uma carta com a qual o aluno se apresentava na empresa.

 

P/1 - Vocês desenvolveram atividades extracurriculares na Escola Brasílio Machado Neto, tipo visitas às lojas, excursões, desfiles, e mesmo os próprios Torneios Culturais e as Olimpíadas. Eu queria que você falasse um pouquinho a respeito dessas atividades extracurriculares da própria escola.

 

R - Bom, nós tínhamos, dentro de atividades extracurriculares, a formação do Centro Cívico. Nós preparávamos os alunos pra participarem da diretoria do Centro Cívico, eles eram escolhidos entre representantes de diferentes turmas e de diferentes séries. Nós fazíamos um trabalho de jornal de classe, todas as classes inicialmente tinham o seu jornal, era um estímulo à criatividade, à leitura, à redação, e depois isso foi se afunilando em jornal de séries, então o jornal de quinta, de sexta, o jornal de sétima. As atividades esportivas... As Olimpíadas, que era um acontecimento dentro das escolas e os alunos pra participarem das equipes esportivas, eles tinham que estar preparados culturalmente em termos de estudo também, era um exigência, porque havia uma disputa esportiva e havia uma disputa cultural, então a gente tinha, inclusive, um trabalho de estar reforçando a aprendizagem desses alunos que participavam do torneio esportivo, Nós fazíamos depois do horário de aula uma parte de reforço para preparar, e tradicionalmente Campinas sempre ganhava o Torneio Cultural, dificilmente o esportivo. E um ano nós tivemos, assim como um desafio conseguir o Torneio Cultural também, porque o esportivo a Brasílio tinha muitos troféus, então nós preparamos os alunos, agora eu não me lembro exatamente a data, mas Campinas, São Paulo, a Brasílio conseguiu também o Torneio Cultural. Foi uma satisfação muito grande da gente roubar o troféu de Campinas nessa ocasião. (riso)

 

P/1 - Eu queria que você falasse, por exemplo, desse dia-a-dia, se tem algum fato interessante. Você estava dizendo a respeito das alunas com relação... Como elas se sentiam em épocas de provas. Eu queria que você tivesse algum fato interessante pra contar a respeito disso, ou pitoresco, dentro dia-a-dia.

 

R – É, sempre tinha. Tinha época de prova, e as meninas, principalmente, ficavam muito nervosas, elas ameaçavam desmaiar, passavam mal. Então sempre tinha aquela que transportava por aqueles corredores, a Brasílio tinha os corredores muito grandes e a sala que eu ficava tinha um sofá, e sempre tinha alguém no sofá, era fácil identificar quando era manha ou quando realmente era um problema. Ficou conhecido na Brasílio o fato de que eu chegava, tirava os anéis, e com dois tapas botava alguém de pé. Nessa ocasião, trabalhava a Giselda lá, e de vez em quando ela vinha pelo corredor e falava: "Tem uma lá na sua poltrona." Então ela falava: "Eu não tenho coragem de fazer o que você faz." A gente tinha esse atendimento. E um dia uma menina ingeriu uma quantidade muito grande de medicamento, foi preciso chamar uma ambulância, nós tivemos que levá-la para o Hospital Municipal, teve que ser feito uma lavagem de estômago, e a gente trabalhava com guarda-pó branco. No hospital a gente foi confundido com médico, com enfermeira, situações assim, do dia-a-dia. A gente era médico, enfermeira, pai e mãe.

 

P/1 - Eu queria que você falasse um pouquinho como eram avaliados esses cursos dentro da Escola Brasílio. Os cursos, eles tinham uma avaliação, ele atendia uma necessidade de mercado, na época?

 

R - Sim. Era o Ginásio Comercial, então era a formação básica que o menor tinha que receber. A avaliação dentro do sistema formal de ensino era avaliação normal de final de ano por disciplinas, e compunha essa avaliação um conselho de classe do qual participavam os docentes, os orientadores, o diretor; mas um trabalho formal de avaliação de conhecimento.

 

P/1 - E por que o SENAC deixou de realizar esses cursos regulares, por exemplo, ginásios comerciais, admissão ao ginásio e mesmo esses cursos técnicos?

 

R - Bom, aí uma questão de mudança de objetivos, uma mudança de proposta de trabalho, e inclusive quando o SENAC deixou de oferecer o Ginásio Comercial, o curso de quatro anos, foi implantado um programa, o Curso de Auxiliar de Vendas e Escritório, o CAVE, que era um programa de três anos com equivalência dos quatro de primeiros graus. Porque, principalmente na Brasílio, a gente atendia um número muito grande de aprendizes, e inclusive tivemos que elaborar um programa para uma situação de emergência. Eu participei da elaboração desse programa juntamente com o Pelarin e a Maria Antônia, que trabalhavam na Divisão de Supervisão Técnica, e nós chamamos esse curso de CAEL, que era o Curso de Auxiliar de Escritório e Loja. Ele tinha uma característica de permitir diferentes entradas no processo, porque nós recebíamos alunos todos os meses, todas as semanas. Na medida em que ele era admitido na empresa, a empresa encaminhava pro SENAC. Então nós chamamos esse curso de CAEL Caracol, ele ficou conhecido como CAEL Caracol porque ele começava, depois de certo tempo ele tinha uma outra entrada numa outra disciplina. Na hora que ele terminava, pegava a primeira disciplina pra poder, a qualquer momento, estar dando atendimento. Então foi um programa que foi elaborado que acabou sendo chamado de CAEL Caracol.

 

P/1 - Você nos disse, por exemplo, que dentro da Brasílio, outros cursos começaram depois, outras áreas começaram a ir para lá, como Saúde e tal. Eu queria que você falasse um pouco desse período.

 

R – Bom, era a Divisão de Formação Acelerada, que foi descentralizando, a nível de sede, determinadas áreas. Então a Brasílio recebeu a área de Saúde, e nessa ocasião foi para lá toda a equipe que trabalhava em hospitais, trabalhava com os programas mais curtos, de Formação Acelerada. Então nós tínhamos ainda um fim de Ginásio Comercial, de cursos de segundo grau, e recebemos 23 enfermeiros, 11 nutricionistas e toda a área de Saúde, e aí a gente começou esse trabalho diferenciado. Depois Inglês, que funcionava também na Rua Doutor Vila Nova, foi para a Brasílio com 50 turmas simultâneas de curso de línguas.

 

P/1 - Você lembra mais ou menos que época foi que se deu esse fato?

 

R - Não, não tenho a data exata.

 

P/1 - Não tem problema. Eu queria que você falasse, depois dessa sua fase de trabalho, um pouco mais de como foi ocorrendo a sua carreira dentro do SENAC. Depois que você saiu da Brasílio você foi para a unidade de Campinas?

 

R - Sim. Eu fiquei na Brasílio até 1978, junho de 1978. Nessa ocasião o meu marido foi transferido pra Campinas pelo Banco Itaú, e eu solicitei a minha transferência pra lá. E praticamente no mesmo cargo, eu ocupei dentro do SENAC nesse tempo todo sempre essa função técnica, como Orientador Profissional, educacional, orientador técnico, sempre no trabalho envolvido com alunos, com formação de cursos. Em Campinas, quando eu cheguei, Campinas estava atendendo solicitações de três prefeituras da região: prefeitura de Itapira, de Limeira e de Bragança Paulista para implantação de polos avançados. E eu tive a atribuição de cuidar do polo de Itapira, dentro de um programa de expansão do SENAC. Naquela ocasião, então, foi feito um seminário de informação profissional com o objetivo de mobilizar a comunidade pro SENAC que iria chegar ali na região. Eu me lembro que na ocasião eu fiquei uma semana em Itapira cuidando de um seminário quando nós conseguimos mais de 500 participantes, foi uma atividade articulada com o Fundo de Assistência Social do Palácio do Governo, que era governo Paulo Egydio. Depois disso foi implantado o polo, desenvolvendo-se atividades lá também.

 

P/1 - Dentro da unidade de Campinas, quais as áreas que eram atendidas na época em que você foi para lá?

 

R - Quando eu fui pra Campinas tinha a área de Saúde, tinha a área de Beleza, área de Escritório com Datilografia, Auxiliar de Escritório, tinha a área de Hotelaria. Campinas tinha uma lanchonete-escola, ainda havia algumas turmas de um programa de intercomplementaridade que o SENAC fazia com curso Técnico de Turismo, Técnico de Administração.

 

P/1 - Com relação, por exemplo, aos Docentes desses cursos, dessas áreas, eles faziam parte do corpo de funcionários do SENAC ou eles eram, naquela época, recrutados no mercado? Como era feito?

 

R - Não, nessa ocasião, 78, eram funcionários, eram pertencentes ao quadro fixo, professores, mesmo, de história, geografia, ciências. Para essas outras áreas de Cabelo, Beleza, Saúde é que eram profissionais recrutados no mercado pra trabalharem como docentes nesses cursos. Mas eles pertenciam, a grande maioria pertencia ao quadro fixo, eram docentes contratados.

 

P/1 - E no caso dessas pessoas da área, por exemplo, de cursos mais especializados, como Hotelaria ou mesmo de cabeleireiros, eles sendo recrutados no mercado, como era o processo, como é que era feito o recrutamento desse docente? Vocês tinham alguma assessoria, alguma informação com relação a esse docente?

 

R - Sim. Era feito o recrutamento, mas havia um processo de seleção que era feito em São Paulo, uma avaliação de potencial.

 

P/1 - E como foi a sua evolução, vamos dizer assim, profissional dentro do SENAC de Campinas? Eu queria que você falasse um pouquinho a respeito disso.

 

R - Em Campinas?

 

P/1 - Em Campinas.

 

R - Bom, em Campinas eu cheguei...  Inicialmente eu assumi uma atividade de informação profissional. Campinas tinha mais dois técnicos na ocasião, e eu assumi um trabalho que era feito em articulação com a Divisão Regional de Ensino. Nós fazíamos palestras e atividades de informação profissional em escolas da rede estadual, então eu coordenava esse trabalho, tive de desenvolver um projeto, articular a divisão regional, articular as escolas. Aí trabalhavam os professores, os docentes com relação ao material que eles deviam levar, a fala que eles deviam fazer, o roteiro. Era uma maneira de estar divulgando o SENAC na rede estadual, de estar colaborando com a rede estadual no trabalho de orientação para esses alunos, pra continuidade de estudos também. Eu assumi, na ocasião, o polo de Itapira, então eu tinha um compromisso de pelo menos uma viagem semanal a Itapira para uma supervisão. Durante certo tempo eu coordenei a área de Beleza, isso para ir conhecendo outras áreas, problemas, e o dia-a-dia de outras áreas. Depois eu fui me canalizando para a área de Saúde, num trabalho maior na área de Saúde.

 

P/1 - Como é que era feito, por exemplo, o trabalho da Unifort [Unidade Móvel de Formação e Treinamento] dentro da unidade de Campinas? Como é que o SENAC conseguia unir o trabalho da Unifort nas cidades que estavam vinculadas à unidade de Campinas, por exemplo?

 

R - Na medida em que nós recebíamos solicitações de outras cidades, se fosse possível atender através de recursos e do trabalho de Campinas, no caso, a gente atendia. Montava, conforme o horário do docente que a gente tinha, um cronograma de cursos, dava para atender. Senão a gente pedia o trabalho da Unifort nessas unidades, então era conversado com o diretor, com o gerente da unidade, as áreas que deviam atender, e a Unifort tinha toda a condição de mobilizar depois a comunidade e desenvolver o trabalho. Era articulado com a unidade no sentido de alunos matriculados. As fichas de matrículas iam para a unidade sede, os certificados eram expedidos por ali, e um trabalho articulado nesse sentido.

 

P/1 - Eu queria que você falasse um pouquinho, Maria Heloísa, da mudança do perfil do aluno de quando você entrou no SENAC e do perfil do aluno que existe hoje no SENAC. O que é que mudou? Como é que você vê essa mudança do aluno?

 

R - Bom, quando eu entrei o aluno era carente de toda a assistência, de toda a formação, então a gente fazia o trabalho com relação à sua adaptação a escola, à sua adaptação ao curso, à sua adaptação ao trabalho, um atendimento no sentido de família, de orientação educacional, de orientação vocacional. O aluno vinha para ter inclusive a escolaridade formal, que ele não tinha. O aluno que a gente tem agora é um aluno que vem em busca de uma preparação profissional mais imediata, ele quer alguma coisa que lhe garanta uma vaga no mercado de trabalho ou que aprimore o seu conhecimento em função do mercado de trabalho que praticamente ele já está inserido.

 

P/1 - E o cliente, hoje, ele é um cliente que pode ser tanto uma pessoa jurídica quanto uma pessoa física?

 

R - Sim. Nós atendemos a pessoa que procura a sua formação e nós atendemos a empresa que procura um aperfeiçoamento profissional para o seu funcionário, para sua empresa, um trabalho de atendimento específico, as necessidades específicas da empresa, não é?

 

P/1 - E vocês atuam dentro da empresa? Vão dar esse curso dentro da empresa, então?

 

R – Sim, atendemos. Fazemos o levantamento de necessidades, adequamos o programa e trabalhamos dentro da própria empresa.

 

P/1 - Como você vê a importância do SENAC, por exemplo, o local, no caso Campinas, que é onde você esteve, vamos dizer assim, mais ligada?

 

R - Mais intimamente?

 

P/1 - É, então como é que você vê a importância, por exemplo, mesmo para Itapira, que você esteve muito ligada? Qual é a importância do SENAC para esses locais em que ele vai, que o SENAC está atuando?

 

R - Aí é a questão da credibilidade. Tudo que o SENAC lança como produto, como proposta de trabalho, é assumido pela comunidade tranquilamente. No caso de Campinas, por exemplo, a gente já está sentindo agora a necessidade de ampliação do espaço físico. O espaço físico não tem mais condição de atender a demanda, porque em Campinas nós trabalhamos praticamente com todas as áreas ocupacionais que o SENAC oferece. Mas é de muita credibilidade os espaços, o SENAC foi conquistando, o aluno do SENAC, particularmente a área de Saúde que eu coordeno em Campinas, o ex-aluno do SENAC é reconhecido, e automaticamente o SENAC é reconhecido como agente formador de melhor qualidade de profissional nessa área.

 

P/1 - Como é que é a relação da unidade especializada com as unidades polivalentes? Ela tem uma função específica para essas unidades, como é essa relação?

 

R - Bom, ela tem uma relação de retaguarda, de orientação, e no sentido de identificar programas, identificar ações, produtos, serviços e depois distribuir isso para a rede. E no caso da Saúde, onde eu tenho a ligação maior com o CES, né, o Centro de Educação e Saúde, é toda a retaguarda no que diz respeito a montagem de programa, a consultores que são disponíveis para um trabalho que a gente leva pra unidade. Há o material didático que é elaborado, quer dizer, é uma ação realmente de retaguarda, de estar procurando, informando a unidade sobre novas formas de trabalho, novas oportunidades, novas linhas de trabalho.

 

P/1 - Como é que você vê hoje... Como se caracteriza, hoje, a proposta do SENAC?

 

R - Eu acho uma proposta arrojada e... Mas arrojada com muita retaguarda. Acho que o SENAC está assim, muito tranquilo em termos daquilo que ele se propõe a fazer e que realmente ele pode fazer pela credibilidade que tem, pela história que tem.

 

P/1 - Como o SENAC acompanha os desafios da tecnologia, mudanças econômicas ou políticas e sociais? Como é que você vê? Como isso se dá dentro do SENAC? Assim, por exemplo, ele sempre procura... Porque você disse, por exemplo, pelo que eu entendi, [que] as unidades especializadas sempre procuram ver a coisa que pode estar acontecendo daqui a quatro e cinco anos, uma necessidade, por exemplo, de um curso que venha a se instalar daqui a quatro, cinco, uma necessidade de mercado. Então, por exemplo, no caso em que você estava falando do curso de radiologia me parece...

 

R - Sim, em Campinas.

 

P/1 - Então, a unidade especializada começa a trabalhar vendo exatamente... Preparando o material, qual a melhor tecnologia para ser desenvolvida nisso. Quer dizer, esse trabalho é todo feito pela unidade...

 

R - Especializada.

 

P/1 - Especializada. Quer dizer, existe essa preocupação de estar com a melhor tecnologia de ponta?

 

R- Ah, sim. Sim, estar na vanguarda da formação profissional, de oferecer o melhor, o mais atual.

 

P/1 - Me diz uma coisa, Maria Heloísa. Hoje, por exemplo, você está muito ligada a área de Saúde. Qual é o seu cotidiano, hoje, a nível de trabalho em Campinas, ligado principalmente a área de Saúde?

 

R – Bom, tem todo o trabalho com relação à clientela, a preocupação do processo de seleção desses alunos, dessa clientela para os diferentes programas, para os diferentes cursos. A preocupação com relação ao docente, porque hoje a grande maioria de docente é autônomo, é um pessoal que vem do mercado e que a gente tem que estar colocando em situação de sala de aula, de transmissor de conhecimento. A questão do material didático, a elaboração de um material de referência para estar trabalhando. A questão da própria programação, o que o mercado quer, como isso pode ser oferecido. Então a gente tem que estar em constante contato, em sintonia de saber para lançar um programa que realmente atenda uma necessidade de mercado. E no esquema de trabalho da unidade de Campinas eu gerencio a área de Saúde desde recursos físicos, humanos, materiais e econômicos. Eu respondo pelo desempenho da área tanto no que diz respeito ao atendimento, ao número do atendimento, quanto à questão financeira, quanto custou e quanto teve de retorno. A gente gerencia, realmente, a área.

 

P/1 - Eu queria que você falasse um pouquinho, agora, fora do trabalho no SENAC, se você faz alguma coisa nas suas horas de lazer, o que você costuma fazer e tal.

 

R - Tenho. Eu fui... Ao longo da vida eu fui me educando pra outras atividades extra SENAC, e fui aos poucos conseguindo realizar alguns desejos, porque eu me casei... Comecei a trabalhar em 63, e me casei em 65, e eu tenho cinco filhos. Durante boa parte dessa minha vida o SENAC me ocupou um tanto e a família me ocupou o outro. E agora eu consigo distribuir muito bem o meu tempo e satisfazer uma série de vontades pessoais. Então, eu me programei em termos de horário, eu tenho um tempo para fazer corte e costura, que eu gosto; tenho um tempo para estudar línguas, que eu gosto, e tenho um tempo para estudar teclado, que eu gosto. Então eu me ocupo: até tal hora eu vou aqui depois eu vou pro SENAC, depois eu faço, pra poder dar conta de tudo, da família, daquilo que eu gosto e do trabalho, que na minha vida sempre significou muito.

 

P/1 - E você nos... O curso de língua que você faz, você havia nos dito que é italiano.

 

R - Sim.

 

P/1 - E você, inclusive, colocou a questão da formatura. Eu queria que você falasse um pouquinho disso, porque eu achei superinteressante né, quer dizer, a sua atuação dentro de um momento de lazer até procurando tornar as coisas...

 

R - Ah sim, procurando conciliar as coisas, né? Eu fiz italiano numa escola em Campinas, e fiz parte da primeira turma dessa escola. A formatura dos quatro estágios básicos aconteceu agora no dia primeiro de julho, então a direção da escola tinha dito que seria uma entrega de certificados, uma pequena reunião e tal. Eu fiz uma ordem do dia, com todo o requinte de uma formatura, a formação da mesa, a entrada dos alunos, palavra do orador, pra surpresa da professora e dos colegas inclusive, nós fizemos em grande estilo. A direção da escola disse que isso pode ser até um problema, porque outras turmas vão querer formatura nesse estilo, mas eu me propus a vender consultoria de formatura em italiano (riso). O SENAC me preparou para isso também.

 

P/1 - Eu queria que você falasse de uma coisa que eu acho foi muito significativa pra você, Maria Heloísa, que foram exatamente os seus 30 anos dentro do SENAC. Eu queria que você falasse um pouco da solenidade que teve, o significado disso para você, porque a gente está falando da questão solenidade de formatura e tudo, eu queria que você... Pelo que você passou pra gente, essa solenidade de 30 anos no SENAC foi uma coisa muito importante pra você, então eu queria que você falasse um pouquinho a respeito disso.

 

R - Sim. As coisas acontecem, não é? A gente pode até não definir determinados objetivos, mas depois de certo tempo a gente passa a buscá-los. E assim foi essa história de SENAC. Quer dizer, eu comecei a trabalhar no SENAC como jovem, primeiro emprego, foi meu primeiro emprego, e à medida que o tempo vai passando a gente vai vendo a possibilidade de completar dez anos, 15. Quando completei 15 anos houve uma cerimônia que o SENAC tradicionalmente faz, uma entrega de prêmios. Depois dos 15 a coisa passa a ser remota novamente, mas de repente eu cheguei nos 30 dentro do SENAC. E cheguei muito rápido, foi muito fácil, muito tranquilo, porque o trabalho foi envolvendo o tempo todo, e foi sempre muito gratificante. Eu sempre tive a possibilidade de fazer aquilo que eu gosto, eu sempre quis realizar dentro do SENAC o trabalho técnico, essencialmente técnico, e eu tive essa possibilidade. Então, quando foi chegando perto dos 30 anos, eu fui criando a expectativa da cerimônia, da entrega do prêmio dos 30 anos. E a unidade toda de Campinas, no caso, foi se envolvendo nesse clima comigo. Foi um período muito gratificante quando eu completei 30 anos em primeiro de agosto de 93. A unidade fez uma comemoração para isso. O Rafael, que era o gerente na ocasião, os colegas todos. Mas a gente fica esperando a comemoração oficial, e foi muito emocionante, realmente muito emocionante, porque companheiros que passaram comigo algum tempo, algum pedaço dentro do SENAC, vieram pra me cumprimentar, e estavam ali satisfeitos de ver que a gente conseguiu. Em termos da família foi uma coisa muito significativa, e foi o momento que eu me lembrei muito do meu pai, senhor Laércio, uma pessoa muito especial, que quando eu comecei a trabalhar, ele só me disse uma coisa. Ele disse: "Filha, o mais importante é o nome que você vai deixar por onde você passar." Então nessa ocasião de 30 anos foi uma maneira de estar dizendo pra ele: "Acho que deixei, né?" Mesmo essa situação de ter sido chamada para um depoimento me deixou tremendamente emocionada e gratificada de ter podido chegar até aqui. E realmente, a cerimônia de 30 anos foi uma coisa que me marcou muito, porque realmente acho que muita gente aspira isso e não deve ser muito fácil.

 

P/1 - Em função disso tudo que você falou, você acha que poderia mudar alguma coisa? Se você pudesse mudar alguma coisa na sua trajetória de vida, você acha que mudaria alguma coisa, Maria Heloísa?

 

R - Eu não mudaria. Eu tive a oportunidade de realizar tudo que foi importante para mim, quer dizer, eu nunca tive grandes sonhos, mas o sonho de uma família, eu tenho uma família maravilhosa, tenho um marido que me dá uma força incrível nessa minha vida de trabalho. Dentro do SENAC eu sempre tive muito espaço e o reconhecimento muito grande, eu sinto isso através de pessoas que já passaram pelo SENAC, de ex-alunos, Campinas, que eu estou lá agora, sempre tem o pessoal que volta, que passa, ou encontra... Algum Docente encontra: "Eu dou aula no SENAC." "Poxa, dona Heloísa ainda está lá?" E eu tenho um carinho muito grande, um cuidado muito grande com as pessoas com que eu trabalho diretamente, um respeito muito grande. Eu faço uma questão muito grande de conhecer os alunos todos dos cursos que eu coordeno, e isso é uma coisa que os deixa muito gratificados: "Poxa, sabe o meu nome." Mas é muito importante saber o nome, porque eu estou trabalhando para o desenvolvimento, para a formação dessa pessoa, eu tenho que reconhecê-lo e respeitá-lo como pessoa. Então eu não gostaria de mudar em nada nessa minha trajetória.

 

P/1 - E o que você acha que gostaria de realizar, ainda?

 

R - Olha, dentro de etapas, uma etapa é me aposentar. Mas eu gostaria de me aposentar e poder ainda, aposentar como um marco, quer dizer, são marcos de vida, a aposentaria é um deles. Mas se eu ainda puder contribuir e dar um pouco de mim e do meu trabalho, eu gostaria ainda de poder fazer isso.

 

P/1 - E para ir finalizando eu queria que você falasse um pouco a respeito dessa experiência de você ter contado a sua história de vida, e mesmo a sua trajetória dentro do SENAC. Como é isso pra você?

 

R - Olha, o dia que eu recebi o seu telefonema foi numa segunda-feira, eu desliguei o telefone e tinha algumas pessoas comigo ali na minha sala, e eu comecei a chorar. Então uma delas falou: "O que é que aconteceu?" Eu falei: "Mas foi bom demais." E eles ficaram sem entender, um saiu, o outro saiu. Nesse momento, como um filme passou pela minha cabeça, mas tanta coisa, tanta gente, eu falei: "Mas eu não podia imaginar que isso fosse acontecer comigo." Não podia imaginar. Aí liguei para o marido, liguei pra minha mãe, saí para o corredor, falei pra um, pra outro, pra outro, tinha inclusive uma estagiária que estava lá e eu falei: "Olhe, fala lá na Unicamp que a sua supervisora de estágio vai num museu." (risos) Mas foi uma coisa assim, que mexeu muito comigo, muito, muito, porque eu sempre fui fazendo sem a preocupação de passar a limpo, e de repente eu me vi numa situação quase de passar a limpo, de selecionar, mas tudo foi muito significativo, tudo foi muito importante, eu acho que isso me marca como marcou a minha própria vida, tudo o que foi importante, o casamento, o nascimento dos filhos, a entrada no SENAC. Eu nunca imaginei que depois de 32 anos eu tivesse um momento tão gratificante como esse, que pudesse contribuir para a história da entidade, que eu respeito muito, tenho um carinho muito especial. Mas pra mim isso foi muito significativo, eu acho que tem muita gente que ainda precisa saber que eu vim aqui, que eu fiz um depoimento, pra mim isso significou muito.

 

P/1 - A gente queria agradecer, então, a sua presença. Para nós foi um prazer muito grande tê-la conosco.

 

R - Muito obrigada.

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