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História de: Silvio Ricardo Travassos Ferreira
Autor: Silvio Ricardo Travassos Ferreira
Publicado em: 14/03/2008

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História completa

Meu nome é Sílvio Ricardo Travassos Ferreira, 29 anos, solteiro. Filho de Dayse e Ramos, nasci numa cidade da região metropolitana do Recife, chamada Camaragibe, no dia 12 de abril. Como em toda pequena cidade, a minha não seria diferente, sempre que queríamos alguma coisa tínhamos que ir à capital, normalmente uma viagem de 45 minutos de ônibus. Como meus pais se separaram, minha mãe passou a viver com outra pessoa e os dois trabalhavam no centro, tivemos que nos mudar para um local o mais próximo possível da capital, em um bairro próximo ao centro de Recife. Bairro simples, margeado por comunidades carentes. Morávamos eu, meu irmão, minha mãe e meu padrasto. Fomos morar em uma casa simples. Minha mãe trabalhava como copeira em um hospital e meu padrasto trabalhava como taxista. Então, tive que começar a trabalhar para poder contribuir nas despesas minhas.

Conte sobre a sua infância/adolescência
Um dia, caminhando com amigos para irmos jogar bola no terreno da Prefeitura, próximo de onde morava, ainda na cidade de Camaragibe, um homem bêbado dormia na rua. Um dos meus colegas jogou-lhe uma pedra e eu perguntei: "Se fosse teu pai, tu gostaria que isto estivesse sendo feito?" Logo ele se sentiu ofendido, pois seu pai era alcoólatra e eu nem sabia. Ele partiu para cima de mim para me agredir e dei um soco bem no meio do seu nariz. Sangrou muito e foi aquela loucura. Senti isso em 1994, na candidatura de Lula com o ex-presidente e então senador Fernando Collor, com o golpe dado em nossa República. Já na juventude, aos 20 anos, conheci uma menina e começamos a namorar. Seu pai fazia parte do movimento sindical do nosso estado. Com isso, pude ter acesso a livros. O primeiro que ele me deu para ler foi a "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, de Friedrich Engels . Para mim, foi um vislumbre. Comecei a ganhar livros que foram dele no passado, quando da fundação dos sindicatos e do Partido dos Trabalhadores em nosso estado. Comecei a conhecer outras pessoas que faziam parte do movimento político, até que apareceu a oportunidade de me candidatar a uma vaga em um projeto de qualificação profissional. Passei nas etapas seletivas e fui trabalhar como Apoio Administrativo, num projeto financiado pelo governo federal em parcerias locais com sindicatos, municípios e empresas privadas. Com o fim do projeto e a mudança de governo, para não ficar desempregado, passei a trabalhar no sindicato, onde surgiu a oportunidade de desenvolver um projeto de qualificação profissional em informática nas comunidades carentes no entorno do Recife, com o apoio da prefeitura e de entidades privadas. Nesse mesmo momento, conheci jovens que militavam nos DCEs de suas faculdades e me interessei pela militância na minha cidade. Até hoje mantemos contato, pois todos, de uma forma ou outra, estão na militância política. Esta é minha mudança social. A partir daí nada mais foi o mesmo. Passei a enxergar com outros olhos a vida que me circundava e circunda. Quando, após um período de dificuldades que a própria vida nos impõe, comecei a reaver um contato que há muito não via. Começamos a estreitar o contato e cheguei a conhecê-lo melhor, visitei a comunidade onde esta pessoa mora. Foi um elo entre mim e a comunidade. Há tempos venho imaginando uma maneira de desenvolver atividades ali, atividades que norteiem novas esperanças para a realidade presente. Comecei assim a me sentir responsável pela mudança que poderá sofrer esta comunidade com minha colaboração. Isto já é muito bem aceito pela comunidade. O caminho já está sendo traçado, estou desenvolvendo atividades junto com minha mulher na comunidade. Ela, como tem formação em matemática, uma formação pedagógica, contribui muito para as oficinas para as crianças na comunidade. Oficinas políticas, pedagógicas, de conscientização da preservação do ambiente em que vivem, incentivo à leitura. Abordamos temas como os altos índices de natalidade entre jovens e adolescentes, a redução de danos ligados ao alto consumo de drogas que aflige a comunidade. Poucos são os que estudam, porque nem todos sabem ler. A colaboração da família tem papel fundamental no desenvolvimento. Estou em contato com outras pessoas que tenham o mesmo comprometimento com idéias que norteiem o desenvolvimento de comunidades e a busca de melhorias na qualidade de vida. Alguns já estão se comprometendo e apresentando propostas. Já sentimos necessidade de uma estrutura na comunidade, só que nem tudo pode ser feito. É difícil tocar tudo isso sem ter, eu mesmo, uma estrutura. Mas desistir jamais.
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