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Divino, Zé Pretinho! Quarenta e oito anos de INPE

História de: José Divino de Souza
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/04/2019

Sinopse

José Divino de Souza nasceu no dia 02 de junho de 1947, na cidade de Francisco Sá, norte de Minas Gerais. Relata que teve uma infância pobre, e se lembra bem que pairava sobre os moradores o medo da doença de Chagas. Foi o dinheiro recebido de um bolão na Copa do Mundo de 1962 que permitiu ele que viesse para São Paulo. Depois de muitas histórias na capital, mudou-se para São José dos Campos (SP) onde entrou no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), antiga Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CNAE), no dia 07 de janeiro de 1970, às 8:42 da manhã. Trabalhou 48 anos na instituição, colecionou histórias, amigos e lembra de sua participação como funcionário e integrante do UTI – Universitários do Teatro do INPE, com o personagem Zé Pretinho.

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História completa

Eu trabalhei 48 anos no INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Pelo tempo de serviço prestado, sei que a minha meta já foi cumprida dentro da instituição. Eu agradeço a oportunidade.

 

Tive uma infância muito sofrida, vivida numa cidade muito pobre, onde nós tínhamos problemas com muitas enfermidades, como a doença de Chagas. Eu vim a descobrir que a doença de Chagas é uma infecção que vem de uma picada de um inseto chamado barbeiro, e que foi descoberta aqui na região do estado de São Paulo. Qual laboratório eu não posso me comprometer em dizer, mas nós tivemos o privilégio de algumas pessoas que passaram por isso, passarem por um instituto em São Paulo, o qual eu também participei, mas eu não tive essa enfermidade. Foi comprovado pelos exames que eu não tinha essa enfermidade. E as pessoas que tiveram essa enfermidade, infelizmente já faleceram. A pessoa que me indicou para a instituição, ela também já é falecida, mas também não tinha essa enfermidade.

 

A minha vinda para São Paulo foi privilegiada em ganhar a Copa do Mundo de 1962. O último jogo da Copa foi Brasil e Tchecoslováquia, que muitas pessoas falavam o nome errado, e eu acredito que esteja falando o nome certo. Eu ganhei o bolão da Copa do Mundo e tive o privilégio de chegar a um tio meu, que já morava aqui no estado de São Paulo, ele estava visitando nossa cidade e eu tive o privilégio de vir com ele de Francisco Sá para São Paulo.

 

Eu tinha um sonho de conhecer o Pacaembu. Com três dias de São Paulo, eu tive o privilégio de passar na frente ao Pacaembu. E eu tenho isso na minha mente até hoje, todos os jogos da Copa do Mundo de 62 escritos nas pilastras, nos pilares da entrada do estádio, ver a concha acústica... Depois veio o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, também quero conhecer o Morumbi. E o Pacaembu, eu já conheço pelo menos a entrada.

 

Eu vim para São Paulo porque na minha cidade não tinha... Eu morava com os meus padrinhos, meu padrinho era potiguar, de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e a minha madrinha era mineira, da cidade de Francisco Sá, que até então era um nome novo da cidade. Os meus padrinhos já são falecidos, a minha madrinha morreu em Montes Claros, e o meu padrinho também faleceu em Montes Claros. Eu fui criado com uma menina que a minha madrinha criava, então eu era o filho homem dos meus padrinhos. E essa menina era sobrinha da minha madrinha direta, como familiar. Foi a vida que eu tive quando criança. Vivi muito tempo com eles e fui aprendendo um pouquinho. Até que um belo dia eu tive a oportunidade de conhecer São Paulo e vim para São Paulo nessa época, em 1962, após a Copa do Mundo de 62. Eu tinha dinheiro para poder vir para São Paulo e vim com esse dinheiro. E a cada três meses, eu mandava dinheiro para os meus pais em Minas.

 

Trabalhava em posto de gasolina. Lá em Minas, eu já trabalhava com os meus padrinhos em posto de gasolina. Só tinha um posto na cidade, só depois que apareceu outro. Era um posto da Atlantic na época, depois apareceu um posto da Esso na cidade. Recentemente eu estive por lá, mas nem tive a oportunidade de passar aonde era, porque está tudo diferente. O tempo da minha infância em que eu trabalhei em posto de gasolina, se existe hoje, eu já não posso dizer para vocês. Onde foi o posto, está muito diferente. Nós tínhamos as ruas onde andavam os casais do passado, e hoje é uma rua diferente, muito diferente do que era.

 

Eu comecei a trabalhar aos oito, nove anos de idade. Porque a dificuldade obrigava a gente a fazer alguma coisa. Na cidade mesmo, não tinha muito o que fazer. Era uma cidade pobre. Era conhecido na época como filho de Antônio e de Eva. A minha mãe era Eva beiçuda, uma negra, e o meu pai era Antônio Taioba, porque ele era de uma cidade chamada Taiobeiras. Ele tinha as forças e as expressões de vida dele, e a minha mãe era dona de casa. Infelizmente, as circunstâncias da vida a obrigavam a ser mãe a cada um ano. Então, meus pais tiveram oito filhos, e dos oito filhos, eu fui um dos sobreviventes. Hoje estou com 64 anos de idade, não nego a minha raça, sou mineiro mesmo, daquele que ainda falo “uai, sô” e “como vai?”, e estou vivendo os meus momentos bons.

 

Quero agradecer muito o pessoal do Sul do Brasil, mais especificamente de São Paulo, no estado. Muitas controvérsias, eu tenho problema sério com dependência química do álcool. Hoje estou sóbrio, sabendo o que estou falando. Antes também eu sabia, mas eu não tinha crédito.

 

Tinha dia que eu não podia falar com vocês. Um momento como esse, eu expressava o meu sentimento, exalava o odor do álcool. E não foi uma vez, nem duas, que eu entrei aqui bêbado. E até hoje eu agradeço muito, porque teve um belo dia que alguém me levou para uma clínica onde falava sobre a dependência do meu alcoolismo, e eu aceitei. Eu preciso aceitar. Eu tenho uma doença incurável, de consequências fatais. E eu agradeço muito às pessoas que estão me auxiliando, o meu filho, a minha esposa, e a outra família que eu tenho, minha primeira família, que são vocês. Essa família externa é a que está muito mais próxima de mim. Porque as minhas pequenas dificuldades lá fora, todas vocês correm e me dão a mão, então, eu não tenho condição de ficar sofrendo lá fora hoje.

 

Lá em São Paulo, eu tive dificuldade de estudar, porque eu não conhecia muito a capital. Até que um belo dia a minha tia falou para mim o seguinte: “Você precisa se expor aprendendo. Você não sabe ler?”. Eu falei: “Eu sei ler alguma coisa, mas eu tenho medo de sair por aí e me perder”. Ela falou: “Olha, quem tem boca vai a Roma. Mas aqui você não vai para Roma, você já está em Roma, você vai mexer nas ruas, você vai andar nas ruas de Roma. Você não é analfabeto, você sabe onde você mora. Você vai falar onde você mora e a pessoa vai indicar para você um ponto de ônibus, onde você possa pegar um ônibus e se locomover, ou ir aonde você precisa”. Eu comecei a fazer. Numa cidade como São Paulo, você tinha que se virar para fazer o que você precisava fazer. E eu não precisava fazer, eu tinha que fazer. Chegou uma hora que tive que me expor, e comecei a trabalhar, saía do meu bairro, ia para Santo Amaro, e de Santo Amaro eu corria para outra região. Eu tinha duas saídas: eu ia pela Francisco Morato para ir até o bairro do Campo Limpo.

 

Eu morava no bairro do Campo Limpo, onde é a Avenida Campo Limpo. Tinha a Metafio, que era uma das grandes empresas de eletrônica de São Paulo, de elétrica, não lembro bem. E tinha um problema, eu sempre bati muito no problema de cultura. Eu sempre tive muita dificuldade com cultura, porque na minha cidade eu não tinha tempo para estudar. Na minha cidade, o problema era trabalho. Eu tinha que sobreviver trabalhando. E eu era uma criança que queria... Moleque não, eu era criança que queria evoluir... Agora, quando voltei à minha cidade, eu voltei para uma cidade totalmente remodelada. Hoje, tem a prefeitura municipal, não sei nem o nome do prefeito atual, eu tenho parentes por lá, mas também não tive tempo de reconhecer todos. Ainda existe a velha ponte, que eu passava por ela, totalmente obsoleta do que foi no passado, onde eu pegava peixinhos, hoje, infelizmente, é um lago onde tem muita sujeira. Então, mudou totalmente a minha vida. Mudou da água limpa para a água suja e não tem como contornar essa situação.

 

Eu vim desenvolver um pouco mais do meu conhecimento aqui dentro do GOCNAE (Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais), que hoje é o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Por quê? O doutor Mendonça, o doutor Fernando de Mendonça, para ser mais preciso, ele era uma pessoa que gostava de ver as pessoas evoluírem, e como eu tive muita amizade com ele, trabalhando na residência dele antes de vir para o GOCNAE, o doutor Mendonça me deu a oportunidade de fazer um curso de primário aqui dentro do INPE.

 

Quando eu vim de São Paulo para cá, eu vim com dificuldades devido aquela catástrofe que teve em São Paulo. Vou falar catástrofe, não sei qual é a palavra correta. Houve um problema de deslizamento de serra em Caraguá. E eu aqui, apavorado, eu estava morando em São Paulo na época, eu vim de São Paulo, estava morando no Bairro do Ferreira na época, o pessoal falou para mim o seguinte: “Está acontecendo um acidente lá no lado de São José dos Campos, Caraguatatuba, São Sebastião. Você conhece essa região?”. Eu falei: “Eu não conheço”. Eu me propus a vir até São José dos Campos, que até então, meus pais estavam morando aqui em São José. Quando eu cheguei a São José dos Campos, eu encontrei uns familiares que eram da região do norte de Minas, uma cidade chamada Almenara. E nessa situação, eu fiquei sabendo que meus pais de vez em quando mantinham contato comigo, mas não era bem telegrama, era uma carta, muito mal escrita, que eu também tinha dificuldade para ler, e pedia para as pessoas lerem para mim. Uma senhora falou para mim: “Seus pais estão com dificuldade”. E eu me propus a vir para São José dos Campos.

 

Quando cheguei aqui, procurei alguém com o nome da nossa cidade, o senhor Manoel Antônio dos Santos, que era um dos funcionários na época da CNAE, seu José Aleixo. Encontrei com esse pessoal, falou: “Mas seus pais estão em Ilhabela”. Eu me propus a ir para Ilhabela. Mas quando eu cheguei à cidade, não tinha mais ônibus, para Ilhabela principalmente, que fiquei sabendo que tinha que atravessar o mar. Assim, fui até Paraibuna. Quando cheguei a Paraibuna, eu me locomovi até o pico da serra. Quando cheguei ao pico da serra, eu desci o pico da serra. Estava de noite, e comecei a descer o pico da serra. Quando eu estava na metade da estrada, ou na metade da serra, que eu pensei: “O que eu estou fazendo? Eu estou me sujeitando a morrer aqui”. A hora que eu menos esperava, caía aquele aguaceiro, era madeira, eram árvores caindo. E caíam árvores em todas as... E começou a rodar. Quando eu cheguei embaixo, na serra, que eu saí da serra, que eu cheguei, tinha polícia rodoviária na entrada da cidade. Eu comecei a tentar fugir da polícia, mas como eu não conhecia muito aquela região, quando eu olhei, falei: “O que é isso aqui?”. Falou: “É a cidade de Caraguá. Mas aonde você vai?”. Eu falei: “Eu quero ir para Ilhabela”, “Mas você tem parente em Ilhabela?”. Falei: “Tenho parente em Ilhabela. Eu sei que meus pais moram em Ilhabela”. E a minha mãe, até então, queria saber onde eu estava, mas na realidade eu estava em São Paulo.

 

Quando eu saí com destino à Ilhabela, quem me ofereceu a oportunidade de saber o que estava acontecendo, essa... Foi na época que a Nossa Senhora de Aparecida, não falando de religião, estava recebendo a Rosa de Ouro do Vaticano. E o bispo de Aparecida, ele ficou incumbido de falar com Dom Paulo Evaristo Arns, de São Paulo, para eles determinarem as cidades que Nossa Senhora de Aparecida iria fazer a trajetória com a Rosa de Ouro, e Caraguatatuba foi uma das cidades.

 

Eu cheguei a Caraguatatuba, eu tive que ir para São Sebastião, ao passar naquelas estradas indo para São Sebastião, que eram mão única... Eu fui até São Sebastião. Mas para sair da cidade para ir para São Sebastião eram estradas simples. E tinha uma fazenda chamada Fazenda... Não lembro bem o nome da fazenda, sei dizer que era alguma coisa ligada ao governador do estado de São Paulo, que era o senhor Ademar de Barros, que é o bairro chamado Porto Novo. Passava por cima da ponte do Rio Porto Novo e com destino a São Sebastião. Ao chegar a São Sebastião, já era tarde da noite. Como eu não conhecia nada, eu falei: “Como eu faço para ir para Ilhabela?”. As pessoas me disseram o seguinte: “Olha, para ir a Ilhabela hoje... Aonde você vai em Ilhabela?”. Eu falei: “Eu não sei. Eu estou procurando uma família lá. Eu sei dizer que eu tenho um irmão que se chama Vanderlei Pereira de Souza. Eu sei dizer que ele trabalha em Ilhabela, agora, onde, eu não sei”, “Mas a Ilhabela é grande. A ilha é uma ilha. Tem vários nomes. Tem Bairro do Portinho, tem Bairro da Feiticeira...” – e foram citando os nomes. Eu falei: “Mas eu não conheço nada, estou chegando de São Paulo”.

 

Eu me hospedei num hotel chamado Hotel Roma. Cheguei a esse hotel, na praça principal de São Sebastião, e perguntei para ele o seguinte: “Eu tenho condição de pousar por aqui hoje, mas eu preciso ir para Ilhabela”, “Ah, mas hoje não tem mais balsa para Ilhabela. A primeira balsa sai da Ilhabela às cinco e meia da manhã e volta por volta das seis horas da manhã, aí ela começa a fazer o perímetro. Quando uma balsa está no meio do canal...” – eu não sabia o que era canal – “... a outra está chegando do outro lado da balsa”. Foi quando eu fui para o porto. Ao entrar nessa balsa, eu me deparei com um senhor que me olhava demais. Aquele homem me olhava, e eu pensava comigo... E eu com uma caixa de roupa, que eu não tinha mais o que fazer, minhas roupas estavam numa caixa. Não tinha nem noção de onde estava. Aonde eu vou? Fui para o centro de Ilhabela. Quando cheguei ao centro de Ilhabela, encontrei com um pessoal tocando cavaquinho, aquele negócio todo, e perguntei: “Vocês não conhecem ninguém com o nome de Vanderlei? Vanderlei Pereira de Souza?”. Falou: “Não”. Aí tem uns rapazes que trabalham no Hotel Ilhabela, mas no Hotel Ilhabela, nem é bom você ficar ali nas imediações, porque o dono do hotel é muito exigente, dependendo da pessoa que está parada ali, ele é até capaz de chamar a polícia e mandar conduzir a pessoa para outra área”. Falei: “Mas como pode ser assim?”. Voltei, passei em frente à esse hotel, voltei, e perguntei para o rapaz que estava em pé: “Você não conhece ninguém com o nome de Vanderlei?”, “Tem um rapaz aqui que a gente chama de Fefeu, mora no sul da ilha”, “Não, é que eu estou procurando uma pessoa que é do norte de Minas, que mora aqui na Ilhabela, mas eu não sei o nome que dão a ele aqui. O nome dele é Vanderlei”, “Ah, deve ser uma família de mineiros que mora lá no sul da ilha, a mãe chama Eva e o pai chama Antônio? Por sinal, eu não quero falar mal da pessoa, a pessoa tem problema sério com bebidas?”. Eu falei: “Não sei”. Foi quando eles falaram: “Esse Vanderlei trabalhava aqui, mas infelizmente não trabalha mais”. Mas daqui lá no sul da ilha - porque lá se fala norte e sul - do outro lado da ilha tem Bonete, tem vários lugares, Pedra do Sino, que diz que tem um lugar em Ilhabela que você bate numa pedra lá, é a mesma coisa de um sino. Aí ficou: “Mas tem muito inseto aqui chamado borrachudo. Você deve passar alguma coisa no corpo, porque esse bicho, na hora que ele começar a picar você, pica muito mesmo. Tem pessoa que até passa mal com isso, aí tem que ir para o médico.”

 

Eu comecei a caminhar atrás disso. Voltei aonde? Voltei lá ao hotel que eu fiquei em São Sebastião à noite. Cheguei lá, falei para o cara... Eu chorava de vontade de ver meus pais. Eu falei: “Não, eu tenho que ir lá no sul da ilha”. O cara falou: “Eu vou te dar uma dica. Lá no sul da ilha não tem condução. Tem hotel que você pode ficar, mas é muito caro. Os caras lá cobram talvez até pela aparência. Não quero falar mal, mas talvez a sua aparência não seja aqui... E você com essa caixa na mão, você está se condenando, cara. Você vai devagar, devagar com a dor, que seu santo não vai fazer muito milagre, não”. Eu falei: “Não, mas hoje eu vou dormir aqui, eu estou muito cansado”.

 

Ele tinha uma lancha que fazia o perímetro do centro da ilha até São Sebastião novamente. Desci no cais, dormi lá novamente, aí o cara falou para mim... Hotel Roma, no centro de São Sebastião. Dormi no hotel, mas estava tão cansado que não sabia mais nem o que fazer. No dia seguinte, eu levantei cedo e falei para o zelador do hotel lá: “Olha, me chame cedo” “Não, na hora que a balsa for sair. O senhor vai lá para ilha?”. Falei: “Vou. Eu preciso encontrar. Não preciso, eu tenho que encontrar os meus pais. Os meus pais moram no sul da ilha”. Ele falou: “Chega lá, você faz o seguinte: chega e fala que você quer ir à Praia do Curral. Tem o Perequê, tem vários lugares. Mas você acha que você deve ir para onde?”. Eu falei: “Ah, eu quero ir para essa Praia do Curral. Entre mortos e feridos, alguém tem que sobreviver. Eu vou para essa Praia do Curral”. Quando eu entrei na balsa, rapaz, tinha um cara que me olhava, esse cara me olhava, olhava, olhava, ele me olhava assim como se... E eu pensei comigo, só pensa coisa que não presta, falei: “Que será que esse cara me olha tanto?”. A balsa parou lá no porto, do outro lado da ilha, eu peguei a minha caixa, ele chegou e falou para mim assim: “Oh, você. Você”. Eu falei: “O que tem eu?”. Ele falou: “Deixe-me fazer uma pergunta para você. Você não é filho da dona Eva? Você não é filho da dona Eva com o seu Antônio? Irmão do Vanderlei?”. Eu falei: “Eu sou irmão do Vanderlei, sou filho da dona Eva com o seu Antônio. Por quê?”. Ele falou: “Olha, o meu nome é Benedito, eu conheço a sua mãe e o seu pai”. Eu falei para ele assim: “Quanto você quer para você me levar lá?” “Não, não, a sua mãe chora por sua causa. Você não é o José Divino?”. Eu falei: “Eu sou o José Divino. Ou Divino, como você achar melhor”, “Eu levo a sua caixa, e não cobro nada. Só de ver a sua mãe chorar por você, a sua mãe chora todo dia por você. Ela está te esperando. E hoje vai ser o dia em que eu vou ver a dona Eva muito feliz. A dona Eva é como se fosse minha mãe, é a nega do cabelo liso”.

 

Minha mãe tinha o cabelo muito liso. O cara me ajudou a levar a caixa. De vez em quando eu queria pegar, ele: “Não. Isso aqui é minha obrigação”. E eu pensando o contrário, com medo de ele correr com a minha caixa e me deixar. Eu tinha as minhas roupinhas de elite da minha vida, eu era meio enjoado, eu tinha os meus ternos, aquele negócio todo, e eu tinha dinheiro. E com dinheiro no bolso, mas meu dinheiro não ficava no bolso, meu dinheiro ficava embaixo da minha meia. Botava a meia, botava o dinheiro antes da meia, botava o dinheiro embaixo, que para o cara tirar meu dinheiro, tinha que tirar meu sapato, minha meia e chegar ao meu dinheiro. E até chegar ao meu dinheiro, eu dava um tapa na orelha dele e pegava meu dinheiro de volta. Era a lei da minha sobrevivência.

 

E o cara me levou à casa da minha mãe. E meus pais... A hora que eu cheguei a minha casa, para minha grata surpresa, ele falou: “Fica aí”, “Mas o que o senhor vai fazer?” “Fica aí, rapaz”. Tinha uma cachoeira linda, eu não sabia nadar, como até hoje eu tenho medo de água no copo. Fiquei naquela. Ele falou para mim: “Fica aí, mas não vá se assustar, não. Oh, dona Eva”. Minha mãe saiu: “Oi, Benedito”, “E o filho da senhora, como ficou? Esse menino não vai vir para cá, não? A senhora fala desse menino todo dia, mas esse menino nunca...”, “Ah, meu filho é um filho meio caolho” – eu tenho um desvio mesmo no olho – “Meu filho é meio caolho, mas é muito gente boa. Eu estou morrendo de saudade” – e começou a chorar. Até hoje, quando eu falo isso, eu tenho vontade chorar.

 

Sofrimento da família... que tinha um irmão pequeno, eu tinha uma irmã pequena na época, outra que já era casada forçadamente, não sei por que, o marido na época forçou a menina a se casar com ele, como eles não tinham muita noção, todos eles semianalfabetos, como eu... Vocês pensam que eu tenho uma grande cultura? Meus melhores professores ainda vão chegar. A lei da minha sobrevivência é o amanhã, porque o hoje, eu já estou vivendo. E é muito importante este momento na vida. Vocês não sabem o quanto eu sou grato a Deus... Eu não devo falar de religião, mas vocês não sabem o quanto eu sou grato a Deus por me dar essa oportunidade de falar da minha vida hoje, dessa instituição, desse restaurante, que tinha dia que comia aqui, morrendo de vontade de levar um pouco para a minha mãe escondido, ou querendo comprar, que ele não vendia para levar para fora, que eu sabia que a minha mãe não tinha lá. Saía daqui correndo, passava num bar e comprava pão com mortadela para levar para minha mãe, para ela comer. Isso não foi uma, nem duas vezes, até chegar o meu alcoolismo. Porque no meu alcoolismo, eu aprontava. Eu ia à cidade, pegava... Ali no Santa Helena, eu chegava lá, falava: “Faz tantas marmitas”. Trazia. Vinha de táxi trazer comida para a minha mãe.

 

Minha mãe ficou muito agradecida com tudo que eu fazia na hora em que ela mais precisava. Quando começou em São José dos Campos, a retransmissão da TV UHF, eu me propus a aprender a comprar antenas de televisão. Então eu ia a uma fábrica aqui na Eugênio de Melo chamada Amplimatic, eu fui lá e eu sabia quanto custava uma antena de televisão, que era VHF. Na época, ainda era VHF. Depois que veio o UHF, na época do Brigadeiro Sérgio Sobral, que foi indicado como prefeito de São José dos Campos pelo governador de São Paulo, governador Abreu Sodré. Ele foi indicado como prefeito do Vale do Paraíba. Porque no Vale do Paraíba nós tínhamos um problema muito sério de interligação com Campos do Jordão com problemas de... Uma enfermidade que eu não sei se o nome tá certo, vocês me corrijam se for preciso, ou na entrevista vocês fazem o nome correto, era tuberculose. Então tinha muitas pessoas... O primeiro local era aqui em São José dos Campos. Depois que essas pessoas eram... Como se diz? Eles eram indicados que tinham a doença e iam para Campos do Jordão, onde passavam um tempo, para depois voltarem para seus devidos estados, ou cidades. E era o Vicentino Aranha, aqui em São José dos Campos, que eu não me lembro agora, tinha um instituto aqui que era coordenado por um padre do Vale do Paraíba, ou veio indicado para Vale do Paraíba.

 

Eu fiquei bem-conceituado em São Paulo, porque eu tive a oportunidade de trabalhar na Rua Butantã, onde tinha uma empresa chamada Ressolex, que mexia com negócio de integração com pneus de carros, caminhões. Eu era conceituado em posto de gasolina, porque lá na minha cidade eu conhecia. Como eu mexia muito lá em Francisco Sá, quando eu cheguei a São Paulo eu queria trabalhar em posto de gasolina, porque eu conhecia e fazia tudo o que precisava, de pneu de carro, até... Não de caminhões, que eu ainda não tinha toda essa vitalidade para trabalhar com caminhões, mas eu conseguia mexer em carro, até o motor do carro eu conseguia mexer, com troca de óleo, essas coisas todas. Fui me envolvendo naquilo. Na Rua Butantã eu comecei. Passava no Rio Pinheiros, na ponte do Rio Pinheiros, chegava ali no Largo do Jóquei, eu ia, pegava a Francisco Morato, do lado direito eu pegava a Vital Brasil, e fui conhecendo. Sem querer, querendo, eu fui conhecendo. Um belo dia, eu saí, peguei a Francisco Morato a pé, falei: “Eu vou até o Taboão da Serra, quando chegar ao Taboão, eu vou para Campo Limpo”. Dali eu ia para o Paraná, que na época se chamava BR-2, hoje eu não sei o nome. Eu fui para Campo Limpo e comecei a fazer aquela trajetória a pé. Sábado e domingo, eu não tinha nada para fazer, eu pegava aquela avenida e saía. Passava pelo Bairro do Caxingui, passava pelo Bairro do Ferreira, Vila Sônia. E fui. Até então não tinha tanta agressão física, como tem hoje. E fazia as trajetórias ali a pé. Sábado e domingo, eu não tinha muito o que fazer. Mas eu botei como meta fazer alguma coisa, polir carro, aprender, eu sabia polir carro.

 

Depois comecei a trabalhar no Alto de Pinheiros, aqueles lugares por ali. Quando foi um belo dia, eu passei numa rua, não era rua, era avenida, passei naquela avenida ali, e encontrei o quê? Eu encontrei uma rua, e falei: “Poxa vida, mas não é rua, isso aqui é uma avenida”. Eu saía lá na Praça da República. E comecei a andar por ali, pegar ali o centro, andar pelo centro. Até que eu comecei a andar... Fecha os olhos, você não pode ouvir isso agora, não. Andava na rua que eu não devia andar; Rua Aurora, aqueles lugares por ali. Um belo dia, eu passando por aquela rua ali, um cara falou: “O que você tá fazendo aqui?”. Eu falei: “Eu estou andando. Eu não sou daqui, eu estou conhecendo as ruas”, “Mas você vem conhecer exatamente essa rua?” - Rua Aurora, Rua dos Gusmões – “Isso aqui não é rua para criança andar, não”. Eu falei: “Mas eu não sou criança assim não, rapaz, já tenho 16 anos”, “Ah, você tem 16 anos e pensa que é dono de si? Some daqui. Some daqui”. Aí que eu vim saber onde era a Rua dos Gusmões, que era a rua das perdições. Criança de tudo, não sabia, não tinha a liberdade de saber o que era ainda uma vida conjugal. Saí, falei: “Eu só não vou andar por aqui”.

 

Um belo dia eu passei em frente a TV Excelsior. TV Excelsior, canal nove. Passei, olhei: “É aqui o canal nove? É aqui que faz apresentação de televisão?”. O guarda olhou para mim: “Sim. Por quê? Você é da televisão?”. Eu falei: “Não. Não sou da televisão. Eu queria entrar aí”. Ele falou: “Não pode entrar. Tem que primeiro se identificar, chegar ali, falar com a recepcionista” – falou uma palavra bonita, que eu nem tinha noção – “Você tem que chegar ali, se apresentar, e falar o que você é”. Aí: “Eu sou o José Divino”, “Não. Não. Não é assim. Você tem que chegar lá, tirar o documento, apresentar. Porque aí tem uns artistas de nome, renome, tem cantores. Aí aparece Vicente Celestino, Carlos Gonzaga”. E começou a falar. “Carlos Gonzaga, ele foi na minha cidade.”, “Onde é sua cidade?”, “É no norte de Minas. Norte de Minas mesmo, lá depois de Montes Claros.” Comecei a falar meio abaianado, o cara foi dando as dicas: “Olha, você tem que chegar aí...”. Até que um belo dia eu fiquei sabendo que o Moacyr Franco estava procurando uma pessoa para trabalhar na televisão, que ele ia apresentar o Guto, filho dele, e que ele queria uma pessoa para trabalhar com o Guto, mas tinha que ser uma pessoa que já tivesse conhecimento. Eu falei: “Mas eu não conheço nada”. Um belo dia, cheguei lá na TV Excelsior e procurei me informar direito o que eu precisava para falar com o Moacyr Franco. O cara falou para mim: “É só abrir a boca”. Eu falei: “Não entendi”, “Só abrir a boca e falar com o Moacyr: oi, Moacyr”. Eu falei: “É só falar ‘oi, Moacyr’ e tá atendido?”. Falou: “Não, eu estou brincando com você”. Eu falei: “Não...”. Aí eu falei para a moça que estava em pé assim: “Oh, moça, para falar com o Moacyr Franco...”. Ela falou assim: “Eu não sou informações”. Eu falei para ela: “Mas o que é isso? O que é informações? Eu estou querendo saber do cantor Moacyr Franco. Ele está procurando uma pessoa para trabalhar com o filho dele. Não tem um menino dele que vai começar aí na televisão, aparecer na televisão? Se ele chegar, abrir a televisão, entrar, aí aparece lá do outro lado?” , “Não, você não está entendendo, eu não sou informações. Você tem que falar com a pessoa devida”. Tinha uma moça sentada lá: “Oh, Íris, não faça isso. Não passa informações assim”. A pessoa veio falar comigo: “O que você está precisando, amigo?”. Falei: “Não, eu estou querendo falar com o Moacyr Franco. Essa moça aí, não é ela que é a Íris Brussa?”, “Não. Não é Íris Brussa, é Íris Bruzzi o nome dela, é uma atriz. E ela pode até passar informações, amanhã ela pode até ser uma pessoa ligada a você. Quem sabe você vem e vai ser uma pessoa de nome ou renome”., “O que é nome?”, “Uma pessoa que chega, se apresenta, se dá bem, e tem um renome num futuro próximo, como ela falou, o Moacyr Franco. O filho do Moacyr vai apresentar. Mas ele vai apresentar como o pai dele que é artista, é cantor e é humorista. Aqui nós temos vários humoristas. Nós temos várias pessoas que fazem humor”., “O que é humor?”, “É tirar o sorriso das pessoas”.

 

Começou a falar, falar, falar, não entendi. “Mas eu posso, então, falar com o Moacyr?”. Falou: “Eu vou marcar uma hora, você vem”. Três dias depois, eu estava com uma enfermidade odontológica, o meu rosto foi crescendo, crescendo, e eu com uma dor de dente tremenda e não conseguia nenhum dentista que pusesse a mão na minha cara. Eu chegava a um consultório odontológico, o cara: “Você volta tal dia”. Eu: “Mas está doendo. Está doendo”. Eu não conseguia comer, não conseguia dormir. Minha tia falou para mim assim: “O que você vai fazer”. Eu falei: “Eu não sei”. Morando em São Paulo. Eu com a cara desse tamanho... “Lá em Minas, doutor Euler já teria arrancado”, “Não, se é no doutor Euler, não pode arrancar assim”., “Você vai voltar lá no brejo? Você fala muito desse brejo”, “É o que eu tenho para falar”.

 

Eu fui com tanta dor, com tanta dor, que eu não tinha mais o que fazer. Parece que tinham me praguejado, sabe? Eu olhei bem de um lado, olhei do outro, olhava de um lado, olhava do outro, eu não tinha mais o que fazer. Uma dor de dente, doía tudo, doía o pescoço, doía tudo. Eu cheguei, encontrei uma caixa de ferramenta do meu tio, mas não perdi tempo. Não perdi tempo. Cheguei, olhei assim, tinha um alicate, eu ajoelhei, peguei aquele alicate assim: “Seja o que Deus quiser. Ah! Arranquei”. A hora que eu dei por mim, que a minha tia olhou para mim: “O que é isso?!” “Eu arranquei o dente. Arranquei o dente”. Mas com o rosto desse tamanho. Desculpa a expressão, parecia uma bunda de criança recém-nascida, desse tamanho. “Você está louco?! Você está louco?!!”. E ela começou a chorar de nervosa. E queria me levar, me levar para o Pronto-Socorro Iguatemi, lá em Pinheiros, ao lado da Rua Cardeal Arcoverde. Levaram-me lá, passaram um medicamento: “Mas você tem que passar num dentista o mais rápido possível, isso pode inflamar. Isso pode até dar óbito”. Eu falava: “O que é óbito? O que é óbito?”, “Você pode morrer”. Não sabia nem o que era óbito. E aí foi a minha vida, sem noção do que eu estava fazendo.

 

Um belo dia eu estava passando em frente ao prédio do Beto, e aqui tinha um cidadão chamado Hidelbrando, que era irmão do Manoel, que trabalhou com o pessoal do balão. Seu Manoel já é falecido. O Hidelbrando já não faz mais questão de vir ao Jardim da Granja. Eu estava passando em frente ao prédio do Beto, o Hidelbrando, que a gente chamava de Deba, falou: “Oh, Zé Divino”. Eu falei: “Oi, Deba”, “O seu Graça quer falar com você”. Eu estava bem em frente, no final do prédio do SERE. Eu falei: “Mas você é sem graça, né? Você pede para o Divino falar com o Graça. Que negócio é esse? Que palhaçada é essa? Divino falar com Graça na Pesquisa Espacial”. E tinha mais duas pessoas conversando em frente ao prédio do Beto. O Deba olhou para o cara e falou: “Oh, seu Graça, o rapaz que eu falei para o senhor é esse aqui, o Zé Divino. Não é José, não, é Zé mesmo”. Seu Graça me olhou: “Bem-vindo, rapaz. Bem-vindo. É você o meu Zé Pretinho”.

 

Eu não sou branco mesmo, eu sou pretinho. “Então, eu estou precisando de um Zé Pretinho.” Só que o homem começou a chorar. Esse Graça aí é o Henrique Lobo, eu não conhecia, eu conhecia da televisão, mas nem prestei atenção. Ele falou: “Vem aqui, me dá um abraço. É você o rapaz que eu estava precisando. O Hidelbrando está me indicando a pessoa mais importante... É a terceira pessoa mais importante da minha vida. “Você vai ser o meu Zé Pretinho, que é o malandro do morro. Por favor, suba comigo.” E nós subimos até o primeiro andar, onde era a diretoria do Projeto SACI. Eu abri uma porta, por acaso, era a sala dele e a do Henrique Lobo. Só que a hora que ele entrou, ele falou: “Lobo, eu encontrei o meu Zé Pretinho. Espero que dê certo. Só está faltando a Marília Pera, que eu não vou ter. A Marília Pera está na vida, mas eu tenho o Pindura Saia na minha cabeça, escrito e vivido. Aquela favela... - Hoje não se chama mais favela, é comunidade - Aquela favela daquele morro, do Pindura Saia, ela está na minha cabeça. Eu vejo as roupas estendidas da favela. E esse aqui é meu Zé Pretinho”. E me abraçou: “Você vai me ajudar. Eu tenho certeza de que nós vamos fazer. Porque o Alvinho faleceu, e eu preciso de um Zé Pretinho, e o Hidelbrando me falou muito de você. E eu tenho fé que isso vai dar certo”., “Mas eu não conheço o programa dessa peça”. Ele me deu um script, papel pardo: “Lê aí para mim”, “Eu não sei nem ler direito, senhor. Como é mesmo o nome do senhor?”, “Meu nome é Graça Melo, mas fala Graça. Leia aqui para mim, as primeiras frases aqui”. Falei: “Eu sou meio ruim de... Eu sou semianalfabeto”. Falou: “Não, mas leia. Eu não estou perguntando da sua personalidade de ler, não.” Então, eu li: “Não vá dizer que a coisa lá embaixo é diferente, de quem vive lá no morro. Nego que mora lá embaixo não tem vida de gente, leva a vida de cachorro”, “Ah, e você não sabe? Imaginou se soubesse? Só que tem um detalhe, agora nós temos que mudar isso aí”, “E como é mudar? Virar ao contrário?”, “Não. Isso aqui tem uma melodia. Eu vou ler para você a meu modo, se você puder acompanhar, quem sabe sua voz é até melhor do que a minha”, e cantarolou: “Não vá dizer que a coisa lá embaixo é diferente de quem vive lá no morro. Nego que mora lá embaixo não tem vida de gente, leva a vida de cachorro. Pindura Saia”.

 

Pindura Saia é o nome do morro. “Aqui nós temos um cara que é bom, ele invade a vida conjugal de outros casais, eles pegam as mulheres bonitas, eles pegam as mulheres feias, eles não querem saber quem é, eles querem o momento deles. E as mulheres vão, porque eles têm dinheiro. Lá tem o sindicalista, que é o seu Matias...”. E fui ver. “Leia isso aqui. Leia a primeira página.” Eu vou agora tomar intimidade. Você tem um crachá de funcionário, que tinha uma carteirinha branca, passei aquele crachá: José Divino de Souza, artífice de manutenção! Olha que nome: artífice de manutenção. Isso trocado em miúdos era um zé ninguém da vida, um cortador de grama. “Eu vou levar isso aqui para o doutor Mendonça. Vamos lá, Lobo, é agora. É agora. É agora. Eu já arrumei o Zé Pretinho. Só não tenho a Marília Pera, o meu filho já é morto - O Alvinho faleceu num acidente na entrada de Jacareí - eu já perdi o meu filho, a Marília Pera já está na TV” - Na época não era Globo, era outro nome a Globo – E o Graça foi lá falar com o doutor Mendonça. E o doutor Mendonça dava toda atenção, ele queria ver o Projeto SACI evoluir.

 

Eu fui faxineiro, tive o privilégio de ser faxineiro, para não ser um vagabundo. Chegava no Inpe e a primeira coisa que nós tratávamos era das toaletes, não podia falar banheiro, era toalete. Chegava, lavava os banheiros das mulheres. E tinha banheiro aqui que tinha azulejo preto. Quando você terminava de lavar, você passava álcool para dar vida ao azulejo. Isso em todos os prédios. Esse prédio aqui, por exemplo, isso aqui era totalmente diferente. A gente tinha que passar álcool nos banheiros. Todos. Dos homens, nem tanto, mas tinha que cuidar da forma que precisava. Depois dos banheiros, nós passávamos para os cinzeiros. Infelizmente, eu sou fumante, eu sei como vocês devem sofrer, quem não é fumante. Então era complicado.

 

Quanto ao Projeto Saci, os editores, por exemplo, o Maicon, ele tinha dificuldade com o português, então ele fazia o trabalho dele em inglês e jogava para o Lubnei, e o Lubnei era o chefe do Projeto Saci. E o seu Jorge de Mesquita era um dos auxiliares do Lubnei. O Lubnei era o homem da paciência: “Seu Mesquita, é o seguinte, o Maicon me soltou aqui um... Ele quer comprar uma bicicleta, ele quer andar pela Avenida Nelson D’Ávila, mas ele tem dificuldade. Mas está tudo em inglês”. Seu Mesquita tinha possibilidade de fazer os dois, ele: “Não, eu vou traduzir isso aqui”. Só que o seu Mesquita traduzia a modo dele, do inglês para português, e vinha aqui no pessoal que era tradutor, que tinha a Marília, doutora Maura, doutora Laurinda, a esposa do Nino, a... Ela era recente aqui, Maria do Carmo. Depois veio a Neusa Bicudo e ficou esse grupo aí. Elas traduziam e traziam para o pessoal. “Não, vamos melhorar isso aqui, não sei o quê, não sei o quê”. Foi quando começou o Carlos Queiroz, que era o chefe da pós-graduação, e depois do Carlos Queiroz veio... O Adélio? Não, o Adélio veio bem depois. Veio o Carlos Queiroz, que era o chefe da pós-graduação, depois veio mais alguém. Ah, veio o Gui. Era o Gui, a Edméia, a Cândida, e depois veio a Cidinha, que é a esposa do Nelson hoje, o Nelson Goulart. Foi mudando da água para a água mesmo. Só que era da água que estava tentando evoluir e começou a se formar as águas limpas. Nos nossos restaurantes aqui tinha roda de samba de vez em quando. Só que ele vinha aqui, falava para o doutor Mendonça: “Doutor Mendonça, nós estamos querendo fazer uma roda de samba”. O restaurante é onde é a sala de estudos agora, o restaurante dois. Quem não queria comer no restaurante um, comia lá no restaurante dois. Eu comi muitas vezes aí.

 

Teve uma época que eles me chamaram para fazer um projeto chamado Projeto SEV e Projeto Integração de Estado para Estado. Então o que eles me trouxeram? O Projeto SEV envolveu a área de agricultura até um acabamento de edifício, com um eletricista, encanador, pedreiro, engenheiro passando as dimensões do que ia fazer. Se começava do alicerce, ou da escavação, para você chegar à planilha de morada. Tudo prontinho. Eles vinham abrindo o solo, fazendo a escavação direitinho, subindo a... Isso era um projeto de construção, como se fazia um acabamento, assentar um tijolo, porque assentava, porque o tijolo tinha que ter uma amarração, um tijolo acaba aqui, o outro começa aqui, então o outro tem que vir amarrando daqui para cá para não haver perda. Se pegar a planilha, por exemplo, pegar essa bandeja aqui, ela não pode ser colocada uma em cima da outra, então você tem que colocar metade, ou um percentual que dá amarração de uma para outra. Você pode colocar 20, uma em cima da outra, e botar numa parte que vai segurando para amarrar. E assim é o projeto de uma construção. Quando você vai fazer a parte de elétrica, você tem que colocar a tubulação conforme o que você vai passar por dentro. Você tem que prever o hoje já pensando no amanhã, que pode haver um aumento nessa tubulação de elétrica. E se você tem uma tubulação de elétrica só para cinco fios energizados, ele tem uma dimensão, e dependendo do tempo que ele fica ali, ele pode condensar uma caloria e pode pegar fogo, é onde acontece de você ter pequenos e grandes incêndios. E colocar os disjuntores com dimensões. Igual, tomada para chuveiro, tomada para elétrica simples, para ligar um rádio, dois rádios, uma televisão, são coisas que não puxam mais energia. A tomada 110 puxa mais energia que a 220, porque o 110, uma face é neutra, e o 220 são duas faces positivas. Então, ele me dá o que eu preciso, ele divide. Duzentos e vinte, ele divide e me dá 50% de 200, de cada fase. Agora, o neutro, ele requer o quê? Ele requer uma atenção, porque é um neutro, ele força mais. Então você pode ver, onde tem um 110 e um 220, a de 220 você pega nas duas fases. Mas se você pegar uma fase e botar a mão na parede, você leva choque. Se você pegar em uma fase só e não encostar em nada, você não leva choque. E se você pegar no neutro então, você não sente é nada, porque não tem nada. Mas se você pegar nos dois, você está sujeito de ficar grudado. Então tem tudo isso. O estudo vem exatamente da forma que você começa. Você começa a escrever o abecedário de que forma? É “A” primeiro. Então é “A”, não é “C”. Mas depois você precisa do “C” para formar uma palavra.

 

Depois do Projeto Saci, eu passei para o setor de telecomunicações. O que significava telecomunicações? Nós tínhamos um rádio que falava com todas as unidades. Então eu fui indicado para fazer o trabalho de transmissão de rádio daqui para Cuiabá, principalmente. Lá no Morro da Conceição, que era... Tinha um bairro lá em Cuiabá, mas não chegava energia suficiente para manter os contatos para cá. Então não tinha parte de telefonia. Nós não tínhamos energia elétrica para fazer o que precisava. O governo de Cuiabá precisou fazer um trabalho de conscientização de levar energia elétrica ali para a base do INPE em Cuiabá, e era longe. Então foi feito um trabalho com o governo de Mato Grosso do Sul, de Mato Grosso, não sei se é Mato Grosso do Sul, sei lá, então eles levaram energia elétrica para lá, porque era um projeto que tinha que trazer a base de dados para onde? Para o INPE de Cachoeira Paulista, que eram as primeiras imagens de satélites.

 

Eu não cheguei a ir para Cuiabá, eu tinha contato com o Geraldo Garcia, que depois fez questão também de nem... Passava na avenida, nem olhava para o INPE. Ele passava olhando para frente. Por que, não me pergunte.

 

Eu tenho um primário feito aqui dentro, deste prédio, inclusive, ali no anfiteatro. O que é o Saci? O primeiro satélite brasileiro não seria de coleta de dados. Isso é o que me explicaram. É isso mesmo? Não seria de coleta de dados, porque as árvores ainda existem, principalmente na Amazônia. Hoje o site tem condição de ver o desmatamento que está acontecendo agora, a essa hora na Amazônia. Quando chegar tarde da noite, ou amanhã cedo, eles vão dizer quanto foi desmatado naquela área, que aquela empresa entrou para desmatar. O que o doutor Fernando de Mendonça botou na cabeça naquela época? O projeto Saci, Satélite Avançado de Comunicações Interdisciplinares. Mas o que ele queria fazer primeiro? Não era levantar as árvores que estavam aqui dentro dessa instituição. Não era levantar as edificações ou as residências que estavam em pé, ou os edifícios que estavam em pé. Não era isso. Ele queria levantar primeiro a sua educação.

 

Aqui nós tivemos Paulo Roberto Martini, o Paulo foi um dos primeiros a mexer com sensoriamento remoto no país. Teve o Romeu Simi, ele trabalhou pela prefeitura de São José através da própria prefeitura fazendo levantamento das vias públicas. Jardim da Granja, eles levantavam edifícios aqui, que eu quero dizer, casa baixa. Teve uma época aqui, que quando você menos esperava, chegava um cidadão com uma máquina retroescavadeira: “A senhora, seu esposo?” “Meu esposo está trabalhando. Trabalha na Petrobras”, “É para a senhora evacuar”. “Evacuar?”, “Nós temos ordem do prefeito para demolir essa casa para construir. Essa casa vai matar todo mundo aí. Essa casa não tem condição de moradia”, “Ah, não, mas meu marido não está aqui”. Aí botava a criançada para dentro, não entra ninguém, nem sai. Era assim. As casas eram muito mal construídas. Tinha casa que não tinha segurança nenhuma, então tinha que demolir, isso porque o prefeito mandava. Teve o prefeito Ednardo de Paula Santos, teve o Brigadeiro Sérgio Sobral de Oliveira, que diz que era o carrasco. Diziam, né, porque eu não podia apontar ninguém. A edificação que o seu Sérgio Sobral fez aqui. Aqui isso aqui. O prédio do CPTEC hoje, que é a antiga meteorologia, que foi a primeira diretoria do Inpe. O prédio do Beta. O SERE, não o SERE II, o SERE, o prédio do computador, essa parte aqui principal do restaurante. Isso aí já foi reformado várias vezes. Ninguém achava a rede telefônica, nós fizemos outra...

 

Eu tive umas namoradas... Eu vou dizer infelizmente, porque você tomar conta da vida de uma senhorita, depois não dá certo... Depois, com o passar do tempo, eu consegui uma que está comigo hoje, que já é avó junto comigo, nós temos 46 anos de casados. E temos já a nossa residência própria. Não é um palacete, mas é o palacete que eu tenho. O nome dela é Arminda Dolores. É a minha heroína. E a pessoa que me ajudou muito, e continua me ajudando. Hoje, quando eu saí de casa, ela falou para mim: “Meu amor, faça o melhor que você puder”. Eu falei para ela: “Olha, a única coisa que eu sei fazer são coisas boas. Ótimas é outro assunto, e na hora que eu voltar, eu devo voltar mais feliz do que estou saindo”.

 

Eu tenho um filho. Ele se chama Juliano Raphael, com PH, hein? Meu filho está na Agência Espacial Brasileira. Eu já sou avô. O nome do nosso neto é Benjamim. É uma criança linda. É uma criança que eu preciso e devo respeitar, porque é uma vida. Se é melhor do que a minha, eu acredito que não seja, eu não sei se ele vai ter oportunidade de escutar um disco do Altemar Dutra, do Zezé de Camargo e Luciano... Antigamente eu escutava um disco do... Queria lembrar o nome do disco que eu tenho em casa, mas eu não estou lembrando o nome do cantor. Ele até fugiu de mim lá no novo hotel.

 

O Juliano é formado em Ciência da Computação. Está com mestrado em Ciência da Computação. Lá com o pessoal. Não sei se o doutor... Quem era o chefe lá era o Zé Raimundo. Eu fiquei sabendo que o professor Zé Raimundo saiu da Agência Espacial Brasileira. Não sei até quando isso está certo. Mas eu fiquei sabendo que ele saiu, se foi mandado, ou se ele tomou rumo, não sei. Mas o Juliano se formou aqui no CEMADEN. Não, aqui com o doutor Raupp. O doutor Raupp um dia me pegou pelo pé, falou: “Oh, Negão, você também está muito folgado comigo”. Eu falei: “O que foi? O que eu fiz?” “Você tá muito... Agora manda um tal de Juliano Raphael trabalhar no CEMADEN”. Falei: “Mas não podia?”, “Ah, poder, podia. Já podia ter mandado antes, porque você merece”.

 

Eu tive um irmão que trabalhou aqui, que está totalmente debilitado. Na minha família, quem não tinha problema de alcoolismo era só a minha mãe, os demais, todos. Todos. Não sobrou nenhum. Meu filho, felizmente, até o presente momento não... A minha esposa, para vocês terem uma base, também vem de uma família com problema de alcoolismo, de vez em quando ela gosta de uma cerveja, e eu não posso me meter. Porque o meu advogado é o álcool. O meu, do José Divino de Souza, é o álcool. Eu sou alcoólatra. Não é porque eu não bebi hoje que eu não sou alcoólatra. Eu tenho que botar na minha cabeça que a minha primeira decadência é chegar aqui: “Oh, é velho barreiro”. Até a garrafa é coisa fina, eu adoro isso. Olha! Mas hoje eu não devo e não posso beber. Eu falo para mim: “Eu não devo e não posso beber”. Eu sou alcoólatra inveterado. Eu sou filho de Antônio Taioba. Não tinha nada que tirar... Meu pai, por causa de uma cachaça, ele ia daqui a Taubaté... Falava: “Antônio, meio-dia e meia você tem que estar aqui”. A hora que você demarcasse ele chegava, mas ele tomava duas, três pela estrada. Chegava sem saber onde estava, mas ele chegava. Meu pai era alcoólatra inveterado. E minha mãe era mulher que você chegava, por exemplo, você chegava lá: “Dona Eva, eu estou com umas roupas para lavar, mas eu estou doente, não estou podendo”. Minha mãe falava: “Eu vou lá lavar para você, minha filha”. Chegava lá, ela lavava pelos olhos e pelo nariz, à mão. “Mas liga a máquina.”, “Não. Eu não sei ligar, não. É à mão mesmo.” E ficava. Ligava o ferro para passar: “Ah, não, se for de brasa, eu passo”. Não tinha. Nós não tínhamos alternativa, era fazer, ou fazer. Foi a minha vida dentro do INPE.

 

Antes do INPE, eu trabalhava em obras por aí. Trabalhava com uma bicicleta que me levava até determinada altura, depois furava o pneu, porque eram muito ruins os pneus na época, e não tinha dinheiro para comprar outro, então eu fazia a missão de ir... A esplanada estava expandindo, e eu trabalhava na esplanada. Onde me passavam que tinha um tijolo para carregar, eu estava carregando. Eu queria era ganhar dinheiro para a minha mãe comer o que ela precisava comer. Se eu não jantasse, estava bom para mim. Estava ótimo ficar sem janta, sem almoço, sem café da manhã, com a minha mãe comendo, meu pai... Meu pai, eu não esquentava muito a cabeça com ele, que com uma cachaça, ele dominava o mundo dele. E naquela época eu não bebia, então a minha obrigação era com a minha mãe e com meus irmãos pequenos, um casal de irmãos que eu... Que eu tinha não, que eu tenho. Todos adultos, hoje. Meu irmão está muito debilitado com o problema de alcoolismo. E a minha irmã se casou, o marido começou a passar pelo campo do alcoolismo, perdeu os dois filhos, tinham dois filhos. O meu cunhado, marido dela, se envolveu muito com negócio de alcoolismo, trabalhava aqui no INPE, era um crioulo metido a sebo, e não era nem... E começou aquele negócio. O cara não tinha posição pra ele ficar. Chegava: “O café. O café”. Mas não era líquido, não. Era café em coco mesmo. E o cara era aquele... Então quando chegava o final de semana, ele fazia questão de ir trabalhar. Por que ele fazia questão de ir trabalhar? Ele tinha a chave do restaurante, ele ia e aí escolhia as melhores carnes. Eu estou falando isso para os senhores não é para... Agora ele já está falecido. Já faleceu. Se tivesse presente, falaria isso para ele. Aqui, o botava aqui na planilha que nós estamos agora, falava: “É verdade ou não é, Café? Fala agora”. Joãozinho, como era o nome dele. Inicialmente, ele pegava a bicicleta. Depois ele começou a andar em carro do INPE. Porque o Inpe deu autonomia para ele. “Café, quando você precisar de qualquer coisa, você pega o carro e vai à sua casa, você é o chefe da segurança do INPE”. Até teve um carro, não sei se teve um carro também, não fiz muita questão de saber. Eu vivia o meu mundo. Eu vivia o meu mundo e dignamente. Como eu estou dizendo para os senhores, e estou dizendo para você também, eu sou alcoólatra, e hoje eu não estou com vontade beber.

 

Quando eu entrei no INPE, haviam dois doutores, o doutor Fernando de Mendonça, que era o coordenador, até então indicado pelo doutor Paulo Victor, que foi um dos primeiros, se não foi o primeiro Brigadeiro do CTA, que já veio pelas Forças Armadas, no início, não, no final das rebeliões de Jânio Quadros e João Goulart, que foram os presidentes da república, presidente Jânio Quadros, e depois o vice-presidente João Goulart, os dois que entraram nas primeiras decadências das formações do país. E, atualmente, é o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que toma conta das edificações, vamos falar edificações, de toda a planilha governamental. Eu vi muitos presidentes virem ao INPE em visitas oficiais. Eu vi da China, dos Estados Unidos, eu tive a oportunidade de receber algumas empresas radialistas aqui dentro, como a Jovem Pan, por exemplo. Eu sou uma pessoa privilegiada de estar hoje ouvindo vocês me pedindo determinado tipo de informação, o que eu aprendi aqui, de acordo com o dia a dia. A minha formação é uma formação simples, mas é uma formação, em minha concepção, muito valiosa. Hoje, quando estou no meio de uma algazarra, todo mundo fala: “Ele pensa que sabe”. Não. Hoje eu sei o que estou falando. Hoje, eu não estou bêbado, hoje, eu estou falando com pessoas que me respeitam. Vocês sempre me respeitaram, mas teve época que eu não sabia o que estava ouvindo, por causa da minha dependência química, que foi e é do álcool. Hoje, eu não estou bêbado. É muito importante estar trocando essa pequena experiência com vocês. Hoje, quando eu chegar à minha residência... Hoje, eu tenho residência, antigamente eu tinha casa. Hoje, quando eu chegar à minha residência, a minha esposa vai me perguntar o seguinte: “Foi tudo bem lá?”, “Foi. Maravilhoso”. “Por quê?”. Porque vocês hoje não me menosprezaram. Antigamente, eu não era menosprezado, mas só que tinha hora que eu falava: “Aquele cara está me enchendo a paciência, eu vou xingar aquele cara” – e já falava um palavrão. Mas hoje é tudo diferente. Hoje é tudo confortável. Hoje, eu sei e presto atenção no que foi e o que aconteceu hoje de bom. Tudo que aconteceu na minha vida, do início até o dia de hoje, vinte oito de fevereiro de 2019.

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