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História

Dona do próprio nariz

História de: Carolina Pacheco dos Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

Carolina teve uma infância difícil e de muitas mudanças. Ainda menina, viu sua mãe abandonar seu pai levando os filhos da Bahia para o Rio de Janeiro. Mas a fase de morar com a mãe não durou muito. Terminou quando a mãe de Carolina cometeu suicídio e a deixou apenas com seu irmão. Eles foram morar com o avô na comunidade de Providência, numa região muito mais pobre e que Carolina lembra de ver armas e traficantes desde nova. Voltou para a Bahia para morar com o pai e estudar e aos dezoito já morava sozinha. Teve filhos, casou-se outras vezes, sempre se negando ser submissa a qualquer homem. Começou a dar aulas, cuidar de crianças e ainda passou a tocar o bar e restaurante Favela Point na sua comunidade.

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História completa

“A minha mãe era uma pessoa muito conceituada, até onde eu sei. Conceituada no meio intelectual. Era formada em economia e tinha lá sua importância. E era uma pessoa fraca. Abandonou três filhos. A gente morava na cobertura de um prédio no Catete, no Rio de Janeiro, e ela pulou o gradeado que era no décimo primeiro andar e se jogou da janela da lavanderia.

Foi uma coisa que desestruturou a família. Era eu de oito anos, meu irmão, que faleceu também a uns anos atrás, de sete anos e um irmão de um aninho, que hoje está se formando também como advogado. Meus pais já eram separados. Ele estava na Bahia, onde eu nasci. Ele é uma pessoa assim muito ignorante. Trabalhava como estivador. Eu cheguei a morar com ele quando tinha quinze anos. Porque quando a minha mãe morreu fomos morar com os avós. Quando eu cheguei na Bahia, minha madrasta, que era professora, me colocou pra fazer magistério. Fiz lá, estágio também. Fiquei três anos morando com meu pai. E sempre reunida de amigos, pessoas interessantes, aprendendo coisas legais.

E aí meus avôs emprestaram uma casa que tinham lá e quando eu completei a maioridade, abandonei meu pai. Eu acabei de pegar o diploma na mão e fui encarar crianças. Trabalhei dois anos no que antes a gente chamava de orfanato e era muito atribulado, que eram crianças carentes que vinham de todas as cidades da Bahia, que ficavam lá internados, usuários - crianças que usavam drogas -, tinham crianças que tinham matado, assaltantes, tinha tudo. Meu primeiro emprego, carteira assinada, tudo bonitinho. Fiquei dois anos lá e saí grávida. Tinha vinte anos.

Fui morar em São Paulo com esse rapaz quando já tinha duas filhas dele. Mas fazia um frio insuportável. Chorei de frio. Minhas filhas viviam encapotadas. Aí peguei minhas filhas e fui embora. Voltei para o Rio de Janeiro, para a Providência, comecei tudo de novo. Fui fazer Pedagogia. Foi quando eu já estava trabalhando em uma creche que fiquei sabendo de dos grupos de mulheres que teriam a chance de abrir o próprio negócio. Desses primeiros grupos, grande, que receberam curso, capacitação, aulas, ficaram poucas. Eu e mais umas abrimos o Favela Point, que é um estabelecimento aqui no Borel (?), um bar e restaurante pra comunidade. Estamos batalhando, mas eu preciso ter um retorno. A gente não faz nada se você não tiver um retorno. Eu crio meus quatro filhos. Eu tenho que arcar com as minhas consequências. Mas tudo na vida que a gente faz, a gente tem que arcar com as nossas consequências.

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