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Em busca da fama

História de: Alex Lima Guimarães Gurgel
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/04/2014

Sinopse

Em seu depoimento, Alex lembra seu período de escola em Fortaleza, da rebeldia e da vontade de conhecer o mundo e fazer sucesso cantando. Recorda como resolveu ir para o Rio de Janeiro tentar a sorte, mas acabou voltando para a casa dos pais. Fala sobre sua performance como cover do Michael Jackson nas ruas do Rio e como gostaria de fazer sucesso cantando funk. Finaliza seu depoimento falando sobre o desejo de ser um cantor de sucesso.

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História completa

Meu nome é Alex Lima Guimarães Gurgel, local de nascimento é Guadalupe, Piauí. A data é 8 de fevereiro de 1979. O nome do meu pai é Aldenir Guimarães Gurgel, ele nasceu em Fortaleza, Ceará. Minha mãe é Maria Lenira Lima Guimarães Gurgel, de Alagoas. Meu pai é corretor de imóveis. Minha mãe ela trabalhava de vendedora em loja. Passei a infância com meus pais, acho que foi em Alagoas e depois a gente foi para Mossoró. Eu tenho três irmãos, Aldenir Guimarães Gurgel Júnior, Aline Miriele Lima Guimarães Gurgel, e a outra é Pâmela Larissa Lima Guimarães Gurgel.

Eu brincava de bola. Brincava nos parques com meus amigos, em casa também às vezes. Eu nem conheci Guadalupe, só nasci lá e saí pequeno. Depois que eu nasci lá minha mãe foi para Alagoas. Minha mãe é de Alagoas e meus avós maternos são de Alagoas. Eu fiquei em Alagoas com meus pais, depois eles saíram de lá e foram, acho que se não me engano, foi para o Maranhão, alguma coisa assim. Do Maranhão eles foram para Fortaleza, ficavam variando. Acho que com uns três anos eu comecei na creche. Quando eu tinha meus nove, dez anos nós pegamos o certificado de primeira série. Mas de três, quatro anos para baixo eu não lembro nada. Meu pai me levava pra escola, meu pai tinha uma condição mais ou menos, ele me levava, tinha o carrinho dele. A escola era grande. Eu gostava mais de ler, de Português e de Inglês. Matemática eu não gostava, porque eu tenho dificuldade, até hoje eu tenho dificuldade em Matemática. Eu estudei acho que foi até a quarta série, mas eu comecei a ter problema com Matemática, essas coisas assim, confusão na escola, os outros enchiam meu saco, brigava, já fui expulso de vários colégios. Eu tentava evitar, não tinha como, aí eu tinha que brigar mesmo. Eu fui expulso, sofri muito com negócio de escola.

Eu estudei até os meus 16 anos, quarta série, depois comecei de parar de ir para aula, matava aula. Eu comecei a ficar de maior comecei a ir para as festas uns 15, 16 anos chegava tarde em casa, pulava o muro, o meu pai não deixava entrar eu pulava o muro, ia para zoeira com os colegas. Na época eu gostava de rock, eu tinha o cabelo grande e ia para o rock com meus colegas. Meu pai não gostava, porque eles são evangélicos, eu ia para as baladas. Só que meus colegas estavam me arrastando. Querendo me por nas drogas, essas coisas. Quando eu era de menor eu fiz umas coisas erradas, fiquei no Conselho Tutelar, sofri muito já e aí com o tempo eu fui aprendendo. Quando eu era mais jovem eu gostava de rock, Iron Maiden, essas coisas, Guns N’ Roses... Quando eu comecei a crescer, ficar maior, até meus 20, 19 anos eu gostava de rock, depois passado um tempo eu perdi um amigo, eu fiquei com trauma de rock. Eu comecei a ouvir muita música diferente depois, Michael Jackson, que o Michael é da minha época, 79. Quando eu era mais novo eu era roqueiro mesmo, andava todo rasgadão, na zoeira mesmo. Eu fazia o que os outros queriam fazer, às vezes, eu não fazia por mim, fazia pelos outros. Tipo me drogava, essas coisas aí, era cabeludo, tinha cabelo grande. Depois que esse colega meu morreu, parei de curtir rock, foi mais outros tipos de músicas, mais o James Brown, Elvis.

O meu forte mesmo é a música, porque o meu sonho é cantar, eu estou tentando a carreira de funk, estou tentando ser MC, eu sou MC e componho, mas eu ainda não realizei o meu sonho que é cantar na TV ao vivo para todo mundo. Eu tenho umas músicas minhas na internet, por enquanto eu tenho três músicas gravadas, está no Youtube. Tem outros vídeos, eu dançando Michael Jackson, que uma época que era mais jovem eu tinha o cabelo grande eu dançava Michael, só que depois apareceu um monte de cover e eu larguei, porque hoje em dia é concorrência, eu tenho que parecer com o cara, tem que ter figurino, tem que dançar bem, eu não sou um profissional, eu danço, assim, por hobby, eu já ganhei dinheiro com dança, mas hoje tem muito cover e eu parei. Eu estou querendo seguir a carreira de funkeiro, de MC, que a onda é ostentação agora. Eu peguei algumas bases da internet, alguns instrumentais e eu mesmo faço a letra, registrei no cartório da Biblioteca Nacional, registrei a música, fiz o ritmo, peguei a batida da internet, fui no estúdio, paguei o cara e gravei, tenho três músicas gravadas. Tem uns quatro, cinco meses que eu gravei.

Quando eu parei de estudar, o meu sonho desde criança era cantar, era música, era dançar, inspirar nas pessoas que eu gostava. Quando eu cheguei aos 18 anos eu saí de casa, eu fugi. Meus pais não queriam me ajudar e eu inventei de ir para o Rio de Janeiro, que lá era o funk, eu conheci negócio de funk através do Rio. Eu fui para o Rio de Janeiro fugido de casa, não tinha onde ficar, fiquei na rua, fiquei ali na Candelária onde teve a chacina, eu ficava ali. Comecei a dançar, que eu gostava muito de dançar, o pessoal botava música do James Brown e do Michael na loja, eu botava a caixinha no chão eu dançava, fazia as performances, ganhava umas moedas, quando era mais novo. O pessoal foi gostou de mim, eu fui falando minha vida para eles: “Olha, eu vim para cá, não tenho onde morar, estou na rua,” comecei a trabalhar. Arrumaram um lugarzinho para eu dormir. Fui trabalhando, ganhando um dinheirinho e comprando minhas coisinhas, eles deram uma chance para mim. Depois de uma época eu conheci um pessoal da igreja, me levou para casa deles, só que eu era meio doidão, gostava de zoeira, eu não estava conseguindo ficar na igreja e nem ser evangélico com eles, aí eu comecei ir para os funks. Só que eu mudei, depois dos 18 eu mudei, mas na vida da juventude eu só fazia besteira, depois dos 18 a minha mente começou a abrir um pouco. Me levaram para o Centro de Recuperação, numa época eu usava drogas, bebia muito. O pastor me levou para o Centro de Recuperação, mas eu fui mais para sair da rua, porque não tinha muito vício, eu bebia minhas bebidas, usava minhas droguinhas, mas eu não era dependente, eu fui mais para sair da rua. Fiquei quase três meses. Eles ajudam a pessoa, os irmãos ajudam pessoas, só que eu gostava mesmo de curtir, não queria ficar preso, queria sair. Porque lá dentro você fica preso, só pode sair de lá com os irmãos para ir para igreja. Eu pegava e falava: “Não, eu gosto mesmo é de balada, de ir curtição,” eu peguei e fugi, pedi para o pastor: “Pastor, quero ir embora” “Você vai para onde?” “Não, quero ir embora,” peguei minha bolsa, ele falou: “Infelizmente irmão você não quer ficar aqui”, aí eu saí. Eu fui andar, fui para o mundo andar. Depois eu falei com o pastor, com um irmão lá, se ele poderia me ajudar e voltei para minha terra lá, compraram minha passagem e eu voltei para minha terra.

Eu fiquei uns tempos lá com meus pais, depois eu falei para o meu pai que eu queria ir embora para São Paulo, queria conhecer São Paulo. Meu pai estava sem condições, falou que não queria mais me meter na minha vida, porque já me ajudou muito, que eu tinha que trabalhar para ter minhas coisas. Eu peguei: “Tá bom, se o senhor não quer me ajudar, então eu vou assim mesmo.” Peguei carona na estrada, fui para estrada, conversei com o caminhoneiro. Ele me indicou um albergue, inclusive eu fiquei muito tempo nesse albergue aqui em São Paulo. Eu fiquei no Arsenal da Esperança. O primeiro albergue que eu fiquei foi o Albergue Coração, que é ali perto da Rua do Gasômetro. Através do Albergue Coração eu conheci o Arsenal, porque lá no Coração é pouca pessoa, lá tinha no mínimo umas 80 pessoas, lá a comida é muito boa, só que é pouca pessoa. Eu fiquei lá um tempo, aí depois me indicaram o Arsenal: “Cara, você tem que entrar para o Arsenal que vai gostar, lá é grande para caramba, é dos italianos.” Fiquei no Arsenal, lá eles indicam para emprego. Eu nunca dei problema no Arsenal, porque lá é assim, se você arrumar confusão eles te põem para fora, não pode brigar, não pode desacatar os funcionários. Lá tem as camas de beliche, tudo. Tem um armário para guardar, lá é organizado, têm uns albergues que são meio desorganizados, o Arsenal é o melhor que tem daqui de São Paulo, mas lá é só homem, lá é só masculino. Tem uns albergues que é unissex, mas lá é masculino. Eu fiquei uma época lá no Arsenal, aí comecei a arrumar um empreguinho. Depois eu aluguei um quartinho para mim, saí, arrumei uma pensão. Eu fiquei quase uns seis meses lá. Trabalhei de obra, construção civil, arrumei uma obra aí e comecei a trabalhar e aluguei um quartinho. Depois eu peguei, fui conhecendo a cidade, me mostraram a Praça da Sé, eu fui andando e conhecendo a cidade. Fui para outros bairros e depois fui aprendendo andando de metrô, o pessoal foi me ensinando como é que era. Quando eu comecei a fazer apresentação no meio da rua o Michael estava vivo, o Michael Jackson estava vivo, com meus 20, 25. Até a época de 2009 eu me apresentava, fazia as performances. Uma vez e outra, até agora que o Michael morreu, tinha vez que eu estava sem dindim, sem dinheiro, eu botava minha caixinha no chão e fazia meus breaks, meus negócios e ganhava umas moedas. Só que eu tinha o cabelo grande na época, tinha figurino. Já hoje tem muito cover e muita concorrência, aí eu parei, porque eu não sei todas as danças do Michael Jackson, só sei algumas, eu sou amador, eu danço assim mais por hobby. Começou a aparecer bastante cover e eu dei pausa. A primeira apresentação foi lá no Rio, Largo da Carioca. Ali eu ganhei dinheiro, porque ali naquela época não tinha tanto cover do Michael Jackson igual tem hoje. Eu tinha o cabelo grande, tinha mais ou menos a roupa do Michael, eu tinha calça, tinha luva, eu não tinha a roupa completa, mas algumas coisas do Michael. Algumas coisas eu aprendi só, outras me ensinaram. Só que eu não sei todas as coreografias do Michael, eu tenho um amigo que é cover profissional, o Christian Joseph Jackson, um amigo meu que, inclusive, ele faz muito show na rua, no Centro de São Paulo. Eu via e tentava aprender. Eu tenho um DVD do Michael em casa, tenho alguns DVDs dele.

A primeira vez em São Paulo foi no Centro, perto do Teatro Municipal. Aqui em São Paulo e lá no Rio também, os caras perguntavam: “Poxa, mas você não canta, você só imita o Michael, você tem que ser você.” Pelas ideias que os caras foram me dando eu falei: “Poxa é mesmo, poderia fazer cover do Michael e cantar minhas próprias músicas.” Tanto que eu estou tentando a carreira de MC, quando eu conseguir cantar, tiver meus fãs, vou me apresentar como dançarino, eu vou fazer as performances do Michael também no meu show, mas eu vou estar cantando a minha música. Eu comecei a ouvir funk, naquela época já tocava Furacão, inclusive eles têm um programa de TV. Eu ouvia mais era Cidinho e Doca, essas coisas. Agora entrou o ostentação, porque o Cidinho e Doca é meio periferia. Tem Cidinho e Doca, tem o Marcinho que é mais melody, na época tinha o Bochecha, inclusive ainda gosto de algumas músicas do Bochecha. Algumas músicas eu gosto, só que eu gosto mais do ostentação, porque o funk agora é o ostentação, porque o ostentação fala de mulher, fala geral, de dinheiro, fala tudo. O Créu não é uma pornografia, é mais zoação. Então, a minha é tipo a música do Créu, só que o meu forte é o funk melody e o funk zoeira. Eu sou fã mesmo, de carteirinha, do Daleste e do Guime. A minha carreira artística eu não consegui realizar, mas o meu maior sonho é cantar. Se eu conseguir cantar e fazer fama numa música, que é no funk, as outras coisas vão ser mais fáceis, porque aí eu vou ter condições, eu vou comprar todas as roupas do Michael Jackson, que eu sou fã de carteirinha, eu vou comprar todos os CDs, pôster, tudo. Eu trabalho quando aparece, porque a obra ela dá mais dinheiro, ajudante de obra está ganhando uma grana boa, só que obra você trabalha muito, você cansa muito, você carrega peso, né? Eu estou na limpeza, só que limpeza paga pouco, a limpeza que eu trabalho paga pouco, mas você quase não sua, você cansa, mas não pega peso. Só que o dinheiro que eu ganho lá não dá quase nada, eu pego tiro o do meu filho, eu tenho um filho pequeno, tiro do meu filho, tiro um dinheiro para mim comprar comida. Eu gravo num estúdio ali na Rua 24 de Maio, ali no Centro, tem o Paulo, que ele mexe com som, eu gravei com ele. Eu estou tentando juntar um dinheiro para poder gravar de novo. O meu nome artístico é MC Liang Jackson, em homenagem ao Jet Li e ao Michael Jackson.

Eu conheci pela internet, minha mulher, no Orkut. Eu estava morando num albergue, só que eu tinha um amigo meu que morava no movimento, no MMTP (Movimento Moradia para Todos), nesse que eu estou, através dele que eu entrei no movimento. A gente ocupou outro prédio, que lá eles ocupam os prédios, vê um prédio abandonado eles entram para dentro. Eu fui para outro prédio, inclusive agora eu estou morando nesse que eu falei, na Capitão Salomão, só que, assim, lá quando eles vão ocupar eles pedem para você comparecer para ocupar com eles, porque eles vão, mas eles ficam na linha de frente, tipo, só vão na hora que tem o perigo, eles não entram no prédio. O pessoal que ocupa são os moradores, os linhas de frente eles ficam tipo escondidos, quando é o momento eles vão ajudar a gente, porque a dona do movimento, que eu não quero citar o nome dela para evitar problemas, então ela é advogada. Todos os moradores ajudam, só que lá tem as regras, você não pode entrar bêbado, você não pode drogado, lá todos os moradores fazem portaria, tem que fazer no mínimo duas horas de portaria.

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