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História de: Calogero Miragliotta Netto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/12/2012

Sinopse

O período tranquilo da infância, quando seu pai possuía uma revendedora de carros Ford. A Segunda Guerra Mundial, as sanções impostas pelo governo brasileiro sobre os imigrantes e o retorno para São Paulo. A infância no Bom Retiro e o início do trabalho aos 11 anos de idade, em uma óptica. As ocupações posteriores até chegar em sua ocupação atual, a de fotógrafo. O diferencial de seu trabalho: fotografias aéreas a partir do Campo de Marte. A vida pessoal, ao lado da esposa, as viagens ao exterior e os avanços tecnológicos no Brasil e no exterior.

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História completa

“Quando vim para São Paulo, isso com oito, nove anos, primeiro trabalhei na loja de um tio. Ele tinha uma loja grande de tecidos, fogões, geladeiras; era uma loja dessas enormes, era muito bem conceituada na época. Depois, quando meus pais vieram de Ribeirão Preto, eu parti para trabalhar numa loja da Fotoptica. Tomava o bonde até o Largo São Bento; ficava no estribo do bonde, porque todo garoto que se prezasse precisava mostrar que era homem e viajar ali no estribo. Quando era de tarde, a cidade ficava uma loucura, porque juntava um monte de gente e todo mundo ia para os bondes. E havia aquelas coisas curiosas, como o cobrador. Ele cobrava de você e marcava lá: ‘clein clein clein’. Marcava lá, só que ele fazia assim, ele cobrava de cinco e marcava dois. Era interessante. Naquele tempo não tinha carro, não tinha isso, não tinha aquilo, e quase não aconteciam desastres, nada. Era muito difícil você ouvir falar de uma coisa trágica. A criminalidade era pequena e os jovens eram mais simples. A diversão era jogar futebol, ir ao cinema e parava por aí. Mas enfim eu trabalhei nessa loja da Fotoptica por três anos e depois passei para a TV Tupi, onde projetava filmes. Naquele tempo, a programação vinha dos Estados Unidos. Eu chegava lá tipo sete horas, tinha aquele monte de filme, botava na máquina, tal, entravam os slides. Hoje não é mais isso, mas antigamente entravam slides, entrava um slide assim: ‘Sessão Musical’. Era o tempo de pôr o filme, ‘puf’, e disparar para o pessoal ver em casa. Dali, anos depois, fui trabalhar com a Globo. Caminhei, fui para o jornalismo. Naquele tempo, o ‘Jornal Nacional’ não tinha um locutor só; eram quatro, cinco, seis locutores. Um que falava sobre esportes, um que falava sobre isso, sobre aquilo. E eu era o coordenador, lá na mesa de switch. Não sei mais como chama isso; na época era uma mesa onde as câmeras entravam: entra o filme, entra o comercial, entra o slide. Saí, fui fazer desenho animado. Não sei se você chegou a ver isso, mas tinha um bonequinho da Brastemp que nós animávamos e fazíamos historinhas para a televisão. Fiz a página de moda dos Diários Associados, tive um estúdio de filmes... Fiz de tudo, mas sempre busquei uma coisa que me desse mais liberdade e aí, depois do casamento, acabei voltando para a fotografia. Primeiro fui trabalhar para construtoras que faziam estradas, faziam essas barragens: Itaipu, Ilha Solteira, Água Vermelha, trabalhei em um monte de barragens e estradas. Fui ficando mais íntimo do pessoal das construtoras e percebi que podia me especializar em fazer fotos aéreas. Era um momento em que o país estava em crescimento e eu percebi que era um nicho no qual podia me especializar. Eu sou do tempo em que andar de helicóptero era incomum, era um pavor, mas de uns dez anos para cá houve uma liberação. O que tem de heliporto em São Paulo é incrível. Você passa por cima da cidade, você vê que pipoca heliporto.”

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