Busca avançada



Criar

História

Fazendo Educação com as diversas linguagens

Sinopse

Para Glausirée Dettman de Araújo, educação sempre foi “uma felicidade”. Mesmo que tivesse que andar por uma hora, a pé, para chegar até a escola. Isso faz parte de suas lembranças de infância, ao lado da convivência com a avó, as brincadeiras e a casa com quintal, horta, galinha… A primeira área do conhecimento a atraí-la foi a Química, mas a opção definitiva foi pela Educação, onde construiu as conquistas mais marcantes em sua carreira. Foi desta forma que iniciou sua caminhada no magistério, com uma turma especial que exigia uma proposta pedagógica com linguagem diferenciada. E por aí prosseguiu, encontrando no projeto Floração, o Telecurso em Belo Horizonte, a possibilidade de reunir e vivenciar estratégias para a participação dos estudantes no processo de construção da significativa aprendizagem, motivados pelo resgate do interesse e da curiosidade.

Tags

História completa

Nasci em Belo Horizonte, no dia 21 de dezembro de 1975. Meu nome é Glausirée Dettman de Araújo, mas me chamam Gal. Filha de professora e caminhoneiro, somos três irmãos em casa. Da infância, trago a lembrança daquela casa de interior, com quintal, pé de abacate, horta e galinha. E a convivência carinhosa com a avó.

 

“Eu me lembro que era difícil estudar, mas a gente ia com a maior alegria, cortando caminho nas ruas, cantando; porque escola era uma felicidade”.

 

Lembro, em especial, da alfabetização. Aquela sensação boa quando descobri que estava lendo, que havia aprendido a ler. Leitura, escrita… Mas só na quinta série é que eu, de fato, me convenci disso: foi quando li, inteirinho, um livro chamado Lúcia, já vou indo. Assim, de letrinhas andando uma atrás da outra. Foi também quando descobri a biblioteca: li o meu primeiro livro inteiro só de palavras, sem figuras. Em suma, escola sempre foi algo marcante na minha vida, desde a infância. Os professores, as amizades, coisas que duram para sempre, a certeza de estar sendo conduzida pelo mundo da leitura, pelos caminhos do conhecimento.

 

No segundo grau, foi curso técnico. Escolhi Química, embora houvesse outras alternativas, mas é que eu gostava de Ciências. E, além disso, a questão da descoberta, do adentrar um mundo diferente, da investigação. Aí comecei logo a trabalhar: primeiro, o estágio; depois em uma empresa que trabalhava com produtos, principalmente automotivos, e, mais adiante um pouco, na área da chamada química fina, ou seja, farmácia. Mas na hora de prestar o vestibular, ficou a dúvida: Química ou algo mais próximo da Educação? Optei por Educação, por mexer com gente. O mundo é essencialmente humano e eu concluí que preferia lidar com gente a trabalhar com coisas, com números.

 

Assim… O prazer de ensinar e o prazer de ver a pessoa aprendendo, isso era muito marcante.

 

Então fiz Pedagogia. Mas como eu não tinha o magistério, fui fazer um estágio no Instituto de Educação. Seis meses com os pequenininhos - crianças de cinco, seis anos. Essa experiência só fez aumentar o meu desejo de estar em contato com a construção do conhecimento. Senti que essa construção precisa estar alicerçada em carinho, atenção, dedicação, inspiração. Inteiramente identificada com a área. Terminei Pedagogia e fui lecionar próximo a Belo Horizonte, assumindo uma turma de estudantes com necessidades educativas especiais - o que representou um desafio muito grande. Primeiro, que eu estava começando. Segundo, que a metodologia deveria ser adequada, diferenciada da educação formal, exigindo outras linguagens, por exemplo. E acabou dando certo: ao final, tive o reconhecimento dos pais pelo carinho, pelo cuidado com aquelas crianças, o que sem dúvida influenciou os bons resultados que alcançamos.

 

Por exemplo, (...) o alfabeto era cantado, era desenhado, era historicizado (...) de uma maneira que contemplasse todos os tipos de inteligência (...). No final, não tinha estudantes em suas especificidades, a gente era um grupo.

 

Bom, a partir dessa experiência, tendo feito concurso para a Prefeitura, fui dar aula numa periferia de Belo Horizonte, numa comunidade marcada por extrema vulnerabilidade social. Um prédio bom, novinho, luxuoso até para a região, mas uma área invadida, precariamente construída. Eu assumi a quarta série, a disciplina foi Ciências. Busquei integrar as turmas com uma atividade interdisciplinar envolvendo Literatura, Ciências, Geografia, e sempre procurando articular esses saberes com a música, a poesia e outras dinâmicas. Lembro de ter criado a “sexta da harmonia”, que foi um sucesso, principalmente porque as músicas selecionadas tocavam a realidade dos estudantes. Recorri à sensibilidade de Adélia Prado, busquei conectar seus versos, sua temática, aproveitando situações reais - por exemplo, a teia de aranha e a teia do saber. Paralelamente, procurei trazer temáticas do cotidiano, e reforçá-las ao programar passeios no entorno da escola e abordar a questão da acessibilidade.

 

Vocês são os pequenos cientistas, gente! Vocês têm que ter olhar de investigação.

 

Como coordenadora, procurei humanizar e valorizar tanto os estudantes quanto o espaço da escola. E ajustar as relações com os professores - relações de estudantes e pais de estudantes, com atitudes de respeito mútuo, de aproximação, com atividades marcantes. Mas aí eu mudei de escola, passei a lecionar no estabelecimento onde surgiu o Projeto Floração, como é chamado o Telecurso em Belo Horizonte.

 

(...) surgiu a oportunidade (...) dar aula no terceiro ciclo, estudantes de quinta à oitava, eu sempre gostei dos adolescentes.

 

E no Floração, nas formações de professores, conheci a Metodologia Telessala com toda a sua sistemática e dinâmica. Uma proposta metodológica que envolve a organização da turma nas equipes de Socialização, de Avaliação, de Síntese e de Coordenação. Isso funcionou muito bem. Apostei na metodologia para dar conta, para construir uma relação de confiança, estabelecer um vínculo que desse autonomia e, com isso, responsabilidade. Fazendo surgir a autoestima, aflorar habilidades, fazer a diferença, motivar, acolher, integrar. Muito diálogo; autonomia no tocante à aprendizagem segundo processos interiores específicos; participação e o valioso auxílio das aulas-passeio. Que diferem de atividades extraclasse ou simplesmente passeios, constituindo-se em um capítulo à parte na conquista do saber, da cidadania, da consciência, do respeito, da convivência, da solidariedade. Assim foi com relação ao Projeto Tamar, seu caráter preservacionista, onde se estudou o ecossistema e se conheceu o mar; uma aventura, uma descoberta e um deslumbramento para aqueles jovens; também foi o caso da visita a Ouro Preto, sua perspectiva histórica, econômica e social. Uma aula com ludicidade e aprendizado, a construção “in loco” do conhecimento, que eu chamo de “aula porta afora”.

 

Porque não adianta pensar uma educação que não tenha significado para o estudante, que ele vai embora, ele desiste, (...) o processo educativo acontece quando ele identifica aquilo na vida dele.

 

E dessas experiências, que são na verdade vivências, ficam várias coisas. Coisas que aderem como tatuagem, impregnado na pele. Coisas que me permitem, hoje, como Gerente, pensar a educação para doze mil estudantes que eu tenho sob a minha responsabilidade. Quem tinha a escola como uma felicidade, só poderia mesmo ter os seus estudantes como seus brothers. É o meu caso com a Educação.

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+