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História

Grandes obstáculos, grandes esperanças

História de: Gleicy dos Santos Abreu
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

Gleisy tem uma história muito forte superação já desde o começo da sua vida. Aos doze anos, quando começou a namorar, se envolveu com um traficante da Rocinha, que passou a ser o amor da sua vida. Passou cinco anos como amante dele e apenas quando ele estava preso que ela se separou. Pouco tempo depois, à procura de dinheiro para si e para ajudar a sua família, começou a trabalhar como garota de programa. Dessa experiência marcante, tem lembranças bastante vívidas. Cansou, porém, dos perigos que corria, e resolveu se empregar em qualquer outro lugar, mesmo que ganhasse bem menos. Foi quando virou vendedora e conheceu o seu marido. Nessa época, teve sua filha e, junto com um grupo de mulheres empreendedoras, começou um negócio de transformar óleo usado em sabão.

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História completa

“Não vou mentir. Meu pai nunca foi pai de verdade, foi pra fazer os filhos. Era enroladão, meio músico. Quem me alimentava, sustentava eu e minha irmã era minha mãe. Minha mãe fez de tudo na vida. Lá em casa a gente se dividia nas tarefas. Eu tenho trauma até hoje de banheiro e quintal. Era um quintal de pedras de mármore e pro meu pai não adiantava só você varrer, esfregar, tinha que secar cada buraquinho pra você tirar a água. Com doze anos arrumei um namorado. Ele tinha vinte e cinco. Ele chupava aquelas balas Halls com gostinho de morango, e me deu um beijo. Eu fiquei boba pra caramba “O beijo dele é doce”. Ele era traficante, envolvido. Comecei a me envolver com ele, comecei a matar aula, me envolver com pessoas que não prestam. Além de tudo, era casado. Mas eu andava de carro, tinha aquela vida bandida. Curtia. Depois que separei, comece a trabalhar num trailer, de vender sanduíche. Chegava cansada, não conseguia estudar mais. Eu tinha que dar preferência pro trabalho, porque precisava me sustentar. Aí conheci um rapaz que trabalhava numa agência de empregos. Ele falou “Tu é muito bonita, sai dessa”. Quando eu comecei a me prostituir, tudo foi assim, obrigada. Obrigada por quê? Eu, dentro de casa eu sempre tinha que dar as coisas. Minha irmã mais velha tinha uma coleguinha cheia de roupa de marca e ela contou o que fazia e disse “Sustento minha filha, pago meu aluguel, não dependo de ninguém. Mas é assim que eu ganho a minha vida”. Aprendi. Minha irmã também foi, pra você ver como o diabo tenta. Tu tem que fantasiar a coisa. Se vem o cara mais feio do mundo, tem que pensar que é o Reynaldo Gianecchini, o Cauã Reymond. Depois me senti muito suja. Mas como eu estava precisando do dinheiro...Tu tem noção, a necessidade obriga. Foi quando quis sair e conheci um cliente que me ajudou. Foi difícil voltar a ganhar pouco, mas fui trabalhar como caixa. Depois, fui vender lingerie. Trabalhava nisso quando conheci meu marido. Ele é mais velho. Tenho uma filha com ele, estamos juntos. Hoje eu trabalho pra minha melhoria. Tenho minha empresa, fazemos sabão com óleo de cozinha. Não preciso ficar mandada. Ficar obedecendo. A gente já até sonha alto. Não custa sonhar. Mas o esforço é grande.

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