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História de um tempo, história de uma vida

História de: João Ivo Caleffi
Autor: João Ivo Caleffi
Publicado em: 13/11/2019

Sinopse

Relato de uma experiência.

Tags

História completa

     HISTÓRIA DE UM TEMPO, HISTÓRIA DE UMA VIDA

 

    O menino nasceu em um sítio, onde havia muito verde e um rio de água cristalina, ar puro, arejado e fresco, natureza pura. Era filho de uma família de italianos, onde além de seu pai, o grande patriarca era seu avô. Homem forte, alto, grande, decidido, que todos o obedecia, tudo girava em torno dele, controlava tudo. O menino cresceu neste meio, neste ambiente, seu avô era sua referência. Foi crescendo. Seu avô era extremamente correto e honesto, gostava da verdade. Um dia, passou um comprador de frangos no sítio, um dos seus muitos netos, estava tentando enganar o comprador de frangos, com muita conversa e malandragem, tentando dar uma de muito esperto, em cima do comprador, vendendo um frango doente, o comprador estava sendo enganado, já tinha acertado o negócio, seu avô percebeu, e energicamente, determinou que o neto desfizesse o negócio, obrigando-o a pedir desculpa ao comprador e a doar um frango em reparação. Seu avô pediu desculpa ao comprador de frangos, pela vergonha que seu neto tinha-o feito passar. Foi neste meio que o menino foi crescendo, com esta referência de seu avô. O seu avô não falava muito, quase nada, para ele, era só silêncio, silêncio carregado de verdade, silêncio que faz pensar, gestos, atitudes, o menino observava. Nunca esqueceu deste exemplo. Vivência pessoal a serviço da história coletiva. Um certo dia, estava caminhando com seu pai pelo sítio, de repente, apareceu um enxame de insetos, o menino perguntou: "O que é isso pai?" O pai olhou-o, pensou um pouco e disse-lhe: "São as vespas". O menino perguntou: "As vespas são perigosas pai?" O pai lhe disse: "Cuidado com as vespas, elas tem um ferrão de baixo da barriga e podem te ferroar, ai dói muito. Toma cuidado." O menino tinha um pai carinhoso. Quando ele chegava da escola, o pai sentava com ele e olhava os livros e folheava os cadernos, conversavam juntos, olhavam juntos, se encantavam juntos, viajavam juntos na imaginação, falavam sobre a aula, sobre a escola, sobre o dia deles e a alegria de aprender. O pai dizia da importância do estudo, de aprender, do conhecimento, de ler, escrever, de ler a vida, de ler o mundo. Quando encontrava uma folha em branco, o pai passava a mão, passava o olhar, sobre a folha branca e dizia: "Olha filho quantas histórias dá para escrever aqui." O menino adorava aqueles momentos de carinho com o pai, momentos inesquecíveis, momentos mágicos, que guardou na memória para sempre, com muito carinho. Eu sei o que sou pela memória de mim. O pai lhe falava da importância da verdade, de ser justo, de ser honesto, com os outros e consigo mesmo. Que o caminho, para os que agem assim, é estreito, mas é seguro e feliz, quando a gente mesmo faz, com alegria, verdade e honestidade. Ele dizia como é bom a gente estar de bem com a gente mesmo, com a consciência tranquila, apesar das dificuldades que a vida, as vezes, nos apresenta, não podemos sair do bom caminho. Não vale a pena cortar caminho, temos que fazer o nosso caminho com alegria e aprender com as dificuldades, elas passam é só a gente não desistir nunca. Saímos mais fortes. O menino adorava seu pai, era seu herói, queria ser igual a ele. O pai lhe dizia, olha, vê tudo, observa tudo, fique atento a tudo, aprende com tudo, mas seja sempre o que você é, segue tua intuição, não abre mão de sua liberdade, não seja dependente de ninguém, segue o seu próprio caminho, respeitando a todos, mas segue o seu caminho, constrói a sua estrada. Segue sempre o teu coração, tua alma, tua essência, aquilo que você tem de mais precioso dentro de você, nunca se distancie daquilo que você é, do seu ser. Ele dizia, por mais difícil que seja, agindo assim, você nunca vai se perder, nunca vai sair do caminho. Pode até ser incompreendido, sofrer, mas, lá na frente, você vai ter a recompensa, vai ser feliz. As vezes, no momento, você não vai entender, vai aparecer caminhos mais fáceis, mais largos, a tentação vai ser grande, mas não abandone nunca o seu próprio caminho. Muitas vezes você vai ser muito incompreendido, injustiçado, até mesmo perseguido, correr risco de vida, vai ficar sozinho, abandonado, até mesmo por pessoas que você acreditava que nunca iria lhe abandonar, lhe ofender, mas pode acontecer, porque as pessoas, as vezes não entende, estão cheias de outros interesses, e ai te ofendem, tentando tirar você de seu caminho, mas segue em frente firme. Ele dizia, a sua história é você que faz. A história está em toda parte, ela nos rodeia. Está em nosso futuro, mas também em nosso passado. O nosso passado nos empurra para frente. Passado algum tempo, o pai do menino, ainda lá no sítio, morreu. Ele já era quase um adolescente tinha de doze para treze anos de idade. Foi duro para ele, uma perda inestimável, chorou muito, foi uma dor imensa, perdeu sua referência, mas ficou seus ensinamentos. Tinha-o em seu coração e na mente. Nunca iria esquecer aqueles momentos junto com seu pai, momentos de carrinho e ensinamentos, de luz, sabedoria, lucidez, iria carregar para toda a sua vida aquelas lembranças de puro amor, paternal, inesquecível. A nossa identidade tem haver com o nosso passado. O menino foi crescendo e mudou-se para a cidade, mas nunca esqueceu seu avô e seu pai, ficou profundamente na memória, o exemplo, a personalidade deles. Como esquecer?! Dai algum tempo mudo-se para a cidade junto com sua família. Começou ai uma nova vida. Começou a trabalhar e continuou seus estudos. Conforme ia crescendo, jovem já, começa a participar de movimentos populares e da igreja, com a juventude. Como que naturalmente, seguindo aquilo que teu pai e avô lhes ensinaram. Na universidade participou do movimento estudantil. Foi eleito vice-presidente do Centro Acadêmico de seu curso de graduação e participou ativamente do DCE(Diretório Central dos Estudantes) da universidade. Além de participar dos movimentos populares da cidade. Sempre seguindo o que tinha aprendido com seu pai e avô. Depois de terminado o curso, continuou apoiando os movimentos de trabalhadores por direitos, por justiça, começou a lecionar e foi eleito pelo voto da comunidade diretor de um colégio público na periferia da cidade, além de ser eleito, também, para diretor do sindicato dos professores. Não para, quer mudar o mundo, para melhor. É o que seu coração pede, é o que aprendeu. Já com 24 anos de idade, devido a sua intensa participação em movimentos populares de trabalhadores e ter se transformado em um jovem líder, respeitado por todos, recebe um convite para se filiar a um partido político. Pensa muito, não era sua intensão, nunca tinha pensado nisso, mas aceitou se filiar. Mas continuou do mesmo jeito, simples, sincero, de coração aberto, pensando sempre no coletivo, em mudar o mundo, participando, querendo construir uma sociedade mais humana e justa, sem abrir mão de seus princípios, como aprendeu. Era um eterno sonhador, que não tinha medo de lutar por aquilo que acreditava. Foi natural, ir se envolvendo e por que não dizer, crescendo. Até sem perceber, ou até mesmo sem querer, ocupando certos espaços de poder, quando percebeu estava ocupando, por causa da sua história, de sua luta. Não imaginava, que por fazer tanta coisa boa e fazia, por ser honesto, justo, verdadeiro, sincero, correto, por não desviar do caminho, por não trair seus princípios, que seu avô e seu pai tinham lhe ensinado, iria pagar um preço tão alto. E pagou. Ser honesto paga um preço. Não conseguia parar de fazer o bem. Um certo dia, recebeu um convite para ser vice prefeito, na chapa para prefeito de sua cidade. No início não aceitou. Mas, diante da insistência, de sua luta, vislumbrou, que se eleito, poderia fazer muito coisa boa, para a cidade, para a população, com seu jeito honesto e justo de ser, que trazia consigo desde criança. Aceitou o convite. Debateu a cidade com a população, venceu a eleição para vice prefeito de sua cidade. Aquilo que tem que ser tem muita força. Fez muito. Quando teve que assumir a prefeitura, como prefeito, seu amigo e companheiro de luta, o prefeito, faleceu, ai começou a sentir a pressão, mas não fraquejou nunca, foi até o fim de seu mandato. Fez tudo o que pode para o bem da cidade e do povo. Venceu. No fim do mandato, foi para a releição, pois tinha apoio de mais de 70% da população. Em respeito ao povo e a cidade, tinha que ir, enfrentar mais esta luta. Foi. Ai foi duro, sofreu muito. Primeiro, enfrentou resistência dos próprios companheiros, ai foi a pior de todas. Ele era querido, respeitado por toda a cidade, região e estado. Isso despertou interesses, vaidades, ciúmes, mas ele seguiu em frente, com dignidade, enfrentando tudo, acreditava no seu sonho e da cidade, de continuar ajudando a cidade, principalmente os mais pobres. Quantas rasteiras, traições, reuniões escondidas contra ele fizeram, difamações, tudo para tentar lhe desestimular e destruir, desconstruir sua boa imagem diante da população. Mas de cabeça erguida, sabendo de tudo isso, seguia em frente, ai desesperavam mais ainda, e aumentava as rasteiras, tentando derrubá-lo. Se aliaram a alguns adversários, a parte da imprensa, para tentar derrubá-lo, mas ele resistia, praticamente sozinho. Foram para a disputa interna, para tentar não deixa-lo ser candidato, a prefeito novamente, mas ele resistiu e venceu a disputa, com apoio de muitos amigos apoiadores. Todas as pesquisas o colocava em primeiro lugar na disputa para prefeito da cidade, a cidade queria ele como prefeito novamente. Era humano, competente, carismático, honesto, simples, tinha conquistado a cidade. Mas não paravam de tentar atrapalhar e faziam de tudo para ele desistir da luta, queriam derrubá-lo. Ele venceu tudo, a luta interna e externa, conseguiu sair candidato a reeleição para prefeito. Fez uma campanha bonita, limpa, conquistou o coração do povo. Sofreu muito, mas foi para o segundo turno da eleição em primeiro lugar. Venceu o primeiro turno da eleição, contra tudo o que fizeram contra ele, graças ao povo. No segundo turno, se armaram mais ainda, pois achavam que ele não iria conseguir ir para esta nova etapa da eleição, mais foi, e muito bem, em primeiro lugar, numa disputa com oito outros candidatos. Ai se desesperaram. Foram para o desespero, foram para o ataque total. Usaram de todas as armas possíveis, desde denúncias anônimas, ameaças de morte, pesquisas frias, panfletos apócritos, entregues por toda a cidade, processos na justiça, para tentar impugnar a sua candidatura, programa de televisão favorecendo o adversário, enfim tudo. Mas, mesmo assim, eles não estavam conseguindo. Até a pesquisa de boca de urna, dava a ele, a vitória com folga. Mas, quando abriram as urnas eletrônicas, misteriosamente, ele havia perdido. Por muito pouco. Por uma diferença minima. Foi muito estranho, esquisito, muitos choraram, não acreditavam no que estava acontecendo, não entenderam. Como aconteceu aquilo?! A cidade ficou triste. A cidade chorou. Nem sempre o voto do povo vence. Ser honesto paga-se um preço alto. Ele voltou para o seu trabalho com dignidade. Mas mesmo assim a perseguição continuou. Sofreu uma perseguição política, econômica e jurídica. Tinham medo dele ainda, pois sabia do respeito que a população tinha por ele, sabia do capital político que ainda tinha. Era preciso destruí-lo, pois poderia ser um risco, poderia voltar. Ai continuou a perseguição. Politicamente, o partido o isolou, fechou todo o espaço político, para ele, dentro do partido; economicamente, fecharam todas as portas de ajuda financeira, para outras possíveis campanhas; juridicamente, surgiram vários processos, sem fundamentos, apresentados a justiça, por adversários, por possíveis laranjas, dos líderes políticos da cidade, para burocratizar a vida dele, e não sobrar tempo para ele fazer política, ocupar o seu espírito, com essas preocupações burocráticas e fazer ele gastar dinheiro, sem ter. Enfim, tirar ele do jogo político, sufocando-o de todos os jeitos possíveis. Foi o que fizeram. Usavam a justiça, como uma forma de perseguição política, de destruição da sua imagem. A imprensa dava manchetes garrafais. Foi duro. O pior, é que a justiça aceitava, a maioria dos processos. Foi duro, mas ele venceu todos os processos, com muita dor, desgosto e despesas, dinheiro que ele não tinha. Muitas vezes, com a ajuda de amigos advogados, que faziam as defesas dele gratuitamente, mas nem sempre. Praticamente sozinho. Apesar de tudo isso, nunca desistiu, não fraquejou. Saiu candidato a deputado federal, sem dinheiro, sem apoio do partido, percorreu todo o estado do Paraná com amigos. Uma semana antes da eleição, percebendo seu crescimento, usaram de novo a justiça, para prejudicar sua candidatura. Saiu uma decisão em primeira instância, que dizia, que ele estava inelegível, de novo, machetes garrafais, com o jornal naquele dia sendo entregue nos sinaleiros da cidade e no comércio de forma gratuitamente. Não era verdade, ele não estava inelegível, mas prejudicou imensamente sua candidatura. Mas, mesmo assim, ele fez em torno de 50 mil votos, ficou de suplente de deputado federal. Se a eleição fosse limpa, teria vencido. Tiraram o mandato dele. Diante de tudo isso, resolveu sair do partido político que tinha se filiado a mais de 21 anos atrás, partido que ele foi um dos fundadores, seu único partido político até aquele momento. Mas não desistiu da luta. Continuou sua luta em outros espaços, nunca deixou de acreditar e lutar no sonho de uma sociedade justa e solidária para todos. Ser honesto paga-se um preço muito alto. Continuou sua vida, trabalhando. Mas tendo que se defender de muitos processos injustos na justiça, provocados por adversários políticos, com muito desgastes, na imprensa, muita tristeza por ser injustiçado e sozinho, a não ser a família e alguns poucos amigos. Mas, nunca perdeu a chama da luta, do sonho, de construir um mundo melhor para todos. Pagou o preço. Não recebeu apoio de entidades, sindicatos, igrejas, associações, partidos, todos tinham outros interesses, apesar de fazerem um discurso bonito, em nome da honestidade, da coerência, da ética, da transparência e da justiça, mas era só discurso vazio. Infelizmente. Passados muitos anos, ainda continuava a responder por processos na justiça, provocados pelos inimigos políticos, que infelizmente, a justiça aceitou. Neste momento, ele relembrava a fala de seu pai lá no sítio onde nasceu, quando era ainda um menino, que dizia: "Cuidado com as vespas". Na hora ele não tinha entendido direito a força daquela lição, agora ele entendeu, em toda a sua extensão, sabedoria e profundidade, o que aquela expressão carregava. Cuidado com as vespas! Sábio conselho. Ele ficava pensando. Porque, pelo menos, a justiça deveria agir com justiça. Ai vinha algumas perguntas em sua cabeça: "Por que não tratava-o com dignidade e respeito?! Por que não usava ele com exemplo de dignidade, que de fato era? Por que?!" Mas, mesmo assim, continuava seu caminho. Lembrava do conselho de seu pai que dizia: "Segue seu caminho, ele é estreito, mas é o único que vale a pena." Ele seguia, pagava o preço. No segundo turno da eleição para prefeito, aconteceu de tudo, para tentar derrotá-lo. De tudo mesmo! Pois ele estava ganhando a eleição, estava disparado na frente do adversário, apesar de tudo. Tinha muito apoio popular. Fizeram desde calúnia, com a famosa rádio peão, que soltava, inventando até escritura fria de fazendas, que diziam que ele tinha, nos estados de Mato Grosso e Goiais, tudo mentira, tiravam cópias, destas escrituras falsas, das supostas fazendas e pagavam para serem distribuídas de casa em casa, na cidade inteira, tentando confundir a população. Diziam, que ele tinha uma mansão enorme, em um condomínio rico da cidade. Tudo mentira. Enquanto, na verdade, ele continuava morando na sua única casa que tinha num bairro da periferia da cidade. Além de comprarem votos. Faziam rádio peão nos bairros, isto é, pagavam para pessoas ficarem nos bares e andar o dia inteiro nos coletivo urbanos, de casa em casa, falando mal dele, tentando desconstruir sua boa imagem diante da cidade. Um jornal da cidade soltou em manchetes garrafais, que a candidatura dele tinha sido impugnada em Curitiba. Tudo mentira, o processo que existia lá na justiça da capital nem era dele. Foram vários dias com manchetes de primeira página sobre o assunto. Deixando a cidade em dúvida. Que coisa louca! Um programa de televisão, destes populares, o de maior audiência da cidade e região, que tinha um apresentador muito popular, desrespeitou seguidamente a justiça eleitoral, fazendo campanha aberta para o adversário. Ninguém fazia nada, não tomava providência, o apresentador, ficava a vontade, para fazer a campanha para seu candidato a prefeito. Ai, depois de um bom tempo, diante do escândalo, faltando vinte quatro horas para a eleição, a justiça eleitoral, proibiu aquela ilegalidade. Tirou o programa do ar. Ai foi pior ainda, o apresentador, sem medo da punição, foi para o programa político do adversário e se passou com vítima, dizendo que estava sendo perseguido e falava que se seu candidato perdesse a eleição, ele, o apresentador, teria que ir embora da cidade, se mudar da cidade, colocando medo na população e pior ainda passando a ideia que iria ser perseguido se o seu candidato a prefeito não saísse vencedor e pedia o voto para seu candidato, para que isso não ocorresse, quase chorando no ar. Prejudicando muito e influenciando decisivamente o resultado da eleição A justiça ficou quieta por um tempo. Até passar a eleição. Só depois, a justiça tomou uma decisão, multando o apresentador e o rede de televisão e na decisão disse, que aquela atitude do apresentador, durante o processo eleitoral e do canal de televisão, prejudicou e influenciou o resultado da eleição. Só que não tomou nenhuma atitude no sentido de corrigir o erro. Não impugnou a eleição do candidato que foi beneficiado, nem deu a vitória para quem de fato de direito. A justiça, portanto, reconheceu que houve influência no resultado da eleição, mas não corrigiu o erro. Como ficou a vontade do povo?! Seguir o caminho correto é muto difícil, é estreito, paga-se um preço muito alto. Muitas vezes você fica sozinho, todo mundo se esconde, faz de conta que não é com ele, que não vê. Pessoas e entidades, agem assim, hipocritamente, covardemente, depois ainda fazem o discurso da ética e da honestidade. Que coisa! Mas é preciso seguir em frente, nem que for quase sozinho. Como disse meu pai: "Segue seu caminho, seu sonho, seu coração, aquilo que você acredita". Passado alguns anos, oito anos, depois de ter saído da prefeitura, de repente surge mais um processo na justiça contra ele. Os outros processos, ele tinha vencido todos, apesar do sofrimento que passou, de ser totalmente injustos, venceu, em silêncio, quase sozinho, venceu. Estava aliviado. Acreditava que tinha acabado, já tinha passado tanto tempo. Mas não. Os inimigos não desistiam, ainda tinham medo dele, acreditavam, que se deixassem ele quieto, poderia ressurgir das cinzas, pois ele era muito querido e respeitado, por isso, continuavam com suas maldades, para isso quase sempre usavam a justiça, porque eles não tinham credibilidade, mas a justiça sim, ai se escondiam atrás da justiça, para suas maldades. Sabiam que ele era honesto demais para deixar ele quieto, seria muito perigoso, correto demais, justo, carismático, e isso os incomodava, os preocupava muito, queriam de todo jeito colar um selo de desonesto na testa dele, como diziam, mas era muito difícil, por que não colava, todo mundo sabia de sua integridade, de sua história de honestidade, por isso tentavam através do judiciário. Faziam denúncias. A promotoria muitas vezes aceitava, ai a imprensa estava preparada, esperando, ai eram dias seguidos de manchetes garrafais nos jornais da cidade. Era justamente isso que eles queriam. Atingiam seus objetivos plenamente. Como era a justiça que estava processando, tinha credibilidade diante da população. Ele ficava sozinho. Foi muito triste. Todos se calavam, sabiam que era injusto o que estava acontecendo, mas se calavam. Ele que vivia só de seu salário, tinha que se defender, gastar dinheiro com advogados e outros gastos para se defender. Além do sofrimento, da dor imensa, que sofria por ser injustiçado. A cidade se calava. Ficava assistindo tudo quieta. Mas ele não desistia, de novo, lembrava dos conselhos de seu pai, que dizia: "Segue seu caminho, não abre mão daquilo que você é. Ergue a cabeça vai em frente." Isso o confortava e animava. Seguia em frente. Oito anos depois do fim de seu mandato na prefeitura da cidade, a justiça aceitou uma nova denúncia contra ele, sem nenhum fundamento, totalmente injusta, feita por "anônimos", inimigos políticos. Abriu-se a ação criminal e cível. Que sofrimento, para ele e para sua família, que dor, tristeza, injusto, uma injustiça que gritava aos céus. Ele ficava pensando, por que a justiça de nosso país fazia isso?! Será que não era arrogância demais, falta de humanismo, cegueira, falta de sensibilidade, falta de justiça?! Mas fazer o que?! Teve que enfrentar, de novo quase sozinho e com sua família. Era um juiz jovem ainda, de uns trinta e cinco anos de idade. Aparentemente bem preparado, um pouco arrogante. Chegou o dia dele ser ouvido. Foi ouvido uma vez só. O juiz num patamar mais elevado, em cima de um tablado, ao lado do promotor, ficavam conversando, cochichando, um no ouvido do outro, durante a seção, olhando de cima, numa atitude e posição de poder, ele lá embaixo, numa atitude de inferioridade, de humilhação mesmo, de um condenado, culpado. Começou a inquisição, o juiz tratando-o como um réu já condenado, culpado, em atitudes e perguntas totalmente arrogantes, desrespeitosas. Passou na sua cabeça, naquele momento, toda a sua história, a história de sua família, dos conselhos de seu avô e de seu pai, de honestidade, de homem de bem, de luta, de sua família, do bem que já fez pelo povo, pela cidade, dos risco que correu. Ele pensou será que este jovem juiz sabe disso? Queria acreditar. Mas tinha duvidas. Parecia que aquela seção era pró-forma, apenas protocolar, tinha a intuição que o juiz já tinha decidido, estava apenas cumprindo uma formalidade legal, um protocolo de ouvi-lo. O juiz perguntou tudo sobre vida dele, ele respondeu com tranquilidade. Achou estranho, mas respondeu tudo. Ele explicou para o juiz e para o promotor ali presente tudo em detalhes e franqueza, que estava tudo correto, que era pobre, que podia investigar a vontade toda a sua vida, que vivia de seu salário, que é um homem honesto. O juiz o tratava com se fosse um bandido, corrupto, foi muito triste. Estava tudo decidido. Mas tinha esperança, tinha que acreditar, queria acreditar, quem sabe o senso de justiça pudesse ainda prevalecer. Mas não prevaleceu. Foi condenado, multado, uma multa imensa, impagável para ele, sem nenhum sentido, fora totalmente da realidade, foi humilhado de novo. De novo, as manchetes dos jornais, nas primeiras páginas, de forma garrafais, humilhação total. O juiz foi cuidar de sua vida, fazer outros julgamentos, como se nada tivesse acontecido, quem sabe, até subiu na carreira, pelo sua atitude, foi homenageado. Ele, com certeza, não tinha consciência do mal que fez, com sua atitude, destruiu uma vida, uma história. Ele cometeu o pior dos pecados, o pecado contra o espírito. Há se ouvisse mais! Fosse mais humano, justo. Quem sabe a justiça um dia ainda vai ser justa. O juiz permitiu que ele pudesse recorrer a uma segunda instância da justiça, em liberdade, mas o juiz não sabia, que a partir daquele momento, tinha destruído a vida, a liberdade, de uma pessoa de bem. Pois mesmo livre, estava cumprindo a pena dele. O homem de bem, justo, sofre muito, com as injustiças que sofre, lateja permanentemente em seu ser. Acho que o juiz em sua arrogância, vaidade, não percebeu isso, o mal que fez. É amargo demais, ser injustiçado. Mas como disse seu pai, vai em frente, não desista, segue seu caminho. Tenha fé na vida, tenha fé em Deus. O juiz, com sua decisão, afastou um homem de bem, honesto, justo, experiente, sensível, carismático, que gosta do povo, correto, humano, da vida pública. Cometeu um pecado imenso contra a comunidade, contra o povo, contra a cidade, contra a justiça, contra a história. Acredito que ele não sabe disso, não tem consciência disso. Tudo feito em nome da justiça. Há se ouvisse mais. O pior, usando do aparelho do próprio Estado, para isso. Mas não podemos perder a fé na vida e na justiça. Ele recorreu, a segunda instância da justiça, e depois de quase dois anos, dessa decisão em primeira grau, houve a decisão em segunda instância. E, diante de tantas injustiças e aberrações cometidas, o colegiado, em segunda instância, o absolveu por unanimidade. Justiça foi feita. Ai não saiu nem uma manchete garrafal, nem uma linha na imprensa, pois não interessava. O menino saiu mais forte. Vale a pena não desistir e acreditar. Vale a pena ser honesto, paga-se um preço alto, mas vale a pena. O menino cresceu. Contar para não esquecer. História de um tempo, história de uma vida. Narrar é resistir. Publicado por João Ivo Caleffi Status: on-line João Ivo Caleffi Ex-Prefeito de Maringá-PR Publicado • 1 a 314 artigos Compartilhar 1compartilhamento

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