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História

Até no trabalho, a união faz a força

História de: Marlene Vono Soares
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/05/2004

Sinopse

Nesta entrevista, as três irmãs: Aparecida, Marli e Marlene contam a trajetória de sua família, formada em Populina, interior do Estado de São Paulo, que se mudou para a capital quando ainda eram jovens. Contam histórias de suas infâncias, as brincadeiras que mais gostavam, o casamento chuvoso com o namorado do bailinho que frequentavam, até a trajetória profissional dentro da empresa Aché, onde 7 dos 8 irmãos chegaram a trabalhar. Relatam como suas histórias de vidas e de profissão se juntam com o crescimento e mudanças da empresa e os aprendizados que tiveram nessa jornada.

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História completa

P/1 – Para a gente começar, eu gostaria que cada uma dissesse o seu nome completo, o local e a data de nascimento.

 

Cida – Meu nome é Aparecida de Lourdes Vono Palhardi. Eu nasci em 31 de julho de 1954, em Populina, interior de São Paulo.

 

Marli – Eu sou Marli Vono, nasci em 17 de março de 1958 em Populina.

 

Marlene - Marlene Vono Soares. Nasci em 17 de março de 1958 em Populina.

 

P/1 – Uma família de muitos irmãos, Cida?

 

Cida – Nós somos em oito irmãos. São cinco mulheres e três homens.

 

P/1 – Os pais de vocês são daqui de São Paulo também?

 

Marli – Meu pai e minha mãe são do interior de São Paulo.

 

P/1 – Onde é que eles nasceram?

 

Marli – Meu pai em Pindorama, estado de São Paulo e minha mãe de Tanabi, estado de São Paulo também.

 

P/1 – Vocês sabem como eles se conheceram?

 

(Marlene?) - Eles contam que eles iam em bailinhos. Eles moravam em sítios próximos e então os amigos eram comuns. A família de minha mãe era numerosa e a de meu pai também. Então, eles se conheceram através dos irmãos.

 

P/1 – Como era a família de seu pai? O que vocês sabem sobre a família do pai?

 

(Cida?) - Eles eram bastante unidos, tanto é que todos eles, até hoje, a maioria mora ainda no interior. Eles eram bastante unidos, assim como nós também somos. É de família realmente. Nós somos bastante unidos, até hoje.

 

P/1 – Eles faziam o quê, seus avós? Os pais do teu pai?

 

(Cida?) - Os pais, do...Quando eles vieram da Itália e da Espanha, eles trabalhavam na lavoura.

 

P/1 – Qual o pedaço da família que veio da Espanha?

 

Marli – Da minha mãe.

 

P/1 – Como é que chamavam seus avós, por parte de mãe?

 

Marlene – Por parte de minha mãe, a avó era Isabel e o avô Diogo Perez.

 

P/1 – Quais lembranças vocês têm desses avós?

 

Marli – As avós, inclusive morreram as duas, tanto a mãe do meu pai quanto a mãe da minha mãe elas morreram, no ano em que eu e a Marlene nascemos. Então nós... Só fotos que eu tenho até hoje. Agora os avós, já não. O espanhol, vô (Guelo?) e o Vovono, eles não. A gente teve assim não muito contato também, porque logo nós viemos para São Paulo e eles ficaram no interior, mas eram muito carinhosos. Brincalhão. Espanhol é brincalhão, bem legal.

 

P/1 – Como é que era a infância lá no interior? Vocês moravam onde?

 

Cida –[risos] Da infância, eu tenho mais histórias do que minhas irmãs porque eu vim do interior com 12 anos e elas eram mais crianças que eu. Nossa infância, principalmente a minha e de um irmão mais velho que eu, dois anos mais velho que eu, foi assim uma infância muito diferente daqui de São Paulo. A gente brincava, tinha bicicleta. Você podia andar de bicicleta na rua. Eram aqueles balanços que faziam em árvore. Nós moramos por três meses num sítio. Meu pai comprou umas terras, uma pequena fazendinha, uma fazenda lá, e então nós fomos, ficamos três meses. E aí, por causa de escola, era muito distante, e nós voltamos. Mas mesmo na cidade, nós moramos muito tempo em uma chácara bem próximo da cidade. Ali, nossa, a gente brincava muito. Subia em árvore, às vezes a gente fazia artes, porque eu e meu irmão, nós aprontamos muito. Até minha mãe fala que os que mais apanharam na família, foi eu e meu irmão, porque a gente aprontava mesmo. A gente aprontava, subia em árvore, minha mãe tinha que subir atrás, meu avô, meu pai também. A gente até brinca, teve uma vez que a minha mãe subiu na árvore e meu avô embaixo: “Desce, desce”. Então assim, nossa infância foi muito bonita no interior. Agora, depois que a gente veio para São Paulo, que também era criança, na verdade, mas aí muda, porque aqui você já é uma estranha. Mas o pouco que nós vivemos no interior foi muito bonito, sim. Uma infância bem livre, bem solta, de fazer aquelas caminhas, jogar na enxurrada. Nós temos bastante história. Eu e meu irmão mais velho, de infância, no interior.

 

P/1 – E vocês, que lembranças têm dessa casa, dessa chácara? Têm alguma?

 

Cida – Não. Porque na verdade, elas tinham uns três anos, que a Marli... Lembra Marli que você tomava água doce, de pequena? Era na chácara. Marli, elas duas eram muito pequenas naquela época.

 

P/1 – Como é que é essa história de água doce?

 

Cida – [risos]

 

Marli - Minha mãe conta que eu tomava água doce todo dia para dormir. E as duas pequenininhas, nós devíamos ter uns três anos. Então aquele dia, ela já tinha dado água doce para mim e eu queria e queria e queria e aí o meu pai ficou bravo e quis bater. Foi dar umas palmadinhas em mim, e deu na Marlene [risos], confundiu. Gêmeas. Então, até hoje a gente brinca que ela apanhou por minha causa.

 

P/1- Essa água doce o que era? Era água com açúcar?

 

Cida - Água com açúcar.

 

P/1 – Você lembra do nascimento das gêmeas, Cida?

 

Cida - Olha, eu não lembro, porque a diferença nossa é quatro anos. Não tenho assim lembrança. Minha mãe que conta. Minha mãe conta – até estava comentando ali atrás– primeiro foi meu irmão, depois eu e depois veio as duas gêmeas. E não tem gêmeas na família. Quando as duas nasceram o meu pai tinha uma padaria na cidade. Era interior, cidade pequena, e a nossa casa era na frente dessa padaria. Então, aquela festa. Puxa vida o nascimento do filho, da filha, sei lá o que era? Não sabiam. Era parteira que fazia o parto em casa. E meu pai, muito carinhoso, ele sempre foi um paizão, muito dez. Nascer o filho, nossa, tinha meu irmão e eu e nasceu mais uma – que a Marlene nasceu primeiro. Então meu pai todo contente: “Nasceu minha filha”. Foi na padaria todo feliz: “Nasceu, mais uma menina”. Não sei o quê, não sei o quê, todo feliz. A hora que nasceu saiu que nem um louco. E a hora que ele voltou, surpresa dele, tinha nascido mais uma. [risos] Aí ele voltou na padaria: “Nasceu mais uma”. Foi muito bacana tudo isso pra nós. Eu não lembro muito porque era muito pequena, mas a minha mãe conta essas histórias e a gente... Nós somos muito família, isso para a gente, deixa muito feliz.

 

Marli – E ela conta também que depois da gravidez de mim e da Marlene, ela teve outras duas, e que meu pai no próximo parto ficou esperando. Vai que venha duas de novo. [risos] Ele esperou e realmente vieram mais duas.

 

P/1 – Mais duas?

 

Cida e Marli – Mais duas.

 

P/1- Como é que chamam?

 

Marli – Marisa e Maraisa.

 

P/1 - Essa padaria, você tem mais lembranças? Como é que era essa padaria?

 

Cida - Não tenho, não. Era muito pequena.

 

P/1 – Vocês comentaram um pouquinho do pai, que era uma figura carinhosa. Queria que vocês descrevessem um pouquinho mais. Como é que era esse pai dentro de casa? Como ele era fisicamente?

 

Marli - Meu pai sempre trabalhou no comércio, sempre próximo de casa. Ele nunca foi uma pessoa de ter amigos fora. Amigos pra ele sempre foi a família. Ele ajudou minha mãe na educação, e foi um pai muito presente. Nunca foi de repreender demais. Lógico, repreendia dentro do normal que qualquer pai da época. Mas ele nunca foi assim um pai muito rígido, muito pelo contrário, ele dava mais liberdade que minha mãe. Minha mãe já não, era mais séria, carinhosa, porém séria. Então a parte das bagunças eram mais com meu pai. Ela já puxava um pouquinho as rédeas, mas também era aquela mãe que... Nós fomos fazer a matrícula de escola, a gente, nós estávamos terminando o ginásio, porque até então ela ia para a gente. Sabe essa mãe assim, deixava tudo pronto para você. Ela sempre levantou cedo para preparar o cafezinho dos filhos. Eles passaram isso para a gente. Agora hoje, quem cuida dela sou eu [risos].

 

P/1 – Vocês têm a mesma lembrança? Queriam completar alguma coisa?

 

Marlene - A lembrança que eu tenho também é que meu pai sempre exigiu da gente a união. Que a gente se ame realmente, que sejam unidos. Quando, se caso houvesse alguma festa, de aniversário, alguma coisa, e um dos filhos deixava de ir, ele queria saber o porquê aquele filho não foi. Porque ele fazia questão que fossem todos e não faltasse ninguém realmente. Ele sempre preservou muito isso, a união da família. Então, ficava muito triste se algum faltava, deixava de ir por qualquer que fosse o motivo. Ele ficava muito triste. A gente sente muitas saudades dele.

 

P/1 – Como é que era essa casa cheia de mulheres? Como é que era um domingo típico em família? [risos]

 

Cida – Em casa sempre, até hoje, na casa da minha mãe, no caso, sempre tem muito gente. Às vezes a minha mãe até fala: “Vocês parem de ficar se preocupando comigo. Me deixa”, mas não tem como, nós somos super apegados. A Marli foi viajar agora nas férias, a Marlene estava na chácara, e eu fiquei só uns dias em Mairiporã e voltei. Então, eu ligo, a outra liga, a outra liga. Ela fala: “Puxa vida. Não sei porque vocês ligam tanto, estou bem. Se precisar de alguma coisa eu vou procurar vocês. Vocês não me deixam nem dormir. Às vezes eu estou dormindo, o telefone toca. Eu já falei para a empregada não me chamar, deixar eu dormir.  Depois que eu acordar eu ligo”. [risos] Então, nós somos... Acho que é uma dádiva de Deus. Meu pai e minha mãe passaram isso muito legal pra gente, de uma forma assim muito... Sem exigir nada. Eu acho que fluiu natural. Essa união, esse carinho que a gente tem por eles. A gente até brinca. Meu pai faleceu, mas a gente fala. Ele lá de cima acho que ele fala: “Que família maravilhosa que eu deixei”. Também não é só maravilha. É lógico que em toda família existem divergências de opiniões e de personalidades, lógico que tem, não é só brincadeira, só risos, só coisa boa, mas nós somos muito unidos. Ele lá de cima deve falar: “Que família maravilhosa que eu deixei lá”. [risos]

 

P/1 – E quando meninas, como é que isso funcionava? Sentava todo mundo na mesma mesa, dormia no mesmo quarto? Como é que era a casa de vocês?

 

Marlene – Ah, era uma bagunça. [risos] Nós nunca moramos assim em casa muito grande depois que nós viemos para São Paulo. A situação não era tão boa, mas, dormia todo mundo no mesmo quarto. Era sempre o quarto do meu pai e da minha mãe e o nosso. Tinha sempre aquele irmão que tinha que dormir na sala, mas a gente não lembra de ter tido brigas.

 

P/1 – Era beliche? Como era?

 

Cida – Era beliche. Cama para cá, cama para lá.

 

P/1 – E as roupas? Como é que funcionava?

 

Cida - Uma usava da outra. Eu nunca fui de dizer: “Ah, não põe minha roupa”. Eu não ligo, mas a única coisa que tinha às vezes era isso, de uma colocar a roupa da outra. A gente saía junto, os amigos eram sempre os mesmos, nunca tinha problema não. A minha mãe fala que foi muito fácil criar a gente, porque um era amigo do outro. A gente se bastava. Eu penso assim: para você ter amigos fora, acho melhor você ter amigos dentro da sua própria casa. É lógico que nós devemos ter amigos como nós temos, inclusive no Aché a gente tem amigos de 30 anos e a gente cultiva essa amizade até hoje com carinho, como se fossem irmãos também. Mas, não nunca tivemos...

 

P/1 – E quem é que cozinhava? Era a mãe?

 

Cida – Era a mãe.

 

P/1 – E qual era o prato mais gostoso que a mãe preparava?

 

Marlene – Arroz, feijão, carne com batata. A macarronada dela também era maravilhosa. Os docinhos. Ela gostava muito de fazer as coisas para a gente, então ela fazia docinhos, fazia sonhos, às vezes a gente, aquele monte de filhos, às vezes até saía briga, [risos] porque um pegava mais que outro. “Por que a senhora deu mais pra esse do que para mim?” Então ela: “Não, imagine. Eu dou um pouco mais para você”, mas sempre aquela coisa saudável, gostosa, de família.

 

P/1 – E as brincadeiras, como é que eram os irmãos e as irmãs brincando junto? Qual era a grande brincadeira de vocês?

 

Marlene - A gente gostava muito de cantar. Naquela época, o que a gente fazia? A gente pegava um cabo de vassoura e cantava músicas sertanejas. Eu cantava, a Marli, a Cida, o meu irmão mais velho. A gente lembra que a gente cantava muito.

 

P/1 – Cantava pra quem assistir?

 

Marlene – Os pais, os colegas. Juntava grupinho de colegas e cantavam também. A gente gostava muito de brincar de boneca, fazia até batizado da boneca. Fazia festa. Minha mãe fazia bolo, as mães das amiguinhas também faziam bolo, ki-suco, (turbina?). Era festa, batizado, mesmo. A gente batizava a boneca. Lembra? Que delícia não?

 

P/1 - Qual foi a sua boneca favorita? Você lembra?

 

Marlene - Não. Eu participava, mas eu já gostava mais de cantar e eu brincava de professora. Eu tinha lousinha, era mais assim... Boneca, eu não tenho nenhuma que me gravou.

 

P/1- Tem alguma Cida?

 

Cida – Não. Eu fui mais de cantar também. Não brinquei muito de boneca não. Por incrível que pareça, não brinquei muito de boneca. Eu era assim muito delicadinha, muito dócil. Eu me comportava, desde criança que nem mocinha. E o pessoal falava: “A Cidinha é tão educadinha, tão delicada”. Eu não tinha assim boneca, essas coisas. Eu achava que meu negócio era brincar de casinha. Era comadre... Minha mãe fez lá um fogãozinho de barro, que antigamente a gente mesmo fazia. A minha mãe fez um fogão pra mim, um fogãozinho, e ela comprava caldeirão de alumínio mesmo, bonitinho. Caldeirãozinho, panelinha pequenininha, e é lógico que quem fazia era minha mãe, mas a gente fazia de conta que era a gente. Então fazia comidinha, chamava as amiguinhas que vinham em casa. A gente brincava de casinha. Era muito legal. Era uma infância assim sadia, diferente de hoje, mas muito legal [risos].

 

P/1- E a cantoria? Vocês cantavam juntas, ou era cada uma cantava?

 

Cida – Eu cantava muito com meu irmão mais velho, o Osmar, ele gostava também de cantar. Meu pai comprava... Antigamente tinha uns livrinhos de letra de música sertaneja, lá do Tonico e Tinoco, Zico e Zeca. Então a gente... Eu cantava mais com meu irmão, os dois mais velhos. Meu pai comprava livrinho de música, de Zico e Zeca, Tonico e Tinoco e a gente cantava. Pegava aqueles livrinhos e cantava. Então, às vezes à tarde – interior não tem televisão, essas coisas – de tardezinha, depois da janta, a gente sentava lá e cantava. Vinha amigos de meu pai, vizinhos, essas coisas: “Vem ver as crianças cantar”. A gente cantava, era uma festa.

 

P/1 – Canta um pedacinho [risos].

 

Cida – “Canta um pedacinho, canta filho”. Era assim mesmo.

 

P/1 - Vocês não querem cantar um pedacinho?

 

Cida – Não. Não arrisco [risos].

 

P/1 – Um trechinho só. 

 

R 1, 2, 3 – Não, não dá para arriscar mais.

 

P/2 - E na escola? Vocês estavam estudando nessa época? Ainda eram muito pequenas? Vocês falaram da vinda para São Paulo. Como é que foi essa vinda? Vocês vieram de ônibus? Vieram como?

 

Marli – Nós viemos de trem. A família veio de trem e a mudança veio em um caminhão. Veio inclusive a nossa família, meus pais e um tio meu com a família também. O meu pai era mais apegado com esse irmão. Sempre trabalharam juntos. Quando chegou a tomar a decisão de vir para São Paulo, veio esse meu tio junto também.

 

P/1- E como é que foi essa viagem? O que vocês lembram do trem?

 

Cida - Eu não lembro muito. Eu tinha seis anos. Não lembro quase nada.

 

P/1- E a chegada em São Paulo? Vocês lembram? Chegaram onde? Lá na Luz?

 

Cida - Deve ter sido na Estação da Luz. Tinha um amigo dos meus pais esperando por nós e esse amigo já havia arrumado casa para a gente morar. O nosso anjo da guarda em São Paulo foi esse amigo.

 

P/1- Onde vocês foram morar?

 

Cida – No bairro da Brasilândia. Hoje eu nem sei onde é. Nós moramos uns oito meses só e depois nós mudamos para a Vila Maria. Na Vila Maria nós moramos muitos anos.

 

P/1- Como era essa casa na Vila Maria? Você lembra, Marli?

 

Marlene – Eram dois quartos, sala e cozinha. Era uma casa gostosa. O lugar também, ficava ali na rua Amélia Mendel. Era um lugar gostoso, tranquilo, uma casa gostosa.

 

P/1- Que lembrança você tem da São Paulo dessa época? Vocês iam passear onde na cidade?

 

Marli – A gente não ia passear.

 

P/1 – Não?

 

Cida – Não, porque a gente não conhecia nada, meus pais também não conheciam São Paulo e então, eles eram assim... Caipiras mesmo. A gente não conhecia, a gente não ia passear. O máximo que a gente ia era algum parquinho próximo. Final de semana a gente ia na casa da tia assistir televisão porque nós não tínhamos televisão em casa. O nosso divertimento no final de semana era ir na casa de uma tia, assistir o Sílvio Santos. [risos] Jovem Guarda... A gente não saía não.

 

P/1- Que outras brincadeiras, que diversões nessa época?

 

Marli – A gente brincava muito de pular corda e pular amarelinha. Nossa! A gente adorava o final de semana.

 

P/1- Na rua?

 

Marli - Na calçada. Naquele tempo podia. A gente ficava na calçada, riscava amarelinha no chão e pulava corda. Inclusive, o Carlão, do Aché, a gente já conhecia desta época da Vila Maria. Isso tem 35, 37 anos. Ele brincava com a gente. Ele era mais velho. A gente sempre lembra que ele batia corda para a gente pular, para mim e para a Marlene pular. A Cidinha já era mais mocinha. Ela já ia para os bailinhos e as criancinhas ficavam... [risos]

 

Marlene – [risos] Ficava lá esperando terminar o baile para eles baterem corda para nós pularmos.

 

Cida - Mas mesmo assim, a gente brincava também. Eu lembro dessa casa, ela era mais baixa que o nível da rua. Então, tinha aquele muro e a gente, o pessoal sentava naquele murinho, no muro da casa. A gente ficava sentado lá, de noite, batendo papo, pulando amarelinha, corda... Os moços da rua também eram amigos da gente. Eu lembro que uma vez nós inventamos de amarrar uma nota de sei lá quanto... Um real, não sei, [risos] com uma linha. E não lembro quem se escondeu atrás do muro. Ficava todo mundo sentado, e alguém lá atrás. Então, o pessoal passava na rua, via a nota de dinheiro, quem que não vai pegar? Quem não vai abaixar para pegar. [risos] Quando a pessoa abaixava, a gente puxava. Coisa de criança mesmo, mas é coisa que hoje criança não faz mais isso. Naquela época a gente se divertia com tão pouco. Ao invés de ficar brigando que nem hoje as crianças ficam, brigando, aprendendo o que não agrega nada. Se bem que isso também não, mas pelo menos você brincava. Era uma diversão. Uma coisa sadia. Sei lá, de você estar brincando e passar umas horas bem descontraídas.

 

P/1 – E o bailinho? Como é que era?

 

Marli – O bailinho, era o quê? Era um pessoal que jogava bola, um time de futebol, tinha lá um salão e tinham os bailes de fim de semana. Mas assim, era só família, o pessoalzinho da rua. Não tinha o que falavam “bicão”. Entrava alguém estranho já ficava todo mundo de olho. Era legal. Ia aquela turminha, aquele grupinho e dali saíam alguns casamentos. Foi ali, eu estava comentando, que eu conheci meu marido.

 

P/1 – Como é que foi esse dia? [risos]

 

Cida – O meu marido, eu conheci. Ele estudava com meu primo e com o Carlão lá do Aché. Meu marido estudou o ginásio, o colégio com o Carlão. E o Carlão sempre convidava, o Carlão e meu primo, sempre convidavam meu marido para ir no bailinho lá. Meu marido também chama Carlos. O Carlão também. “Carlão, vai no baile. Dá uma passadinha lá na sede”. Como ele frequentava outro salão, o Olímpia, lá na Vila Maria baixa, ele: “Está bom, um dia, qualquer dia eu passo lá”. E nunca ia. Aí, um belo de um dia ele passou e aí meu primo e o Carlão, nosso amigo, falou: “Entra”. Hoje ele conta, a gente até brinca:“Bati os olhos, [risos] te vi e foi amor à primeira vista”. Foi dali que começou. Lógico, não começamos a namorar esse dia. Aí na semana seguinte tinha o aniversário de um amigo, nós fomos nesse aniversário, todo o grupinho dali, aquele grupinho de amigos, fomos no aniversário desse amigo nosso e lá, você vê como hoje em dia é tudo diferente. Antigamente era tão puro, a coisa. Ele queria namorar comigo, mas só que ao mesmo tempo gostava de farra e acho que pensou: “Vou namorar com ela...Tenho que tomar cuidado onde piso”. Então, o que ele fez? Deixou um chaveiro comigo para arrumar um pretexto para voltar na semana seguinte, para poder me ver. Ele deixou o chaveiro comigo e na semana seguinte ele foi lá no bailinho da sede: “Ah, meu chaveiro...” E a gente começou a namorar. Namoramos uns três anos, e este ano eu faço 28 anos de casada. Você vê como é a vida da gente? Uma coisa. Hoje em dia não acontecem mais essas histórias.

 

P/1 – E o casamento? Como é que foi Cida? A cerimônia do casamento? Você lembra?

 

Cida – Lembro, uma chuva danada, meu Deus do céu.[risos] Meu casamento foi uma coisa bem simples. Na verdade, o meu casamento foi assim... No dia do meu casamento choveu muito, não teve assim... Não foi festa, aquela coisa simples. Foi o casamento no civil no dia 22 e na igreja no dia 23. A gente marcava assim. No dia 23 a gente já estava de férias do Aché e aí já casava e não precisava faltar. A gente já aproveitava as férias e então nós marcamos o casamento para essa data. E foi assim, lógico, uma cerimônia simples, mas tinha os amigos de sempre, aqueles amigos mais íntimos estavam presentes. Mas foi bacana, meu casamento foi muito legal. Só que choveu. Choveu horrores, aquele vestido todo... Ai, meu Deus. E antigamente também, uma família humilde, não era salão, não era nada. Era em casa. Se fazia aqueles cobertos com lona, e aí choveu e era água pra todo lado. Era um horror. Mas foi bacana. Pelo menos você tem história. Eu falo que se eu pudesse fazer tudo de novo, o meu casamento eu faria.

 

P/1- Você lembra dessa festa de casamento em casa? Muita água?

 

Marlene – Muita água.

 

Cida – Choveu bastante no meu casamento. Eu sempre falo para o meu marido, sempre falei para ele: “Se eu pudesse voltar no tempo, eu faria tudo de novo”. Porque o casamento é uma coisa tão bonita, o sonho de toda mulher de que tudo aconteça perfeito. É lógico, de uma maneira totalmente diferente de hoje, mas mesmo para a época, a chuva estragou muito, mas foi legal.

 

P/1 – Quando sua família veio para São Paulo, o seu pai e a sua mãe foram trabalhar com o quê aqui em São Paulo?

 

Marlene – A gente veio em uma situação bem ruim. Então, meu pai, ele foi ser feirante, e a minha mãe lavava roupa desse pessoal que jogava bola. Minha mãe lavava roupa do pessoal e meu pai trabalhava na feira. Inclusive a Cida ajudava também o meu pai na feira.

 

P/1 – Era barraca do quê, o que tinha?

 

Marlene – De chinelo. Ele vendia chinelinho.

 

P/1 – Vocês também iam para a feira?

 

Marlene – Não. Eu e ela não.

 

Cida - Eu fui um tempo, mas era uma coisa assim muito cansativa. Então meu pai tinha dó porque eu era criança. Eu tinha 12, 13 anos, por aí. Então meu pai falou: “Não. Deixa, não vai não. Pai vai sozinho e você fica em casa”. E aí meu pai não deixou mais eu ir. Eu fui e trabalhei um tempo na casa de um primo meu. Fiquei lá acho que um mês mais ou menos. Mas a gente, nós somos, meu pai e minha mãe, a gente era muito apegado. Não era legal a gente ficar assim longe. No meio de tudo isso, meu irmão já trabalhava no Aché, meu irmão mais velho que eu. Aí meu irmão arrumou para mim. Eu já tinha 13 pra 14 anos. Fechava o frasquinho, a outra rotulava, era uma rotuladora manual. A Dóris também vai ter história pra contar disso, porque ela trabalhava junto comigo. Rotulava manual, aquelas máquinas de cola fria, não é etiqueta adesiva como é hoje. Aquelas máquinas manuais. Rotulava, a pessoa passava na cola, punha na esteira e a outra acertava o rótulo e ia então as caixinhas. Tinha uma equipe que ficava montando no outro balcão os cartuchos, trazia os cartuchos montados e aí a gente pegava o vidrinho, vamos falar de frasco de vidro que fica mais fácil, pegava o vidro, colocava dentro e a outra – a gente empurrava, fazia umas carreirinhas e ia empurrando. Tinha que tomar cuidado para não passar faltando alguma coisa. Algum item, uma bula ou o que seja. A gente empurrava e a outra punha a bula e a outra ia fechando. Mais pra frente punha em caixas de papelão com rótulo e tal, e ia para expedição. Era muito legal.

 

P/1 – E como é que era a casa da rua Nova dos Portugueses, Cida. Do Aché?

 

Cida – Onde a gente morava?

 

P/1- Não. Que vocês trabalhavam primeiro. Como era o prédio do Aché?

 

Cida - O prédio dali, ele tinha a entrada, que dava para a rua e ali ficava a telefonista, a recepção. Aí subia e tinha a parte administrativa. A (hipodermia?) ficava nesse piso. Manipulação de líquidos. E tinha uma escada lateral, ali tinha a parte de sólidos, onde faziam os comprimidos e um grande salão que era a embalagem. E ali próximo também, dos lados, tinha onde era o envase de líquidos, onde a gente escolhia as cartelinhas de comprimidos. Depois descia e era a cozinha. Nossa! Era muito legal. Esquentava as marmitas [risos]. Aí tem história com o Carlão, com a Dóris.

 

P/1- O que acontecia nessa cozinha?

 

Cida - De manhã, a gente chegava, tinham os banheiros e a cozinha, onde a gente deixava as marmitas. A Chiquinha, que era a pessoa que fazia o café para a gente, o café de manhã. A gente deixava as marmitas arrumadinhas e ela desembrulhava e esquentava para a gente, para o almoço. E depois, mais para baixo era todinha a parte de expedição, almoxarifado.

 

P/1- Como é que você ia da tua casa lá para o Aché?

 

Cida - Ia de ônibus. Pegava dois ônibus. Nós morávamos nessa época, na Vila Maria, nesta casa que as minhas irmãs falaram. Eu tinha que pegar duas conduções, dois ônibus para ir até o Aché. Nossa, a gente tem bastante lembrança disso. Meu irmão, que também trabalhava no Aché, ele era assim... Os homens, eles não... A mulher geralmente é mais rigorosa. Eu ficava danada da vida porque ele saía atrasado de casa. Aquilo para mim era a morte. Eu não queria chegar atrasada no meu trabalho. Ele chegava na hora também, mas chegava em cima da hora e eu não gostava daquilo. Meu pai pedia, e eu tinha o quê? 14 anos... E meu pai não gostava de eu ir sozinha, porque eu tinha que pegar duas conduções. Ele pedia para o Carlão para passar em casa, que era caminho: “Não Carlão passa aqui e você vai com a Cidinha, que eu não quero que ela vá sozinha”. Ele passava ou passavam outros amigos que trabalhavam por lá também. Mas, era para o Carlão. A turma que passava, a gente ia junto. Então ia para o Aché. A gente pegava um ônibus ali próximo de minha casa, descia em Santana e pegava um outro ônibus aí na Dr. César...

 

P/1- Tinha um tchauzinho da janela, não tinha? Como é que era isso?

 

Cida - Tinha. [risos] O tchauzinho da janela? O tchauzinho da janela era assim: a gente saía para trabalhar, e essa casa, ela ficava num ponto baixo da rua, mas mesmo assim a gente passava por uma rua mais baixa, e elas, a Marli e a Marlene, desciam no quintal, na lavanderia no fundo da casa para falar tchau pra gente. Então ficava lá de baixo: “Tchau, Tata, Tchau, Carlão”. E é Tata, a irmã mais velha antigamente era Tata e o irmão era Tato.

 

P/1- Você lembra disso? Como é? Ela saia correndo até o quintal? Como é que era?

 

Marli – Era uma alegria, para a gente que era criança, tudo é farra. A gente descia isso... Ficou bem gravado. Tenho bem gravado na minha mente. O Tato, a Tata, o Carlão indo trabalhar com a Cida. A gente fazendo tchauzinho. E era quase todos os dias. Não era de vez em quando não. A irmã mais velha estar indo trabalhar, cria orgulho, é gostoso.

 

P/1- E vocês foram para o Aché em que época? Vocês duas?

 

Marli – Em 1971. Dia 11 de janeiro de 71 a Marlene começou e em 11 de fevereiro de 71 eu comecei.

 

P/1 – Lá no Imirim também?

 

Marli e Marlene – Lá no Imirim.

 

P/1 – E aí vocês começaram a ir juntas para lá. Como é que era?

 

Marlene – Íamos nós três. A gente pegava o ônibus. O procedimento acho que era o mesmo. [risos] A gente pegava o ônibus, ia, levava a marmitinha, tudo direitinho. Sempre com muita responsabilidade.

 

P/1 – Marlene, você era bem novinha.

 

Marlene – Era.

 

P/1 – Tem até uma história que você precisou de uma autorização para trabalhar. Queria que você contasse um pouquinho essa história, se você lembra desse dia.

 

Marlene – Eu lembro que nós precisávamos trabalhar e nós éramos muito jovens, tanto eu quanto a Marli, 12 anos. E a gente queria trabalhar porque a gente já gostava do Aché só de ver eles comentarem. Eles, o Carlão e outras pessoas que moravam lá no bairro e que eram amigos da gente, comentar. Então, o sonho da gente era ir para lá também. Aí, estava precisando de funcionários e falaram: “Se quiserem, a gente, a Cida...” Eles conversaram lá: “Não, não. Pode trazer as suas irmãs.” Nós fomos e só que como a gente era muito nova não podia ir. 12 anos. Aí, minha mãe foi no Juizado de Menor, pegou a autorização, inclusive eu tenho minha carteira profissional com a autorização, que eu tenho o maior orgulho disso, mostro para os meus filhos porque eu acho que é um exemplo de vida que eu passo pra eles. E aí eu passei a trabalhar no Aché também.

 

P/1- Fazendo o quê, exatamente?

 

Marlene – Auxiliar de embaladeira também. A mesma coisa que a Cida. Trabalhei de auxiliar de embaladeira, rotulava também e tudo o que se fazia eu sempre fiz também.

 

P/1 – Como era esse trabalho exatamente? Descreve um pouquinho.

 

Marlene – Quando se estava saindo, fabricando líquidos, tinha a máquina de enchimento, tinha uma maquininha, ela chamava máquina de vedagem. Era manual. Então você tinha que ser rápida. Você pegava os vidros que vinham assim numa esteirinha, fechava. Você tinha que usar as duas mãos e o pé, para fechar. Você tinha que ser super rápida porque senão vai e vaza. E não podia, lógico, vazar. Então você tinha que ser bastante rápida. Aí você fechava os vidros e ia para uma roda e tinha uma rotuladora também manual que você colocava o rótulo. Outra pessoa colava os rótulos, outro funcionário colocava na caixinha, outro colocava a bula e outra funcionária fechava, e outra funcionária colocava dentro das caixas de embalagem.

 

P/1- Só não entendi a parte que tinha que usar o pé também.

 

Marlene – O pé, na hora de você fechar o vidro, a máquina rebate, a gente marca assim: “A máquina rebate”. É uma recravadeira. Os vidros não têm aquela tampinha de alumínio? Aquela tampinha de alumínio ela precisa ser posicionada, que é pra fechar o vidro. Você pegava a tampa, o vidro com a tampa, passava pela recravadeira que você colocava manual, punha, encaixava o vidro um por um. Você encaixava o vidro na máquina, apertava o pé, fechava e passava para o outro lado. Tudo manual.

 

P/1 – Tinha barulho?

 

Marlene – Tinha. Tinha bastante barulho, sim. A gente acostumava. Era muito gostoso.

 

P/1 – E trabalhavam as três na mesma bancada? Como é que era?

 

Marlene – Às vezes sim. Quando precisava eram as três juntas. Às vezes, não. Às vezes, uma estava nos líquidos, a outra estava na parte de embalagem, eu estava na parte de carimbar os cartuchos.

 

P/1 - Como é que era carimbar os cartuchos?

 

Marlene – Era uma máquina também. Você usava as mãos e os pés também. Era uma máquina, que você abria os pacotes de cartuchos, colocava ao lado da bancada da máquina. Com uma mão você empurrava o cartucho para carimbar e com a outra você tirava. E com o pé, você fazia com que a máquina carimbasse os cartuchos.

 

P/1 – Cartucho com comprimido?

 

Marlene – Não. O cartucho vazio. Aí você carimbava os cartuchos e esses cartuchos que passava para um outro grupo montar, fazer a montagem das caixinhas, que ia para embalar.

 

P/1- E a embalagem dos comprimidos, como é que era naquela época? Você lembra?

 

Marlene – Lembro. Eu trabalhei pouco na embalagem, mas me lembro. [risos] Hoje eu sou gerente da embalagem. Totalmente diferente. Mas na época também manual. As meninas montavam os cartuchos, colocavam em caixas de papelão que a gente apoiava em um banco em cima da esteira. A gente punha a caixa em cima desse banquinho e na esteira, um grupo ia selecionando os envelopinhos e soltando montinhos, com a quantidade de acondicionamento por produto. Produto que ia três strips (cartuchos) soltava um montinho de três, e as pessoas que estavam junto a essas caixas de cartuchos já montados, e ia acondicionando com a bula, o strip, fechava a caixinha e deixava na esteira. Aí seguia, colocava em caixa de embarque também. Era o mesmo processo dos líquidos, só que...

 

P/1 – E depois do trabalho, tinha uma parte de reunião das pessoas que trabalhavam lá? Vocês iam embora juntas? Tinha um barzinho lá perto onde vocês iam tomar um guaraná? Como é que era? Tinha assim um ponto de encontro?

 

Marli – Tinha barzinho mesmo. Hoje tem lanchonetes grandes. Ali tinha o barzinho do português. [risos] Na hora do almoço ia tomar um lanche se não levasse a marmita ou ia tomar um sorvete. Então tinha sim, a gente lembra bem o bar do português.

 

P/1 - Ia tomar sorvete?

 

Marlene - Sorvete, refrigerante.

 

P/1 – E vocês continuaram estudando nessa época ou vocês pararam de estudar?

 

Marlene – Nós continuamos estudando.

 

P/1 – Como é que conciliava o trabalho com o estudo?

 

Marlene – Era difícil, porque não tinha ônibus e na época nós morávamos na Vila Maria. Duas conduções. Mas dava para coordenar.

 

P/1- Vocês saíam de lá e iam para a escola? Onde é que ficava a escola? 

 

Marlene – Na Av. Guilherme Cotching, na Vila Maria, a Escola Estadual João Vieira de Almeida.

 

P/1 - E que lembrança vocês têm da escola?

 

Marlene – [risos] Eu sempre falo que escola é o lugar onde você se solta. A gente era responsável o dia inteiro no trabalho. A hora que vai para a escola você extravasa um pouco mais. Então, a gente brincava muito. Nossa Senhora. Tinham aquelas amiguinhas de escola, paquerava, às vezes cabulava a aula para ir ao cinema. Muito pouco. Até que nós fomos bem certinhas. Mas também tinha...

 

P/1 – Quem era a mais paqueradora das três?

 

Marli – Acho que a Marlene. [risos] A Marlene era mais... Ela sempre foi muito extrovertida. Eu já mais séria. A Cida, então, casou muito nova. O primeiro que conheceu ela casou [risos]. Então, nessa parte de paquera, quem participou mais foi eu e a Marlene e as outras duas gêmeas, que a diferença de idade é de dois anos só. A gente saía junto. A Marlene era...

 

P/1 – E o pessoal não fazia a maior confusão? Duas gêmeas mais duas gêmeas? Não deu confusão essa história?

 

Marlene – Não porque nós somos assim... Não somos idênticas. Eu e ela e as outras duas irmãs minhas, também não são idênticas. Então não dá. Eu sou um pouquinho mais fortinha, sempre fui um pouquinho mais forte. E ela, miudinha. As outras duas também, uma é mais fortinha, assim como nós. Dá para saber quem que é uma quem que é outra. Se fosse o contrário seria melhor. Haveria situações que seriam até convergentes mas, nesse caso, no nosso caso, nunca deu para uma passar pela outra não. [risos]

 

P/1 – Já que você era a mais paqueradora, eu queria que você contasse a história do primeiro namorado. Você lembra?

 

Marlene – O primeiro namorado?

 

P/1 - Ou a primeira pessoa que marcou assim.

 

Marlene – O primeiro namorado mesmo... Eu paquerei...

 

P/1 - Então, depois de toda essa época do Imirim, teve a mudança para Guarulhos. Ah, antes disso, me lembrei de uma coisa importante. Vocês moraram perto do Aché do Imirim, não é isso? Como é a história dessa casa?

 

Marli – Foi bem diferente. Quando nós trabalhávamos no Imirim, nós morávamos na Vila Maria. Quando o Aché mudou para Guarulhos a casa ficou vazia e foi onde eles ofereceram a casa para a gente morar. Então aí ficou totalmente diferente, a gente morando no Imirim, trabalhando em Guarulhos e estudando na Vila Maria, mas dava certinho. Saía, ia para a escola, voltava para casa, mas foi uma época muito boa. A casinha pequena, minúscula. Hoje a gente olha a casa e fala: “Como a gente conseguia viver aqui?” Muito pequena a casa. Mas foi de grande valia a gente morar ali porque foi a partir dali que nós conseguimos comprar nossa casa própria. É uma coisa que marcou demais.

 

P/1 – Era a casa onde funcionava parte do laboratório?

 

Marli – Não. Era assim: o prédio do Aché, a frente era para a praça Nova dos Portugueses e o fundo para a rua Dona Elfrida. E no fundo, ao lado do Aché, tinha essa casa. Nós morávamos ali. Minha mãe tomava conta do prédio, que estava vazio. A gente também no final de semana dava uma olhada. Acho que foi uns seis anos que nós moramos ali. Foi muito gostoso. Eu pintava a casa. O muro da casa, nós que fizemos, eu e meus primos. Era a diversão da gente era cuidar, porque embora a casa não era nossa, a gente queria deixar bonitinha. Era gostoso. Até fotografei essa casa e eu vou guardar essa foto com muito carinho.

 

P/1- Como é que era o dia-a-dia nessa casa? Você lembra Marlene? Como é que ela estava organizada?

 

Marlene – Era normal. A gente já trabalhava e minha mãe ficava com meus dois irmãos mais novos em casa durante o dia e à noite a gente chegava... Todo mundo estudava e todo mundo chegava no mesmo horário, jantava, porque nós íamos pro ginásio nessa época já, ia tudo direto da empresa. Então a gente não jantava. A gente ia direto do trabalho para a escola, estudava e aí quando a gente chegava era sempre festa, porque várias... Garotadas, as moças todas jantando, tomando banho, se preparando para dormir.

 

(Marli ou Cida?) – Eu queria falar de um detalhe que marcou demais. Depois com a mudança para o Imirim, nós também no próximo ano nós mudamos a escola para o Imirim. Nós estudávamos no Colégio Consolata ali no Imirim e como nós íamos direto pra escola, a minha mãe esperava a gente no ponto do ônibus do Aché para dar o lanche para a gente comer o lanche no ônibus do Aché para ir para a escola. Porque a gente ia direto. [risos] Isso a gente não pode esquecer. A Marlene contando, eu falei: “Vou contar isso, porque ela fazia isso.”

 

P/1 – Ela esperava vocês descerem do ônibus do Aché...

 

(Marlene?) – Não. Era caminho do ônibus, porque a escola era depois da minha casa. Ela ficava no ponto do ônibus próximo da minha casa. O ônibus passava e aí dava o lanchinho para a gente. O motorista parava. Ela dava o lanchinho e a gente ia comendo o lanche, para a escola.

 

P/1 – E a escola? O que vocês lembram dessa escola lá do Imirim?

 

Marli – Era uma época também gostosa. Nós fizemos bons amigos: Claudinha, outra menina, que agora me fugiu o nome, a gente tem até hoje muito carinho por ela. Era uma escola de freiras, então era muito gostoso. Era a Virgínia.

 

P/1 – Como era o uniforme? Tinha uniforme?

 

Cida – Não.

 

P/1 – E uniforme no Aché, tinha?

 

Marlene – Tinha.

 

P/1- Como que era esse uniforme?

 

Marlene – Nessa época, ele era abóbora. Ele era abóbora de gola branca. Inclusive a gente usava, lógico, mas a gente não gostava muito por causa da cor. Porque era da cor desse pessoal que limpa rua.

 

(Cida/Marli?) – Margarida.

 

Marlene – É, margarida. A gente não gostava muito da cor. A gente reclamava da cor do uniforme [risos] até que trocaram. Trocaram para cinza. Dependendo da função, do setor, era a cor do uniforme.

 

P/1- E a mudança do Aché lá da rua Nova dos Portugueses para Guarulhos? Você lembra Cida como é que foi? Você participou da mudança?

 

Marlene – Participei lógico. Nós fomos... Eu nunca vou esquecer o dia que o seu Jonas, o pai do seu Victor, levou a gente pra conhecer o Aché antes de mudar. Ele levou a gente em uma Kombi, porque seu Jonas trabalhava, fazia entrega com essa Kombi. Então, um fim de semana ele levou a gente, em um sábado, pra gente conhecer o Aché. Era onde a gente ia trabalhar. Foi muito bacana, muito gostoso essa mudança. Mudança total porque na Nova dos Portugueses era tudo ...Acho que tinha uma esteira ou duas. Tinha umas duas esteiras, mas era tudo muito manual. Então foi pra lá, um prédio...Que o Aché, lógico, o Rui Otake, com as coisas maravilhosas que ele sempre fez no Aché e continua fazendo. Foi uma mudança radical. Saímos na Nova dos Portugueses, onde o Aché já tinha crescido muito e lá dentro não comportava mais nada daquilo. Quando veio para cá, para Guarulhos, foi assim uma mudança muito grande. Tudo bem montadinho. Lógico você olha hoje e já mudou tudo novamente. E ainda mais com a fábrica analógica. Mas, do Imirim para Guarulhos foi uma mudança assim radical. Tinha mais esteiras, mais máquinas. Estava tudo mais dividido: (hipodermia?), envase líquido e sólidos. A parte de sólidos grande. Seções divididas. Muito legal.

 

P/1- Como é que era, na época da inauguração do Aché, como era esse prédio? Que lembrança mais forte vocês têm dessa época, dos primeiros anos do Aché em Guarulhos?

 

Marlene – Era tão natural para a gente, mudança, porque o Aché é uma eterna mudança. Ali a gente não tem um dia igual ao outro de jeito nenhum. A gente sempre fala isso. Então, para a gente foi, lógico, tudo muito bonito. Quem não gosta de trabalhar em um lugar bonito? Aí nós começamos a receber treinamento, novas tecnologias e sempre assim aquele grupo. Não tinha aquela rotatividade de funcionário. Foi tudo muito fácil porque um ajudava o outro. Nós não tivemos grandes dificuldades. Foi bem natural.

 

P/1- Mas a rotina mudou um pouco de trabalho? Essa parte de chegar no Aché, o trabalho, o refeitório, mudou?

 

Marlene – Mudou, porque era tudo organizadinho, tudo no seu lugar. O refeitório era bem maior, os vestiários. Era tudo certinho. Para a gente foi um conforto, para o funcionário foi também bem mais confortável e para a gente também foi assim muita mudança, mas tudo assim... Isso já faz parte assim do Aché, da gente: aceitar mudanças. A gente sempre aceitou com tanta naturalidade, que aceita as mudanças. Você acompanha, você consegue acompanhar, e não ser assim uma coisa desgastante. Foi legal.

 

P/1 – Foi lá que você conheceu seu marido, não? Como é que é essa história?

 

Marlene – O meu marido, ele começou, ele entrou lá no Aché por intermédio do meu irmão mais velho. Eles faziam faculdade juntos, ele estava desempregado e aí meu irmão viu lá que precisavam de funcionários para trabalhar na Contabilidade. Aí ele foi fazer um teste, saiu bem e ele iniciou lá em 1980. Foi engraçado, porque eu paquerava ele e ele amicíssimo do meu irmão. Eu comecei a paquerar ele só que ele não queria namorar comigo. Ele queria paquerar, só. Mas namorar assim uma coisa séria, ele não estava afim porque estava fazendo faculdade. E eu paquerava ele, e todas as sextas-feiras ele chamava eu e a minha irmã, eu e a Marli pra tomar um chopinho. A gente ia, tal. Só que, nada. Chegou um dia, ele falou pro meu irmão: “Eu acho que sua irmã está me paquerando”. [risos] Ele falou assim: “Acho que sua irmã está me paquerando”. O meu irmão: “Ô, Marlene, você está paquerando o Juvenal?” Eu falei: “Não, tal.” Aí eu pensei: “Filho de uma mãe. Ele tinha que comentar com meu irmão, que eu estou paquerando ele?” Quando foi numa outra sexta-feira ele chamou eu e Marli para tomar um chopinho e eu falei pra Marli : “Eu não vou. Vai você com ele.” A Marli falou: “Imagina, eu vou com ele? Eu não estou paquerando ele. Eu não vou não. Você vai.” “Não vou.” Aí ele chegou para pegar a gente e a Marli falou: “Marlene, pelo amor de Deus, vamos, porque eu não vou sozinha com ele.” Aí fomos nós duas e daí é que nós começamos a namorar e estamos juntos até hoje. Namoramos durante três anos, casamos e vão fazer 20 anos que nós somos casados.

 

P/1- E o casamento? Conta um pouquinho. Você lembra? Algum detalhe especial da sua festa de casamento? Dos primeiros dias de casada?

 

Marlene – O dia do meu casamento, eu lembro que foi uma festa muito simples. Bom, o casamento atrasou mais de uma hora. Estava marcado para as oito horas e o casamento foi realizado eram umas nove e meia da noite. A festa foi na casa de uma tia minha e foi aquela festa simples, gostosa. Depois que terminou a festa, nós fomos para a nossa casa. A primeira noite, de núpcias, passei na minha casa e quando foi no outro dia a Marli levou eu e meu marido até Taubaté, que eu tenho uma prima que tem uma casa muito bonita lá. Passei um dia lá em Taubaté e depois de Taubaté nós fomos para Ubatuba. Ficamos três dias em Ubatuba. Na volta... Fiquei lá em um hotel, em Ubatuba três dias e aí depois nós voltamos para casa. Eu lembro que no dia que nós voltamos para casa, nós não tínhamos carro, aquela vidinha bem segura, bem dura, nós não tínhamos carro e nós viemos de ônibus de Ubatuba para cá. E estava uma chuva, que pelo amor de Deus! E a gente com bagagem e tudo. Descemos na Dutra, fomos a pé até Guarulhos e aí pegamos um táxi e nós não fomos para nossa casa. Nunca me esqueço. Na volta da lua-de-mel nós fomos jantar na casa da minha mãe. Estava todo mundo lá esperando a gente. Eu nunca me esqueço disso. Foi uma coisa gostosa, e se tivesse que começar tudo de novo, eu faria tudo, é lógico, com mais, talvez hoje, com a experiência que a gente tem, a gente se preocuparia com alguns detalhes que nós não nos preocupamos na época. Mas seria talvez da mesma forma.

 

P/1 – E os primeiros dias de casada? Você acostumou com a vida de casada? Foi difícil?

 

Marlene – Não. Não foi difícil porque a gente se programou bastante. Era uma coisa que eu queria. Eu queria casar, ele também. Então foi uma coisa bem tranqüila.

 

P/1 – Como é que era a casinha de vocês?

 

Marlene – Eu morava em um sobrado. Eram dois quartos, sala e cozinha. Uma casa gostosa e inclusive eu morei lá 15 anos. Faz quatro anos que eu mudei do sobrado fui para uma outra casa que nós construímos. Mas a minha casinha era muito gostosa. Não tinha quem não chegasse na nossa casa e que não elogiasse. Se sentia bem na minha casa. Uma casa gostosa. Ele fazia faculdade nessa época. Então, nós íamos trabalhar juntos, de manhã eu ia com ele, à tarde eu vinha embora e ele ia para a faculdade. Ele terminou a faculdade dali uns três anos. Dois ou três anos ele terminou a faculdade e aí nós...

 

P/1 – Que foi?

 

Marlene – Eu me perdi. [risos]

 

P/1 - [risos] Vocês iam para o trabalho juntos, ele ia para a faculdade... Como é que era lá dentro da Aché, além de vocês tinham outros casais? Como era o marido estar trabalhando no mesmo lugar?

 

Marlene – Gostoso. Apesar de que eu e meu marido, a gente sempre separou muito bem a vida profissional com a vida particular. No Aché ele é o Juvenal e eu sou a Marlene. Às vezes, é lógico, se eu preciso falar com ele, eu ligo para ele, falo com ele, mas esse negócio de ficar namorando, horário de almoço junto, não. Inclusive porque até os horários de almoço são diferentes. Eu almoço em um horário e ele em outro. A gente se encontra mesmo só em casa. Eu fico aguardando ele chegar todos os dias. Ele estuda, ele está fazendo MBA. Ele chega tarde em casa. Eu fico esperando ele, eu e meus filhos. A gente fica aguardando a chegada dele para preparar a janta. Esse é o nosso dia-a-dia.

 

P/1 - E nesses anos todos de Aché, tiveram alguns momentos especiais, marcantes? Alguma festa, alguma comemoração?

 

Marlene – Ao longo dos anos aconteceram várias festas porque o pessoal do Aché é muito festeiro. Tudo acaba em festa. Tudo é motivo pra ter festa. É muito gostoso. Uma festa que em todo o final de ano tem sempre uma grande festa. Todos. A cada ano a festa é melhor. Agora, sem ser essas festas de final de ano, comemoração, certificado de alguma coisa que o Aché recebe, que é sempre festejado. O ano passado, nós tivemos também uma festa do Dia do Voluntariado, que o Aché parou todos os funcionários para doar esse dia com serviço voluntário. Foi muito bonita essa festa também, marcou muito. Agora, uma que eu acho que marcou várias pessoas do Aché foi a festa de 25 anos do Aché. Uma festa emocionante. Os diretores participaram. A gente não pode nem chamar aquilo de discurso, porque quando eles participam de festas é aquela coisa, aquele bate-papo com funcionários. Foi uma das festas mais marcantes.

 

P/1 – Você lembra de algum detalhe dessa festa?

 

Cida – Com certeza. Ela tem assim... As festas do Aché, elas têm assim... Todas, todas, todas são marcantes. Essa de 25 anos foi diferente, porque foi uma festa muito bem planejada, muito bem elaborada. Foi assim: famílias... Muito bacana. Sei lá. Porque na verdade, cada festa tem sua particularidade. Então assim, foram puxadas aquelas coisas do fundo do baú, onde você, os próprios donos se emocionam. Para nós, que estamos lá desde o início de toda essa história, a gente se emociona como se fosse da gente. Na verdade, o Aché para a gente é como se fosse a casa nossa, uma parte da vida da gente a gente passou lá dentro. Foi nosso único emprego, e ali dentro nós sempre tivemos... A gente se sente como se fosse em casa. Hoje, com essas evoluções todas, com essas mudanças todas, mesmo assim a gente ainda sente isso. A empresa deixa de ser familiar. Tudo bem, deixar de ser familiar, está se profissionalizando, tem que se profissionalizar. O caminho é esse realmente mas, não adianta, aquela coisa, aquela raiz que cada um de nós, antigo, tem, isso não vai ter nada que vai tirar da gente. Estar comemorando os 25 anos do Aché como se fosse nosso. É nosso. Nós vimos aquilo desde os Nova dos Portugueses, quando não tinha nada do que tem hoje. Então hoje, quando a gente vê tudo aquilo grande, o que cresceu, essa fábrica nova, a gente sempre se emociona e fica contente. É cada festa, cada momento, cada conquista da empresa é tudo como se... A gente participa de tudo isso. Tem sempre um dedinho de cada um de nós em tudo isso. Para a gente é uma festa, é uma novidade, mas também é como nosso. É como se fosse nosso. Nós temos parte em tudo isso. Muito legal.

 

P/1 – Você estava falando que, de forma especial, a história do Aché se confunde com a história da família de vocês. Além de vocês, outras pessoas? Como é que é isso?

 

Marli – Vou até começar desde o comecinho mesmo. Nós entramos no Aché por intermédio de um primo nosso. Isso há 37 anos atrás, 34, 35, 36 anos. Esse primo arrumou emprego para meu irmão e o meu irmão, a Cida, eu e a Marlene. Depois nós tivemos também dois irmãos que trabalharam lá um período de cinco ou seis anos, e uma irmã. Dos oito irmãos, uma só não trabalhou no Aché. Isso vai envolvendo a família, tudo gira em torno de indústria farmacêutica. Você vai criando raízes com aquilo, que... Eu tenho um cunhado que sempre trabalhou em farmácia, minha sobrinha faz Fisioterapia... Automaticamente, como você vê, a família está com todo mundo voltado para indústria farmacêutica, saúde. É gostoso. Você percebe que não é só lá dentro. Você sai dali, você está levando o que você está aprendendo lá e a resposta são essas atitudes por parte de um sobrinho, um irmão.

 

P/1 - E vocês cresceram juntas no Aché? Queria que cada uma de vocês, na sequência, fizesse um resuminho de como é que foi o caminho de vocês, profissionalmente, dentro do Aché. Vocês começaram como auxiliar de embaladeira. Como é que isso foi crescendo? Começa Cida.

 

Cida – Eu iniciei como auxiliar de embalagem. Depois eu fui líder de linha, depois eu passei para a supervisão e atualmente sou gerente da área de líquidos e semi-sólidos. Cada fase dessa jornada, dessas passagens todas, têm histórias. Quando eu iniciei, eu trabalhava na embalagem. Tem toda aquela história que eu te contei de embalar. Depois, você passa a ser líder. O que é? Você passa a comandar uma equipe, já muda um pouco a sua cabeça, a sua maneira de ser, sua maneira de guiar as coisas, lógico. Com o passar do tempo eu fui promovida a supervisora. Nessa época que eu era líder, líder da embalagem, da esteira de líquidos, a área de manipulação de líquidos estava carente, precisando de alguém para tomar conta. Eu fui promovida para supervisora da área de manipulação e envase de líquidos e semi-sólidos, da parte de pomada. Aí ficou, eu só tomava conta dessa parte, da manipulação e envase de líquidos e semi-sólidos. Depois, com a vinda do Park Davis, a área de líquidos é uma área muito volumosa. Tudo muito volumoso. Manipular aqueles tanques de 3 mil litros, 5 mil litros, sete mil litros... Com a vinda da Park Davis, não comportava mais esse prédio, esse primeiro prédio, antigo. O prédio que então era da química passou a ser de líquidos. Lá já foi feito um setor mais amplo. Quando foi pra lá, eu fiquei com a parte toda, desde a manipulação de líquidos, envase e embalagem. A parte de embalagem também é muito volumosa, de líquidos. Então, foi tudo para esse novo prédio. Eu fiquei com a supervisão até 1986. Em 1987 eu fui promovida para gerente da área de líquidos e semi-sólidos e que é a minha atual função. A gente aprende muito no Aché. O Aché é uma empresa que proporciona tudo isso para a gente. A gente fala que não tem faculdade que ensina o que a gente aprende no Aché. Tudo o que você faz ali dentro, é sempre crescendo profissionalmente. A gente também já é uma cultura da empresa. A gente sempre mudando, inovando e melhorando as coisas e crescendo. As mudanças vão acontecendo. Como a gente falou no começo, você acaba nem percebendo. A hora que você vê... Se a gente for contar nossas histórias aqui de produção, de trabalho, de tudo, a gente amanhece conversando aqui. A gente tem muita coisa. Cada dia que passa tem uma coisa nova. Tem uma máquina que vem, um treinamento que você recebe, um produto em lançamento. Então é lógico, tudo é desenvolvido, você tem que ter um processo de um primeiro lote que você tem que acompanhar. A qualidade é primordial. Tudo isso são coisinhas que você vai juntando no seu dia-a-dia e nem percebe, mas a gente tem muita consciência e muita responsabilidade em tudo aquilo que a gente faz. Então, olha só quanta coisa que a gente foi absorvendo nesses anos todos e o Aché sempre dando, esse lado todo de treinamentos, de inovação, de equipamentos. Esses equipamentos novos que vão acontecendo. Eu fui inclusive para a Alemanha para... Foi comprada uma linha nova e eu fui pra Alemanha com o Carlão, o pessoal da engenharia industrial para dar o start up da máquina. Então foi muito bom, para mim foi enriquecedor você ir para outro país, ver uma máquina nova. Isso para mim foi muito marcante na minha vida também. Do lado profissional isso foi muito bom, a gente vê coisas novas, em um país totalmente diferente do nosso. Isso é enriquecedor para a gente. E, sei lá, a gente tem muito amor em tudo isso, gosta do que faz. Eu falo que eu acho que tudo o que eu faço, eu faço com gosto. Meu marido adora pipoca e eu não faço pipoca. Ele fala: “Puxa bem, custa você fazer pipoca?” Eu falo: “Não faço. Eu não gosto”. Eu gosto de pipoca, mas eu não gosto de fazer pipoca. Eu acho que isso na vida é tudo. Acho que tudo o que você tem que fazer, tem que fazer com gosto, com prazer e com amor. Você vai trabalhar, você tem que fazer com amor. Eu faço com amor. Levanto de manhã... Tem gente que levanta: “Ah, eu vou trabalhar”, “Não, obrigada meu Deus por mais um dia. Que gostoso, vou trabalhar num ambiente gostoso, saudável, que eu me sinto bem”. Para mim é muito legal tudo isso. [risos]

 

P/1 - E você Marlene?

 

Marlene - Eu comecei também como auxiliar de embaladeira. Depois eu passei para auxiliar de carimbagem. Depois... Na embalagem mesmo, no mesmo setor. Depois eu passei para líder de embalagem. Trabalhei até, acho que 1976, na embalagem. Aí depois eu fui transferida pra ser líder de expedição. Trabalhei na expedição de dois a três anos e aí eu fui transferida, fui promovida para supervisora de semi-sólidos, pomadas. Semi-sólidos. Em 1990 eu passei para a gerência de almoxarifado. Para mim, todas essas promoções, essas mudanças, foi sempre assim um desafio. Eu encaro isso como grandes desafios, porque a cada promoção que você tem, que você recebe, é um desafio que você...

 

P/1 – Tem que enfrentar.

 

Marlene – Você vai enfrentando. E a vida eu acho que é bem por aí mesmo. É um desafio atrás do outro e você aprende muito com isso. Eu lembro que quando eu fui para o almoxarifado, ainda não existia... Tinham computadores, mas só que na produção não tinha computador, era só na parte administrativa, e na produção, o único lugar que tinha computador era lá no almoxarifado. E aí na hora que eu fui promovida para gerente, falei: “Meu Deus do céu. O que eu faço agora?”, porque para mim aquilo era um bicho de sete cabeças. Então, cada hora que eu ia para fazer... Apesar que diversas pessoas vêm, dão treinamento, tal... Eu falei: “Meu Deus do céu. O que eu faço?” Aí a responsabilidade é grande demais, a gente é muito exigente com a gente mesmo, você quer fazer, você quer fazer bem feito. Você tem medo de errar. E aí eu falei: “Meu Deus do céu. O que eu faço?” A dificuldade para mexer em computador, foi assim uma fase até engraçada na minha vida, que eu falava: “Meu Deus do céu. E agora? Computador, eu tenho que mexer nisso. Será que eu vou conseguir?” Só que foi mais um desafio. Hoje eu não sou nenhuma expert nos sistemas, em mexer assim com micro, mas hoje eu já...

 

P/1 – Um desafio atrás do outro afinal.

 

Marlene – É um desafio atrás do outro, e isso é muito bom para a gente, porque você aprende muito. Eu encaro da seguinte forma: você tem que ter desafios e ter objetivos também, porque se você não tiver desafios e objetivos na sua vida, não tem graça, perde o sentido. Assim, não: é legal, porque você aprende. Você ensina também. Eu aprendi muito no Aché, porque lá foi o primeiro emprego em que eu trabalhei e trabalho até hoje. Eu aprendi muito, mas eu tenho certeza que eu ensinei muito também. Então, é uma coisa assim muito gostosa. E estou aprendendo ainda e tenho certeza que tenho muito ainda que aprender. Que a gente, a cada dia que passa, você pode ter certeza que você aprendeu e muito.

 

P/1- E você Marli, como é que foi a sua história?

 

Marli – Também comecei como auxiliar de embaladeira. Trabalhei pouco tempo na embalagem. Logo fui promovida à seção de manipulação. Era até engraçado porque eu tinha 15, 16 anos. Pequenininha. Sempre fui magrinha assim, e manipulava os tachos que eram maiores que eu. O pessoal achava até estranho, eu tão pequenininha fazendo aquela coisa que hoje no Aché é feito por homem, mas sempre querendo aprender, eu era uma pessoa assim agitada. Eu queria aprender tudo, eu sempre fui muito elétrica. Trabalhei uns quatro anos na manipulação e aí fui trabalhar no controle de qualidade com o Toninho químico. Depois a Emy foi contratada e nós trabalhamos juntas também. Para mim era uma coisa nova, porque eu nunca tinha trabalhado naquilo, mas foi muito gratificante. Foi uma época muito boa e eu aprendi muito no controle de qualidade. Depois eu fui promovida a líder de envelopamento. Trabalhei, acho que uns sete ou oito anos, e depois fui promovida a supervisora de envelopamento. Na época eu tinha 22, 23 anos. Era jovem e tanta responsabilidade, mas eu fui sempre... O Toninho químico, o Carlão sempre me deram muito apoio. Na época, a Cida já era supervisora. A Dóris, a gente trocava muito, e no fim a gente conseguia bom resultado junto à equipe. Depois, em 1989, mais ou menos, fui promovida a gerente da embalagem de sólidos, onde eu estou até hoje. É como a Marlene falou, a gente vai subindo degrau por degrau, e sempre tendo apoio total dos nossos diretores. Isso se torna mais fácil. Os desafios que nem de computador, “Ah, eu não gosto”, daqui a pouco você está mexendo, você já perdeu o medo. Inglês, agora nós estamos estudando inglês, as três. Depois dos 40 estudando inglês. A gente está indo, está gostando. Acho que a gente tem que aprender sempre, porque senão não vai ter graça, até porque também eu acho que o funcionário hoje está se especializando. Se você não acompanhar, não é legal. Você não vai conseguir às vezes exigir coisas. A gente procura sempre ser, não digo modelo, porque ninguém é perfeito, mas fazer com que aconteça diariamente aquela troca de informações, porque a gente aprende, a gente ensina. Acho que é isso que faz o nosso dia a dia não cair naquela rotina chata. Você levantar e: “Ah, vou para o Aché, vou para o inglês...” Nada disso. Você tem que ir legal, saber que vai ser um dia diferente, vai ser um dia legal, que vai dar tudo certo, como deu até hoje. A gente espera que continue assim.

 

P/1 – Para finalizar, eu queria perguntar...

 

P/2 – Posso uma perguntinha antes? Eu queria que você contasse rapidinho para a gente, como é que foi a inauguração do grêmio? Porque você disse que tem uma lembrança.

 

Marli – O grêmio, marcou muito principalmente nós os antigos, por quê? Porque a gente até brincava: “Poxa, olha, nós vamos construir o Grêmio”. E demorava. Aí esticava o Aché para cá, esticava o Aché para lá. Aumentava. E o Grêmio nada. A gente brincava: “Será que nós vamos ver essa piscina?” Virou até gozação. Mas o pessoal: “Não...” Mas, como tudo eles fazem muito bem feito, o Grêmio demorou, mas a hora que saiu, saiu um Grêmio muito legal, onde a família pode utilizar também. Foi muito legal. Para a gente foi uma conquista, uma das primeiras coisas, uma parte de lazer feita pela gente, porque até então, o que a gente fazia? Tinha um timinho de futebol que arrumava o jogo. Eu sempre gostei de futebol. Eu gosto de futebol. Eu ia assistir aos jogos. Quando eles inauguraram o grêmio do Aché, acabou isso. Que legal. A gente tinha ali o que a gente mais gostava de fazer, que era assistir um joguinho e tal. Piscina eu acho lindo, mas eu morro de medo de água. Acho que o pessoal usa bastante. Hoje o Grêmio do Aché é um ponto de encontro muito importante. As pessoas utilizam muito o Grêmio e eu acho que na parte social da empresa, o Grêmio é fundamental.

 

P/1 – Se vocês tivessem, cada uma de vocês, que traduzir em uma palavra o que o Aché significa pra vocês, qual seria essa palavra?

 

Marli – Eu, seria amor. Uma só.

 

Marlene - Aprendizado.

 

P/1- Cida.

 

Cida - União.

 

P/1 – Está jóia.

 

P/2 – Falamos tanto de passado. Eu queria falar um pouquinho de futuro. Eu queria que vocês falassem um sonho de cada uma. Um sonho que vocês tem para o futuro. Um sonho que vocês querem realizar. Comprar uma floricultura? Dar a volta ao mundo? [risos] Ou pode ser uma coisa mais geral. Um sonho que vocês tenham.

 

Marli – Eu penso assim... Como eu trabalho desde pequena, e eu adoro viajar e nunca consegui sair e sair bem relaxada. Viajar e não ter hora para voltar. Então, logo que eu me aposentar, eu quero viajar um ano, quero tirar para viajar até enjoar. Aí depois, eu quero me dedicar a alguma obra de voluntariado, porque hoje eu tenho muita vontade de praticar, mas eu não tenho tempo porque eu tenho minha mãe, tenho minha família, tenho aquela tia que você tem que dar assistência. Então, eu faço esse voluntariado dentro da família. Eu acho que se eu fosse fazer isso hoje, eu acho que não sobraria tempo para mim, não dá. Como faltam cinco anos só para eu aposentar, meu sonho é fazer isso depois, com tempo, para poder me dedicar realmente, porque eu acho que você tem que fazer, mas fazer com tempo, com amor. Não é porque você está se dando, que você também vai correndo. Não. Eu acho que a hora que eu tiver tempo, eu quero fazer isso.

 

Marlene – Meu sonho é conseguir dar estudo para os meus filhos. Eu vou me sentir a pessoa mais realizada, o dia que eu conseguir dar o melhor em estudo, para os meus filhos. Meu filho mais velho já está no terceiro colegial. Daqui a pouco já começa faculdade e tal. Eu vou me sentir muito realizada se eu conseguir manter uma faculdade boa, de repente fazer um estágio no exterior. Meu sonho é realizar o estudo dos meus filhos. Tanto do Rafael quando da Tamara.

 

P/1- Cida.

 

Cida – Puxando o gancho da Marlene. Eu acho...

 

Marlene – Como sonho nosso, particular. Não mais.

 

Cida – Para mim, faltam aproximadamente dois anos e meio para me aposentar. Então, é lógico, não é porque você aposenta do trabalho, que você vai aposentar tudo. Senão, você deixa de viver, você vai vegetar. Não é bem por aí. Mas eu quero, quando isso acontecer, eu quero viver um pouco para a minha família, porque como a gente, eu, comecei a trabalhar muito nova, minhas filhas, a gente sempre deixou com empregada. Minha mãe, depois com empregada. Aquele lado mãe, aquela fase mãe, você pula, porque a gente... O nosso horário de trabalho é assim... A gente entra cedo, sai tarde. Às vezes tem segundo turno, e a gente fica um pouco mais. A gente acaba muitas vezes, deixando um pouco o lado mãe. Lógico, você tenta, mas em alguma coisa você fica falha. Então, sinceramente, eu penso... E minhas filhas sentem muito. Minha filha mais velha, até hoje ela cobra minha presença. Ela fala: “Mãe, eu gostaria tanto que você um dia ficasse em casa”, porque infelizmente, a mãe que trabalha, os filhos sentem mesmo. Então, o dia que eu me aposentar, eu sei que vou sofrer muito, vou sentir muito porque eu adoro trabalhar, gosto do que eu faço, como eu falei para vocês, mas eu quero ser mãe, eu quero ser dona-de-casa, eu quero curtir meu marido, eu quero viajar. A minha filha, a mais velha não, a caçula, ela tem vontade de estudar fora. Se Deus quiser, isso também está nos meus planos. Aí meu marido fala: “Ai, bem, vamos que a gente deixe ela ir e depois ela não queira voltar”. Eu falo: “Seja o que Deus quiser”. Tudo isso é projeto de vida do futuro. A gente fala: “Puxa, vida. Vou trabalhar como voluntário?” Eu acredito que sim, porque ficar só em casa também, não tem graça, mas alguma coisa assim que eu acho que se cada cidadão fizesse um pouquinho, seria muito bom para todos. Então assim, falar: “Não, vou só fazer isso”. Não. Eu quero fazer um pouco de cada, porque também não tenho temperamento para ficar muito parada não. Acho que vou conciliar tudo isso, se Deus quiser.

 

P/1- E a nossa última pergunta, é saber o que vocês acharam de ter contado um pouco da sua história? O que vocês acharam dessa entrevista? O que vocês acharam do Aché ter decidido contar sua história?

 

Marli – Nós estamos muito contentes de participar dessa história, porque a gente faz parte dessa história. Então, você poder ter a oportunidade de contar um pouquinho da sua história, fazer parte, sei lá, de um livro, um vídeo, seja lá qual for o produto final, não importa qual seja, mas é gratificante para a gente. E a gente elogia muito mais essa iniciativa do Aché, porque são poucas as empresas que teriam a coragem de estar fazendo isso. A gente até agradece e a gente entende até como um voto de confiança deles estarem nos convidando para participar desses depoimentos. Eu fico muito feliz.

 

Marlene - Eu também. Eu agradeço. Fiquei muito orgulhosa. Achei um trabalho muito bonito e muito bacana, porque eles escreverem a história é uma coisa que não dá nem para explicar de tão lindo. Eu me senti muito bem, gostei de fazer parte da história. Já pensou que coisa mais linda o dia que eu já não fizer mais parte da empresa, falar, mostrar para os filhos. “Olha, eu fiz parte dessa história”, porque nós fizemos mesmo. Isso foi muito bonito, agradeço, e com certeza muita gente, muitos funcionários vão também querer fazer parte dessa história que é muito linda.

 

P/1 - O que você achou do depoimento, Cida?

 

Cida – Eu achei bárbaro. Quando passaram para a gente o convite, ainda falei para a Marlene: “Puxa vida. O Aché está convidando a gente para fazer parte dessa história”. Para a gente, para nós que entramos meninas, isso é muito... Para nós, tem um valor muito grande. Para nós tem um valor muito grande. Realmente, se eles escolheram a gente para fazer parte dessa história (choro) é porque realmente a gente faz parte para eles, então você imagina para nós (choro). Imagina pra nós. Eu fiquei extremamente feliz. Isso para a minha cabeça, para os meus filhos, para nossa família, é como eu falo: “Se nós trabalhamos é porque meu marido entendeu, minhas filhas entenderam, minha mãe olhou minhas filhas na época em que eu não pude”. Se a gente conseguiu chegar onde a gente está até hoje, e se a gente vai conseguir fazer parte dessa história, tem um dedinho da família toda. Eu fiquei muito feliz. Nós ficamos muito contentes de fazer parte dessa história toda do Aché. A gente se sente mesmo parte. Acho que se não fosse convidada acho que até ficaria triste, mas a gente tem certeza: se eles convidaram a gente para isso é porque eles sentem que nós fazemos parte e nós realmente fazemos. A gente fica muito feliz. Para mim, para nós, eu não vou nem falar para mim, para nós foi uma coisa assim... Vai ficar marcado pro resto de nossa vida. [risos]

 

P/1 e P/2 – Muito obrigada pelo depoimento.

 

Cida – Deixa eu enxugar meu rosto, sou muito chorona, que raiva.

 

(Marli, Marlene?) - Você ia chorar se você não fizesse parte...

 

P/1 – Choro de alegria. Mas a emoção faz parte da história toda.

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