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História

Laurindo, um "Forrest Gump" do Metrô

História de: Laurindo Martins Junqueira Filho
Autor: MetroSP
Publicado em: 13/06/2018

Sinopse

Essa é a história de Laurindo, atuante no movimento estudantil, foi preso no início da década de 70 e da prisão ouviu barulhos estranhos e soube que estavam construindo um túnel de Metrô. Já na empresa, participou da criação dos sistemas do Centro de Controle Operacional (CCO) que se tornaram um marco na questão de segurança em todo o Brasil e no mundo. Essa tecnologia foi utilizada em outros segmentos, além dos transportes. Desde então, o amor pelo Metrô entrou em sua vida e permanece até hoje.

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História completa

“A origem ferroviária tá aí, meu avô foi chefe de trem naquela que é considerada a maior ferrovia do mundo, que é a Transiberiana na Rússia. Eles moravam no último carro do trem, o último vagão era da família. Meus tios e minha mãe foram nascendo ao longo da ferrovia, dentro do vagão. Minha mãe nasceu em (Pskov), uma cidade russa, meus tios foram nascendo em outras. Meu pai trabalhou na Cobrasma, também com construção de vagões e assim por diante.


A casa dos meus avós onde eu vivia, passava boa parte do tempo, eram restos de ferrovias, de trens antigos, peças, aquilo era uma delícia pra mim, que eu ficava brincando com aquilo tudo. Então o veio ferroviário está mais ou menos demonstrado nesse lado. Do lado do meu pai também, porque quando criança ele viu a abertura da ferrovia noroeste do Brasil entrando pelo interior de São Paulo, depois vindo até Mato Grosso. Então a origem ferroviária é dupla, então só podia ir trabalhar no metrô depois.


Eu fiz física na USP e por convicção. Naquela época nós estávamos começando os lançamentos espaciais. Eu acompanhava muito aquilo e estudava muito astronomia, me interessava muito por esse assunto. E aí decidi pela física. Naquela época, poucas pessoas se interessavam em fazer física, matemática, era muito raro isso. Mas esse espírito da época, da conquista espacial, saída da guerra, incentivava um pouco a gente a fazer isso. Vários colegas saíram comigo, foram pra física. E quando entrei na universidade, fui direto para o movimento estudantil.


Eu saí da prisão, tinha sido condenado a quatro anos, mas ganhei duas úlceras na prisão e elas estavam a ponto de supurar. Os juízes militares ficaram com receio de que eu morresse na prisão e aquilo daria uma repercussão internacional. Ia dar mesmo, porque dentro da prisão eu fazia comunicação com a Anistia Internacional na Suécia, dizendo quem tinha sido morto, quem tinha sido torturado, o que acontecia e assim por diante. As notícias chegavam lá, eles não sabiam que era eu, não tinham identificado. Mas de qualquer maneira, eu, com duas úlceras tinha uma chance enorme, se supurasse de madrugada eu estava perdido, não ia ter uma ambulância que me levasse pro hospital com a rapidez necessária. Eles resolveram me soltar em liberdade condicional. Foram 25 de meses de prisão. O juiz deve ter pensado, já que esse filho da mãe vai morrer mesmo, deixa morrer lá fora, não aqui dentro.


Aí surgiu uma oportunidade no metrô. O Plínio Asmam teve uma visão muito interessante. Ele dizia: nós não temos no Brasil uma escola de transporte que formem engenheiros que sejam capazes de construir metrô, então vamos ter que mandar gente para fora. E nós não temos gente com capacitação para construir o software, os sistemas de controle. Eu prestei um teste, passei. Quando me fizeram o teste psicotécnico, a impressão que eu tenho é que eu acertei todas as questões e fiz antes do tempo determinado. E aí os caras acharam que eu tinha colado. Sei que repetiram o teste em mim e aí eu acertei de novo e fiz na metade da metade do tempo, porque eu já tinha aprendido o teste. Aí as psicólogas, eu fiquei sabendo disso depois, elas falaram que não era possível, que eu estava colando. Mas naquela época não tinha celular, não tinha nada. Aí me deram um terceiro e aí eu fiz na metade da metade da metade do tempo e acertei tudo de novo. O Massahiro saiu do metrô e o Zerbini queria que ele implantasse no sistema hospitalar brasileiro o mesmo padrão de serviço do metrô. Criaram um hospital modelo, que é o Instituto do Coração, dentro do HC. Esse modelo se propagou depois para o Einstein, para o Sírio, enfim, para cinco ou seis hospitais referência, que são mundialmente aceitos como sendo parte de uma rede de excelência. Padrão metrô.


Mais tarde, a ONU, através de um programa de desenvolvimento que eles têm, pediram técnicos brasileiros que pudessem construir um sistema de trólebus em Quito, no Equador. Uma das fotos é isso. Nós fomos lá, construímos, o projeto foi premiado como um dos 10 melhores do mundo. Embora nós fossemos de metrô, a gente tinha ajudado a criar a EMTU, o corredor de trólebus, então sabíamos mais ou menos da tecnologia e fomos lá. Um dos caras lá que estava dirigindo nosso projeto no Equador, era um militar que havia comandado a guerra entre o Peru e o Equador no ano anterior, ele era um comandante de uma divisão de tanques na floresta amazônica. Uma vez ele saiu para jantar comigo e ele me disse, “sabe porque eu sendo um coronel de exército do Equador, com experiência de batalha, estou aqui no transporte? Porque nós estamos tentando repetir no Equador o que vocês fizeram no Brasil. As tecnologias de controle que servem para construir um metrô servem pra construir um foguete, um carro blindado, um satélite e uma série de outras coisas. Serve para desenvolver o país.”

 

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