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Mais do que os olhos podem ver

História de: Simone Cristina Pereira
Autor: Tassiane Costeira
Publicado em: 02/12/2018

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História completa

Nascida no dia 28 de outubro 1981, Simone Cristina foi criada pela mãe ngela e os avós, Simone foi uma criança rodeada de amizades e gostava de estar perto do avô ajudando a alcançar as ferramentas que ele usava para trabalhar, já que ele era pedreiro, também adorava brincar na rua no bairro onde morava, na Conceição, local onde nasceu e mora até hoje e brincava muito de boneca e amava ir a praia com a família. A menina que era tímida, mas se dava muito bem com todo mundo, era filha única, foi criada pela mãe que sempre batalhou para conseguir o melhor para ela e lhe deu uma ótima educação. Na adolescência, como a maioria dos jovens, ela começou a se enturmar, gostava de beber vinho com os amigos e gostava das junções, fato que fez a jovem parar de estudar por um tempo, mas, em seguida resolveu fazer supletivo para recuperar seus estudos. Simone começou a estudar a noite e foi retomando seu caminho.

 

O ACIDENTE QUE MUDOU SUA VIDA

 

No fatídico inverno do dia 18 de junho de 1997, quando tinha 15 anos, Simone estava estudando a noite e um de seus colegas que estudava com ela, chegou na escola deslumbrado portando uma arma, mostrando até para a professora. A moça, como não gostava de armas, não quis ficar por perto. Na hora em que estava indo embora, ela foi acompanhada da amiga Luciane e do garoto que estava armado, como ela não estava confortável com aquela situação, ela foi andando na frente e eles a chamaram para sentar em frente de um barzinho na esquina de casa para ficarem conversando. Nesse meio tempo, o garoto tirou as balas que estavam na arma e começou a simular que ia atirar nas garotas, mesmo com elas pedindo que ele parasse, ele fez isso por diversas vezes, mas, como ele não era envolvido com crime e não sabia nem manusear o explosivo direito, não viu que havia uma bala trancada dentro da arma e justamente essa bala acabou acertou a cabeça da adolescente.

 

Simone caiu no chão como se estivesse morta e o garoto saiu correndo e disse para Luciane que ela não dissesse nada, que não tinha visto nada daquilo. Luciane, desesperada, não sabia se chamava socorro ou ficava ali com a amiga, como elas estavam perto de casa, a garota foi até sua casa pedir ajuda de seus pais e como todos conheciam a Simone, a notícia se espalhou rápido até chegar à sua mãe. Angela relata que foram horas de desespero, que não consegue esquecer as pessoas chegando para avisar que a Simone havia levado um tiro, foi um baque muito forte. Quando chegaram ao local para socorrer a jovem, ela estava tendo uma convulsão, pois o tiro havia acertado o lado direito da cabeça, acima da sobrancelha e saiu na bochecha esquerda, perto do ouvido. Simone estava desacordada mas, lembra de alguns relances que ouviu, como a mãe chorando e o tio pedindo para ela continuar acordada enquanto ela dizia que estava com muita dor.

 

A família conseguiu atacar um carro que estava passando na rua e que os levou para o Hospital De Pronto Socorro (HPS) e chegando lá, ela entrou direto para uma cirurgia que durou cerca de 8 horas. Após a cirurgia, Simone ficou em coma induzido e suas chances de sobreviver eram pequenas pois havia sido uma parte muito delicada onde o tiro alcançou. A dona Maria, vó da moça era cristã e quando soube do acidente da neta, orou a Deus, pedindo que a neta saísse daquela situação e sobrevivesse. Dona Maria foi até o hospital ver a Simone que ainda estava em coma e começou a falar de Jesus a ela que até então, não conhecia muito, começou a explicar quem era Deus e como ele amava as pessoas. A senhora cheia de fé, perguntou a neta se ela aceitava Jesus como senhor da sua vida e mesmo estando em coma, ela respondeu, apertando a mão da avó e ao mesmo tempo uma lágrima escorreu dos olhos da jovem.

 

Após alguns dias, ela foi tirada do coma induzido porque sua recuperação foi boa, e mais rápida do que todos esperavam, porém, uma coisa havia mudado para sempre na vida de Simone: Ela não estava enxergando. Quando ela acordou, os médicos haviam explicado o que tinha acontecido, que ela ficaria um tempo sem enxergar porque a bala atravessou a cabeça. A jovem que até então enxergava e tinha uma vida normal como qualquer outra adolescente, acabou ficando um pouco revoltada com aquela situação e se tornou um pouco agressiva com a mãe e outros familiares por conta da situação enquanto estava internada. Depois de uma semana em casa, Simone notou que uma coriza saia frequentemente de seu nariz, mas achou que era algum resfriado e, quando retornou a consulta de revisão, comentou com seu médico sobre essa coriza e o doutor acabou ficando preocupado.

 

Foram feitos alguns exames e foi constatado que na verdade, não era resfriado o que estava causando a saída dessa secreção mas, sim o que estava saindo era líquido do cérebro e por isso, foi submetida a outra cirurgia ao qual também teve recuperação rápida. Para a jovem, mesmo que tenha mudado completamente sua vida, ela teve uma aceitação quanto ao fato, não entrou em depressão e aceitou o que tinha acontecido, afinal de contas, ela estava viva. Simone queria muito voltar a enxergar, e foi consultar um oftalmologista particular para ver quando voltaria a enxergar e o médico analisando, informou que infelizmente ela não voltaria mais a enxergar. A garota com vontade das coisas serem como eram antes, começou a frequentar a igreja que sua avó congregava e começou a se envolver com o evangelho e em suas orações pedia a Deus que lhe devolvesse a visão, foi em uma dessas orações que Simone notou que Deus tinha lhe dado uma visão, diferente da normal, mas além do que os olhos podem ver.

 

A SIMONE HOJE - SUPERAÇÃO 

 

A jovem que sempre foi muito observadora, passou a ser mais ainda e desenvolveu esse seu lado, adquirindo aptidão para ouvir melhor, aguçar seu tato. Simone retomou seus estudos e buscou sempre ter uma vida normal, superando dia a dia suas adversidades e se adaptando aos novos desafios que a rotina lhe impunha. Hoje, Simone tem 37 anos e é uma mulher independente, mora sozinha, trabalha como massoterapeuta em uma clínica de estética dentro do Centro Clínico Mãe de Deus, ou seja, tem uma vida normal como todas as outras pessoas. Ela não aceita que a trate como coitadinha ou deficiente, porque ela perdeu a visão mas, sua vida é normal, ela superou todas as etapas que precisou passar, ela atualmente está fazendo um curso de especialização em massoterapia, reformou sua casa, e é muito feliz com ela mesma. Nesse meio tempo, Simone já namorou pessoas com deficiência visual e pessoas sem deficiência mas ainda não encontrou o homem para casar. Desde quando entrou para a igreja, Simone não saiu mais, hoje, ela é ministra de louvor em sua congregação e usa sua vida de testemunho em pregações para edificar a vida de outras pessoas. Muitas pessoas que convivem com ela, às vezes esquecem da deficiência da Simone, pois ela mesma não se trata como se fosse, caminha pelas ruas sozinha tranquilamente, trabalha, faz academia, sustenta sua casa e praticamente faz tudo sozinha.

 

Sua mãe ajuda muito, mas ela consegue se manter muito bem. Simone é uma pessoa extremamente alegre e contente com sua vida. Simone frisa que ela tem uma vida normal, que se sente muito orgulhosa da sua história, mas que não usa a deficiência como uma bengala e ela não suporta que trate ela com pena ou ache ela coitadinha, porque coitado daquele que pensa que ela é coitada. Atualmente, suas maiores paixões são poder trabalhar com o que gosta, ela ama cantar e estar na igreja servido a Deus porque é dele que ela tira a força de cada dia, porque ela acredita se não fosse Deus na vida dela, ela talvez não teria essa força e alegria que carrega dentro de si. Friso novamente que Simone tem uma vida extremamente normal. Quanto ao garoto que causou tudo isso, na época, era menor de idade e como já é de praxe da justiça brasileira, ele não foi punido e acabou ficando por isso mesmo. Simone diz não ter raiva dele, até mesmo por ter se convertido na igreja e um dos ensinamentos bíblicos é não guardar rancor e ela sentiu a necessidade que precisava perdoar ele e isso aconteceu logo em seguida ao acidente, em menos de um ano. Ela acredita que se ela não tivesse perdoado ele, com certeza, não seria a Simone que é hoje.

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