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História

Mais jovem do que nunca

História de: Ismael Antonio Filho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/12/2004

Sinopse

Ismael nasceu em Uberlândia em 1951. Entrou jovem na CTBC, com apenas 17 anos, recomendado pelo irmão, que já trabalhava lá. Apesar de ser jovem e estar entrando em um cargo de aprendiz, foi recebido por Seu Luiz, vice diretor da empresa, o que valorizou muito. Lá, passou por diversos cargos, e conta aventuras de quando ia fazer manutenção em torres que ficavam em áreas de floresta, passando alguns apertos, como falta de água e de comida. Apesar dos pesares, sempre gostou muito da CTBC, completando 30 anos de empresa recentemente. Hoje, sente-se, apesar da idade, mais jovem do que quando entrou. 

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História completa

P/1  - Bom dia, Sr. Ismael, eu queria, por favor, que o senhor me dissesse seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.

 

R - Ismael Antônio Filho, eu nasci em Uberlândia no dia 7 de junho de 1951.

 

P/1  - O nome do seu pai e da sua mãe, por favor.

 

R - Ismael Antônio de Mendonça.

 

P/1  - Sua mãe?

 

R - Orlinda Fernandes da Rocha.

 

P/1  - Qual era atividade do seu pai?

 

R - Comerciante.

 

P/1 -  Aqui em Uberlândia?

 

R - Isso. Ele teve um comércio, ele trabalhava como cerealista em Itumbiara durante uns dois anos mais ou menos na década de 1960.

 

P/1  - E a sua mãe?

 

R - Minha mãe sempre foi do lar, é caseira.

 

P/1  - O senhor chegou a conhecer os seus avós?

 

R - Não, não conheci nenhum, não tive esse prazer.

 

P/1  - Nem da parte de pai, nem da parte de mãe?

 

R - Não, nenhum.

 

P/1  - O senhor tem notícia da origem deles, de onde eles vieram?

 

R - Eu tenho, eu sei dos meus avós paternos, origem de Franca, São Paulo.

 

P/1  - Sabia da atividade deles, o que eles faziam?

 

R - Não, eles, o meu avô ele veio de Franca, né, e em Uberlândia ele, na época, na década de 1920 por aí, 1930, ele foi um grande fazendeiro na região, inclusive, ele foi político em Uberlândia, ele foi vereador, meu avô chamava Antônio Crescêncio de Mendonça.

 

P/1  - E alguma outra informação a respeito dele além de...

 

R - Não, como te falei, ele era bastante influente na região como fazendeiro e como político, inclusive, até eu conversei com a Norma, eu tenho lá em casa uma revista de 1955, que nessa revista consta os principais políticos de Uberlândia na época, não é, depois até eu gostaria de mostrar para vocês, que eu acho que é como a coisa, como documento de museu, eu acho que vai ser bastante importante.

 

P/1  - Seria ótimo. A atividade de seu pai era uma loja, uma...

 

R - Meu pai era dono de máquina de arroz, ele era fazendeiro, aqui na região, e ele veio para Uberlândia, para a cidade, ele mudou para a cidade em 1951, na época eu nasci, e aqui em Uberlândia ele começou trabalhar com comércio e na década de 1960 ele foi trabalhar com máquina de arroz lá em Itumbiara, Goiás.

 

P/1  - Qual a primeira lembrança que o senhor tem desse comércio antes de ele ir para Itumbiara?

 

R - Eu, meu pai, juntamente com meus irmãos, que nós somos uma família de nove irmãos, eu sou o mais novo de todos, então eu me lembro que meus irmãos trabalhavam com meu pai e eles tinham caminhão, isso por volta de 1957, 1958. Então eu lembro, assim, com bastante nitidez dessa época, que eu era muito agarrado a ele. Depois disso, em 1961, minha mãe veio a falecer, né, então houve aí um desequilíbrio total na família, foi quando, ele nessa época já tinha máquina de arroz em Itumbiara, foi quando a gente mudou para lá e lá eu morei durante um ano.

 

P/1  - Como é que era a sua casa aqui em Uberlândia, a lembrança que o senhor tem da sua casa de infância?

 

R - Como assim?

 

P/1  - Fisicamente, como é que ela era?

 

R - Era um chalé, uma espécie de um chalé, porque eu lembro, eu morei em época de criança eu tive duas residências, tive a primeira que é essa que nós viemos da fazenda para cá.

 

P/1  - Ficava aonde?

 

R – Aqui em Uberlândia na Rua Tupaciguara e a gente morou ali naquele local até 1959, e aí nós mudamos para o bairro Martins, e era um chalé já no bairro Martins, era uma casa até grande, com dois comércios na frente. A gente morava na esquina e ali a gente morou até 1961, foi quando a minha mãe morreu, e aí a gente mudou para Itumbiara.

 

P/1  - Como que era essa vida cotidiana do lar, nove irmãos, o caçula no meio desse família toda?

 

R - Eu é, eu não sei se é felizmente ou infelizmente, por ser o mais novo eu tive pouco contato na minha infância com meus irmãos mais velhos, pelo menos eu me lembro muito pouco dessa infância juntamente com meus irmãos, eu tive mais contato com os mais próximos, que eram minha irmã, que é logo acima de mim, depois um outro irmão, que me ajudou muito, mas só isso. E dos outros são lembranças assim normais, mas de nenhum convívio de brincar, mesmo porque, a diferença de idade, veja, o meu irmão mais velho tem setenta e dois anos e aí vai descendo, tá, então, na infância uma diferença de dez anos ela é grande, não é?

 

P/1  - E como é que eram as brincadeiras ali do garoto Ismael?

 

R - Bom, eu sempre fui muito, muito moleque, eu realmente fui muito espoleta, não sei porque aquele negócio de ser caçula, né, aquela coisa de ser mimado, tal. Mas eu fui, eu fui bastante moleque mesmo, viu, isso aí, eu gostava de ficar na rua e naquela época a rua que era o meu clube, minha praia, não é? (risos)

 

P/1  - O que que acontecia na rua?

 

R - Não, era  futebol mesmo o dia todo e eu gostava muito e brincava de tudo, naquela época tinha, tinha as brincadeiras de bola, tinha, não era só bola. Parece que as crianças, eu acho que até eram mais criativas que as de hoje, porque naquela época você não tinha televisão, você não tinha, você não tinha um computador, você não tinha os brinquedos eletrônicos, então a gente tinha que criar, por exemplo, fazer uma pipa, tinha o jogo, que a gente falava, de biloca, tinha o jogo de pião, que você tinha, você comprava o pião, você tinha que moldá-lo e tal, então tinha tudo isso e mais uma infinidade de outros brinquedos que a gente criava, então era...

 

P/1  - E era um grupo ali de vizinhança assim?

 

R - Isso, era, na minha infância eu tinha meus colegas, um ou dois, aqueles mais chegados, então eu sempre fui assim, eu nunca fui muito de turma, tá, mas eu fui muito apegado em amizades, sabe, mas em poucas.

 

P/1  - E a escola, seu Ismael, a sua primeira escola qual foi?

 

R - Eu, nós somos de origem bastante forte da religião católica, né, minha mãe era, ela tinha uma fé imensa. Minha mãe era daquelas que ia à igreja todos os dias, tá, e a igreja que a gente freqüentava era a igreja dos franciscanos, ali no bairro Martins. Então desde que eu me entendo por gente eu já acompanhava minha mãe, ia para a Igreja e eu comecei a minha escola, comecei a minha atividade escolar na escola dos padres, não é? É Escola Papa Pio XII, lá mesmo nessa igreja, uma escola que marcou bastante.

 

P/1  - Tem algum professor que tenha lhe...

 

R - Sim, aliás, eu tive duas professoras, lá nós tínhamos professoras. Eu tive no primeiro e no segundo ano, eu tinha uma professora, a dona Neusa, que eu gostava muito dela, porque ela, eu sempre levava alguma coisa para ela, assim, um agrado e ela me colocava no colo, eu gostava muito disso. (risos) E no terceiro, já no terceiro ano eu tive uma outra professora, que já marcou pela seriedade, brava, muito brava, então... Foi na época que minha mãe morreu também, foi um ano bastante difícil para mim, tá, isso foi em 1961.

 

P/1  - Falta da mãe, uma professora enérgica?

 

R - Isso, foi o ano que eu fui reprovado e foi também o ano que eu me desloquei para Itumbiara juntamente com meu pai, então foi uma coisa bem tumultuada.

 

P/1  - Isso aos dez anos de idade?

 

R - Isso aos dez anos, de dez para onze anos, tá?

 

P/1  - E como é que foi essa mudança para Itumbiara?

 

R - A mudança foi, como eu te falei, foi bem tumultuada, porque eu na época estava com dez, onze anos, minha irmã com treze e meu irmão com dezesseis, veja, já adolescente. E o meu irmão esse de dezesseis anos, ele tinha acabado de chegar do seminário, meu irmão tinha ido para o seminário, para seguir a carreira de padre. Aí um ano antes de minha mãe morrer ele tinha voltado, e logo que minha mãe morreu ele teve uns desentendimentos com meu pai e ao invés de ele ir para Itumbiara ele foi para Aparecida do Norte, eu não sei se lá tinha seminário em Aparecida, mas ele foi lá, uma espécie de seminário, eu acho que era seminário mesmo, e por lá ele ficou durante um bom tempo, uns dois, três anos, e nós fomos embora, eu, meu pai e minha irmã.

 

P/1  - Como é que era Itumbiara nessa época, como é que foi na cabeça de um garoto que passou a infância toda em Uberlândia?

 

R - É, assim, a gente tem como experiência hoje de vida e hoje a gente tira essa experiência para educar os nossos filhos. A criança, na verdade, ela é muito inocente, ela quer estar onde se sente feliz, e eu me senti bastante feliz em Itumbiara, porque lá eu também encontrei uma família que nos deu muito apoio. A gente, você imagina uma criança de onze anos, com uma irmã de treze e o pai, como é que fica isso, né? Mas é interessante que lá eu continuei meus estudos e fui muito bem na escola, parece que é uma coisa que ajuda a gente e me deixou boas lembranças. Meu pai também dava muito apoio, apesar da idade também, a diferença de idade do meu pai para mim é bem grande.

 

P/1  - Então ficou uma ano apenas na cidade?

 

R – É, nós moramos lá um ano, aí nós voltamos para Uberlândia. A minha irmã, uma das minhas irmãs foi nos buscar, porque sentiu que aquele negócio não estava muito certo e a gente estava muito só, então, aí a gente veio para Uberlândia, e meu pai ele ficou lá trabalhando, todo final de semana ele voltava para Uberlândia. E aqui em Uberlândia minha irmã foi, essa irmã mais velha morava na fazenda e essa irmã mais nova que estava comigo em Itumbiara foi para a fazenda e eu fiquei na cidade, em Uberlândia na casa de uma tia, estudando.

 

P/1  - Continuava os estudos já no ginasial aí, não é?

 

R - Não, eu fiz o terceiro em Itumbiara e vim para cá fiz o quarto ano no externato Santa Inês, uma escola muito boa, e aí foi. Aí depois, meu pessoal ficou um ano na roça e a gente veio para a cidade, veio e aí...

 

P/1  - Morando?

 

R - Morando sozinhos, da mesma forma, tá? 

 

P/1  - Lá na casa dos Martins?

 

R - Não, não, não, aí já viemos e fomos morar aqui no bairro Brasil.

 

P/1 - Essa casa era administrada como assim, o pai longe, a mãe, falta da mãe?

 

R - Lá em Itumbiara ou quando a gente voltou para Uberlândia?

 

P/1  - Voltando, voltando já.

 

R - Era administrado pelo meu pai, não é? Nós tivemos... foi assim, já em 1963 uma outra irmã minha, porque no grupo de nove irmãos, nós somos seis homens e três mulheres, isso para deixar bem claro senão começa a enrolar. Essa mais nova, que nos acompanhou, e eu tenho mais duas, que são minhas madrinhas, uma delas perdeu o marido em 1963, e ela morava também em Itumbiara, só que o meu cunhado trabalhava com um outro tio meu lá. Então, eu esqueci de citar que lá em Itumbiara também a gente tinha o apoio dessa irmã minha, que era minha madrinha, a gente tinha todo esse apoio. Aí perdeu o marido, o que aconteceu? Como a gente aqui em Uberlândia morava eu e meu pai e a minha irmã mais nova, aí ela veio para dentro de casa, mesmo porque ela tinha três filhos, todos bem pequenos, e aí a gente foi morar junto, e foi aquela coisa toda.

 

P/1  - E como é que seus estudos foram se desenvolvendo nesse processo, quer dizer, aí estamos partindo já para uma outra escola para fora desse externato em qual o senhor esteve.

 

R - É o externato tinha, o curso era até o quarto ano primário e depois do externato eu fui para o colégio Cristo Rei, que era uma escola de padre também, só que era salesiano. Foi uma escola bastante difícil porque, primeiro que a linha naquela época de colégio salesiano era uma linha bem, uma linha, vamos assim dizer, uma linha dura, tá? E eu sofri bastante, porque eu não tinha quem me ajudasse em casa, naquela época nem pessoas que davam aula particular, então foi uma época bastante difícil para mim, certo? O quarto ano tinha admissão naquela época, eu fiz admissão, para entrar no colégio você tinha que fazer admissão, e aí eu fui para o ginásio, aí a coisa pegou, muito difícil. Mas eu acabei superando, estudei lá durante uns três anos e aí já, na época a gente falava quarta série, parece, quarta série do ginásio, aí eu fui para uma outra escola, e depois aí o colegial eu estudei...

 

P/1  - Sempre em Uberlândia?

 

R - Sempre em Uberlândia.

 

P/1  - Nesse colegial o senhor foi para onde?

 

R - Eu estudei no Estadual, eles falavam Instituto, eu estudei no colégio Bandeirantes, que hoje é o Objetivo, e depois eu fiz cursinho por um bom tempo no Galileu, nós tínhamos aqui um cursinho, em Uberlândia que chamava Galileu.

 

P/1  - Essa opção no colegial que havia antigamente entre área de humanas, biomédicas ou exatas, o que o jovem Ismael decidiu naquele momento?

 

R - Não, na verdade não, eu só fui decidir mesmo já... Não... quando eu entrei na CTBC, eu entrei na CTBC em janeiro de 1970, eu tinha terminado o ginásio, isso foi 1969. E eu entrei em janeiro de 1970 já começando o primeiro, o primeiro, como é que fala, o primeiro científico da época, não é? Veja, aí eu entrei em uma área técnica, então, qual que é seu pensamento? É aquele negócio de vocação, se você é jovem, eu tinha dezessete para dezoito anos na época, aí logo eu fui pensar em eletrônica, em telecomunicações e, tanto é verdade, que logo em seguida eu já procurei fazer um curso por correspondência, no Instituto Técnico Monitor. Fiz e aí me deu uma pequena base e aí, daí para frente foi...

 

P/1  - Como é que foi essa aproximação com a CTBC?

 

R - Eu, antes de falar isso, antes de entrar na CTBC, eu comecei, comecei de engraxate na rodoviária, depois eu fui trabalhar em um bar. Trabalhei em um bar durante um ano, já com bastante responsabilidade, assim, você imagina um rapaz de dezesseis, dezessete anos trabalhar em um bar, tomando conta sozinho, assim, varando a noite, isso devido a confiança que o dono do bar na época tinha, não é? Nessa época eu trabalhei um ano, trabalhei um ano, e aí meu irmão trabalhava na Embratel, meu irmão trabalhava na Embratel e ele conheceu o Dr. Luiz na CTBC, porque na época meu irmão fazia, na verdade meu irmão não trabalhava na Embratel, ele trabalhava na Standard Eletric, que estava fazendo, me parece que estava montando, na época, a primeira central trânsito em Uberlândia e essa central foi montada na CTBC e lá meu irmão ficou conhecendo o Dr. Luiz. E aí meu irmão conseguiu, falava emprego, né, já diretamente com o Dr. Luiz, inclusive, foi o Dr. Luiz que foi me receber na portaria, no dia 26 de janeiro de 1970, em uma segunda-feira, já pensou que honra, hein? Puxa! Então muito menino ainda, querendo vencer na vida, foi bastante...

 

P/1  - Que peixe seu irmão vendeu para o Dr. Luiz para que ele aceitasse isso aí?

 

R - Eu acho que, eu acho não, tenho certeza, devido àquela coisa de antigamente, honesto, pessoa de família, esse tipo de coisa, não é? E o meu irmão sempre foi muito carismático, ele muito religioso, ele ficou no seminário um bom tempo, então uma pessoa que todo o mundo gostava dele, inclusive, ele aposentou na Embratel.

 

P/1  - E quando, quando o senhor veio para a CTBC, essa primeira chegada foi para fazer exatamente o que?

 

R - É, eu entrei como auxiliar técnico de comutação, lá na 234, então eu comecei trabalhando na comutação, e por lá eu fiquei durante seis anos.

 

P/1  - Como é que era esse serviço?

 

R - Na comutação, naquela época, o faxineiro não podia, ele não podia fazer faxina no local de equipamento, então quem fazia faxina, fazia limpeza do chão e lavava a xícara do café era o mais novato. Então eu comecei fazendo esses serviços gerais dentro daquele recinto ali, que era onde nós tínhamos a 234 que, na época, quando eu entrei Uberlândia tinha 4500 terminais telefônicos, 4500 por aí. E aí eu fazia serviços gerais e fiquei um bom tempo, eu acho que durante uns três anos fazendo isso, porque eu era o novato, depois entrou uma outra pessoa e a gente, eles falavam “transferir a coroa”, então foi isso, foi uma época bem...

 

P/1  - Quem que era o líder ali da área?

 

R - Na época falava chefe, nosso chefe era o Gumercindo, eu acho que ele deve ter falado com vocês. Na época a CTBC, poxa, se tivesse uma forma da gente reviver aquela época através de vídeo seria uma coisa riquíssima, porque CTBC você comparando, e naquela época só existia CTBC, não é, e era muito pequena em vista de hoje. E eu que estou lá há trinta anos e seis meses, então a gente cresceu junto com a empresa e a gente, como é que se diz, a gente acompanhou todos, a gente subiu os degraus junto com a empresa, então a gente sabe bastante coisa da empresa,  muita.

 

P/1  - É isso que nós queremos explorar. Como é que isso foi articulado, o trabalho da CTBC com a continuidade dos seus estudos, como é que era o seu cotidiano nessa época?

 

R - Eu não diria que eu fui prejudicado, mesmo porque, eu acho que eu não fui prejudicado nos meus estudos por causa do meu trabalho, eu trabalhava na comutação e para mim continuar os meus estudos no caso eu teria que fazer plantão, comutação, a central na época ela não podia, por exemplo, você fechar as portas igual hoje a gente fecha, porque é tudo digital, você fecha e vai embora e a central ela continua trabalhando, fazendo os testes tudo, tudo automaticamente. Então tinha, tinha um pessoal que fazia o plantão durante o dia, nos finais de semana, e tinha o pessoal que trabalhava a noite, no período das 10 às 7 da manhã, assim, ficava tomando conta porque às vezes dava algum problema, porque tudo eletromecânica, central eletromecânica, às vezes ela travava alguma coisa, um seletor, uma coisa e dava problema, poderia até, até dar um princípio de incêndio, e no nosso equipamento lá nós não tínhamos ar condicionado, nós tínhamos lá um aparelho que chamava renovador de ar, você imagina, renovava o ar, mas não refrigerava, não é? Então nós tínhamos que estar ali 24 horas por dia de olho na central, e o meu trabalho a noite era olhar e fazer uns testes, fazer os testes, o que eram esses testes? A gente tinha um telefone, a gente tinha uma planilha e ali a gente fazia os testes durante uma hora daqueles equipamentos, como é que eles estavam se comportando. Por que os testes naquela hora? Porque é o momento de menor movimento, imagina Uberlândia naquela época, você imagina cinco horas da manhã, a gente sabia até quantas pessoas estavam falando em Uberlândia, por que? Porque como te falei ela era, ela a GF ela é eletromecânica, então quando a pessoa tirava o telefone do gancho, como ela é toda relé, você escutava ela conectar e ali, depois do registrador, a informação ela ia seguindo, passava para as máquinas, tinha uns bracinhos e ali você, para quem já teve 234, prefixo 234, antes da digitalização, pelo telefone você escutava o seletor fazendo um barulhinho, tic tic tic tic. Então você imagina, às cinco horas da manhã, Uberlândia com, sei lá, 150 mil habitantes na época, você sabia e a gente já quatro, cinco anos ali trabalhando você conhecia tudo. Esse trabalho que a gente fazia a noite era bom porque você verificava os defeitos e aí você anotava os defeitos em uma planilha e deixava o pessoal durante o dia tirar o defeito.

 

P/1 - Era um fluxo constante de verificação, não é?

 

R - Isso, era uma coisa assim, às vezes a gente compara aquela época com hoje, uma coisa bastante salutar, que na época não tinha nada, não existia computador, existia um mainframe (computador central), na época da perfuração de cartão, uma coisa bem monstruosa, uma coisa que... Mas na época a coisa funcionava por quê? Porque o pessoal era bastante comprometido, você entregava aquilo ali para o pessoal, eles iam, tiravam o defeito e a coisa rodava, certo, hoje quem faz isso às vezes, quem faz os testes são as máquinas, é o computador, é um processador e tal. Mas, eu acho que a diferença em termos, é claro que a velocidade mudou, mas eu acho que não mudou muito foi a forma de como você ser competente naquilo, tá, mesmo hoje as máquinas, você tem que conversar com a máquina, porque senão a coisa não anda.

 

P/1 - O senhor estava dizendo sobre seus estudos, como é que eles se desenvolveram nesse meio tempo?

 

R - Bom, a coisa desencadeou, aí eu trabalhava, fazia plantão então, eu optei, eu e mais um colega, de revezar: mês sim, mês não, eu fazia plantão à noite durante um mês, aí trabalhava de dia, entrava outro no meu lugar e essas duas pessoas, que no caso seriam, que foi eu e um outro colega, a gente fazia cursinho, então era bastante puxado, a gente fazia cursinho durante o dia, trabalhava à noite e ia tocando...

 

P/1 - E já tinha idéia para onde que iria estudar, ia ficar em Uberlândia mesmo, curso de engenharia, como é que foi a sua opção?

 

R - Não, não, eu, quer dizer, aquela idade de, sei lá, adolescente já caminhando para adulto, eu prestei vestibular em Santa Rita do Sapucaí e em Uberlândia também, mas eu tinha uma dificuldade muito grande, como eu falei no início, questão de moradia, de família. Eu logo que eu comecei a trabalhar também eu já comecei a ajudar em casa, aquela coisa de você dar mesada, não é? Então foi muito difícil, porque eu trabalhava, não vou dizer que eu trabalhava muito, mas o trabalho era bastante cansativo, desgastava muito, você fazer plantão, aquela coisa, ficar sem dormir, depois estudar e cursinho, bastante puxado, você tinha que estudar também além do cursinho, se tinha que estudar durante o dia, você tinha que dormir. Foi uma coisa que me cansou bastante, sabe, e fora que eu tinha umas atividades esportivas, eu tinha minhas namoradinhas, eu tinha que jogar meu futebol, sempre joguei futebol. Então tudo, tudo se acumulava, então foi bastante agitado para mim nessa época.

 

P/1 - E o seu curso superior foi feito aonde, lá em Santa Rita ou aqui?

 

R - Não, na verdade, bom, eu aí, bom, eu gostaria de chegar lá ainda, porque tem uma trajetória, não é?

 

P/1 - Então vamos lá!

 

R - Aí como eu te falei, eu trabalhei na comutação durante seis anos, chegou em um momento que, eu conversei com meu pai, falei: “olha, eu quero mudar de setor, porque eu não vejo muito futuro aqui.” E aí eu mudei para uma outra área, quer dizer, eu trabalhava na comutação e fui para uma outra área, que chama transmissão. É uma área que era bastante nobre na empresa, bastante nobre pela tecnologia que na época estava despontando, foi a época dos interurbanos, aquela coisa toda de fazer rota para aqui, fazer rota para ali, tinha bastante, bastante treinamento, isso já por volta de 1976, veja, eu trabalhei seis anos exatamente na comutação, de primeiro de janeiro de 1970 a primeiro de janeiro de 1976. Foi uma coincidência, tá, porque já em outubro, novembro de 1975 eu falei: “não, eu não fico na CTBC nesse departamento, então eu vou sair de férias e já quero começar em um outro departamento, já em uma outra área.” Aí eu conversei com a pessoa na época, não é, aí a pessoa pegou: “não, nós estamos precisando mesmo.”

 

P/1 - Qual era a pessoa?

 

R - Walter Eduardo Teixeira Machado, que era o, que na época era o chefe do departamento, chamava departamento de longa distância. Aí o Walter me deu todo o apoio, aí poxa! O mundo se abriu para mim, finalmente. Aí eu comecei lá na transmissão em 1976, já em 1976 mesmo nós mudamos para a Industrial, foi quando, lá na Industrial tinha um prédio, que eles usavam mais como almoxarifado, uns galpões, aquela coisa. E aí... eu não tenho bem certeza, mas foi mais ou menos a época que fundou o Grupo, na época o Grupo ABC, eu não sei se foi em 1976, só sei que nós fomos para lá, e eles deram lá uma reformada lá no... fizeram uns barracões, e reformaram, coloraram tudo legal, aí nós fomos para lá. Foi uma época que trabalhei bastante, quer dizer, antes eu trabalhava à noite, aí eu passei a trabalhar a noite e viajar muito, mas com muito prazer, foi muito, foi uma mudança muito importante na minha vida dentro da Empresa, eu acredito que se eu não tivesse tido essa mudança, hoje eu não estaria aqui.

 

P/1 - Nesse primeiro período de empresa, quer dizer, a partir dos 1970, o senhor tinha contato com o senhor Alexandrino, por exemplo, chegou a conhecer?

 

R - É, o Sr. Alexandrino para mim até hoje é uma referência, porque foi um patriarca, vamos assim dizer do Grupo, mas não tem nada disso. É um exemplo, você vê que o Grupo foi e é o que é graças ao Sr. Alexandrino. Eu tive alguns contatos, porque na época a empresa era muito pequena, e eu tive, eu era muito menino na época. Veja, eu entrei com dezessete para dezoito anos na empresa, dezoito anos, um belo dia eu estava lá, como eu falei no início, a gente entrava, já ia fazer limpeza, aquelas coisas, eu estava lavando as xícaras do café da manhã, em um tanque que tinha ali embaixo na portaria e jovem sabe como é que é, não é, sempre está cansado, sempre está com sono, e eu estava lavando a xícara com uma mão e a outra debruçado sobre a parede, certo, estou lá e o Sr. Alexandrino chega nas minhas costas e fala: “Seu moço, o senhor está doente?”, quando eu escutei a voz dele eu dei um pulo, que a gente todo o mundo tinha aquele medo do Sr. Alexandrino, mas é, entendeu, medo mesmo, que ele pegava no pé, e ele tinha que pegar no pé, porque realmente o pessoal, o  Sr. Alexandrino afastava, o pessoal ia para o cantinho bater papo. Eu dei o maior pulo, maior susto, ele falou: “Seu moço, se o senhor estiver doente vai para casa, lugar de doente é em casa seu moço”. Mas eu lavei aquilo ali em uma rapidez, o meu coração quase saía do peito, e aquilo ali parece que foi um alerta para mim, sabe, assim foi uma coisa que marcou bastante, então às vezes eu conto isso nas rodinhas, o pessoal acha graça, mas eu acho que é, eu tomo isso como experiência, eu acho que isso a gente tem que estar todo o dia pegando no pé dos nossos filhos, porque aquilo ali é o retrato, a criança, o jovem, às vezes ele está ali lavando, ou trabalhando ou fazendo uma atividade e está pensando lá na namorada, no futebol, né, e a pessoa divaga. Eu achei bastante interessante. E tem mais umas duas passagens dele que hoje a gente acha bastante graça que foi uma época em que nós tínhamos o motor gerador nosso, antes ele era na garagem, no fundo, para quem conhece CTBC ele era no fundo, assim para o lado da oficina que eles falavam na época. Aí em setenta e... nessa época eu trabalhava na comutação ainda, é 1974 por aí, 1975, eles levaram o motor gerador ali para perto da portaria, têm a portaria, a portaria nunca deixou de ser ali, mas aonde é hoje, é a sala de transmissão, eles colocaram o motor ali com a saída do escapamento para a rua, lá na Machado de Assis. E tinha um rapaz na época que ele, que ele era uma pessoa assim que queria subir rápido na Empresa, o cara era bem ágil, rápido com tudo e queria mostrar serviço e ele achou que na época aquele motor gerador estava fazendo muito barulho, além do barulho tinha o problema do escape, da fumaça, e ele resolveu fechar o escapamento com cimento, certo, então ele tampou o escapamento com cimento, ele entendia que tampando o escapamento não ia ter fumaça e o barulho ia diminuir, e naquela época faltava energia assim, era, não sei precisar quanto, mas no mínimo uma, duas vezes por mês, não era Cemig, na época era a Prada, a companhia elétrica da cidade, e a energia um dia veio a faltar, não é? E aí e o motor também ele não era automático, você tinha que ir na chave, se não desse na chave, você tinha que ir na manivela, tá, um negócio bem pesado. Eu mesmo sofri muito, às vezes eu nem dava conta de tocar aquela manivela, acontecia de o motor não pegar, não é? Aí ligaram o motor lá e esse motor, e o Sr. Alexandrino tinha a sala bem perto, e o motor com um barulho diferente, ele não estava fazendo aquele barulhão, aquela coisa, ele parece que ele estava embuchado, sabe, e o motor parece que começou inchar, aquela fumaça, saindo fumaça ali para tudo quanto é lado, né? E o Sr. Alexandrino veio correndo e foi ver aquilo, o que estava acontecendo com o motor, e aí ele olhou, não estava saindo fumaça, olhou lá tinha uma bola de cimento ali na saída. Olha, o Sr. Alexandrino não deu um enfarto porque ele era muito forte, tá, mas o que ele xingou, e falou, e reclamou, e com toda razão, você imagina, isso é uma falta de responsabilidade muito grande. E aí lá tem aquela escadaria e ele subia e descia ali procurando a pessoa, você não via uma viva alma dentro do prédio, todo o mundo escondido, e foi assim, hoje a gente fala e conta para turma, às vezes as pessoas nem acreditam, não é, mas isso aconteceu e muitas pessoas lembram disso.

 

P/1 - Que idéia de tampar o escapamento.

 

R - Foi uma coisa, foi realmente foi bem, na época bem chocante, foi uma coisa que... poxa!

 

P/1 - O senhor disse que tinha duas passagens interessantes sobre ele, lembra da segunda?

 

R - Não, essa foi a segunda, vou te falar a terceira, a terceira foi, aconteceu comigo, o Sr. Alexandrino ele aproveitava muito os materiais, sobra de material, por isso que a empresa cresceu, porque lá naquela época não se jogava material fora. Então foi uma época, foi uma época de grande importância para CTBC, a década de 1970, de crescimento, de expansão. Então, antigamente os cabos que interligavam as centrais eram colados, com cola mesmo, eles eram sobrepostos e colados, hoje é amarrado com cordão encerado. Então as centrais foram mudando, foram tirando aquele tipo de trabalho que era colar os cabos e passou para amarração, e aqueles cabos eles foram sendo enviados para Uberlândia, porque estavam ampliando as localidades e tal e aí o pessoal ia mandando e ia acumulando tudo ali na garagem e amontoou aquelas coisas ali, e os cabos eram brancos, tá? Como o meu chefe ele era o chefe da comutação e, na época, ele era um dos principais técnicos da CTBC, né?

 

P/1 – O Gumercindo?

 

R - O Gumercindo, ele teve a incumbência, o Sr. Alexandrino pediu para ele, que limpasse a cola dos cabos, ah, você imagina, a cola, uma cola dura, mas dura mesmo, igual araldite, você limpar aquilo ali, a cola em cima de uma borracha. Aí o Gumercindo pegou e falou: “Ah, quem, ah não, é o Ismael que vai fazer isso”, e aí o Gumercindo  me pediu para que a gente pegasse todos esses cabos estavam lá na garagem e levasse para dentro da central, nós fizemos isso, nós levamos uma parte trabalhava e... E o Sr. Alexandrino viu aquilo, estava super errado, como você vai levar cabos para você fazer limpeza dentro de um lugar que tem equipamento, ele estava super certo, aquilo ali não é lugar para aquilo. E aí primeiro ele veio falar comigo, ele falou assim para mim, só sei que ele me chamou bastante a atenção, falando que não ia me demitir, porque eu não tinha culpa daquilo e foi falar com o Gumercindo, e aí eu não sei repetir as palavras dele mas eu sei que a coisa, que a coisa foi bastante, pegou pesado. Porque o Sr. Alexandrino era assim, o que era certo, era certo, o que era errado, ele pegava no pé mesmo, e tinha que ser dessa forma, porque realmente o pessoal era... Naquela época, a coisa era, primeiro que a mão-de-obra era escassa, então às vezes as pessoas se sentia como técnico, como uma pessoa muito importante. Aquilo era muito importante para a pessoa e tinha aquele negócio também de uma certa segurança, se a pessoa saísse da CTBC dificilmente a CTBC iria conseguir cobrir a vaga daquela pessoa. Eu imagino que o pessoal pensava dessa forma. Eu não porque eu era muito, eu estava lá embaixo, estava em início ainda, mas mesmo assim, como eu te falei, na questão de lavar a xícara ali naquele momento, entendeu, você divagou e a gente foi chamado a atenção. Mas aí aconteceu esse lance foi muito, provocou um clima bastante tenso na central porque, poxa, o chefe, ele foi chamado atenção, e o Gumercindo, na época, ele já tinha o que de empresa? Se eu não me engano uns dez anos por aí, então é...

 

P/1 - Foi uma época que ele teve um atrito grave mesmo, não é?

 

R - Eu não chamaria de atrito grave, ele foi chamado a atenção, assim, com bastante força, mas não teve maiores consequências, foi naquele momento. Apesar de ter marcado, né, mas todo o mundo conhecia o jeito do Sr. Alexandrino administrar.

 

P/1 - Só para entender melhor uma questão que ficou em branco, nesse período, nesse seu primeiro período de CTBC, os estudos continuaram, de que forma eles continuaram?

 

R - Sempre continuaram, como te falei, eu já estava fazendo cursinho, prestei vestibular para engenharia por diversas vezes, não consegui ser aprovado no vestibular, e depois em 1976 já entrei na transmissão e ali além de eu trabalhar à noite e fazer plantão, eu viajava e mesmo assim eu não deixei de tentar o vestibular. Aí por volta de 1978 mais ou menos, 1979, eu sentia a necessidade de ter um curso superior, prestei vestibular para Letras, aí fui aprovado e...

 

P/1 - Aqui em Uberlândia?

 

R - Aqui em Uberlândia, lá na UFU (Universidade Federal de Uberlândia) e mesmo assim eu não consegui chegar até o final do meu curso. Mas isso para mim não teve muita relevância porque o período, o período que eu estive na faculdade foi para mim, representou muita coisa dentro da empresa, porque foi um curso maravilhoso, uma coisa, entendeu, bem... Mas mesmo assim, veja, paralelamente ao curso de Letras, a gente continuava se aperfeiçoando na área técnica, fazendo cursos, treinamento e etc. etc.

 

P/1 – Esse momento que o senhor vai para a transmissão é de fato o momento em que a empresa se expande muito e também começa a absorver tecnologias novas, até então inéditas no contexto da telefonia brasileira, isso significava o quê exatamente, do ponto de vista do profissional, quer dizer, muita viagem o senhor já disse, também muito, muito atendimento, muito... como é que funcionava isso?

 

R - Eu não diria que a tecnologia dessa época era inédita no país, nós trabalhávamos muito com… Nós implantamos a nossa primeira rede de microondas na CTBC, isso já foi em 1975, quando eu entrei já tinha um enlace implantado daqui para Ituiutaba, depois de 1976, 1977, aquilo foi se abrindo para outras direções, Frutal, Uberaba por lá, porque a gente não podia fazer Uberaba, Uberlândia e Uberaba por aqui por causa da Embratel. Então foi a nossa primeira rede de microondas e foi uma coisa realmente, foi uma coisa marcante na época, isso aí realmente foi, já era uma tecnologia que a Embratel já utilizava. A Embratel, a Telesp, a Telemig, eles já tinham as rotas deles. Nessa época eu acredito que não foi um pioneirismo, tá, mas foi uma coisa nova para nós, por que? Porque a CTBC começou a comprar e investir em equipamentos e aí a gente ia fazendo curso, muita viagem, né?

 

P/1 - Nessa viagens, assim, do ponto de vista de trabalho de instalação, de manutenção, os seus serviços nessas viagens era exatamente o quê?

 

R - Nós fazíamos, a equipe de transmissão, isso era uma equipe, eu posso falar de cadeira, porque é uma equipe bastante competente, nós fazíamos de tudo. Nós dávamos reparos em unidades, nós implantávamos, nós operávamos, nós implantávamos torres, nós fazíamos até pintura de torre, nós tínhamos uma pessoa no nosso departamento que até pintava torre. A gente só não fabricava o módulo, mesmo assim, na época uma empresa, a empresa do Grupo ABC na época, me parece que ela se instalou ali onde é a SABE hoje lá no Industrial, eles fizeram torre por um tempo, tá, eu não sei precisar quando começaram e quando encerraram as atividades, mas até isso o grupo já fez, né? Mas então o departamento na época era muito forte. Nós tínhamos uma pessoa na direção muito competente, uma pessoa que tinha o respaldo do Dr. Luiz, tinha todo o respaldo, na época já era o Dr. Luiz, que tomava a frente, mas para a parte técnica, o Dr. Luiz formou em elétrica e telecomunicações lá em Santa Rita, então ele ficava mais para a parte... Aí o Sr. Alexandrino em 1977 ficava mais para a parte administrativa, não sei bem, assim, em termos de funções na época se ele era o diretor. Eu sei que a Dona Ilce era gerente, mas naquela época não tinha uma coisa bem definida, a gente sabia que o Sr. Alexandrino era o dono e o Dr. Luiz era o vice, isso a gente tinha certeza.

 

P/1 – Mas, quer dizer, era um momento em que essa expansão implicava para o senhor, por exemplo, acampamentos, ir para o meio do mato, levantar torre, instalar torre, como é que era esse, essa função, essas viagens se resumiam a estar numa cidade e botar o sistema para funcionar?

 

R - Eu não sei se eu entendi bem a pergunta, mas você está falando em termos de que? De motivação ou de...

 

P/1 - Não, não, em vista do seu trabalho mesmo, quer dizer, o senhor mencionou que fazia muitas viagens.

 

R - Isso, isso.

 

P/1 - Essas viagens eram para ir a cidades para instalar equipamentos e sistemas ou era para ir para as torres mesmo, para o meio do mato, acampar de modo a botar a rota de microondas a funcionar?

 

R - Tudo isso que você falou a gente fazia, tinham as equipes e tinham as pessoas chaves no departamento. Então se a gente fosse, por exemplo, implantar uma rota de microondas, implantar tinha a pessoa que nos acompanhava, tinha, por exemplo, não falava chefe de equipe, mas tinha aquela pessoa que ia com a responsabilidade e a gente como auxiliar ou como ajudante na época, a gente acompanhava essas pessoas, isso para fazer uma implantação, como eu te falei, a gente fazia de tudo, tá, então tinha as pessoas, os cabeça na área, nessa época.

 

P/1 - Dessas equipes, de quem o senhor se lembra, assim, que tenha lhe impressionado, que tenha ficado na memória, como exemplo de competência e exemplo humano assim neste grupo?

 

R - É, primeiro eu cito o Walter Machado, que foi uma pessoa que... chefe amigo, uma pessoa que, já naquela época, não se falava em inteligência emocional, mas ele tinha essa coisa de tratar as pessoas igualmente. Quando estava trabalhando, estava trabalhando, quando a gente estava fora da empresa, entendeu, ele jogava futebol com a gente, nos churrasquinho ele se misturava mesmo, e às vezes é que eu acho, às vezes falta hoje em dia. Fala-se tanto em inteligência emocional, não é, e já há quantos anos atrás? 24 anos o Walter já exercia esse papel de... de chefe não, de trabalho em equipe, nós trabalhávamos em equipe em 1976, 1977, 1978, a gente já trabalhava em equipe, interessante, não é? E hoje na empresa fala-se tanto em equipe, em trabalho em equipe, isso 24 anos depois, naquela época a gente já trabalhava em equipe, por isso que funcionava. E ainda tem outras pessoas também, o Mário Gonçalves, uma pessoa que além de competente, de confiança e amigo. Na verdade, nossa área como um todo era uma área bastante homogênea, nesse sentido, de competência e de amizade.

 

P/1- O senhor podia fazer um apanhado da evolução das formas de transmissão desde o momento em que, em que o microondas e os canais de rádio começam a ser utilizados no sistema de telefonia até o ponto em que nós chegamos hoje, como é que foi dado essa, como é que esse percurso foi feito?

 

R - É, eu não posso... eu posso até falar da época antes de eu entrar da transmissão, mas a gente sabe que o que aconteceu. A transmissão... o interurbano, vamos assim dizer, o interurbano, o IU nosso, ele começou aqui na empresa através das linhas, comunicação via, falava linha física. Então era um cabo e, como é que era feita essa ligação, era tudo semi-automático, era feita através da telefonista, então se você quisesse fazer um interurbano para São Paulo, você ia ter que esperar um tempo, porque tinha, tinha poucas linhas e a essas linhas não cobria a demanda, então você tinha que esperar. Depois quando você conseguia a linha, você tinha um tempo para fazer a conexão. E depois da linha física vieram os equipamentos sobre a linha, certo, foi a época de 1976 que apesar da gente já ter implantado o microondas na CTBC, nós tínhamos também as linhas físicas para as pequenas localidades e tinha bastante linha, porque a CTBC começou através das linhas e aí na época em 1975, 1976 a CTBC fez um grande investimento na compra de equipamentos de ondas portadoras, que fala Carrier.

 

P/1 - Carrier?

 

R - De ondas portadoras e também já fazia nessa época investimento na área de RF, de rádios. Então a gente falava de alta capacidade, hoje a gente nem pode falar, hoje falaria de média capacidade, porque na época, na nossa linha a capacidade máxima era 960 canais, certo, com largura de banda de quatro quilo hertz. Hoje nós trabalhamos com 64 quilos aí, transmissão normal, via PCM e tal, o canal de dados seria nessa faixa. Bom, nessa época fizemos bastante investimento e bastante treinamento e aí é ir para o campo e instalar aquilo, colocar, funcionar e dar manutenção. E aí a gente ficou nessa tecnologia até por volta de 1980, 1981, quando realmente a CTBC foi pioneira no lançamento da fibra ótica, da 232 para a 236, em 1980. Foi na época também que a CTBC começou a fazer investimentos na área de equipamentos de uma maior tecnologia já começou a entrar na era digital, certo, com os circuitos PDH e etc.

 

P/1 – Circuitos...?

 

R - Equipamentos PDH, não é?

 

P/1 - PDH?

 

R - É. Bom, aí a década de 1980 também foi, a coisa foi só se expandindo, aí veio o primeiro lançamento da fibra ótica, fomos pioneiros no Brasil. Depois disso a tecnologia se evoluiu, a tecnologia de fibra ótica, porque até então nós tínhamos... Tinha distância limitada, com relação a fibra, devido a automação e devido a tecnologia. Aí veio a tecnologia de fibra ótica já em 1980 e... já existia, mas ela foi aperfeiçoando e aí nós... a CTBC foi crescendo e com isso aqueles equipamentos os Carrier, que eu tinha falado, dos equipamentos de ondas portadoras, eles já foram sendo substituídos por equipamentos rádio naquelas localidades onde já existiam a linha física. Nós fomos colocando os rádios digitais, a rota de microondas foi desativada e não sei falar o ano, mas ela foi totalmente desativada por volta de 1990, 1993, 1994, quando as primeiras rotas de fibra ótica foram lançadas na área de influência da CTBC. Eu me lembro que antes da fibra, a gente vai lembrando, a CTBC em 1988 ela comprou os três, quatro primeiro enlaces de rádio digital e a gente implantou esses rádios na rota Uberlândia, na rota Uberaba a São Joaquim da Barra. E eu também estou lembrando que a primeira fibra ótica depois desta da 232 foi o lançamento da fibra Uberaba-Uberlândia via aérea. Então aquilo para nós foi um avanço muito grande. E aí com a fibra ótica, quando surgiu a fibra ótica foi essa loucura toda que todos nós sabemos, não é?

 

P/1 - Como é que era para o técnico o acompanhamento dessas novas tecnologias, quer dizer, como é que a empresa fazia com que os técnicos tomassem conhecimento dessas novas tecnologias, programas de treinamento, imersão de conhecimento, como é que, como é que o senhor, por exemplo foi se tornando íntimo dessas tecnologias?

 

R - É, nós trabalhamos, nós aprendemos, a grande escola da CTBC foi o campo, não é, por isso nós tínhamos uma equipe competente, porque o curso é muito importante, o treinamento é muito importante, mas a autoformação, a procura, a prática, eu acredito que é bem mais importante. O curso ele é muito bom, ele é assim, se tivesse jeito de fazer um curso só para ir tirar dúvida, seria uma coisa, mas às vezes as pessoas vão no curso para aprender e o curso geralmente é muito curto e às vezes o investimento talvez seja até mal aplicado, vamos assim dizer. Mas na época, nós tínhamos treinamento de um mês. Eu fiquei, por exemplo, no Rio, em uma época, fazendo um curso de quarenta dias. Então, realmente naquela época o curso, ele tinha um significado importante, porque você ia fazer o curso, você fazia a prática e voltava de lá operando. Mas é claro também esse enfoque com relação a curso, treinamento daquela época com o treinamento de hoje mudou muito, por que? Porque a tecnologia mudou gente, hoje é software, quando você vai fazer um curso, qualquer curso na área técnica, todo o curso envolve informática, tem software. Então por isso que hoje eu acredito que os cursos, não precisa de curso de um mês, porque o cara já sai da faculdade com uma formação em informática, aí vem o curso e complementa, então talvez seja essa a diferença. E hoje o curso, mesmo assim, eu continuo naquela tese ainda, você vai fazer o curso, é bom você fazer o curso para ir tirar dúvida também, mesmo hoje, para você ter um melhor aproveitamento. Mas eu volto a repetir, eu acho que a grande escola, dos técnicos da CTBC, que hoje tem poucos, infelizmente, tem poucos da época, foi o campo. E o Dr. Luiz sabe disso muito bem, porque ele acompanhava a gente de perto. Quando o Walter mandava uma equipe para campo, certo, a equipe não tinha essa coisa de voltar na sexta à tarde não, às vezes como acontece hoje. Não, voltaria na sexta a tarde se você desse a solução, tá, mas se você não desse a solução, sábado, domingo, já passamos sede, já passamos fome. Passamos mesmo. Você está em uma estação no meio do mato, você tem que colocar, o Sr. Alexandrino falava o assinante, assinante é quem paga o nosso salário, naquela época ele já falava isso. Hoje fala cliente, para mim é a mesma coisa, você imagina o Sr. Alexandrino naquela época já falava isso: “é o assinante que paga o seu salário”, eu acho que isso tinha até em revistas, no catálogo falava isso já. E a gente tinha isso e isso era muito forte dentro da gente. Então o treinamento, na verdade o investimento em treinamento na época era menor, mas, por outro lado, a gente aprendia na prática.

 

P/1 - Na escola do campo?

 

R - Exatamente.

 

P/1 - Dê um exemplo de uma situação crítica pela qual o senhor e sua equipe deva ter passado, dificuldades no meio do mato, por exemplo, uma situação crítica que tenha sido vivida. 

 

R - Você vai para uma estação, às vezes a gente saía para uma estação para tirar um determinado defeito, aí você chega lá na estação, colocava os instrumentais, fazia as medidas e tal. Aí, veja, caía um temporal, aí caía um raio na estação, você tinha ido lá para tirar um defeito, uma coisa de duas, três horas e aí queima o equipamento. Você não está preparado para ficar ali dois três dias, certo, naquela época, a gente fala naquela época parece que é tão longe, para mim não é tão longe, para mim foi ontem, as nossas rodovias aqui do triângulo, a maioria era estrada de chão mesmo, terra mesmo. Então, você tinha o problema das estradas e, além do mais, é isso que eu te falei, você tinha o problema, às vezes você ia para fazer aquilo, não estava preparado e ficava lá, como eu te falei, a gente talvez até passava sede, tá?

 

P/1 – Em uma situação como essa de uma, de uma descarga elétrica...

 

(Pausa)

 

P/1 - Mas, nós falávamos, o senhor se referiu a grande escola que é a escola do campo e essa escola do campo era protagonizada, digamos assim, por técnicos que iam resolver problemas para não deixar o assinante ou o cliente sem a comunicação. Eu queria que o senhor relatasse alguma situação crítica que, quer dizer, como resolver um problema como esse que o senhor estava dizendo, isto é vai, vai consertar um pequeno defeito e de repente esse defeito assume proporções muito maiores como a queima de um equipamento, por exemplo, motivado por uma descarga elétrica, que fazer, como fazer?

 

R - Na época os recursos não eram assim tão grandes como nós temos hoje, redundância, hoje as nossas rotas, grande parte de nossas rotas elas têm proteção, se pára aqui, ela funciona por aqui e assim vai. Na época não, na época, em uma situação como essa, nós tínhamos que voltar, ou alguém aqui até de Uberlândia teria que ir até lá, levar aquela unidade, ou as unidades que estavam com defeito, quando apresenta problema de raio, que queimasse, tivesse problema de energia, aí outros departamentos também eram envolvidos. Isso era bem forte, o pessoal, sábado, domingo, à noite, qualquer hora, o pessoal era acionado e... Então nós tivemos um problema muito crítico também uma vez que caiu uma torre, deu um temporal aqui em Uberlândia e esse vento foi na direção de Pará-de-Minas e lá em Luz a torre caiu, ela caiu porque se contorceu toda e, veja, uma torre cair com tantas antenas e com tantos equipamentos ali interligados. Aí nós fizemos um mutirão na época, caminhão com módulos, equipamentos, antenas, certo, todo o mundo... Foi uma situação assim bastante emergente e que nós resolvemos, tá, assim, a trabalhar dia e noite sem parar para colocar o sistema em funcionamento.

 

P/1 – Um acidente como esse deixou sem comunicação uma...

 

R - A região, não é, aquela região de Luz.

 

P/1 - Ah, tá.

 

R - Então teve várias outros, assim, já tivemos vários problemas com chuva, com... mas este, Luz e outros, nós tivemos uma estação que pegou fogo, que queimou lá em Brodowski, nessa época eu estava na região, o equipamento em si, ele pegou fogo e aí o fogo se propagou e também foi uma correria também.

 

P/1 – Era equipamento mais antigo?

 

R - Para a época era um equipamento já com uma tecnologia, assim, um pouco atrasada, mas isso não vem ao caso gente, se o equipamento ele, seja de que tecnologia for, entendeu, se tem alguém ali fazendo uso, não importa. O que importa é que o cliente lá na ponta ele não sabe se está indo via fibra, via rádio ou via aquilo ou via aquilo outro, ele quer saber de falar, ele quer saber de se conectar. Também foi outra correria e era desse jeito, tá, porque a pressão era, quer dizer, a pressão é muito grande, não é que era, é! Você imagina, a pessoa que tem um telefone, que faz uso desse telefone todos os dias, de repente ele precisa do telefone e não consegue se comunicar. A gente trabalha em uma área, talvez uma das áreas mais importantes, porque é a área de comunicação, é a área da informação, por isso que a nossa equipe era muito forte, eu acho que talvez os jovens deviam se espelhar naquele pessoal para ver. Naquela época estagiário de engenharia, ele chegava na nossa área, ele ia para o campo, ele ia fazer aterramento, ele pegava o inchadão furar vala para fazer os aterramentos, o cara subia em torre. Hoje não, hoje mudou tudo, hoje o estagiário já chega e tem um micro para ele ali trabalhar, sabe, é interessante, né?

 

P/1- É. Mas de todo o modo Sr. Ismael, parece ter havido uma, uma introjeção forte, digamos assim, cultural forte, nessa perspectiva de ter o cliente sempre, o assinante sempre como o, como o objetivo principal, não é, isso não é uma coisa nova na Companhia como o senhor próprio relatou. É de fato uma cultura, quer dizer, depois de 30 anos de Companhia o senhor compreende isso como uma cultura?

 

R - Eu acho essa cultura ela veio do Sr. Alexandrino, bem antes do Teixeirinha, pelo que a gente lê aí nas revistas. É aquilo que eu te falei, a referência é o Sr. Alexandrino, eu acho que todos nós temos que ter essa referência, que é uma referência de vida, é uma referência de profissionalismo e isso ficou gravado, é igual o pai da gente quando fala: “filho...”, ou quando você vai na igreja e o padre fala: “olha, roubar é pecado”. O Sr. Alexandrino na época falava: “olha, o assinante é quem paga o seu salário”, é a mesma coisa, eu sinto que... Então hoje eu falo para meus filhos dessa forma, e falo todo o dia, você tem que falar todo o dia “filho oh...”, quem tem o conhecimento tem tudo, “vai em frente meu filho...” Todo o dia você tem que falar no carro, nas viagens, você tem que acordar seu filho, e o Sr. Alexandrino fazia isso com a gente. Então não é... esse negócio de um cliente é o mais importante, tudo bem, nós temos que falar isso hoje, nós temos que colocar para o mais jovem que o cliente, ele está na frente, que você tem que ter empatia, aquela coisa toda, que a gente sabe hoje. Mas é cultura, tá, é cultura da empresa, por isso que é aquilo que o Grupo, hoje está entre as cem melhores do Brasil para se trabalhar, por causa dessa cultura. É, nós tivemos, eu acho que hoje já não se fala mais nisso, que os antigos da CTBC, que o pessoal não... Teve uma época de reestruturação no Grupo, falava que tinha que renovar o quadro, tinha que ter sangue novo e tal, tudo bem, mas é... quer dizer, eu sou suspeito em falar isso, mas tem que mesclar, certo, tem que ter a cabeça jovem, principalmente para o jovem aprender com o mais velho, para a empresa continuar caminhando. E foi um grande erro das empresas, eu tenho parentes que tem cargo de gerência na Souza Cruz e em outras empresas, a gente conversa muito sobre isso, do descaso, entre aspas, que teve com os mais antigos nessa época de reengenharia, nessa última década, que foi uma revolução, que na verdade a revolução foi até boa, foi boa para o Grupo. Mas às vezes as pessoas exageram na forma de fazer, de colocar as coisas, tá? Então a CTBC mesmo, eu sei que eu estou sendo gravado, eu posso falar isso, e falo com o Dr. Luiz, o Dr. Luiz sabe disso, a CTBC mesmo perdeu grandes talentos com essa reestruturação, mas ela foi muito importante para o Grupo, quer dizer, não há reestruturação perfeita, todos nós sabemos disso, não é?

 

P/1 - E não se pode correr o risco de perder inteligências, perder competência?

 

R - De jeito nenhum, a experiência... Porque hoje entra um engenheiro novo na nossa área, eu trabalho na área de engenharia, ele é importante, porque ele está ali, ele está com aquela vontade toda de vencer, de crescer, mas só isso não basta, só isso não basta. E se for olhar no fundo, quem toca a empresa é o pessoal que tem um pouquinho mais de experiência, é aquele pessoal que já conhece a empresa, que conhece os caminhos por onde ir.

 

P/1 - Como é que foi a sua trajetória a partir dessa época da transmissão, como é que foi o seu desenvolvimento dentro da CTBC?

 

R - Em 1980 quando... em 1979 eu prestei vestibular e passei, eu fui aprovado no curso eu já... na época já teve umas mudanças na empresa, na época já se criou as diretorias, já nos departamentos, já naquela época já tinha algumas terceirizações, algumas coisas o departamento de transmissão já não fazia mais. Então nessa época eu, como as áreas foram criadas e já separei um pouquinho, já saí um pouquinho do campo, já fui mais para área técnica, mas área de escritório, área de planejamento, mesmo porque, a gente já conhecia a planta da empresa, não é? Então de 1981, 1982, até hoje e ao longo do tempo, isso foi evoluindo, foi mudando com as reestruturações, na época era departamento, depois os departamentos se fundiram, depois virou diretoria técnica e a coisa foi... A reengenharia foi reestruturando e tal. E hoje nós somos um Grupo na CTBC, um Grupo de engenharia, e hoje é  tudo separado, hoje tem operação para lá, hoje tem staff para cá. Nós hoje, a nossa função hoje é contratar equipamentos, especificar equipamentos, certo, e implantar e entregar para operação, hoje a coisa é bem mais metódica, vamos assim dizer, mesmo porque, o mundo ele exige isso, não é?

 

P/1 - Quer dizer, o processo de seu trabalho hoje é um processo de intermediação entre a demanda da empresa e a operação desse equipamento que a empresa está precisando mesmo?

 

R - É, hoje é, eu não cheguei nesse ponto, mas virou operação, que antes era diretoria técnica, era, vamos assim dizer, essas duas funções, de operação e implantação tudo junto, por volta de 1989, houve a divisão, criou-se um diretor técnico, criou-se um diretor de operações e aí houve a separação. E nisso aproveitou também a reestruturação e tal, né? E hoje nós fazemos o que? Hoje nós somos na área de tecnologia mesmo, o staff. Hoje nós que definimos, nós que eu digo, nós do planejamento e mercado, nós que definimos, aquilo que o cliente quer e implanta lá para a operação operar. A gente entrega para eles e eles recebem ou aceitam aquilo. Aceitou? Tá. Aí é cortado o cordão umbilical, entre aspas, tá, nós entregamos para a operação, a operação vai operar e dali para a frente a operação ela dá manutenção, ela faz todo esse trabalho de operação.

 

P/1 – A tua área é uma área mais, digamos, de planejamento estratégico, digamos assim, do que...

 

R – Qual? A nossa área? 

 

P/1 - Isso.

 

R - Hoje no staff houve uma reestruturação, está sempre tendo reestruturação, nossa área tinha o planejamento também, o planejamento forte, nós temos o planejamento ainda, mas é o planejamento mais local, mais focalizado, mais focalizado naquilo que nós estamos fazendo. Então, hoje nós já temos, tem uma outra área de planejamento que visa mais o estratégico, tá?

 

P/1 - Pensando um pouco e sem lhe pedir nenhum exercício de futurologia, o que nos espera, o que vem pela frente, o que o cliente vai querer daqui para frente?

 

R - O cliente já está querendo, o cliente hoje ele, ele não é mais aquele cliente de 15 anos atrás que não sabia o que estava atrás das portas da CTBC, ele não sabia, hoje ele sabe. Hoje você tem, todos nós temos a Internet, nós temos os meios de comunicação, nós temos a mídia, vamos assim dizer, que é bastante forte. E nós temos os produtos que as empresas estão doidas para, assim, estão naquela loucura para vender para todo o mundo e, principalmente, agora com a concorrência, agora a coisa ficou bem mais, o cliente ficou muito mais agora sabendo das coisas, sabendo aquilo que quer, entendeu? Então nós, a nossa função, eu acho que acima de tudo, nós temos que entrar dentro do cliente e saber, às vezes, muito mais do que o cliente, porque às vezes o cliente quer uma coisa, certo, isso às vezes, através da empatia você consegue saber. Você tem que inovar, você tem que provocar surpresa no cliente, eu acho que essa é a frase. Você tem que surpreender o cliente, porque eu entendo que o serviço está aí para todo o mundo fazer, os concorrentes estão aí todo o mundo fazendo igual, então o cliente, aquilo para o cliente é normal, então você tem que provocar uma surpresa no cliente, você tem que ir mais além, certo, ser criativo, porque senão você vai perder o cliente. Quando nós fizemos viagem para os Estados Unidos, lá mesmo, na Universidade da Flórida, eu ouvi isso lá do pessoal lá que deu a palestra lá para nós, falando que “conseguir o cliente até que é fácil, o mais difícil, o mais caro é você mantê-lo”. Isso a gente ouviu lá. Então é fácil você chegar e argumentar e trazer o cliente, agora como mantê-lo? Isso que é o mais importante.

 

P/1 - Fidelizá-lo?

 

R - Fidelizá-lo, exatamente. Então hoje a CTBC, um Grupo Algar que foca muito nessa questão do cliente, nessa coisa toda de fidelização do cliente e isso é o grande desafio nosso, tá?

 

P/1 - Na sua avaliação, esse desafio está sendo encarado com força e coragem?

 

R - Com certeza, isso é vivo dentro de nós, porque nós sabemos que se isso não acontecer, nós vamos morrer, certo, porque os grandes estão ao nosso lado com a boca bem grande, porque nós somos pequenos, nós o Grupo Algar, a CTBC ela é muito pequena frente aos grandes Grupos, as multinacionais, que estão aí ao nosso lado. Então se você não fizer a diferença, sem dúvida nenhuma, que a tendência é desaparecer, essa é a minha visão, isso é o que eu enxergo, eu enxergo dessa forma.

 

P/1 - A idéia de fazer a diferença está sempre presente no...

 

R - Em cada um, em cada um de nós. Porque antes era tecnologia, hoje não é mais a tecnologia, eu vejo dessa forma, hoje são as pessoas, porque a tecnologia está disponível para quem quiser. Hoje é a pessoa, por isso que o trabalho hoje, com todos esses treinamentos, os trabalhos lá no exterior a gente ouviu muito isso, falar sobre inteligência emocional, a relação com as pessoas, você estar bem com a sua família, você estar bem com a sua empresa, você estar bem com o cliente, isso é muito importante. Aquele negócio do cara sério, do cara que chega e não fala bom dia, daquele cara que... entendeu? Isso acabou, isso não existe mais. Nós temos muitos exemplos de empresas em Uberlândia, empresas mais antigas, que fecharam, exatamente porque não inovaram.

 

P/1 - A inovação deixa de ser um objetivo e passa a ser uma prática, não é?

 

R - É, aquele negócio da qualidade, que a CTBC ela investiu muito em qualidade, mas até impregnar cultura nos associados, porque o que é qualidade? Qualidade não é nada mais que a obrigação de cada um de nós de fornecer um excelente serviço, aquilo que o cliente quer. Eu, por exemplo, como cliente, estou falando isso não da boca para fora não, que eu sou super exigente, enjoado, pego no pé quando eu vou comprar uma coisa e não sou bem atendido, então eu sou um cliente, certo, e tenho milhares de clientes. Eu acho que isso, essa cultura, modéstia a parte, eu acho que essa cultura que as pessoas têm aquilo que tem que ter, se você é exigente, se você quer ser bem atendido, quando você passa do outro lado, você também tem que ser da mesma forma, a recíproca é verdadeira. Então, eu acho que isso é uma coisa que é o mundo hoje, tá, agora tudo com equilíbrio, não é aquela coisa também de você enfiar no trabalho e é só trabalho, trabalho, trabalho, não. Aí, veja, o trabalho vem contra você, aí vem o stress, vem os problemas de saúde etc. etc., então você tem que fazer as coisas equilibradas, mas sempre com foco voltado para o cliente, porque o cliente é o mais importante, no seu trabalho o foco tem que ser o cliente sempre.

 

P/1 - Eu queria insistir um pouco ainda nessa, repetindo, sem lhe pedir nenhum exercício de futurologia, como é que o senhor está enxergando o futuro dessa companhia e o futuro dos serviços que ela pode e deve prestar e também do ponto vista profissional, quais são os horizontes que estão sendo colocados à nossa frente?

 

R - Hoje em termos de tecnologia, eu, por exemplo, não consigo acompanhar, as pessoas também falam... Eu fiz um curso agora na segunda-feira sobre IP sobre TCP IP e até mesmo o instrutor falou: “olha, esse livro aqui gente eu não garanto, eu não te garanto nada que está escrito aqui, porque pode ter uma outra, um outro livro, uma outra edição, entendeu, já me desmentindo isso”, quer dizer, a verdade passa a ser relativa, certo? Então, as telecomunicações com o advento da Internet, elas... a Internet veio e balançou tudo, eu por exemplo não sei te falar como vai ser daqui a cinco anos, se as nossas comunicações vão ser via Internet, muitos falam que você, que voz, você vai falar de graça e que o grande filé vão ser os serviços. Os serviços agregados, tá, esse é o grande filé, e nisso a CTBC está focada. Hoje, a CTBC tem as áreas que trabalham com isso, que trabalham com as novas tecnologias. Recentemente a CTBC implantou um sistema importantíssimo, que chama speech recognition, que é o reconhecimento da fala, certo, que eu estava lendo um folheto, um folheto da Algar, que mandou lá para a gente sobre aquela questão de futurologia e fala que, neste folheto fala que em 2226 ou 2026, nós íamos ter um sistema que ia reconhecer a fala das pessoas, a CTBC já implantou isso e já é uma realidade. Aí as pessoas falam: “eu vou perder meu emprego”. Gente, mas não é por aí, se as pessoas olhar ao longo dos anos, as atividades que foram sendo substituídas, e isso é uma coisa natural, é por isso que eu te falei, você tem que fazer tudo com equilíbrio, como dizia meu pai, não passar o carro na frente dos bois, as coisa acontecem naturalmente. É claro que hoje está acontecendo em uma velocidade muito maior, mas a tecnologia está aí. Veja, quantas lojas hoje de informática nós temos em Uberlândia, no Brasil, quantas nós tínhamos há cinco anos atrás, três anos atrás e quantas pessoas sabiam o que era Internet e hoje, hoje todo mundo faz declaração de renda pela Internet, você paga conta pela Internet, tudo você faz pela Internet. Ontem mesmo eu estava ouvindo, não sei se foi num jornal ou li em alguma coisa que, você vai comprar gasolina através da Internet, você vai abastecer através da Internet, isso lá nos Estados Unidos. Você hoje, você já faz compras, você pesquisa, entendeu? Então eu acho que o caminho é esse, está aí, a CTBC está bastante focada na questão da comunicação via pacote, certo, na questão de serviços agregados, hoje esse é o grande, esse é o grande foco hoje do Grupo, vamos assim dizer, do Grupo Algar.

 

P/1 - O segredo nesse caso é antecipar-se, não é?

 

R - Sempre, antecipar sempre. Como eu te falei dessa nova tecnologia, do speech, eu posso falar, porque eu participei de uma... acho que da primeira reunião desses americanos, quando eles vieram aqui há três, quatro meses atrás, que eu acho que só tem um lugar no Brasil, ou não sei se é CTBC se é pioneira, uma parte desse serviço a CTBC é pioneira mesmo. Chegou em uma hora boa, nós temos aí o call center, que hoje não pára mais de crescer. Então é uma tecnologia inovadora, uma coisa que... Ontem mesmo eu estava conversando com um colega meu, porque eu saí do projeto e aí ele continuou, eu perguntei, “Oh, como é que está o speech”, ele me falou: “Olha, nos surpreendeu, porque a gente tinha determinados receios, com relação a...” Porque é complicado, não é, reconhecimento da fala, a gente que estudou um pouquinho Letras a gente sabe como é que é a Linguística. Por exemplo, foi o americano que, isso é uma tecnologia americana, foi ele que fez todos os diálogos, então quando eles vieram aqui houve, não vou falar atritos, mas houve uma certa indiferença, porque tem dialetos, tem aquele problema, tem o linguajar regional e tal, mas felizmente deu tudo certo, está dando certo.

 

P/1 – Começando, isso é um caminho que ainda tem muito chão pela frente, não é?

 

R - Muito chão pela frente.

 

P/1 - Em toda essa conversa a gente deixou de lado um pouco a sua vida pessoal, o senhor casou-se, conheceu a sua esposa há muito tempo? Do ponto de vista pessoal como que é essa história?

 

R - Eu não fui um Dom Juan, vamos assim dizer, mesmo porque eu sou baixinho e não sou bonito, mas eu fui muito namorador, certo, eu namorei bastante e sempre eu namorei assim procurando uma pessoa que... Eu vislumbrava minha mulher, eu sempre fiz isso, eu vislumbrava a minha mulher com 15 anos, 20 anos de casado, como é que ela ia ser, se ela ia ser uma gorduchinha, se ela ia ser muito enjoada, se ela ia ser isso, se ela ia ser... Eu acho que eu não toleraria você chegar em casa e a mulher já vim pegar no seu pé e fazer toda aquela coisa. E aquela gorduchinha que só está ali para fazer aqueles negocinhos de casa, eu acho que eu não tolerava isso. Eu sempre procurei uma mulher que fosse, além de mulher, companheira, amiga, uma pessoa que tivesse suas idéias, certo, para a gente sempre estar trocando essas idéias. E com isso eu tive várias namoradas, várias que eu digo, não foram várias, mas por vários anos, eu tive umas quatro namoradas com quatro anos cada uma. E a minha esposa eu namorei com ela quatro, uns quatro, cinco anos, mesmo porque, a diferença de idade nossa é em torno de onze anos. Então quando nós começamos a namorar ela estava entrando na universidade, então são quatro, cinco anos, não é? Aí ela formou em julho e nós casamos em setembro. Está aí, por sinal, catorze anos de casado.

 

P/1 - Como é o nome dela?

 

R - Marilda. 

 

P/1 - Tem filhos?

 

R - Tenho dois.

 

P/1 - Quem são?

 

R  - Tem o mais velho com treze, que chama Régis, e o mais novo com doze, Guilherme.

 

P/1 - Perfeito. Me diga uma coisa, Sr. Ismael, se nós estivéssemos agora frente a uma pessoa que estivesse entrando na companhia, um novo associado, o que o senhor diria para ela?

 

R - Grande parte do que eu te falei aqui eu acho que eu falaria para ela, eu falaria para qualquer uma outra pessoa, porque o que eu estou falando aqui eu vivi isso?

 

P/1 - Mas o que essa pessoa vai encontrar nessa companhia?

 

R - É aquilo que eu falei, essa pessoa ela deveria ter um estágio com os mais velhos, trabalhar junto, para ela aprender. Hoje a CTBC já faz isso, a área de talentos humanos pega a pessoa, leva essa pessoa por várias áreas, às vezes ela fica uma semana, 10, 15 dias em uma determinada área, depois passa para outra e assim vai, para conhecer. Mas não é o bastante, ela vai conhecer aquilo bem superficial e para ela, às vezes, talvez vai até enrolar a cabeça dela. O importante é, vamos supor, ela entra na minha área, ela vai trabalhar na minha área. Ela quer aquilo? Quer. Então ela vai conviver com os mais antigos, vai viajar, isso nós fazemos na nossa área, principalmente como estagiário, tá? Porque hoje funcionário novo é muito difícil, hoje a CTBC ela tem os estagiários, e as pessoas que prestam esse tipo de serviço, mas mesmo assim nas oportunidades a gente sai com as pessoas mostrando. Mas tem que ser por aí, porque se ela chegar e for fazer aquilo que o pessoal determinar para ela vai ficar uma coisa... Não vai haver ligação, tá, daquilo que ela está fazendo, ou daquilo que ela pretende fazer, com o resto da empresa. Porque hoje a pessoa que entra na empresa tem que conhecer toda a área, porque hoje não existe mais aquele negócio, quando eu entrei eu só fazia aquilo: comutação, meu negócio era tirar defeito, hoje não existe isso mais.

 

P/1 - Isso é uma polivalência necessária.

 

R - É, eles pregam muita polivalência, não é que você tem que saber tudo, mas você tem que conversar sobre tudo, você tem uma função, mas você sabe o que está acontecendo ao seu redor, eu acho que isso é muito importante.

 

P/1 - Perfeito. Eu estou satisfeito. Eu gostaria de saber se a gente teria, o senhor teria alguma coisa que gostaria de ter dito e nós não lhe perguntamos ou não lhe provocamos a dizer, alguma coisa que tenha passado.

 

R - É, só para acrescentar eu completei em janeiro 30 anos de CTBC, me sinto como um jovem da época, eu me envelheci na idade, certo, mas o corpo é muito melhor que quando eu entrei, sabe, a forma de pensar, o jeito da gente encarar a vida. É interessante que depois de uma certa época você, parece que a evolução se torna automática, certo, eu sinto isso, que a cada dia você está crescendo um pouco mais. É, nunca me abalei com reestruturação na empresa, certo, nunca! Eu acho que às vezes, talvez, eu não tendo esse temor, nunca me senti, vamos assim dizer entre aspas, incomodado, a pessoa chegar e... Não, não tive e não tenho, eu sempre tenho confiança em mim, dentro da CTBC e fora. Estou com 30 anos, não é porque eu não tive outras opções, tive opções na Embratel, em outras empresas, tá, mas já é mais uma questão de filosofia de vida, se eu gosto da empresa, me sinto bem aqui para que mudar. Então tenho muito que agradecer, o Dr. Luiz é uma pessoa que ao longo desses 30 anos nós tivemos poucos contatos, mas o Dr. Luiz sabe quem sou eu e tenho que agradecer a ele pela acolhida em janeiro de 1970, não é?

 

P/1 – Te recebeu na porta.

 

R - Certo, me recebeu na porta. E eu tenho um negócio comigo também, eu não devo nada para a empresa, a empresa não deve nada para mim, certo, mas foi graças a CTBC, entendeu, que me deu essa oportunidade, que eu consegui crescer na vida e tive muitas oportunidades, certo? Então não tem aquela coisa de amanhã ser demitido e falar: “ah, mas...” não isso não, isso não existe, isso aí tranquilo e...

 

P/ 1 - Tá certo. O que lhe pareceu ter dado esse depoimento, o que o senhor achou de ter dado esse depoimento?

 

R - Achei muito válido, eu não sou muito, eu sou até muito discreto com essa parte de ficar procurando, porque eu já sabia do Museu do Futuro, já há bastante tempo. Vocês fizeram uma entrevista com o João, não é, com o João Coura e o João Coura trabalha ao meu lado e pensei comigo: “se me procurarem, eu vou lá numa boa, sem constrangimento nenhum, sem timidez, né?” Eu me sinto bastante feliz porque, eu diria até que foi como, assim, eu não vou falar desabafo, desabafo é quando você... mais é uma oportunidade da gente falar em público, certo, a trajetória mesmo de uma forma bastante rápida, o que a gente foi, essa trajetória e a importância do trabalho na vida, certo, o trabalho representa muito para a gente. Não é porque está com 30 anos, às vezes a pessoa fala, está aposentando, não é isso não, às vezes você está aposentando naquilo que você faz, mas você pode começar amanhã em uma outra atividade e aposentar daqui a 30 anos naquela outra e assim vai. Então isso é muito válido, eu achei muito válido porque também isso depois, eu posso até passar para os meus filhos esse depoimento, para a minha família, para os meus amigos. E volto a repetir, às vezes, em determinados momentos até pareceu assim como um desabafo, mas não, longe disso, às vezes até eu comecei me emocionar, e falando de determinadas partes que são marcantes, porque tem muito detalhe que a gente não contou aqui, que a gente acha que não é o momento, mas que a gente está falando, mas a cabeça está processando, certo, e é muito interessante, né?

 

P/1 - Foi um grande prazer tê-lo aqui, muito obrigado!

 

R - O prazer foi todo meu.

 

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