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História

Memórias da periferia

História de: Jonatas Rodrigues dos Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/09/2009

Sinopse

O cearense Jonatas Rodrigues dos Santos veio para São Paulo com a família ainda criança. Morou em diversos bairros, acompanhando o endereço de emprego de seus pais. Os amigos que fez na escola e nas ruas lhe apresentaram o grafite, o skate e a fotografia. Aprendeu a fazer dinheiro com o grafite comercial, pintando fachadas de lojas até utilizar essa forma de arte para transformar a realidade de grupos e comunidade carentes.

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História completa

O meu bairro, que hoje é o Residencial Cocaia, era conhecido por Morro da Macumba. Antes mesmo de ser bairro, era só um matagal, morro, e tinham muitos despachos, muitos mesmo. De vez em quando apareciam uns mortos jogados lá, umas coisas meio sinistras. Até porque como não tinha policiamento, não tinha nem uma estrutura para uma comunidade, uma formação de bairro, nada disso. E o bairro crescia a cada dia. Acho que ele crescia mais nesse sentido do número de pessoas que vão se amontoando no lugar do que propriamente crescer no sentido de melhorias, saúde e tudo o mais.

Aos poucos, já mais velho, eu fui entrando na ondinha do movimento urbano, andar de skate, fazer tag na rua. E foi quando rolou o meu primeiro contato com grafite. Quando me deparei com aquilo na parede eu falei: “Isso é feito com o quê? Com spray? Impossível”. Era um tipo de acesso à informação, do que era aquilo e como fazer aquilo em si, que não tinha. Surgiu toda uma identificação com essas coisas, com esses movimentos que vêm da rua.  


E então a idéia do projeto Morro da Macumba surgiu a partir da vontade de contar uma história; era uma vontade de fazer um grafite diferenciado; era a vontade de juntar as potencialidades artísticas de cada um. Várias vontades foram se fundindo. Pra gente enviar o projeto para que ele fosse aprovado, tinha que ter as autorizações, e são mais ou menos umas 15 casas que foram pintadas com a história dos seus moradores, mais os muros. Então, vamos dizer assim que conseguimos umas 10 autorizações. A gente explicava a proposta, muitos entendiam, mas visualizar isso é difícil. Até pra gente mesmo, a gente não sabia exatamente como iria ficar aquilo. O fato de ser uma casa, você não pode estampar uma imagem muito agressiva, nem cores muito quentes, tem toda essa preocupação. Então a gente fez todo um estudo, até pra chegar aos moradores e explicar. E quando a gente iniciou, todo mundo adorou e foi uma coisa maravilhosa, porque a gente conseguiu as autorizações que faltavam pra poder concluir a idéia.

Foi muito bem aceito, de um modo geral. Por quê? Porque não é só um grafite, é um grafite que traz informação, teve toda uma preocupação estética, tem esses diferenciais, que é a coisa do relevo. A rua que a gente grafitou foi escolhida porque ela é uma região do bairro que está desassistida ainda em pavimentação: falta esgoto, asfalto, etc, e é uma rua que dá acesso a muitas outras ruas. E incentivou os próprios moradores, porque é costume na estética das casas na periferia aquela coisa de casas laranjinhas, sem acabamento. Às vezes nem é uma questão financeira, mas porque é tão comum todo mundo terminar as casas por dentro e deixar a parte de fora pra depois, que acaba ficando assim. Foi então uma forma das pessoas começarem a cuidar. Tanto é que, realmente, depois que a gente fez o projeto, eu vi muitas pessoas rebocarem a casa, outras pintando, outras até arriscando fazer umas bolinhas, umas coisas com spray. Foi uma coisa que trouxe bons resultados, em vários sentidos. 

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