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Metrô: muito mais do que um transporte

História de: Leandro Kojima
Autor: MetroSP
Publicado em: 13/06/2018

Sinopse

Leandro conta como sua história de vida sempre teve a presença do Metrô, desde os Tapumes da estação Tucuruvi que estava sendo construída em sua infância, até sua carreira no Metrô, cheia de acontecimentos importantes que aconteciam ao mesmo tempo na vida pessoal e profissional.

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História completa

A gente sempre morou no Tucuruvi, bem próximo mesmo da estação, no final dos anos 80 iniciou a construção da extensão norte, e eu lembro dos tapumes do metrô, eu tinha em torno de oito, minha mãe explicava que seria a futura estação do metrô Tucuruvi. A gente brincava muito na rua, e era bem próximo das obras do metrô. O transtorno no começo de obra, o barulho e a movimentação. Desde pequeno, eu tinha visão de que aquilo ali poderia melhorar bastante em termos de locomoção, tanto para mim quanto para toda a população da região.


Em 94 eu fiz um Vestibulinho, tinha 13 anos, acabei passando no Liceu de Artes e Ofícios, então comecei o colégio técnico em eletrônica no período noturno. Naquela época, eu era muito ligado à família, e dificilmente saia sozinho, no primeiro dia meu avô foi comigo até a estação do Metrô, depois foi tranquilo. Em 98, foi inauguração da estação Tucuruvi, foi uma alegria, e para o pessoal da região foi muito importante. Ganhei pelo menos 20 minutos para ir e voltar, porque eu pegava o ônibus e ia até a estação Santana, tinha que ficar esperando no terminal, o metrô facilitou bastante.

 

Após me formar como técnico, prestei concurso pra CTPM, onde entrei em 99. Lá conheci minha esposa, ela atuava no mesmo departamento. No primeiro ano era só amizade, o pessoal ia dançar, e a gente acabou tendo uma aproximação. Em 2001 a gente começou efetivamente o namoro.
Em 2001 surgiu o concurso do Metrô para técnico de eletrônica, me chamaram em julho de 2002. Foi um ano bem complicado, pois foi o ano que meu pai faleceu de infarto, ele tinha 50 anos. Eu tinha 21 anos e realmente tive que amadurecer, os recursos ficaram mais escassos, vi que haveria uma dificuldade para conseguir sustentar a família.


Então, a escolha não foi fácil, eu tive que escolher entre sair da CPTM e ir para o Metrô. Ponderei bastante, um amigo que trabalhava no Metrô, disse: “O Metrô é outra empresa, a estrutura é muito melhor, você vai ter uma chance de crescimento muito melhor”. Arrisquei. Ingressei no Metrô em 2002. Entrei no laboratório do Jabaquara, a recepção foi maravilhosa. Foi uma fase muito boa da minha vida. Sinto saudade de sentar na bancada e arrumar, às vezes em casa tento arrumar alguma coisa, consertar é algo, para mim, que faz diferença. Essa passagem no laboratório foi importante, lá fiz vários amigos que tenho até hoje e tive um crescimento técnico muito grande.  


Trabalhei lá fazendo a calibração dos instrumentos, era algo que necessitava de conhecimento tanto teórico quanto prático, então tive um crescimento muito grande. É um ambiente muito profissional. Foi um choque de culturas entre os metroviários e quem estava entrando. Eu era técnico, mas não tinha experiência nenhuma em efetuar manutenção, e olhar aquele ambiente, ver um laboratório com centenas de instrumentos, todos diferentes, pensei: “como que vou aprender todos, dar manutenção nesses instrumentos, conhecer todos os instrumentos?”.

 

Então era algo difícil, essa diferença entre o mundo acadêmico e corporativo, realmente, para mim, foi um choque. O conhecimento dos técnicos do Metrô vai além de efetuar manutenção, realmente havia um desenvolvimento de tecnologia lá que até hoje existe. Pode ser comparado com primeiro mundo, porque realmente o cuidado com manutenção é muito grande. O Metrô tem uma cultura forte, é muito procedimentado, além dos padrões.  Eu me lembro que tinha o café, 15 minutos sagrados, parava todo mundo, tanto no período da manhã quanto no da tarde. Por mais que estivesse concentrado, tinha que parar, era importante socializar e realmente com essa parada, voltava-se com a solução do problema.


O laboratório sempre foi um ambiente muito masculino, me lembro que no decorrer da minha passagem por lá, entrou uma estagiária, uma aprendiz do Senai, e não tinha banheiro feminino. O Metrô teve que se adaptar para um ambiente feminino.
A companhia do Metrô é realmente um exemplo para a sociedade. A questão da acessibilidade é um marco, na última década, houve uma série de adaptações, isso é extremamente importante, o Metrô se preocupa tanto com o usuário ao adaptar estações, quanto também com o ambiente corporativo, os empregados. As pessoas vão envelhecer, o número de idosos no Brasil tem aumentado, é algo que acontece no mundo todo, então a acessibilidade é relevante e importante.

 

O Metrô é um dos principais metrôs do mundo, transporta 4 milhões de pessoas, com um intervalo de trens tão curto, sem contar a questão de segurança e limpeza, é um ícone nesses aspectos. Na questão tecnológica, não perde para nenhum metrô do mundo. “Realmente somos o melhor metrô”. Um marco importante para mim foi o concurso de 2006, me lembro que era um concurso interno, várias fases, era uma concorrência muito grande porque eram vários engenheiros altamente gabaritados, e por ter só uma vaga o desafio era muito grande. Me dediquei e acabei sendo selecionado. Assim, fiz uma comemoração com o pessoal de laboratório, a gente tem ainda muita amizade, então, foi uma festa de noivado e de despedida no Metrô Clube Jabaquara, foi bem bacana.

 

A partir de 2006 atuei como engenheiro de manutenção, a gente estruturou toda uma área, implantou gerenciamento de projetos, hoje é uma gerência técnica e respeitada. Foi um período também de crescimento, de evolução como engenheiro. Quando eu entrei no metrô não vislumbrava tão para a frente, fui subindo passo a passo, por mérito, tentei fazer meu melhor, e quando as oportunidades apareceram, eu me dediquei ao máximo. Me lembro que eu estava em casa porque meu filho tinha acabado de nascer, eu estava de férias, e meu gerente da época ligou e pediu para eu ir até lá, acabei indo no dia seguinte, e o gerente me disse que era o momento, enxergavam que eu tinha potencial, e a partir daquela data, eu assumi a coordenadoria.


Uma pessoa que me marcou muito foi meu coordenador, Aldo Misuno, ele faleceu recentemente, foi uma pessoa que realmente me deu muito apoio, enxergou que eu teria esse potencial, era uma pessoa muito justa, merece esse carinho especial, eu lembro, além dos momentos com ele dentro do ambiente, também essa prática de esportes é algo que ele sempre estava junto comigo. A prática de esporte é algo relevante, é importante nos mantermos, porque a vida é muito estresse.


Penso muito na companhia, sempre tento tomar decisões para que a empresa tenha mais benefícios e consiga ser uma empresa melhor.
Quando você pensa em metrô, você pensa num meio de transporte, um modal sustentável. A companhia tem certificação ambiental, e uma série de medidas para redução de consumo e isso traz benefícios para a população como um todo. Hoje o tempo é um dos mais importantes elementos na vida de todos nós, ganhar meia hora do dia numa ida e volta, para poder chegar na sua casa e ter meia hora a mais com sua família, acredito que isso seja algo imensurável, não tem preço. É um dos benefícios mais importantes, a questão do tempo e de você poder se programar são fatores bem significativos e que às vezes as pessoas não perceberem, mas não imagino São Paulo sem o Metrô.



o PDV é algo que realmente impacta na vida de quem está saindo, mas também das pessoas que estão ficando, as pessoas partem, pessoas que fizeram toda uma carreira com 35, 40 anos de empresa, então é uma vida, as partidas são realmente tristes, mas temos que ter esse olhar para reter o conhecimento e fazer com que seja repassado para toda a empresa. A companhia hoje investe na formação de educadores internos para fazer com que todo esse conhecimento que é muito rico na empresa, permeie entre os empregados. A companhia proporcionou para mim um MBA e para minha surpresa, no final do curso, a GV me informou que fui o melhor aluno da turma e receberia uma homenagem. Depois, verificaram que eu tive o melhor desempenho em todas as GVs, e fui o orador na cerimônia, foi bem bacana, meu filho subiu no palco comigo, um evento bem legal.


Daqui a 20 anos espero que o Metrô tenha uma malha maior, e mantenha toda essa qualidade, fomos eleitos o melhor meio de transporte recentemente, então a população reconhece que o Metrô, apesar de saturado, presta um bom serviço, então espero que no futuro tenhamos mais metrô com a mesma segurança e o mesmo padrão de qualidade que temos hoje.

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