Busca avançada



Criar

História

Meu herói, John Lennon

História de: Affonsinho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 20/07/2007

Sinopse

Affonso Eleodoro dos Santos Júnior, mais conhecido como Affonsinho, nasceu em Belo Horizonte, mas sua vida se divide entre os cenários mineiro e carioca. Filho de Coronel Chefe da Casa Militar do então presidente Juscelino Kubitschek, foi na minissérie televisiva ‘JK’ que pôde contracenar com seu pai e contemplá-lo de farda. A música, por sua vez, tornou-se mais importante em sua vida após a febre dos Beatles no Brasil, na década de 1960.  De John Lennon a Milton Nascimento, inspirou-se nos ídolos para seguiu a carreira como músico. Foi integrante da banda Hanói-Hanói e regravou sucessos do Clube da Esquina. Fascinado pelos ideais de John Lennon desde criança, conta: "foi meu primeiro herói".

Tags

História completa

P/1 – Affonsinho, boa tarde.

 

R – Boa tarde.

 

P/1 – Obrigada por ter aceitado o convite do Museu Clube da Esquina.

 

R – É um prazer, é uma honra estar aqui.

 

P/1 – Em nome do Marcinho e de todo o Museu, que eu estou agradecendo. Eu queria começar esse bate-papo nosso aqui com você falando o seu nome, local e data de nascimento.

 

R – Olha, eu sou o Affonsinho, nasci em Belo Horizonte, no dia sete de março de 1960.

 

P/1 – O seu nome completo.

 

R – Affonso Eleodoro dos Santos Júnior.

 

P/1 – Beleza. Fala o nome dos seus pais também.

 

R – Meu pai se chama Affonso Eleodoro dos Santos, e minha mãe se chama Valquíria Ferreira Santos.

 

P/1 – Sei. E qual era a ocupação profissional deles?

 

R – Olha, meu pai tem até uma coincidência muito legal, que é o seguinte: ele foi colega de sala do Seu Salomão Borges em 1921, 1922, 1923, no grupo escolar Pedro II. O Marcinho chegou a fazer um registro, filmou uma conversa dos dois, os dois batendo um papo e lembrando do grupo Pedro II, as brincadeiras de sala e morrendo de rir, lembrando dos apelidos de todo mundo. Meu pai, da mesma forma que o Salomão, foi para a Polícia Militar de Minas, foi Coronel, acho que o Salomão parou. Papai continuou, foi Coronel e foi trabalhar com o Juscelino Kubitschek, foi Chefe da Casa Militar de Juscelino no governo de estado aqui em Belo Horizonte, em Minas, e depois foi para a presidência da república com ele como sub-chefe da Casa Civil. Depois foi pro exílio com ele, pra França. E na época do Memorial JK [Juscelino Kubitschek], depois da anistia, quando eles cederam aquele espaço para fazer o Memorial JK em Brasília, papai foi presidente do Memorial JK. E hoje, continua trabalhando, tem 91 anos, viaja, faz palestra, lança livro, é um fogo do diamantinense lá. Exatamente da mesma idade que o Seu Salomão Borges. Papai é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Brasília.

 

P/1 – E qual a ligação dos seus pais, avós, tios, com a música? Eles têm alguma ligação com a música?

 

R – Olha, têm. O meu pai é de Diamantina, né? Minha mãe compunha, assim, em casa. Ela não sabe harmonia, mas ela fazia música enquanto estava arrumando casa ou cozinhando, não sei o quê. E a gente tem... Tinha um tio chamado Jequitaí que foi maestro da orquestra da polícia militar. E minha mãe levou, hoje, o spalla da sinfônica, que é Márcio Malard, meu primo, pra orquestra da polícia militar por causa desse tio, o Jequitaí, que era maestro. Essa orquestra formou grandes músicos que estão hoje na Sinfônica, o Márcio Malard, o Washington Cliston, todos estudaram na orquestra da polícia. Então a minha mãe compunha sem saber teoria musical. Meu pai não, meu pai escreve, depois dos 80 [anos] ele resolveu virar escritor, já lançou uns oito livros, enquanto está no Instituto Histórico. Agora, o meu bisavô, meu pai costuma brincar que ele foi a primeira agência de publicidade do Brasil, porque ele era de Diamantina, se chamava Zeca Bento; inclusive, os livros de Diamantina contam histórias dele, toda vez que eu vou tocar lá em Festival de Inverno eu fico pensando se ele está por ali em algum lugar, porque ele é um cara que tinha muito valor. Ele era diabético, eu acho que ele teve onze filhos, ou nove filhos, não sei, naquela época o pessoal tinha muitos filhos. Ele perdeu uma perna por causa da diabetes, então ele andava em Diamantina de muleta, você imagina! Andar em Belo Horizonte de muleta já é difícil, que aqui as coisas já são mais planas, imagina Diamantina, que é tudo...

 

P/2 – E é tudo paralelepípedo.

 

R – É, e subida e descida. E ele ia, ganhava a vida fazendo jingle em Diamantina nessa época, mas de que forma? Assim, por exemplo, cantava em casamento, cantava em enterro, cantava em batizado, fazia jingle pra padaria, por exemplo, a padaria estava com uma promoção lá de pão mais barato hoje, ele ia para a praça lá com o violãozinho dele, com a muleta, e cantava: “padaria do Seu Correia, não sei o que lá”, entendeu? Então papai brinca que ele foi a primeira agência de publicidade, porque isso foi em 1800 e sei lá, 1860, 1870, muito tempo. Então tem essa tradição, né, de Diamantina, de ser aquele negócio da boemia, de serenata, então eu acho que vem um pouco daí.

 

P/1 – Você fez uma participação ali na minissérie ‘JK’?

 

R – Fiz na minissérie.

 

P/1 – E tem alguma coisa a ver com o pessoal ser de Diamantina?

 

R – Tem. Na verdade eu dei os CD’s que eu gravei com releituras do Clube da Esquina: o ‘Esquina de Minas Volume I’ e ‘Esquina de Minas Volume II’. Eu dei os dois CD’s para Maria Adelaide Amaral, que era diretora da minissérie, e ela adorou a minha voz e me ligou, falou: “pô, Affonsinho, eu queria saber se você topa fazer um personagem, um personagem real, que é o César Prates”, que está vivo até hoje, tem 95 anos, 93, por aí. Ele é vivo, é mineiro de Montes Claros, foi cantor da Rádio Inconfidência e um grande amigo do Juscelino. Então eu topei fazer o César Prates. Assim, fiquei muito honrado de a Maria Adelaide ter me chamado, e foi muito legal, porque aí eu pude ter contato com as músicas que o Juscelino gostava de verdade. Assim, o meu pai que teve essa convivência muito intensa com o Juscelino, inclusive por ter sido... O meu pai foi aluno da mãe do Juscelino quando era criança, o Juscelino era quatorze anos mais velho do que o meu pai. O meu pai foi aluno da mãe dele, da Dona Júlia, em Diamantina, e depois foi conhecer o Juscelino no Hospital Militar. O meu pai, quatorze anos mais novo... O Juscelino já médico, e o meu pai conta que ficou impressionado, já tinha uma admiração pelo Juscelino [quando] médico, porque se lembra que ele tinha uma atenção muito grande com todas as pessoas, de uma forma igual, entendeu? Não atendia melhor o capitão e tratava com menos coisa o soldado. Falou que ele atendia todo mundo da mesma forma, que tinha interesse e que, acho, até – eu não tenho certeza assim para afirmar isso aqui, mas eu já ouvi um papo assim – que ele fez um sistema, ele que criou um sistema no hospital, que era um negócio de triagem, assim, de separar determinado tipo de doença. Eu não entendo bem assim, eu já ouvi o meu pai falar isso, ele pode explicar melhor. Nem sei se ele falou isso para o depoimento que ele deu pro Marcinho. Mas então tinha essa relação com o Juscelino; eu conheci o Juscelino. Meu pai tinha essa... Trabalhou com ele desde o governo de estado até o Juscelino morrer, inclusive no exílio papai foi com ele pra França. Então eu me lembro demais do Juscelino, tem até história, eu com ele lá em casa na época do JK-65. Eu me lembro que eu, criança, tinha quatro anos, quatro, cinco anos, e eu lembro que o Juscelino parecia da altura desse teto  assim, porque criança, você olha... E eu chamava ele de “Pi”, porque todo mundo chamava ele de presidente, então eu chamava ele de “Pi”. Aí eu lembro que um dia eu fui puxando na calça dele assim, ele me pegou no colo, me levantou aquele tantão, até o teto assim, e eu olhei pra cara dele e fiquei olhando aquela coisa que menino pergunta assim, falei: “Pi, por que você tem o olhinho assim?” Porque o olho dele era assim, ele ria e o olho ficava bem... Então tinha essa ligação. Eu fiz o César Prates na minissérie, porque a Maria Adelaide gostou da minha voz, e foi uma honra, foi muito legal. Eu contracenei com o Murilo Grossi, que fazia o papel do meu pai, do Coronel Affonso. Então foi muito bacana, porque quando eu nasci, o meu pai não usava mais farda da polícia militar aqui...

 

P/2 – Mas você foi para o exílio com o seu pai?

 

R – Não, eu era pequenininho.

 

P/2 – O seu pai foi sozinho?

 

R – O meu pai foi com ele, eu fiquei aqui com a minha mãe.

 

P/1 – Vamos deixar voltar...

 

R – O meu pai foi pra França com ele e, na época, eu era pequenininho. Eu estava falando agora...

 

P/2 – Eu só queria saber se ele ficou aqui.

 

P/1 – Você estava falando que você contracenou com o rapaz que fez o papel do seu pai.

 

R – Ah, isso foi muito bacana. O Murilo Grossi, que é um ator da Globo, um grande ator, foi chamado para fazer o papel do meu pai na minissérie, Coronel Affonso Heliodoro, e eu tive a oportunidade de contracenar com ele porque o César Prates estava sempre com o Coronel Affonso Heliodoro. Então tem cenas, assim... Eu pude ver o meu pai fardado, com a farda da Polícia Militar de Minas na minissérie, era muito legal isso. Teve uma cena, inclusive, que não tinha uma... Eu falava com o Murilo Grossi assim, sobre a esposa do Bené Nunes, pianista... O César Prates chega para o Coronel Affonso e fala assim: “Puxa, essa esposa do Bené Nunes é um pedaço de mau caminho!” Eu botei um: “Affonso, essa mulher...” Eu botei esse Affonso assim só para brincar. Então foi muito bacana contracenar com o meu pai, com um pai que eu não conheci, um pai de farda. Quando eu nasci o meu pai já era da Casa Civil do Juscelino, então foi uma experiência muito emocionante pra mim e para ele, ele vibrava também de vê-la. Foi legal, porque ele pôde me passar o repertório, as coisas que o César Prates cantava. Assim, meu pai tem uma memória musical muito legal, apesar de ele não tocar, ele se lembra de tudo, ele sabe todas as letras do Noel Rosa que você imaginar, fala uma e ele canta. Então foi muito bacana.

 

P/1 – Sim, que bacana! E como é que é a sua iniciação na música , assim, sua relação com o instrumento?

 

R – Eu comecei a tocar por causa dos Beatles. Eu comecei, as primeiras coisas que eu me lembro de escutar... Era também o meu pai chegar em casa à noite, eu com dois anos, três anos, ficava andando atrás da calça dele assim. Ele chegava, fazia um mexido e botava um disco do Nat King Cole. Então a primeira coisa que eu ouvi foi Nat King Cole cantando músicas do Gershwin, do Cole Porter, do Hardest Heart, né? Mas depois, na adolescência, eu esqueci um pouco isso porque fiquei muito roqueiro. Mas a minha primeira influência musical foi essa, meu pai ouvia Nat King Cole e o meu irmão ouvia João Gilberto. Quando eu tinha uns cinco, seis anos, o meu pai me levou para ver o ‘Help!’, dos Beatles. Coitado, não imaginava a loucura que ele fez, ele me levou uma vez, teve que levar 50. Meu primeiro herói foi o John Lennon, assim, antes do Super Homem, antes do Batman. Eu o achei bacana, e acho bacana até hoje, até vim com a camisa do ‘A Hard Day's Night’. Eu acho bacana, porque era uma herói da paz e do amor, um cara que não estava dando porrada em ninguém, não estava atirando em ninguém, porque hoje em dia – isso é até um comentário do meu pai comigo: “Pô, o herói nos filmes são sempre os caras que atiram, que matam, que batem, nunca é o pacificador.” Então o John Lennon era um herói da paz, e isso é uma coisa muito bacana. Eu fiquei fã do John Lennon e tal, ficava pedindo para o meu pai traduzir o que ‘Help!’ estava falando e ele traduzindo. Um dia, um amigo dele... Eu morava no Rio nessa época, e morava em Copacabana, perto da Confeitaria Colombo, que era uma confeitaria tradicionalíssima no Rio, que não existe mais, infelizmente – pelo menos em Copacabana, acho que tem uma no Centro. Aí um amigo do meu pai deu um violãozinho pequeno pra ele. Ele chegou em casa e falou: “meu filho, eu estava andando ali em Copacabana e encontrei com o John Lennon, em frente à Colombo”. Eu parei, falei: “pô, meu pai, meu ídolo, amigo do meu outro ídolo – que era o John Lennon”. Falei: “Pai, você o conheceu?” “É claro! E falei com ele que você gostava dos Beatles, que você gostava dele. Ele falou ‘dá esse violão pra ele de presente’”. Então eu acreditei, né? Eu ganhei aquele violão do John Lennon e levei pra casa, e ficava lá. Não sabia tocar nada, eu pegava lá, ficava tentando tocar e não conseguia. Então eu comecei a tocar por causa desse violão, presente do John Lennon, da mentira que eu acreditei. Toquei um pouquinho, aprendi uns acordes com um primo. Depois, mudei para Belo Horizonte, em 1970, quando eu tinha dez anos. Belo Horizonte, nessa época, era um paraíso. Você sair de Copacabana... Uma criança que não podia ficar na rua o dia inteiro, porque Copacabana já era como é Belo Horizonte hoje, você não vê mais turma de criança brincando na rua, ou é em condomínio fechado... Então eu saí do Rio nessa época e vim para Belo Horizonte com dez anos, nove para dez anos, e isso aqui era um paraíso. Paraíso assim, era maravilhoso pra criança, eu nunca vou me esquecer. A rua da minha avó, a Grão Pará, tinha mais de 50 meninos no quarteirão, e ficava todo mundo na rua o dia inteiro. Jogava futebol, brincava de “bentes altas”, soltava papagaio, brincava de polícia e ladrão, era um paraíso. Quando passava um carro na rua, o menino pegava a bola e falava: “Carro!”, entendeu? Depois, aos quinze anos, eu voltei a tocar, aí já com a coisa do adolescente, ouvindo Rock and Roll, ouvindo Beatles de novo.

 

P/1 – O que você ouvia? Além de Beatles, o que você ouvia nessa época?

 

R – Olha, eu ouvi muito Beatles, ouvi muito Jimi Hendrix, Eric Clapton... Aí comecei a gostar muito de Blues. Depois eu fui descobrir que o Jimi Hendrix e o Eric Clapton copiavam o BB King, o Albert King, o Fred King, aí eu fui escutar esses caras. E fiquei um tempo meio sem ouvir música brasileira, mas como eu sempre fui muito ligado em letra de música, eu comecei... Às vezes eu escutava no rádio a letra de uma música que me pegava, eu falava: “Opa, essa aqui é legal!” Aí voltei a escutar. Diretamente, assim, eu lembro que o meu irmão mais velho é quem trazia a informação de música brasileira pra casa. Eu lembro de ele chegar, já escutar João Gilberto e Tom Jobim, depois, na década de 1960, ele trazendo Chico Buarque, Caetano, Edu Logo, Gil. E me lembro, assim, uma coisa realmente inesquecível, quando ele trouxe o disco do Milton Nascimento, que é o disco que eu mais gosto até hoje, que é aquele com o ‘Som Imaginário’ que tem ‘Para Lennon e McCartney’, tem ‘Alunar’, tem Amigo, Amiga’, ‘Pai Grande’. Eu acho esse disco uma das coisas mais bonitas, uma banda maravilhosa, que é com o Tavito. Eu me lembro até hoje do dia que eu escutei. Eu falei isso com o Tavito há pouco tempo, a primeira vez que ouvi a viola de doze [cordas] dele tocando na ‘Para Lennon e McCartney’, quando o Milton: “Por que vocês não...” Quando entra o “tchak, tchak, tchak, tchaak, tchaak”, e faz um negócio “funkeado” assim, que eu achava que era com guitarra, e ele me contou agora a pouco tempo que era uma viola de doze que ele usava com um (uá uá?) e a mão. Então era uma bandaça, sabe, uma superbanda. Eu ouvia essas coisas, Nat King Cole cantando Gershwin, Cole Porter, Beatles, Jovem Guarda... A gente acabou ouvindo alguma coisa, Tropicália, depois o Clube da Esquina, junto com Led Zepplin, Jimi Hendrix, Eric Clapton. A minha geração ouviu muita coisa. Eu acho isso bacana, porque ouviu muita coisa e muita coisa legal. Tinha muita... A gente recebia muita coisa de fora, e aqui de dentro também tinha um time, assim, de músicos, de artistas e de pensadores, muito bacana.

 

P/1 – E o Hanói , como é que foi a história da Hanói ?

 

R – O Hanói foi alguns anos depois. Eu já tocava aqui em Belo Horizonte, já tinha tocado com um monte de gente aqui, de amigos, assim. Já tinha feito muito show e resolvi experimentar a vida profissional de músico, e mudei pro Rio. O Arnaldo Brandão, um grande baixista... Um cara do tempo da década de 60, ele foi de um conjunto, um dos primeiros conjuntos de Rock dos anos 60, um dos mais importantes, que era ‘Os Bubbles’ que depois virou ‘A Bolha’. O Arnaldo tem uma história legal, ele é um dinossauro do rock mesmo, tocou com Raul Seixas, Luiz Melodia, Caetano, [por] oito anos. Ele que fez a outra banda, Tapera, com o Caetano. Ele, nessa época, estava no ‘Brilho’, ‘Brilho da Cidade’, com Cláudio Zoli, “a noite vai ser boa...” Essa banda tinha acabado e o Arnaldo resolveu montar uma banda, e me chamou para montar essa banda com ele, que na verdade, no princípio, era uma dupla só, só tinha ele e eu. A gente foi procurar um baterista, encontramos com o Pena, que era baterista do ‘Herva Doce’, cara pesado. Então o Hanói ficou essa mistura de muito peso, do Pena, que era uma cara que vinha do Heavy Metal; o Arnaldo, um cara do funk e do reggae; e eu um cara do blues e do Rock and Roll tradicional, mas com essa coisa aqui de Minas junto, entendeu? Porque já ouvia Lô, já ouvia Toninho, já ouvia Milton. Então o Hanói ficou uma... Ao vivo era muito legal, porque era bem mais pesado do que no disco. O Arnaldo abria... Uma coisa, essa é uma coisa que eu resgatei agora também, pegando os vídeos antigos dos shows. Eu tenho todos esses shows guardados, os shows que a gente fazia no Parque Lage, que foi o lugar, junto com o Circo Voador, onde aconteceram todos os shows das bandas de Rock no Rio dos anos 80. Eu tenho vários shows de a gente abrindo Raul Seixas, abrindo Caetano, ‘Herva Doce’. E era legal porque era um lugar lindo, o Parque Lage ficava lotado, a galera toda ia. Então todas as bandas passaram por lá e pelo Circo Voador. No show, o Arnaldo fazia uma coisa que não era comum nas bandas pop. O Arnaldo, sendo um cara dos anos 60, ele tinha essa coisa das bandas de Rock, lá do Cream, do ‘Jimi Hendrix Experience’, que tinha a coisa de você solar muito tempo – porque o pop nunca teve muito espaço pra solo, o pessoal alega que solo não vende. E nos shows do Hanói , até agora foi legal ter relembrado isso. Ele abria espaço assim, então eu solava, pegava um e solava meia hora – meia hora... Claro, não era assim também –, mas solava muito, tinha muito solo de guitarra. E foi muito legal ter chegado ao Rio assim, porque eu acho que naquela época, no princípio dos anos 80, o pessoal... O que era conhecido da música mineira no Rio de Janeiro era só o Clube da Esquina, entendeu? Eles achavam que todo mundo era como o Clube da Esquina, e [na verdade] tinham outras coisas já acontecendo. Eles achavam que a gente não sabia tocar Rock. Eu me lembro de algumas pessoas falarem: “Pô, mas você é mineiro e toca Rock?” Eu falava: “Ué, todo mundo lá toca Rock, não é uma coisa assim. Um monte de gente toca Rock também, toca outras coisas.” Eu achei bacana ter essa abertura para isso no tempo do Hanói, porque mostrava outro lado que era desconhecido. Porque o Clube da Esquina ficou muito conhecido, e é uma música muito forte, que todo mundo tem muito respeito. Eu acho que o Brasil inteiro, o mundo inteiro tem um respeito, assim, acho que marcou demais. Eles achavam que aqui era todo mundo como o Milton, como o Lô, como o Beto, como o Toninho, e tinham outras coisas também. Tanto que, depois disso, foi aparecendo o próprio Sepultura, o Skank, o Jota Quest; todo mundo que está fazendo pop, mas com influência do Clube da Esquina, é claro!

 

P/1 – Então, nesse ponto eu queria... Como é que foi a primeira vez que você ouviu o Clube da Esquina? Você se lembra, você tem lembrança disso?

 

R – Me lembro do Milton no festival cantando ‘Travessia’, mas eu era muito pequeno.

 

P/1 – E o disco Clube da Esquina?

 

R – O disco ‘Clube’? Eu me lembro assim, igual eu te falei: o disco Milton... Eu estava falando com o Vermelho agora, lá fora, de a gente colocar o Clube da Esquina como os Beatles, assim, do Brasil. Porque eu acho que Clube da Esquina e Mutantes, juntos, assim, são as coisas que tinham mais versatilidade, essa coisa que os Beatles tinham de... Você não pode falar que os Beatles eram uma banda de rock, porque você fala assim, por exemplo, ‘Michelle’, por exemplo não é um rock. O Tavito tem até uma teoria que ele diz que ‘Michelle’ é um fado, se você cantar com voz de português de Portugal ela vira quase um fado ali. Ele falou comigo uma vez e é verdade. Eu acho que os Beatles só não gravaram samba. Então o Clube da Esquina tem essa versatilidade, essa abertura também. O Tavito me contou que o Milton... Falou: “Affonsinho, o Milton é um cara tão talentoso que ele era assim, se você mostrasse uma coisa para ele, por exemplo, da música...” Eu não vou me lembrar exatamente da música, [mas] o que o Tavito me contou foi que mostrou pra ele, uma vez, um estilo de música... Vamos inventar um aqui, sei lá, de qualquer lugar do mundo, assim. Falou que o Milton ouvia aquilo e que na mesma hora ele absorvia, transformava aquele negócio numa música dele, original, com a cara de Milton Nascimento, assim, “rapidaço”. Um dia eu falei isso pro Milton, que o Tavito me contou isso... O Tativo falou que isso era uma coisa impressionante no Milton, que ele sempre pegava os estilos e fazia essa coisa de transformar em Milton Nascimento. É muito bacana, né? Então o primeiro disco, eu estava falando com o Vermelho que eu acho que esse disco do Milton – que eu acho que só se chama ‘Milton Nascimento’, ele é anterior ao ‘Clube da Esquina’, e o Clube da Esquina, você fica querendo saber qual é melhor. É igual falar assim: “Qual é melhor, o ‘Rubber Soul’ ou o ‘Revolver’?”, entendeu, dos Beatles. Não tem jeito, os dois estão ali, tem hora que é mais legal ouvir um, tem hora que é mais legal ouvir o outro. O Milton, com o ‘Para Lennon e McCartney’, me pegou de cara assim, eu acho fenomenal aquele disco, mas o Clube da Esquina também é um absurdo, né?

 

P/1 – Beleza. E o seu disco, ‘Esquinas de Minas’, né?

 

R – É.

 

P/1 – Você gravou o disco com músicas dos compositores do Clube da Esquina. Eu queria que você falasse um pouquinho desse disco. Como é que foi a ideia?

 

R – Esse disco, na verdade, foi uma grande alegria para mim, porque eu nunca imaginei que eu fosse gravar, mexer nessas perolas assim. Porque eu tinha feito no meu primeiro autoral, pela Dubas, o selo do Ronaldo Bastos, o Dubas, que tem esse nome... Acho que foi o Caetano que deu, já até contei essa história, é do Ronaldo “du” Bastos: Dubas. Eu tinha feito um disco autoral chamado ‘ZumZum’, em 2001, um disco que eu fiz porque eu tinha levado os outros discos nas gravadoras, eu tinha feito dois independentes, levei nas gravadoras e ninguém queria. Então eu falei: “ah, de teimosia, eu tenho estúdio, vou fazer um disco pra mim, do jeito que eu quero, sem a menor concessão pra gravadora, pra preocupar se a música que vai tocar no rádio tem refrão. Vou fazer um disco pra mim, do jeito que eu gosto, pras minhas ex-namoradas, pras minhas tias, pra minha mãe”, e fiz o ‘ZumZum’ assim, é um disco super verdadeiro. E tem uma sonoridade que é o seguinte: eu gravei dois violões, violão de aço e violão de nylon; Ivo Correa tocou o baixo, baixolão sem traste; e o (Bill?) Lucas tocou percussão. Então um disco totalmente acústico. Aí o Ronaldo Bastos lançou esse disco pela Dubas, lançou no Brasil e no Japão. Eu estava me preparando para fazer o segundo autoral, que é o que saiu agora, o ‘Belê’, acabou de sair, agora, em 2006. Mas nesse intervalo, o Ronaldo ligou pra mim e falou: “Affonsinho, estou com uma ideia bacana de você pegar as músicas do Clube da Esquina, as músicas que você achar mais bacana assim, que tenham mais a ver com você, e você gravá-las com a mesma sonoridade do ‘ZumZum’ – que o Ronaldo adora. Mesma suavidade do ‘ZumZum’, que ficou um disco muito suave, um disco totalmente de amor. Assim, todas as músicas são de amor, eu queria fazer isso mesmo, queria fazer um disco de amor para as minhas amigas, minhas ex-namoradas. E o Ronaldo falou: “Eu queria que você fizesse a mesma coisa com as músicas do Clube da Esquina”. Aí eu falei: “Tá, mas eu vou mexer em pérola ali, coisa assim, sucesso consagrado... É complicado você mexer numa harmonia do Milton, do Toninho, do Lô, do Beto Guedes”. Eu não queria...

 

P/2 – “Responsa”.

 

R – ... Essa “responsa”, assim. Mas ao mesmo tempo, eu achei bacana mexer, porque eu falei: “bom, eu gravar, tentar gravar igual a eles gravaram? Não tem nada a ver, porque já existe a gravação deles, que é a original, que é a que todo mundo gosta”, e ia ficar completamente sem graça tentar copiar aquela gravação. No ‘ZumZum’, nesse meu autoral, eu tinha feito uma leitura pra ‘Rua Ramalhete’, do Tavito, porque o Tavito, no disco dele, gravou com uma super banda: Sergio Dias tocando guitarra, tem coral, tem orquestra, naipe de metais. Aí eu falei: “Bom, se eu for tentar fazer qualquer coisa nesse estilo, vai ficar esquisito, pior, vai ficar...” Aí eu fiz totalmente o contrário, gravei ela de voz e violão, fiz Bossa Nova, mudei a harmonia. Mostrei pro Tavito – a música é dele –, falei: “O que você acha dessa harmonia?” Ele achou legal, eu gravei no ‘ZumZum’. Então eu já tinha uma, eu já sabia, lá no fundo eu falei: “Eu posso, se eu fizer a mesma coisa que eu fiz com a ‘Rua Ramalhete’, no ‘ZumZum’, com as músicas do Clube da Esquina. Aqui a gente pode ter sorte de acertar em algumas e errar em outras, é claro!” Então eu chamei o Gauguin – que é um grande músico e produtor, que também sabe tudo de Beatles e produziu o Skank, o primeiro disco do Skank – pra fazer junto comigo, o disco. A gente pegou e começou a pesquisar, a pegar os meus discos de Clube da Esquina, ouvir, assim, o que eu gostava, o que eu tinha vontade de mexer. E a gente começou a fazer aquilo de uma forma bem relaxada assim. Por exemplo: ‘Amor de Índio’: o que a gente podia fazer nela pra ficar diferente? Aí: “Ah, vamos tentar tocar ela em Bossa” “Ah não, rolou essa ideia aqui de fazer ela em Foxtrot!”, entendeu? Meio Gershwin, Cole Porter ali, como o Pizzarelli faz. Então foi pegar e falar: “vamos fazer essa daqui Gershwin e Cole Porter”. Aí pegava, por exemplo, ‘Paisagem na Janela’: “Ah, vamos tentar fazer Bossa Nova”. Fizemos um arranjo de Bossa... Mas sempre com uma citação do Clube, ou uma citação dos Beatles. E uma das músicas o Gauguin teve uma ideia que eu achei uma das mais bacanas do ‘Esquinas de Minas I’, que foi pegar o violão do ‘Blackbird’ do Paul McCartney, que é um violão completamente personalizado, uma marca registrada do Paul McCartney, que o Gauguin é especialista – muito mais do que eu – em Beatles. O Paul McCartney tem uma técnica de tocar com a mão esquerda... Porque ele é canhoto, mas seria a direita, que é a mão que está fazendo os acordes, que é tocar com esses dois dedos. Ele toca tudo assim, só isso aqui: “dum, dheg, dheg”. Yesterday ele toca: “Yesterday, dum, dheg, dheg, dum, dheg, dheg”, é assim. E o Black Bird é gravado assim: “dum, dheg, dheg”, e fazendo dueto assim só. O Milton Nascimento também tem uma técnica de mão direita que não é de escola nenhuma, igual aos Beatles, os Beatles não têm escola, estudaram na Berkeley, estudaram na Juilliard, não tem isso. O Milton também não. Os Beatles aprenderam lá em Liverpool, o Milton aprendeu lá em Três Pontas, e eles inventaram o estilo deles, os estilos que são copiados por todo mundo, todo mundo quer ter a mão do Paul McCartney e o talento, a mesma coisa do Milton. Então nessa música, por exemplo, ‘Canção da América’, o Gauguin fez o mesmo violão da ‘Blackbird’, no mesmo estilo do violão, [como] se fosse o Paul McCartney fazendo, e misturado com a música do Milton, entendeu? Então essas coisas eu achei que deram certo. Por exemplo, no ‘Caçador de Mim’, do mesmo disco, eu consegui fazer uma coisa que foi misturar o violão de nylon de Bossa Nova, que eu aprendi ouvindo João Gilberto. Claro que não com o talento, a versatilidade do João Gilberto, mas com o que eu, Affonsinho, consegui pegar do João Gilberto, com o que eu consegui pegar do violão de aço com o BB King, de escala pentatônica de Blues. Então foi uma mistura que eu fiquei super feliz de ter feito, de ter feito um lado Bossa Nova... De um lado João Gilberto, de um lado BB King, em uma música do Sá e do Magrão. Então algumas misturas eu acho que a gente acertou assim, foi uma releitura bacana. Depois eu gostei que algumas pessoas falaram assim: “Pô, foi legal que você não copiou, você botou a sua personalidade nas músicas”. A Dubas lançou no Japão esses dois discos aí também, e os discos venderam bem. Foi muito bacana. É uma felicidade eu gravar coisas que eu nunca, nunca imaginei que eu pudesse gravar; uma música do Milton que nem é tão conhecida, que é ‘Mestre Coração’, que eu adoro, acho uma letra maravilhosa! Eu parar e falar: “Pô, que legal, eu gravei essa música que eu ouvi tanto na minha adolescência”. É muito bacana isso.

 

P/1 – Legal! Tendo em vista o seu trabalho todo, com a confluência que você falou que tem do Clube e toda a música brasileira, pós Clube da Esquina pra cá, você acha que o Clube da Esquina... Quais as inovações você acha que o Clube da Esquina trouxe para essa música brasileira pós Clube da Esquina?

 

R – Olha, um monte. Eu acho que até lá fora, né, os americanos, quando escutam aquelas coisas lá do Milton, aquelas músicas impressionantes do Milton... Porque também tem uma coisa que o Tavito me alertou, que foi muito legal: você pega as coisas do Gershwin e do Cole Porter, elas são geniais, completamente geniais, influenciaram a Bossa Nova, influenciaram o Clube da Esquina também, mas têm certa previsibilidade, você sabe mais ou menos para onde a pessoa está indo na harmonia. E o Milton, o Toninho, eles já têm uma coisa que é imprevisível assim, isso que é uma coisa que eu acho que os músicos vão entender mais, né? Antigamente tinha um livro que falava: “Dó, primeira de dó, segunda de dó”, quando você faz sola com sete, mas sempre caindo dó... São as coisas óbvias. Isso tem um monte de clichês, em todos os estilos de música tem isso. E o legal do Clube da Esquina é que eles não têm muito isso, eles sempre têm uma surpresa, onde você acha que o correto – entre aspas –, o óbvio, seria você cair naquele acorde ali. Eles “pá”, jogam outro. Você fala: “opa!” Isso é coisa do... O Tom Jobim tem isso. Mas eu acho que o Milton tem muita surpresa, a música do Milton Nascimento tem muita surpresa, nesse sentido. E o Tativo me alertou pra isso uma vez, e eu falei “é mesmo”, quer dizer... E estudando as músicas para fazer as releituras foi mais legal, porque aí a gente: “Olha que legal o que eles fizeram aqui”, né? Porque analisa a música, primeiro fala: “Ó, usou esse acorde, usou esse aqui, então o que a gente pode mudar que vai ficar legal?” Para fazer as nossas mudanças, a gente analisava aqui. Que foi uma coisa, inclusive, que abriu um monte de coisa pra eu compor as músicas do ‘Belê’ do meu disco novo, entendeu? Eu peguei muita... Recebi muita coisa boa dessas audições do Clube da Esquina. Apesar de eu achar que o meu disco não parece o Clube da Esquina, mas... Tem Clube da Esquina ali, é claro! Entendeu? Tem muita coisa. Lá no Rio eu soube que tem uma rádio que falou que achava que era Clube da Esquina, o meu disco.

 

P/2 – Então você diz que, tipo assim, nem ele fala da influência atual, né? Então até você acabou entrando nessa e se integrando.

 

R – É, eu acho que o Skank tem, entendeu? Eu acho que o próprio Jota Quest tem um pouquinho. Assim, por mais pop que eles estejam tocando, sempre tem, porque ouviram, porque é bom, porque quando você escuta é bom, entendeu? E tem muito sucesso, tem muita música. Nós fizemos dois discos com quatorze músicas cada um: 28 músicas. Mesmo assim a gente fala: “Pô, ficou faltando aquela, ficou faltando aquela outra!”, “Pô, devia ter colocado aquela outra”. Eu só não fiz mais um porque eu queria fazer o meu autoral também, o ‘Belê’ (risos).

 

P/1 – E Afonsinho, então, o que você acha de estar dando essa entrevista pro Museu Clube da Esquina? O que você acha dessa iniciativa?

 

R – Ah, eu acho muito legal isso, a história toda do Museu é muito bacana. O Brasil precisa dessas coisas de memória mesmo, senão a gente esquece. As coisas vão acontecendo muito rápido nesse mundo de hoje, então o pessoal esquece rápido, a gente tem que lembrar sim. Como é uma música forte... E eu acho bacana essa união, de as pessoas estarem mais próximas, as gerações se misturando. O Samuel mistura com o Lô... Isso é muito legal, porque troca, sempre um tem uma ideia, você fala: “pô, você toca desse jeito, você faz...” É assim que a coisa funciona, e acho que é assim que a coisa anda e evolui, daí a parceria, um acaba fazendo música com o outro. Eu aprendi muita coisa com o Tavitão lá, eu que sempre fui um grande fã dele. Inclusive, as músicas dos dois ‘Esquinas de Minas’, algumas eu levava na casa dele antes, chegava e falava: “Olha Tavito, mexi aqui, ali, mudei isso tudo aqui, o que você acha?” Ele falava: “Não, está legal!” Entendeu? Levava antes, porque eu falava: “Não vou mudar assim, sem o aval de um cara que participou, que estava ali dentro, que, enfim, tem um peso ali, tem história junto com eles”. Então eu acho que essa mistura é muito bacana, acho o Museu muito legal. Tinha que ter evento sempre, juntar a galera mesmo pra tocar. Porque é impressionante como tem artista talentoso aqui em Minas, e precisa ter mais união mesmo, o pessoal estar mais junto, como acontece em outros estados, que... Por que não misturar as coisas aqui e o pessoal tocar junto mesmo? Esse evento do Clube da Esquina, que teve no final do ano passado, em dezembro, eu toquei com o Tavito e toquei sozinho também. Foi muito legal, porque veio todo mundo. Veio Fredera, veio o próprio Tavito... Foi bacana demais, deu o maior ibope, estava lotado! Foi uma festa maravilhosa, correria total pra produzir aquilo tudo e dar tudo certo. E deu tudo certo, foi maravilhoso.

 

P/1 – Que beleza. A gente tem que encerrar agora, porque o outro entrevistado já está esperando.

 

R – Tá.

 

P/1 – Mas eu queria que você falasse... Assim, caso tenha alguma coisa que a gente não tenha te perguntado e que você queira deixar registrado aqui no nosso acervo do Museu. Uma coisa que a gente não tenha perguntado que você gostaria de dizer; você tem algo a completar nessa entrevista?

 

P/2 – Pode ser uma lembrança também, uma história.

 

R – Assim, que tenha a ver com o Clube?

 

P/1 – Não, sua mesmo, que você gostaria de deixar registrado aqui no Museu Clube da Esquina.

 

R – Olha, eu achei muito bacana o encontro lá do meu pai com o Salomão, achei muito legal o Marcinho ter filmado isso, de ver os dois com uma vitalidade muito bacana. Foi realmente emocionante ver os dois conversando e lembrando das histórias engraçadas do Grupo Dom Pedro II, que é uma coisa que também devia estar sendo preservada. Você passa hoje em frente ao Grupo Pedro II, está tudo pichado, tudo... Coisa linda daquela, cheia de história... Quanta gente passou por ali? Então achei muito bonito. Queria falar também um pouco dos letristas, do Fernando Brant, do Ronaldo, do Marcinho, do Murilo Antunes, que também fizeram essa história, da coisa da poesia musicada mineira, que é muito legal. Muitas letras fizeram parte da minha vida, das letras que eles escreveram, fizeram parte da minha vida, das minhas horas boas, dos meus namoros, das minhas paixões. E muitas foram como aulas para as coisas que eu escrevo hoje. Fico muito orgulhoso de a gente também ter nossos “Chicos Buarques” aqui, entendeu? O Fernando, o Marcinho, colocando o Chico como grande letrista brasileiro, mas nós temos os nossos aqui: Fernando, Marcinho, Murilo, Ronaldo, e o meu grande parceiro Chico Amaral também.

 

P/1 – Beleza, Affonsinho. Eu queria agradecer em nome do Museu Clube da Esquina e do Museu da Pessoa, obrigado por sua participação.

 

R – Eu agradeço muito, muito legal.

 

P/2 – Obrigada você.

 

R – Maravilhoso estar aqui.

 

P/1 – Obrigado.

 

R – Falou!

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | portal@museudapessoa.net
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+