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Minha história na EMEF Infante Dom Henrique

História de: Maria Lucia
Autor: Carlos Eduardo Fernandes Junior
Publicado em: 12/07/2019

Sinopse

Maria Lúcia nasceu em Teresina no Piauí, filha de uma família abastada, viu ainda na infância e adolescência a crise econômica de seu pai. Com isso migrou para diversas cidades do Norte. Estudou biblioteconomia, viu-se obrigada a mudar de área e encantou-se com a Geografia. Tem uma forte relação com os rios de nosso país. Migrou para São Paulo onde teve um filho que é muito amado por ela. Maria Lúcia tornou-se professora e passou a lecionar nas redes públicas do estado de São Paulo e para o município de São Paulo. Ao se relacionar com a cidade tem levado a frente as questões de sustentabilidade com o planeta que habitamos.

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História completa

Tenho histórias interessantes sobre a EMEF Infante Dom Henrique. No primeiro momento, eu vim para o Infante porque eu morava aqui na Pedro Vicente. Tem o Metrô Armênia e tem o caso do meu filho, ele estudava aqui, que ele já se formou, agora faz faculdade, aqui no Colégio da Polícia Militar, no Panelão. Então para mim era muito prático, ia ao Panelão, deixava o meu filho na Cruzeiro do Sul e vinha para cá. Eu ingressei na prefeitura no Edu Chaves, depois eu fui para Voluntários da Pátria, depois eu voltei para Vila Guilherme, para Oliva Irene, depois eu fui para São Miguel, lá para o rumo da Vila Cisper. E eu trabalhava numa escola que o governo, PSDB, também fechou, que foi o Prudente de Moraes, que foi doada para a Pinacoteca. Sutileza do governo, maravilha, fechando escola. Como fechou essa escola, eu vim para cá porque ficava prático. Eu tinha aqui o Infante e, ali próximo da rota, eu tinha a Escola Prudente de Moraes, que é colada na Pinacoteca. Que foi doado o terreno da escola para a Pinacoteca. E dava para eu vir andando. Dava para fazer tudo isso andando e estar sempre perto do meu miúdo, que era a minha prioridade estar sempre colada nele. E num primeiro momento, não só por essa facilidade, mas também porque eu morava aqui e eu conhecia muita gente daqui. Praticamente era como se eu estivesse em casa. Lógico que quando eu cheguei aqui, a comunidade na época era muito distante da escola. Hoje, essa comunidade tem se aproximado mais, acho que por conta dos projetos. Mas ela era muito arredia. A gente sofria muito com entrada, com saques. Hoje deu uma maneirada nisso, a coisa está melhor.

 

Depois deste primeiro momento eu consegui comprar um apartamento longe daqui e estou quase em Diadema. Eu levo uma hora e meia, duas horas para chegar aqui, vou para a escola do Estado, porque como o governo cedeu, fechou a minha escola, que era a Prudente de Moraes, para não ficar ardida (gente fala ardida no fogo do inferno), que é quando você fica sem escola, eu fui para uma escola chamada Silva Jardim, em frente ao Metrô Tucuruvi. Como daqui para lá dão uns 20 minutos de carro, não tem problema com acúmulo. Eu sempre me pergunto: “Gente, porque eu não exonero o Estado?”. Porque eu amo aquela escola. Porque trabalhar todas as tardes para ganhar mil e poucos reais, ninguém merece. Não paga as suas contas. Lá a gente tem uma comunidade de fora, é estrangeira. Aqui a comunidade é do entorno, é um diferencial. Lá eu tenho alunos de Guarulhos. Lá eu tenho alunos do Jova Rural. Lá eu tenho aluno do Jardim Elba, do Jaçanã e um aluno migrante que eu falo, mas é muito legal, porque eles têm um carinho pela escola muito grande com 40 alunos em sala de aula. São dois mundos, são escolas públicas, mas cada uma com a sua identidade e com o seu compromisso em relação à educação, tanto por parte dos pais, quantos dos professores, quanto do próprio aluno. E aqui não. Aqui, eu praticamente estava no meu quintal. E eu fui ficando, fui ficando e foi mudando.

 

Nós temos o Infante de oito, nove anos, que era o de tomar porrada mesmo, e o Infante que está com uma nova cara, que a ideia é fazer com que a comunidade entenda que essa escola não é da Maria Lúcia, não é da professora Rosângela, essa escola é deles, que eles têm que valorizar, que eles têm que preservar e que eles têm que amar, que está no lugar deles, no território deles, está no quintal deles. Então essa movimentação e essas etapas distintas, acabaram me fazendo ficar aqui. Eu estou indo para mais de dez anos aqui. Tanto é que não pedi remoção para onde estou agora, porque você cria um vínculo. Não é acomodação, você cria um vínculo. Porque a maioria das... Eu acho que dificilmente uma escola, no caso assim de uma escola com a Infante, ela fica todo dia com a mesma cara. Aqui, se você vier uma semana, você vai ver que todo dia é uma coisa diferente, é uma história diferente. E isso é um desafiador. Às vezes eu fico estressada, eu fico louca da vida, eu fico virada no Jiraya. Eu uso o termo “eu vou amolar o pau” e tal. Mas isso que faz a diferença. É a questão de não cair na rotina, cada dia é um dia. Quando cai na rotina, perde a graça. Aí, mulher, é melhor você arrumar a mala e migrar, ir para outro lugar, porque não dá para você ficar mais aqui.

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