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Na cozinha do Clube

História de: Mário Castelo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/10/2019

Sinopse

Mário sofreu a resistência do pai quando decidiu tocar bateria, mas insistiu. Em pouco tempo estava tocando na banda de Lô Borges. Formou-se em Engenharia e até tentou trabalhar na área, mas a música era sua vocação. Nesta entrevista, ele nos conta sobre sua carreira e seu contato com o Clube da Esquina.

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História completa

P – Mário, bom dia. Vamos começar aqui nosso bate-papo. Eu gostaria de começar pedindo para você dizer seu nome, local e data de nascimento.

 

R – Meu nome é Mário Castelo Branco, conhecido como Mário Castelo - o Branco eu não sei porque eles tiraram. Nasci em cinco de dezembro de 1955 em Belo Horizonte.

 

P – Fale o nome dos seus pais também.

 

R – Meu pai é Roberto Mário Castelo Branco e minha mãe é a Amália Gomes Batista Castelo Branco.

 

P – Mário, como você começou na música? Seu interesse pela música.

 

R – Eu comecei… Eu era menino. Tinha uma banda do Eduardo Campolina, que é professor da Universidade Federal hoje; ele tinha uma banda com os primos dele, o Serginho Porquinho, que trabalha com o Cidade Negra, que tocava bateria, e o primo dele. A gente ia vê-los tocar na casa deles na Rua São Paulo, perto do Centro ali e eu fiquei apaixonado, já gostava de música desde garoto e fiquei apaixonado pela bateria. O Porquinho era canhoto, eu ficava só vendo eles tocar. Eles tocavam Yes igualzinho, era um trio incrível; eu ficava impressionado, o Campolina tocando guitarra. 

Comecei a tocar e comprei uma bateria pra mim, aí meu pai mandou eu tirar a bateria de casa, chutou minha bateria. Não queria saber, queria que fosse estudar, aí eu insisti. Essa bateria eu tive que jogar fora e comprei outra bateria à prestação, foi quando eu conheci o Paulinho. Aí eu montei uma banda, uma bandinha com uns amigos meus que hoje não são músicos, são arquitetos, engenheiros; montei uma banda com eles e fomos ensaiar. Fizemos um show no colégio Padre Machado e eu conheci o João Boa Morte, o Maurinho Rodrigues e o Paulinho Carvalho; eles estavam na banda, o Serginho Porquinho estava na banda, [foi] ele quem me chamou para fazer o show junto com eles, aí eu conheci o Paulinho Carvalho. O Paulinho Carvalho gostou muito de me ver tocando e eu comecei a tocar mais profissionalmente na banda do Lô. 

Quero dizer, a primeira banda que eu tive foi a banda que acompanhou o Lô Borges. Éramos eu, o Cláudio Venturini, o Paulinho Carvalho e o André Dequech. Aí eu comecei a tocar mesmo, comecei a estudar na Fundação de Educação Artística, junto com o Paulinho do Uakti que estudava lá também, começando. A gente começou a tocar e aí já começou a fazer show direto com o Lô, logo depois do lançamento do Via Láctea. Foi aí que eu comecei a tocar e não parei mais, estudando e tocando, estudando Engenharia e tocando bateria.

 

P – Você estudou Engenharia?

 

R – Formei em Engenharia, curso superior de Engenharia. Fui levando, empurrando com a barriga e fui tocando, fazendo os dois aos mesmo tempo. O Paulinho Carvalho também começou com Engenharia, tem um monte de músico amigo meu que é assim: um é arquiteto, o Juarez Moreira é engenheiro, Paulinho fez Engenharia e parou no meio do caminho. Fiquei amigo do Paulinho e a gente foi tocando, a gente sempre tocando junto, acompanhando o Lô. 

Tinha uma banda que se chamava O Tom de Sempre, com Chico Lessa, o Lô Borges. A gente começou a fazer show com o Lô, eu Paulinho, Dequech e o Ganso [Cláudio Venturini], aí foi quando nós começamos.

 

P – Assim começa seu envolvimento com o Lô...

R – É, foi. O meu primeiro envolvimento musical mais profissional foi com o Lô porque ele já era uma celebridade musical na época, no final dos anos 70 e ele já tinha gravado Via Láctea. E o lançamento do disco Via Láctea eu fiz com o Lô. Foi um show em Itabira, foi o primeiro show que nós fizemos, em Santa Luzia; fizemos alguns shows aqui pelo interior e depois fomos para São Paulo. 

Eu comecei a tocar assim, meio que de susto. Parece que foi uma sorte, porque estar tocando nas bandinhas que todo mundo toca, fica um tempão tocando nas bandinhas… Mas de repente eles gostaram de me ver tocando e eu fui tocar. Fiquei meio assustado, porque tocar logo de cara com o Lô Borges... Que rabo de foguete! Comecei a tocar com eles já de cara, ensaiando pra danar, foi muito bacana. 

 

P – Como foi seu primeiro contato com o Clube da Esquina, você se lembra? 

 

R – Esse contato que eu tive com o Lô. A gente começou a fazer muito show e eu comecei a conhecer o pessoal todo do Clube. Conheci o Wagner Tiso, toquei com ele um tempo, quero dizer, fiz alguns shows com o Wagner meio que assim, o Robertinho Silva era quem fazia e quando ele não podia fazer: ”Bota o Mário lá pra tocar” e tinha que ir. Eu sempre fui um sub nessa praia aí, o Robertinho não podia, [eu] ia, eu, o Neném não podia, ia eu. 

Eu conheci o Neném na época que tocava na Arca de Noé com o Fernando Orli. A gente montou a banda do Lô, aí o Cláudio entrou para o 14 Bis. Nós montamos a banda do Lô com o Fernando Orli, o Paulinho, O Telo e o Lô. Fui conhecendo naturalmente a família do Lô toda, a Dona Maricota, o Seu Salomão, Marcinho, Marilton. Toquei muito tempo com o Marilton, fazendo a noite de Belo Horizonte com o Marilton. Enquanto não tinha show com o Lô o Marilton me chamava para tocar nas casas noturnas em Belo Horizonte, eu o Paulinho. 

Tudo que o Paulinho fazia eu estava fazendo junto, de parceiro; a gente era uma cozinha meio constante, onde estava um estava o outro. Nessa eu conheci o Toninho, pintou a gravação do disco dos Borges e a Duca me chamou para participar do disco dos Borges. Fui embora para Rio, fui gravar o Nuvem Cigana do Lô, aí já estava envolvido com o Toninho, com o Wagner, com o Tavinho, com o Murilo, o Ronaldo. A gente se conheceu naturalmente neste ambiente de gravação no Rio de Janeiro, aí eu fui me envolvendo naturalmente com esta rapaziada toda - o que pra mim é uma honra, pelo amor de Deus. Gravei o Nuvem Cigana do Lô, eu e Robertinho meiamos o disco; pra mim, encontrar o Robertinho assim de cara e ficar amigo dele foi um barato. Eu era um garoto e me sentia nas nuvens. “Pôxa, eu estou fazendo um disco junto com o Robertinho Silva? Eu sou a pessoa mais feliz do mundo.”

 

P – O Clube da Esquina é considerado pelos musicólogos como um movimento. O que você acha disso? Você acha que o Clube da Esquina foi um movimento?

 

R – Foi naturalmente um movimento. Era uma turma, gente, era um clube. A rapaziada mesmo chamou de Clube da Esquina. “Vamos botar um nome nisso aqui”, quero dizer, podia ter outro nome. Era uma turma que se reunia numa esquina para tocar, eu vivia na porta da casa do Lô e a gente ia pra casa do Paulinho -  o Paulinho morava um ou dois quarteirões da casa do Lô. Tinha acabado de casar e a gente ensaiava na casa do Paulinho, o Nuvem Cigana foi todo ensaiado na casa do Paulinho. 

A gente vivia em Santa Tereza, estávamos sempre ali nos barzinhos, encontrava a rapaziada toda ali mesmo. Ao meu ver, isso era o Clube da Esquina. A função dele era de ser um movimento musical, acho que era um movimento musical importante, porque as pessoas iam ver os shows e ficavam impressionadas de ver a musicalidade de todos, do Wagner [Tiso] [no] show com o Som Imaginário que eu fui ver. Eu fui ver o show do Som Imaginário em Brasília com o Paulinho, porque a gente foi ver se arrumava show para o Lô. Fomos junto com o pessoal do Som Imaginário, com o Fredera, o Jamil, o Wagner, o Nivaldo Ornelas. A gente ficou no mesmo hotel. Eu era muito novo e me sentia já integrante da rapaziada. 

Eles chamavam de Clube da Esquina, mas era uma turma que fazia música e música muito boa, no meu ver foi isso. Eu entendo isso [como] uma coisa natural e quanto mais natural mais legal é também, porque não tem forçação de barra para fazer música - igual hoje, você força a barra para fazer uma música que o público vá gostar. A gente não fazia música que o público ia gostar, a gente fazia música porque a gente gostava de fazer.

P – E o Bituca, como foi o contato com ele?

 

R – A gente se encontrou no Rio. Eu conheci o Bituca já gravando o Nuvem Cigana mesmo. Quando estávamos gravando o Nuvem Cigana no estúdio o Bituca foi gravar uma música com o Lô. O Beto Guedes foi quem tocou bateria nesta música, eu não toquei bateria nesta música. Nós passamos o dia inteiro gravando a música e o Bituca gravou. 

Eu o conheci esta época. Eu não me lembro bem, a gente foi se conhecendo e eu tocava com o Paulinho, o Paulinho tocava com o Bituca há muitos anos e eu conheci o Bituca naturalmente. “Poxa, o Mário.” A gente foi se conhecendo, tudo naturalmente.

 

P – Vocês fizeram um show com o Bituca agora, não é?

 

R – É, dentro deste projeto com o museu. A gente está como cozinha [bateria e baixo] do Clube da Esquina, eu e Paulinho, porque [pra] todo mundo que toca a Claudinha chama a mim e o Paulinho para fazer a base, a bateria e o baixo. 

Eu tenho muita afinidade com o Paulinho Carvalho porque a gente toca juntos há muitos anos, então eu nem preciso olhar pra cara dele que eu já sei por onde ele vai. A gente toca muito justinho, o nosso jeito de tocar é muito interessante, eu gosto muito de tocar com ele. Eles chamaram a gente para tocar junto com a rapaziada toda; por exemplo, o Toninho vai tocar, a gente vai, já sabemos as músicas todas, vai meio de improviso. A meninada toda vai tocar, o Yan, o Xexéu, João, o Gabriel do Marcinho Borges, então junta a turma dos meninos, é a gente que toca; o Rodrigo Borges, filho do Marilton, então tem uma rapaziada. Tanto os garotos quanto os mais velhos, quem faz a cozinha somos eu e o Paulinho. 

Este negócio do museu está superlegal porque a gente é a cozinha do Clube da Esquina, eu e Paulinho, então estes shows todos somos nós que estamos fazendo, para nós é um barato. Foi aí que a gente entrou nessa do Museu do Clube da Esquina e honradamente somos sócios fundadores do Museu. Entramos nessa, então está bacana.

 

P – Mário, e na sua trajetória como músico, tem algum ponto marcante que você queira deixar registrado aqui?

 

R – Olha, eu já toquei com muita gente. Tenho até um currículo que eu passei para vocês e vocês vão ver. Olha, eu já toquei com o Tavinho Moura, com o Toninho Horta, eu fiz uma participação no disco Aqui Ó do Toninho. Eu gravei com os Borges no disco Os Borges, o Nuvem Cigana do Lô. 

Depois eu parei um pouquinho com o Lô e fui tocar com o Marco Antônio Araújo, falecido Marco Antônio. Eu gravei dois discos com ele, pra mim os melhores, o Influências e o disco do cisne [Quando A Sorte Te Solta Um Cisne na Noite]. Eu passei muito tempo tocando com o Marco Antônio, que era uma coisa mais progressiva, e saí um pouquinho do Clube, porque o Marco Antônio era tido mais como progressivo, era meio fora do Clube, porém era amigo de todo mundo; na época tinha um negócio assim, mas no fundo era amigo de todo mundo. Eu toquei muito tempo com o Marco Antônio, foi uma fase importante da minha vida. 

Depois eu voltei a tocar com o Lô e o Neném tocando com um monte de gente. O Neném é para mim um dos melhores bateristas do mundo, eu considero o Neném um dos maiores músicos que eu conheço; ele tocava com o Flávio e foi tocar na banda do Beto. Toda vez que o Neném não podia tocar eu entrava em cima da hora. “Mário, faz o show ali”, então eu tinha que fazer um para-casa, ensaiar em casa e tocar com o Beto. Foi assim que eu fui conhecendo. 

Momentos marcantes para mim foram esta participação com o Marco Antônio Araújo, porque eu toquei muito tempo com ele, gravar o Engenho Trapizonga com o Tavinho Moura, que foi muito legal; o Tavinho me convidou e foi muito bacana. Nós fizemos um ensaio de muito tempo com o Tavinho lá na casa do Túlio Mourão - eu Túlio Mourão e Paulinho - e fizemos a gravação do Engenho Trapizonga que foi um barato. Adoro este disco, acho que nem tem ele em catálogo mais, são pouquíssimos LP’s. Eu tenho um que ganhei porque o primeiro me roubaram, sumiram com ele e esse outro eu ganhei de um pai de um aluno meu, me deu novinho. Eu tenho lá guardado com o maior carinho. 

Os shows com o Beto que eu fiz são bacanas e esta participação com o Milton foi o seguinte: dentro deste projeto do Museu do Clube da Esquina, a gente está sempre tocando. A Claudinha chamou a gente para ir para Três Pontas e o show ia ser com o Milton Nascimento. O Toninho Horta, o Milton, o Telo e então a gente foi a cozinha de sempre. Chegando lá, o Marcinho recebeu a comenda de Cidadão Honorário da cidade e fomos um dia antes para ver a cerimônia, que foi muito bacana, muito emocionante. 

Depois da cerimônia, a Cláudia falou: “Estamos liberados, o show é só amanhã.” Nós fomos tomar uma cerveja, fazer uma festa. Quando estávamos todos na cerveja, o Bituca fala assim, às dez horas da noite: “Quero ensaiar.” Aí fomos correndo para o teatro ensaiar. “Pôxa, ensaiar agora? Nós já tomamos um monte de cerveja.” Chegamos lá e ensaiamos até as duas da manhã com o Bituca e no dia seguinte ainda fomos para o boteco de novo. 

No dia seguinte, o Mário quietinho, uai. A responsa de tocar com o mestre Bituca… Fizemos um show que foi um barato, foi maravilhoso. O teatro lotado, eu toquei umas oito músicas com o Bituca: eu, Paulinho e Telo, o Marcos Elísio, que é um violonista, e uma meninada cantando. O show foi muito bonito, impressionante. O Bituca gostou demais. 

Passou um tempo, eu fiquei sabendo que ele falou que gostou demais de tocar com o Mário e com o Paulinho. “Eu queria que eles tocassem em um show comigo”, falou com a Marilene, empresária dele. Ela falou: “Porque você não chama eles?” Aí ele: “É mesmo.” “É, uai. Chama eles para fazer uma participação no show.” Aí a Marilene liga pra Paulinho, Paulinho me liga e fala: “Temos dois shows para fazer com Milton Nascimento.” Eu falei: “Que é isso, Paulinho?” Ele falou “É, nós vamos fazer uma participação especial, convidados especiais.” 

Nós tocamos nos dois últimos shows da turnê do Milton no ano passado em dezembro, foi um show em Juiz de Fora e o outro em Barbacena. Tocamos umas duas ou três músicas com o Milton, no meio do show eu entrei no lugar do Lincoln, o Paulinho entrou no lugar do Gastão e nós fizemos uma participação. Foi uma honra, foi muito bacana. Um momento marcante para mim é estar tocando na banda do Milton Nascimento. 

 

P – Mário, e suas influências de bateristas?

 

R – Eu sempre gostei muito do Paulo Braga, Robertinho Silva, Neném, dos músicos brasileiros. Tenho muita influência de músico de rock n’ roll, de progressivo, Bill Bruford, do Yes. Quando eu era garoto eu o adorava. Tenho algumas influências mais novas de jazz, como Jack DeJohnette; o Omar Hakim, que é o batera que toca com o Sting, eu gosto muito dele e tem vários outros. Se eu falar tudo pra você vai dar uma lista de todo tamanho. 

Gosto muito do Serginho do Roupa Nova, mas a influência que eu tenho mesmo, que eu gosto é do Robertinho Silva, do Neném, o Lincoln que eu acho que toca muito bem bateria. O Glauquinho Nastácia, que é um garoto da nova geração, eu acho um barato ele tocando; o Haroldo Ferretti do Skank, a gente acha: “Pôxa, o cara não toca?” Eu fui vê-lo ele de pertinho tocando, o garoto está tocando pra caramba. A gente faz show do Lô com o Samuel, é um projeto importante que a gente sempre teve aí; é um show meio bissexto, porque depende da data do Skank e do Lô, a gente faz um show do Lô e Samuel. Nessa de fazer show com o Samuel, ele sempre me chama: “Vamos para o show, para afinar a bateria para Haroldo?” Eu vou achando que só vou ver o show, [quando] chego lá vejo o Haroldo tocando e fico impressionado mesmo assim. Muito legal vê-lo tocando. Então estas influências são gerais, de Jack DeJohnette a Haroldo Ferretti, vamos dizer assim, mas com muito respeito a todos.

 

P – E o que você está achando desta iniciativa de um museu do Clube da Esquina?

 

R – Maior resgate, uma ideia maravilhosa;, nunca teve uma ideia dessa no Brasil, de movimento nenhum. Pra nós é uma honra, porque eu participei deste movimento na metade - ele é mais antigo, é do começo do anos 70 e eu entrei no final dos anos 70, garoto ainda. Pra mim é uma honra, é o primeiro movimento que faz esse resgate para a garotada, então é superimportante para a nova geração ver como era. 

Eu tenho sobrinhos que vão lá para casa e falam: “Tio, escuta esse disco aqui, é legal pra caramba.” Quando vou ver é o Revolver dos Beatles, eu acho superlegal isso. Eu falei: “Poxa, você está gostando disso?” Um garoto de dezesseis anos apaixonado pelos Beatles, pelo Creedence [Clearwater Revival]. Então eu acho que a rapaziada tem que conhecer o Clube da Esquina, que é da mesma época. 

Foi uma atitude brilhante da Claudinha e do Marcinho. Simplesmente isso, é o que eu tenho a dizer.

 

P – E tem mais algum caso que você queira deixar registrado aí?

 

R – É, tem muita coisa. Eu tenho um caso superinteressante. Eu parei com a música um tempo e me formei em Engenharia. Fui trabalhar com engenharia, foi meu primeiro casamento, então eu falei, “Vou ser engenheiro.” 

A música estava meio na baixa e arranjei um emprego na Mendes Junior. Fui trabalhar na Ferrovia do Aço e fiquei quase doido lá. Os caras me chamavam de Engenheiro Louco porque eu levei a bateria pra obra, coloquei-a dentro do meu quarto e ficava tocando bateria à noite no acampamento. 

Teve um caso interessante que eu fiquei sabendo pela rapaziada que o Tavinho Moura ficou com tanta raiva. “Porquê que o Mário foi mexer com engenharia? Ele tem que ficar tocando aqui com a gente.” Dizem que ele teve a ideia de pegar um ônibus, colocar todos os músicos dentro do ônibus e ir me buscar. Já pensou chegar na obra com um monte de peão, um ônibus cheio de músico maluco para me resgatar? 

Esse caso é superinteressante, foi engraçado, porque eu estava lá na obra e fiquei sabendo. Eles me telefonaram e falaram: “Olha, nós vamos aí te buscar. Você para com este negócio de engenharia.” 

Depois eu fui mandado embora da Mendes e voltei a tocar com o Chiquinho Amaral, com o Beto Lopes, com o Yuri Popoff em barzinhos em Belo Horizonte. Foi uma época muito legal, porque foi a efervescência de barzinhos em Belo Horizonte com música ao vivo foi no começo dos anos 80. A gente tocava só música instrumental. Foi muito bacana, foi uma época muito legal da minha vida. Foi quando eu voltei a tocar, aí eu não larguei mais.

 

P – Beleza, Mário, é isso aí.


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