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Nacional Kid

História de: Roberto Takaharu Oka
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/12/2012

Sinopse

Origem da família, japoneses instalados na zona norte de São Paulo. A infância e a convivência inserida na colônia japonesa. A paixão por música e a abertura da primeira loja de discos na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. A produção de discos de artistas consagrados e a criação de um selo musical. A conciliação do trabalho como comerciante e do seu emprego como funcionário de banco. O pioneirismo do comércio de artigos relacionados à cultura pop japonesa, especialmente relacionados a animes e mangás. Essas atividades nos bairros da Liberdade e na famosa Galeria do Rock. A loja atual.

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História completa

“Eu tive uma infância bem tranquila no Tucuruvi. Brincava na rua, como toda criança, e gostava muito de ler revistas e gibis; teve até um tempo na minha vida em que eu pensei em ser dono de banca de jornal. Na feira, na frente da peixaria do meu pai, tinha uma banca, e tinha um senhor lá que vendia revistas usadas. Elas eram bem mais baratas e eu vivia pedindo ao meu pai um dinheirinho para comprar. Meu primeiro trabalho foi como bancário, mas logo abri um negócio na Brigadeiro Luís Antônio, na galeria do Cine Paulistano, que foi a venda de LPs usados. Eu escutava muito esse comentário na minha família: ‘Nossa, ele vende disco usado.’ Era um pouco depreciativo, mas mesmo assim eu fiquei com loja e banco por algum tempo. Dali passei para a Galeria do Rock: loja 309. Eu comecei com uns sócios e, mais para a frente tive a minha própria loja, a Vinil Records, que ficava no número 348. E, bom, nesse meio tempo eu fazia viagens ao Japão, porque meus pais estavam lá e sempre tinha alguém me pedindo uma encomenda. E eu sei que nesse vaivém fui tendo cada vez mais contato com a cultura japonesa, ficando cada vez mais interessado. E, na volta de uma dessas viagens, eu aproveitei uma oportunidade para abrir outra loja na Liberdade. Eu abri uma loja que eu considero, e talvez consiga provar, que foi a primeira loja de anime do Brasil. Quando eu comecei ali, no início dos anos 90, vendia mais filmes tipo Ultraman e também aqueles desenhos japoneses antigos que passavam na TV nos anos 70: Super Dínamo, Fantomas. Muitos vídeos originais: Kamen Rider, Changeman, Jaspion, Jiraya. Mas a virada desse comércio aconteceu com o aparecimento do Pokémon. O Pokémon, quando explodiu, foi um marco. Deu tão certo que a gente começou a se aventurar no universo do anime; até mesmo a fazer eventos de anime. Posso dizer que a minha loja também é precursora de eventos e participação. Nós fizemos praticamente todos os primeiros eventos desses grandes eventos hoje, como o Anime Friends, que deve estar na 10ª ou na 11ª edição. O Animecon, que seria o segundo maior, também a gente participou e é bem mais antigo; nós participamos de quase todos. Tivemos a fase do cosplay também, as fantasias. O cosplay foi uma novidade que apareceu na metade dos anos 2000, com um desenho chamado Naruto – é graças ao Naruto que existem todos esses eventos, todas essas lojas. Quando nós vamos a esses eventos, participamos com estandes de venda e ali vendemos camisetas, cosplays, colares, bandanas, camisetas; basicamente vestuário e acessórios. Atualmente eu fechei a loja da Liberdade e estou com duas lojas na Galeria: uma de discos e outra anime. Minha impressão é que a Galeria não é mais uma galeria só de música, porque as mídias tradicionais estão enfraquecidas, tanto CDs como DVDs. Eu não culpo nada: não culpo pirataria, não culpo internet, não culpo facilidade, não culpo nada. Acho que foi uma evolução das coisas; o estágio em que nós estamos é o estágio em que nós deveríamos estar. Acho que a Galeria do Rock agora é mais um ponto turístico que atrai o pessoal outsider, é mais uma galeria da cultura pop.”

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