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História

Nunca vou te esquecer

História de: Arthur Augusto Gomes Cotrim
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/12/2012

Sinopse

A infância passada no bairro de Santana onde mora até hoje. As atividades profissionais dos pais, já envolvidos com a arte da tattoo. O contato com esse universo e a sua primeira tatuagem. A montagem do primeiro estúdio, em parceria com uma prima, e o atendimento aos colegas de escola e clientes da região. Os avanços tecnológicos do segmento e as mudanças no comportamento das pessoas em relação à tatuagem. A abertura do estúdio de piercing e tattoo com a irmã. Os cuidados necessários para a prática dessa atividade e a diversidade no perfil de clientes.

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História completa

“Um dia veio aqui esse cara e falou que ele ia escrever o nome da ex-mulher dele, Marilda, Matilda, sei lá como é que era. Normalmente a pessoa escreve pequeninho, que é para fazer um agá com a menina. Mas não, ele escreveu aqui inteiro: ‘Nunca vou te esquecer.’ E ela tinha acabado de chutá-lo, de terminar com ele. O tatuador fazendo lá e a gente só atrás: ‘Meu Deus, o que esse cara está fazendo?’ Aí chega a mulher, uma mulher enorme; entra lá, não fala oi pra ninguém. Entra direto na sala, senta na frente dele e fica olhando pra ele. Sem brincadeira, ela ficou olhando pra ele uns 15 minutos e ele olhando pra ela. O tatuador começou a suar e aí ela foi embora. O cara terminou a tattoo, não falou com ninguém e foi embora atrás dela. Sei lá no que deu aquilo, mas ficou na memória aquele dia, um negócio constrangedor. A gente aconselha a não fazer o nome de ninguém, mas o cara é maior de idade, ele sabe o que faz da vida. Quase todos os que fazem, depois de alguns meses, voltam para cobrir com a gente; então cobertura lá é o tempo inteiro, tatuagem velha, tatuagem antiga, vai reformar, refazer tatuagem antiga, tem muito. É quase metade, porque as pessoas se arrependem. Fazem sem pensar, depois querem voltar e dar um jeito de consertar. Normalmente não fica bom. Esse segmento é péssimo se o cliente fica insatisfeito, porque na maioria das vezes não tem o que fazer. É o único mal. Mas, por outro lado, tatuagem de verdade, quando ela é bem-feita, quando é do jeito que é para ser feito, não tem preconceito. Tem casos de menininhas que vão com o pai, o pai odeia tatuagem. Aí fica lá; quando terminam, o pai gosta tanto que às vezes até volta pra fazer uma também. Acho que preconceito sempre vai existir, sempre vai ter pessoas que têm outra opinião, mas eu penso que está evoluindo. Depois do “Miami Ink”, que passou na televisão, a tatuagem virou outra, porque as pessoas começaram a ver a tatuagem como uma coisa artística, não como uma coisa de bandido. Aqui aparece todo tipo de gente. Tem uma advogada federal que tatua com a gente; ela é uma loira, alta, magrinha, você nunca iria imaginar que ela tem tatuagem. Nas férias, ela sempre faz uma tattoo novinha, qualquer coisa e vai embora. Até vovozinha tatuando borboleta tem. O que um bom tatuador tem que fazer? Ele tem que fazer o traço retinho, tem que pintar de uma forma homogênea, é isso. Tem tatuadores brilhantes, que são artistas e fazem uma obra de arte, mas, comercialmente falando, o mínimo é ter um traço certinho. Acho difícil falar quem é bom e quem é ruim. Eu mesmo não tenho um estilo que eu fale: ‘Ah, esse é o meu estilo, eu faço isso!’ Eu tatuo o tempo inteiro, eu tenho que fazer de tudo, porque muitas vezes chega alguém que quer fazer alguma coisa e o tatuador que faz não pode fazer aí eu tenho que fazer. Eu aprendi a fazer de tudo um pouco, mas eu fujo do realismo, fazer rosto. O que eu gosto mesmo é Maori, tatuagem bem colorida, grafite, a chamada New School. Mistura de grafite com tatuagem, que são tatuagens bem coloridas, cheias de volume; isso eu gosto de fazer.”

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