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História

O homem dos grandes negócios

História de: Aurelino Soares da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/10/2016

Sinopse

Aurelino nasceu no interior do Piauí, em São Raimundo Nonato, em 10 de maio de 1935. Desde cedo auxiliava seu pai no comércio de feira que realizavam nos arredores de São Raimundo conduzindo burros e vendendo nas tendas. Além disso, fazia redes com sua mãe e plantava alimentos no quintal de casa. Em 1945, Aurelino vem com toda sua família para Pereira Barreto, interior de São Paulo, para trabalhar numa chácara. Procurando uma vida melhor, se muda para São Paulo e trabalha em diversos escritórios, até chegar numa firma da Zona Cerealista. Em pouco tempo torna-se um dos mais importantes corretores de cereais do país. Foi presidente da Bolsa de Cereais do Rio de Janeiro e atualmente tem sua própria firma atacadista de cereais.

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História completa

Em 1945 viemos para São Paulo. Nós viajamos do município, pra chegar na cidade de Remanso a gente veio a cavalo e jumento. Era uma odisseia pra chegar onde nós chegamos: nós viajamos de jumento e cavalo até o porto da cidade de Remanso, pegamos o vapor em Remanso pra descer em Pirapora, na cidade de Pirapora nós pegamos o trem até aqui a estação do Norte. Da estação do Norte nós fomos subindo aqui a rua Mauá pelo trilho até a estação da Luz. Da estação da Luz nós fomos até, passando por Araçatuba e depois o ramalzinho que tem lá no rio Tietê, chama-se Lussanvira. E depois a cidade é Pereira Barreto, que é perto de Andradina. Isso demorou 40 dias e 40 noites. Então você vê como é comprida. Eu, meu pai, minha mãe. Meu pai trouxe mais uns dois ou três primos conosco, que eram sobrinhos do meu pai e da minha mãe. Eu não me lembro, acho que eram dois ou três, dois eu tenho certeza, que eram filhos de irmão da minha mãe. A viagem é histórica, bastante histórica. Porque na época não existia transporte, não tinha meio de transporte nenhum. Alguns que vieram vinham de jumento até o rio. Nós subimos o rio São Francisco, como os meus ancestrais todos subiram o rio São Francisco. Só tinha esse meio de transporte, o rio São Francisco. Na cidade de Remanso você pegava o vapor que saía de Juazeiro, onde o São Francisco deságua e ele subia. Nós pegamos, o vapor chamado Cotegipe que vinha até Pirapora. Subia o São Francisco, depois você procura lá que você vai ver os nomes das cidades de Remanso até Pirapora, tem Cidade da Barra, Bom Jesus da Lapa. Então eu subi o São Francisco em 1945 e tenho grandes lembranças porque tinha classe de cima e a classe de baixo e a comida era feita na classe de baixo e de vez em quando caía água lá de cima (risos), caía no que você estava fazendo. Mas foi uma viagem, pra gente com dez anos, eu me lembro bem, uma viagem muito interessante.

Tudo o que você vê hoje na televisão eu vi ao vivo com dez anos de idade subindo no rio São Francisco. Nós demoramos praticamente 40 dias pra chegar até o destino. São Raimundo Nonato – Pereira Barreto. De Pirapora nós pegamos um trem até São Paulo, aqui em São Paulo tinha um monitor que nos levou até a estação da Luz. Na estação da Luz nós pegamos um outro tem e fomos até o ramal que tem adiante de Araçatuba, chama-se Lussanvira. E de Lussanvira até Pereira Barreto nós fomos de charrete. E naquele tempo também não existia mala, você trazia dentro, chama-se matulão, era um saco, você pegava o que tinha, jogava dentro do saco, fechava. Esse saco comum, desse saco branco. Mas a turma chamava, quando você transformava ele em mala, que não era mala, chamava-se matulão. Carregava aquilo pra cima e pra baixo na cabeça, eu mesmo cheguei a carregar. Minha mãe era quem comandava, minha mãe, meu pai. Ficamos esperando. Ah, e as passagens, o governo dava passe. Quando chegamos em Pirapora o governo dava o passe do trem e nós ficamos uma semana em um albergue que tinha em Pirapora, que hoje não tem mais, esperando liberar o passe pra gente embarcar pra ir pro destino. Nós ficamos acho que uns dez dias por lá, e dormindo no chão. Nunca tinha visto nem veículo, só conhecia jumento e cavalo. Não, não. Antes de chegar aqui não tinha visto nada. Lá no interior do Piauí só via o sol e a lua. Já imaginou o que era o interior do Piauí há 70 anos? Na época da guerra, inclusive. Pra você ter uma ideia a primeira, lá chamava alpercata, não era sapato. A primeira alpergata que meu pai conseguiu comprar foi quando nós viemos pra São Paulo, eu tinha dez anos. Até então se andava descalço, era comum, não tinha, não se preocupava. Nós chegamos aqui no dia 21 de junho de 1945, no dia em que terminou a Grande Guerra. Eu me lembro num filme a minha tia que era casada com meu tio, ela era baiana, mas a alegria dela de nos ver e ela gritava porque a nossa chegada e o término da Segunda Guerra Mundial, 21 de junho de 1945.

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